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sábado, 3 de novembro de 2007

BRASIL, IRAQUE e PALESTINA

Jameel Al Juboury, presidente da Federação Geral dos Trabalhadores do Iraque:

‘Agressão aos palestinos atinge a todos que lutam pela soberania’

"A posição do Iraque de apoio e solidariedade ao povo palestino é a posição dos povos livres de todo o mundo", afirmou Jameel Salman Al Juboury, em entrevista ao HP durante visita à redação

HORA DO POVO - Que avaliação o senhor faz desta visita e dos contatos no Brasil ?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY - Em primeiro lugar, quero dizer que estou muito contente em visitar o Brasil, pois sempre tive desejo de conhecer vosso país.
Tentamos participar do congresso da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, atendendo o convite do presidente Antonio Neto, mas não foi possível devido às circunstâncias do bloqueio contra o nosso país.
Temos boas relações com povo brasileiro e com a Central.
Temos a nossa luta comum contra o imperialismo, e isto é muito importante.
Em nossa visita ao Brasil, em nossas reuniões com trabalhadores brasileiros, especialmente com Antonio Neto, presidente da Central, achamos muito importante para o desenvolvimento das relações entre os trabalhadores dos nossos países e para deter a agressão dos EUA aos povos.
Queremos trabalhar juntos contra essa política do governo dos EUA para que seja contida e não obtenha sucesso.

UNIDADE DOS POVOS
Todos os partidos e movimentos, todos os povos precisam estar juntos e formar uma grande frente para barrar os crimes dos EUA, para impedir que cometam mais crimes contra os povos de todo o mundo.
Nós sabemos que o governo norte-americano tem uma política contra os povos da América Latina, Ásia, África e, especialmente, contra os povos que querem viver em paz e manter sua independência.
A administração norte-americana não respeita a soberania, a liberdade, a opinião e nem as decisões dos povos, muitos menos os direitos humanos.
Os EUA não têm amigos, têm interesses e, enquanto tagarelam sobre direitos humanos, são contra os mais elementares direitos do homem.
Falam contra o terrorismo enquanto perpetram, estimulam e apóiam o terrorismo em todo o mundo, especialmente na Palestina, onde os assassinatos de crianças e idosos são perpetrados com tanques e armas americanas, tudo com o apoio dos Estados Unidos.
Essa política imperialista dos EUA também impõe sofrimento ao povo do Iraque, seja através das sanções – que afrontam as leis internacionais –, seja interferindo nos assuntos internos do Iraque via financiamento dos traidores do país que vivem nos EUA.
Há ainda as agressões dos aviões americanos e ingleses nas regiões norte e sul do país.
O povo do Iraque está junto, unido com seu governo, com o comando do país e gosta do presidente Saddam Hussein.
Por isso somos unidos e fortes e estamos lutando contra essas potências.
A administração norte-americana vive falando em democracia e sobre combate ao terrorismo.
Mas onde está sua democracia ?
Onde está seu combate ao terrorismo?
Por exemplo, no Afeganistão, sob intervenção dos EUA, bombardeiam todos os dias as populações pobres daquele país.
O povo da Síria tem suas colinas de Golan invadidas por Israel;
o povo libanês teve o sul do país invadido e continua sofrendo agressões;
a Líbia, o Sudão e Cuba passaram e passam por agressões e embargos.
Essa é a política dos Estados Unidos contra todos os povos que querem viver em paz.
Nós estamos seguros de que o governo dos EUA não alcançará vitória contra os povos, pelo contrário, tem colhido - e continuará colhendo - derrotas e mais derrotas nos últimos embates no mundo, inclusive com o Iraque.
Os EUA não podem fazer nada contra o Iraque porque não têm direito, não têm razão.
Os países estão lutando por sua liberdade, por sua independência e vão ser vitoriosos no final porque estão lutando por seus justos direitos.
Nosso povo está lutando por princípios em que acredita.
Existe uma imensa diferença entre lutar por princípios e lutar por interesses econômicos espúrios.
Os EUA não têm princípios, nem ideologia e estão perdendo a própria alma. Lutam apenas visando se apoderar do que pertence aos povos.
Nós acreditamos na vitória efetiva ao final porque lutamos contra a agressão, contra a discriminação, contra a "globalização" e contra a privatização.
O governo dos EUA diz que o Iraque, o Irã, Coréia Popular, são o demônio, diz que estes países são "eixo do mal".
Na verdade, estes são países que lutam contra o hegemonismo que a Casa Branca quer impor.
E essa conversa de Bush é uma tentativa de borrar a realidade, uma vã tentativa de confundir para esconder a verdade.
Assim, falam de "globalização" tentando esconder os problemas econômicos do III mundo, os problemas econômicos nos Estados Unidos e, sobretudo, abafar as evidências das agressões que caracterizam a política dos EUA.

HP – Que avanços ocorreram nas relações entre a Federação Geral dos Trabalhadores do Iraque e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY – Foram muito frutíferas nossas reuniões de trabalho, nossos debates, trocas de opiniões e de informações.
Firmamos um manifesto conjunto entre as duas organizações sindicais, cujo objetivo maior é fortalecer e desenvolver o trabalho comum entre os trabalhadores do Brasil e do Iraque.
Esta visita foi um sucesso porque somos povos amigos e temos boas relações com os trabalhadores brasileiros.
Necessitamos trabalhar juntos, sempre.
Esperamos que uma delegação da Central, encabeçada pelo presidente Neto, visite o Iraque para aprofundarmos as relações entre os trabalhadores dos dois países.

HP – Quais as conquistas sociais e as mudanças mais significativas que a revolução dirigida pelo partido Baath trouxe para os trabalhadores e para o povo iraquiano?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY – A revolução fez muito pelos trabalhadores e pelo povo do nosso país.
Por exemplo, a Lei do Trabalho, que garantiu a previdência, a seguridade social para a mulher trabalhadora, foi uma das grandes conquistas.
No terreno da organização sindical e popular houve imensos avanços.
Antes da revolução, os sindicatos eram ilegais e atuavam na clandestinidade, sob forte perseguição.
Vitoriosa a revolução, não apenas os sindicatos foram legalizados e estimulados, como todos os setores da população puderam se organizar de forma democrática.
Assim, a organização das mulheres, dos jovens e estudantes passou também a existir a partir de então.
A revolução garantiu a independência e protegeu a economia do nosso país. Construiu uma sociedade com base socialista.
As riquezas do Iraque foram nacionalizadas, especialmente o petróleo e outros recursos minerais.
A revolução deu autonomia aos curdos, que antes não tinham liberdade.
A revolução estabeleceu a reforma agrária, eletrificou o país e garantiu educação para todos.
Antes, nem as pessoas mais ricas eram alfabetizadas.
Para tornar efetivo o acesso das camadas mais pobres da população à educação foi instituída uma lei tornando obrigatório que as crianças frequentassem a escola, cobrando-se a responsabilidade das famílias.
A revolução iraquiana vitoriosa em 1968 foi liderada pelo presidente Saddam Hussein que comandou uma frente nacional composta pelo Partido Baath, pelo Partido Comunista, Partido Curdo e lideranças independentes.

HP – Que medidas de solidariedade estão sendo tomadas pelo governo do Iraque frente às agressões de Israel ao povo palestino?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY - A agressão contra os palestinos é uma agressão contra o Iraque e contra os povos amigos que lutam por sua independência e liberdade.
O que os palestinos estão sofrendo por parte do governo israelense tem o apoio do governo norte-americano.
Por isso, o presidente Saddam Hussein está convocando voluntários para lutar junto com o povo palestino e já se apresentaram como voluntários 7 milhões de iraquianos, homens e mulheres, dispostos a batalhar pela libertação de Jerusalém.
O presidente Saddam Hussein determinou que 1 bilhão de dólares do programa "Petróleo por Alimentos" seja aplicado em ajuda ao povo palestino e também está oferecendo medicamento e alimentos.
Durante esse período de intensificação das ações terroristas do Estado de Israel contra os palestinos foi enviada uma equipe médica para a Jordânia para tratar dos palestinos feridos.
Nos casos mais graves, os pacientes são levados de avião de Amã para Bagdá, onde há melhores condições para atendimento.
Esta nossa posição de apoio aos palestinos é também a posição dos povos livres de todo o mundo.
Redação

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

ALGO DE NOVO NA PALESTINA

http://free-palestine.deviantart.com/art/Who-is-Goliath-now-26711773
Há algo de novo na Palestina

Recebo do palestino Mohsen Ismaíl, residente na Faixa de Gaza o seguinte e-mail:

Em nome de Deus, Clemente e Misericordioso.
Caro Jirges
Diga aos seus leitores, David mudou de religião.
Agora ele é muçulmano.
Jirges
Diga aos seus leitores, Golias virou israelense.
Fala inglês e pilota tanques contra nosso povo.
Jirges
Peça aos seus leitores para prestarem atenção.
Além das pedras, nossas crianças estão ficando especialistas no manejo das fundas.
E que mestre melhor do que Davi na arte do manejo da funda?
Jirges
Há algo de novo na Palestina.
É o guerreiro David, cansado de ver o seu nome usado em vão.
Há algo de novo na Palestina.
É o muçulmano David contra o infiel Golias.
É o que me dizem os filhos de Alláh!
Al hamdu-lilLáh

posted by bourdoukan
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2007_08_01_archive.html


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Quando o sistema agoniza, não há DIREITO que resista!


*Captura e não seqüestro
Agora é oficial.
A ONU acaba de reconhecer que as Fazendas de Shebaa ocupadas por Israel pertencem ao Líbano.
Por tanto, quando os guerrilheiros do Hizbullah enfrentaram o exército israelense, eles estavam defendendo seu país.
Sendo assim, e de acordo com o Direito Internacional, eles não seqüestraram, mas capturaram os dois soldados israelenses, motivo esse alegado pelo governo de Israel para invadir o Líbano.
Os guerrilheiros do Hizbullah, por esse mesmo Direito, deixam de ser considerados terroristas e passam a ser patriotas, a exemplo dos maquis franceses durante a ocupação nazista.
É claro que falar em Direito Internacional nas atuais circunstâncias não quer dizer muita coisa já que para Bush et caterva, Direito Internacional e nada, é a mesma coisa.
Quando o sistema agoniza, não há Direito que resista.
Ou alguém ainda tem dúvidas sobre o ocaso do atual sistema?
Mas voltando ao Hizbullah, e para que não paire nenhuma dúvida, é muito importante ressaltar que ao defender o Líbano contra a invasão sionista, essa sua atitude pode ser comparada também aos resistentes que professavam a religião judaica no gueto de Varsóvia.
Eles, igualmente, foram vítimas de um governo títere, a exemplo do governo do Líbano, (ou alguém consegue explicar a imagem constrangedora do presidente Siniora cumprimentando Condoleeza Rice quando o povo libanês era massacrado?) que não esboçou nenhuma resistência e abriu suas portas aos invasores nazistas.
Todo mundo sabe o que aconteceu no gueto de Varsóvia.
Os resistentes eram chamados de terroristas (como a mídia faz hoje com o Hizbullah). Foram massacrados e os raros sobreviventes, lamentavelmente, repetiram, e continuam aplicando, os ensinamentos nazistas contra os palestinos.
E mais, em pleno século 21, os israelianos (governantes arianos de Israel) ocupam três nações (Palestina, Líbano e Síria) e ainda posam de vítima.
Com apoio, naturalmente, dos pilantras da mídia planetária e de seus asseclas, que confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresa.
*Publicado em Caros Amigos de agosto
posted by bourdoukan

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

GAZA CHORA A EXECUÇÃO DE SADDAM

Os palestinos realizavam neste sábado em Gaza os rituais de Aïd al-Adha (a Festa do Sacrifício, também chamada Aïd al-Kebir), que dura quatro dias, entristecidos com a execução de Saddam Hussein.
Os festejos começam a partir deste sábado para os sunitas e, domingo, para os xiitas - as duas principais correntes do Islã que têm se caracterizado por um clima de contínua tensão.
"Saddam apoiava totalmente os palestinos, política, moralmente e financeiramente. Doou milhões de dólares às famílias dos mártires", disse um policial palestino.
Saddam era o mais popular dos líderes árabes nos territórios palestinos.
Durante a segunda Intifada, ele enviou milhões de dólares às famílias dos que morreram em combate com o Exército israelense e às dos autores dos atentados suicidas em Israel.
Em cada discurso importante, não esquecia jamais de prestar homenagem à ‘Palestina’, que aplaudiu os tiros de mísseis Scud iraquianos contra Tel Aviv durante a guerra do Golfo em 1991.
Na última carta tornada pública na quarta-feira desta semana e dirigida aos iraquianos, Saddam Hussein escreveu: "Longa vida ao Iraque. Longa vida à Palestina. Longa vida à jihad e aos mujahedines. Deus é grande. Que Ele amaldiçoe os miseráveis".
Fonte: Diário do Grande ABC
Publicado em 30.06.2006 às 14h26

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

PROJETO PRAÇA PARA CRIANÇAS PALESTINAS

Conheça o projeto PRAÇA P/ CRIANÇAS PALESTINAS
PRAÇA PARA AS CRIANÇAS PALESTINAS
I - Qual o motivo deste projeto:
Depois de constatar que em todo o território palestino não existe uma única praça pública, parque ou similares para as crianças palestinas brincarem, restando-lhes apenas as ruas que trafegam veículos militares ou os terrenos baldios que estão se tornando verdadeiros lixões, Kais Ismal iniciou uma campanha para construirmos a primeira praça pública infantil na Palestina, através desta comunidade.
II - Quando começou?
12 de fevereiro de 2007.
III - Tem alguma foto da crianças da região?
crianças de Silwad
É para estas crianças q estamos trabalhando : )http://fotos.terra.com.br/album.cgi/*1290291:f1
IV - O projeto já tem o terreno para a construção da praça?
Sim.
V - Quem fez a doação do terreno?
A própria prefeitura de Silwad.
VI - Qual o tamanho do terreno?
3.500 mts quadrados.
VII - Qual a localização?
Na cidade de Silwad perto de Ramallah na Palestina.
Neste link é possível ver as fotos do terreno
VIII - Qual o custo da construção?
A engenheira que trabalha na prefeitura de Silwad, fez uma estimativa de custo da construção da praça, que irá se chamar PRAÇA BRASIL, em torno de cento e cinquenta mil dólares.
IX - Qual o nome da praça?
PRAÇA BRASIL
X - Como será feita a manutenção da praça?
A prefeitura de Silwad fará a manutenção na praça, e irão colocar uma pessoa 24 horas para tomar conta.
XI - O que foi divulgado na imprensa sobre o projeto ( até 21-05-07)?
Dia 05-05
Publicação no Jornal O Dia On Line
Dia 13-05
Publicação no PRAVDA
Dia 18-05
Publicação no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Dia 18-05
Publicação na Revista NOVAE
À pedidos do Fernando: “Vamos prestigiar aqueles que nos apoiam, acessando esses espaços e deixando registradas as nossas opiniões.”
Dia 20-05
O jornal Gazeta do Oeste, do RN, publicou no seu suplemento Expressão, impresso, editado pelo jornalista Mário Gerson, e no site o artigo Uma alternativa ao Farfour, que trata desta causa da praça para as crianças palestinas.
E o russo PRAVDA publicou artigo intitulado "E se Golias Viesse?"
Ainda bem que o nosso movimento dos sem-terra e sem-teto não é formado por poderosos fascistas apoiados pelo poder global dos EUA e UE.
Imaginemos que esse poder resolvesse fundar em terras brasileiras um estado para algum dos seus povos protegidos.
Então, baseados na Carta de Pero Vaz de Caminha, ou mesmo no Tratado de Tordesilhas, reivindicasse, por exemplo, o Nordeste Brasileiro para fazer tal assentamento e fundação do novo estado.
A primeira providência, creio, seria criar a "Faixa do Piauí", onde seria concentrado o povo autóctone, romeiro do Padre Cícero e devoto de Frei Damião.
Duvidam que isso possa um dia vir a acontecer?!
Pois não duvidem!
Lá na Palestina tem um povo encurralado vivendo nessas condições.
Como colaborar?
Participando ativamente da comunidade

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Conferência pela PAZ no Oriente Médio


DIPLOMACIA
[26/09/2007 - 13:55]
Abbas convida Lula para conferência da paz
O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, convidou o presidente do Brasil para participar da conferência pela paz no Oriente Médio, que deve ocorrer em novembro nos Estados Unidos. Abbas também agradeceu ao Brasil por ter recebido refugiados palestinos.
Eles se encontraram ontem após abertura da assembléia da ONU em Nova York.
Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, agradeceu ontem (25), em Nova York, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o fato de o Brasil ter recebido refugiados palestinos em seu território.
Na última sexta-feira (21) desembarcou no país um grupo de 35 palestinos que morava no deserto da Jordânia e vai viver nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
O encontro de Lula e do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, com Abbas fez parte da agenda paralela à 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas.
Segundo a assessoria do Itamaraty, Abbas afirmou que o gesto do Brasil, ao acolher os refugiados, traduz o empenho do país pela paz.
De acordo com a assessoria, Abbas demonstrou, no encontro, otimismo em relação ao avanço do processo de paz no seu país.
O presidente da Palestina convidou Lula para participar da conferência pela paz no Oriente Médio, que deve ocorrer no mês de novembro em Washington.
A conferência, que foi tema de um encontro na segunda-feira entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e Mahmoud Abbas, é uma iniciativa do governo norte-americano.
Os Estados Unidos, junto com União Européia, ONU e Rússia, integram o quarteto mediador da paz para o Oriente Médio.
Bush disse que os Estados Unidos vão trabalhar duro para que possa haver a criação de um estado palestino democrático que viva em paz com o seu vizinho Israel.
Segundo o Itamaraty, Abbas afirmou, no encontro com Lula, que seria importante a participação do Brasil na conferência como líder regional.
O presidente Lula, de acordo com a assessoria, já respondeu e disse ao líder palestino que vai participar sim do encontro.
Abbas também convidou o presidente do Brasil para visitar o seu país, a Palestina.
Lula nunca esteve na Palestina como presidente, mas Abbas já o visitou no Brasil.
Abbas participou da Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos que ocorreu em maio de 2005 em Brasília por iniciativa do presidente Lula.
Na época, em um encontro entre os dois chefes de estado, Lula já colocou o Brasil a disposição para colaborar com o país árabe no processo de paz na região.
Os dois líderes vem construindo uma relação estreita ao longo das suas administrações.
Abbas enviou cumprimentos a Lula quando ele foi reeleito e também o elogiou pela iniciativa de promover a Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos.
Em julho deste ano, Mahmoud Abbas enviou para Brasília um representante do seu governo, Musa Amer Odeh, para pedir ajuda e conselho do presidente Lula para o estabelecimento da paz no seu país.
O Brasil também enviou observadores para as eleições que ocorreram na Palestina em janeiro de 2005, quando foi eleito o presidente Mahmoud Abbas, e em janeiro do ano passado, na eleição de parlamentares locais.
A Palestina é membro da Liga dos Estados Árabe e a sede do seu governo fica em Ramallah.
O país enfrenta dificuldade de levar a economia adiante, em função dos conflitos locais, mas tem como principais atividades produtivas a agricultura, a indústria alimentícia, de calçados, a exploração de minérios e o setor mobiliário.
No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da Palestina, soma de todas as riquezas, alcançou US$ 4,7 bilhões.

O encontro entre Brasil & Palestina

DIPLOMACIA
[24/09/2007 - 20:29]


Lula tem encontro com Mahmoud Abbas
Da redação
São Paulo - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, terá um encontro nesta terça-feira (25), em Nova Iorque, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Os dois se encontram às 11h, como parte da agenda paralela dos chefes de estado presentes na 62ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O encontro ocorrerá da própria sede da ONU e vai tratar de questões bilaterais entre Brasil e Palestina.

O Brasil recebeu na última semana um grupo de 35 refugiados palestinos que moravam na Jordânia.
Em julho, o governo da Palestina enviou ao Brasil um mensageiro para pedir ajuda e conselho para o estabelecimento da paz no país árabe.

http://www.anba.com.br/noticia.php?id=16002

BRASIL & PALESTINA

DIPLOMACIA
[26/07/2007 - 07:00]
Enviado especial da Palestina pede ajuda a Lula


Musa Amer Odeh foi a Brasília, onde teve um encontro com o presidente e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em busca de apoio para o estabelecimento da paz no país árabe.

Segundo Odeh, o Brasil é um exemplo de suporte, justiça e paz para países em conflito.


Marina Sarruf
marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo – Musa Amer Odeh, enviado especial do presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, veio pedir ajuda e conselho ao governo brasileiro para o estabelecimento da paz no país árabe.
Odeh, que está em Brasília, teve um encontro na terça-feira (24) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para explicar os principais problemas que estão ocorrendo na Palestina.
"O Brasil é um país muito importante. Os brasileiros são amigos dos árabes. Como membro ativo da Organização das Nações Unidas, o país pode nos dar suporte e nos ajudar a trazer estabilidade e paz para o povo palestino", disse Odeh ontem (25) à ANBA.
Segundo ele, o Brasil é um exemplo de suporte, justiça e paz para os países em conflito. "O Brasil pode ajudar não só a Palestina, mas também Israel e a Síria, porque ele é respeitado por esses países", completou.
Durante o encontro com o presidente Lula, Odeh falou da importância de se ter um estado palestino e de resolver a questão da ocupação de Israel.
"Queremos resolver nossas questões internas com diálogos e de forma pacífica", disse Odeh.
De acordo com ele, também foi falado sobre o Hamas, grupo de resistência islâmica criado em 1987 com o objetivo de expulsar as forças israelenses do país árabe.
Segundo Odeh, Lula afirmou que o Brasil está pronto para ajudar a Palestina e aberto para dialogar com outras nações.
No encontro também estavam presentes a embaixadora da Palestina em Brasília, Mayada Bamie, e o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Ontem, Odeh também se encontrou com representantes do Itamaraty para trocar informações sobre o conflito na Palestina.
A viagem de Odeh não pára no Brasil.
Ele também deverá ter encontros com autoridades de outros países da América do Sul em busca de apoio à causa palestina.
Atualmente, Odeh é embaixador da Palestina na Espanha e anteriormente ele foi embaixador do país árabe em Brasília.
Palestina
O país árabe está localizado na costa leste do Mediterrâneo, oeste da Jordânia e sul do Líbano.
Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, a Palestina tem uma população de 3,8 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,7 bilhões.
A agricultura contribui com um terço do PIB palestino e emprega 12% da população economicamente ativa.
Os principais parceiros comerciais da Palestina são os países asiáticos e a União Européia.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ISRAEL E SÍRIA: UMA NOVA GUERRA?


Na última semana, jatos militares israelenses violaram o espaço
aéreo sírio e lançaram, como um aviso, bombas em áreas desertas
no norte do país, próximo à fronteira com a Turquia.
O Ministério da
Defesa da Síria confirmou o incidente, e afirmou que as defesas
antiaéreas sírias abriram fogo contra os jatos israelenses.
Israel, por
sua vez, nem desmente nem confirma a acusação de violação.
Durante o fim de semana, o exército turco encontrou tanques de
combustível do exército israelense escondidos próximo à fronteira
com a Síria.
A televisão turca divulgou imagens dos tanques de
combustível e o local em que haviam sido encontrados.
Apesar de
Israel e Síria estarem tecnicamente em estado de guerra, devido à
posse ilegal de terras sírias pelo “lar nacional judaico”, as regiões de
fronteira dos dois países se mantiveram calmas nos últimos tempos.
Por que então Israel está alimentando a tensão e provocando os
sírios?
Israel tem seus objetivos ao invadir o espaço aéreo sírio: conseguir
informações claras sobre o posicionamento de mísseis de longo
alcance apontados para Israel, testar as defesas antiaéreas sírias e
procurar possíveis rotas de ataque ao Irã são alguns deles.
O
governo sírio se pronunciou formalmente à ONU sobre a flagrante
invasão do seu espaço aéreo: “Israel está procurando uma guerra.
Nós estamos nos esforçando para não cair nessa armadilha”,
disse
Bashar Jaafari, embaixador sírio.
A Liga Árabe alertou que “tais
manobras inaceitáveis” por
parte de Israel mostram a falta
de comprometimento dos
mesmos sobre o processo de
paz no Oriente Médio.
Apesar
de o governo israelense não se
pronunciar formalmente quanto ao ocorrido, o ministro israelense
Raleb Majadele fez pouco caso da situação, afirmando que
invasões israelenses do espaço aéreo sírio “acontecem
diariamente”.
Os Estados Unidos, aliado incondicional de Israel,
confirmou à agência de notícias AFP que jatos militares israelenses
haviam realizado uma missão de ataque em território sírio.
Segundo
os estadunidenses, “Israel está dizendo à Síria:
‘Não colaborem
com o fortalecimento do Hizbollah no Líbano’”.
Muitos analistas israelenses condenaram a agressão militar contra a
Síria.
Reuven Pedhatzur, analista militar e ex-piloto da Força Aérea
de Israel, afirmou que “assim como há 40 anos, os dois lados
podem perder o controle da situação a qualquer momento e iniciar
uma nova guerra”
, com relação à Guerra dos Seis Dias, em 1967,
em que Israel anexou ilegalmente terras sírias que mantém
ocupadas até o presente momento.
Eyal Zisser, outro analista
israelense, afirmou que tais ações “podem levar à guerra”, mas se
disse surpreso com a “moderação” e controle na resposta dada pelo
presidente sírio, Bashar al-Assad.
Já Alon Liel, ex-diplomata de
Israel, afirmou que Ehud Olmert, primeiro-ministro israelense,
“arriscou o processo paz”.
Segundo ele, “eu vejo nessa operação
uma clara mensagem de Israel, e ela é muito agressiva.
Eu estou
preocupado com o que virá”.


OS VERDADEIROS CRIMINOSOS SERÃO PUNIDOS?

As leis são para todos?
Enquanto George W. Bush ironicamente discursava sobre o
“progresso” das forças estadunidenses no Iraque, ao visitar o país,
na semana passada, de maneira secreta por “questões de
segurança”, as tropas britânicas se retiravam de Al-Basra, o que
para muitos especialistas significou a derrota da coalizão na
principal província do Iraque.
No período atual da guerra, em que as
forças de ocupação iniciam os preparativos para a retirada do país,
nos perguntamos se as nações ricas, como os Estados Unidos e o
Reino Unido, irão um dia ser responsabilizadas pelo doloroso crime
contra a nação iraquiana.
Após mais de 4 anos de ocupação, o Iraque hoje representa o mais
dramático e destrutivo exemplo do que acontece quando os poderes
ocidentais enviam suas máquinas de destruição pelo mundo
baseando somente em seu senso de imperialismo.
Depois de
desmascarado o mito sobre as “armas de destruição em massa” de
Saddam Hussein – o motivo pelo qual o Iraque foi invadido – o
governo estadunidense passou a justificar a ocupação do Iraque
pela presença da Al-Qaeda no país.
O recente discurso de Bush
focou exatamente nesse ponto: “Vocês estão impedindo que a Al-
Qaeda use o Iraque como um lugar para planejar ataques contra os
Estados Unidos”
, disse ele aos soldados estadunidenses.
Ironicamente, porém, foi também comprovado por diversos órgãos
ocidentais (muitos deles estadunidenses) que a Al-Qaeda só
chegou ao Iraque após a invasão do país.
O Reino Unido, sob o
comando de Tony Blair, foi a ferramenta utilizada para criar a ilusão
de que o “perigo” que representava o Iraque era algo de nível
mundial, e que, portanto, uma coalizão internacional era necessária
para solucionar a questão.
Dessa forma, os principais aliados da
Guerra do Iraque fabricaram a frágil coalizão que hoje procura a
porta de saída do Iraque em chamas.
No entanto, serão eles
responsabilizados pelos crimes cometidos?
A aliança imperialista anglo-estadunidense causou uma crise
humanitária no Iraque.
De acordo com a ONU, cerca de 4,2 milhões
de iraquianos foram desabrigados até então, a maioria fugindo para
a Síria e a Jordânia.
O jornal médico britânico The Lancet realizou
um estudo que alerta que “os números de 655 mil civis iraquianos
mortos pela ocupação desde 2003 é subestimado”.
Além disso, os
líderes ocidentais somaram insultos aos danos causados,
subestimando e inteligência da população mundial (com sucesso
em alguns casos) ao inventar novos motivos para continuar a guerra
a cada vez que outro é desmascarado.
Infelizmente, para o terror
dos civis iraquianos, muitos líderes ocidentais compraram a teoria
de que a ocupação do Iraque era justificável pela presença da Al-
Qaeda no país.
Enfim, quando os superpoderes agem com
impunidade – ao invadir, destruir e abandonar outras nações – a
mensagem que recebemos é que fazemos parte de um jogo sem
regras.
Qual a conseqüência de tal realidade?
Quando todos os
criminosos saem impunes, ninguém tem um incentivo para agir
racionalmente, nem sequer pacificamente.
Os eleitores estadunidenses não puniram Bush por causa de seus
crimes de guerra e contra a humanidade no Iraque, Palestina e
Afeganistão – eles simplesmente o repreenderam por ter falhado
em realizar o sonho imperial de forma breve e barata.
Não houve
reclamações quando Bush destruiu um país inteiro.
Pelo contrário,
ele foi aclamado por homens e mulheres, que o enalteceram na
Câmara dos Deputados.
Ninguém falou sobre levá-lo a um tribunal
para responder a acusações por esses crimes – tal idéia nem
sequer existiu.
Os estadunidenses expressaram apenas a sua
frustração por não detonar iraquianos como seus ancestrais fizeram
tão facilmente com a população nativa da América do Norte.
Como
resultado, ante a um tribunal de crimes de guerra, Bush sempre
poderia afirmar, de maneira correta, que a
maioria dos Estados
Unidos estava com ele desde o início da guerra.

Todos que se calam perante tal
injustiça têm a sua parcela de
culpa no que acontece e no que virá.
Assim que os bombardeios
a Bagdá foram iniciados, a
consciência moral do Ocidente
evaporou-se – todos se calaram

e simplesmente esperaram pelo que viria a seguir.
Se a coalizão
criminosa liderada pelos Estados Unidos
conseguir entrar, destruir e
abandonar o Iraque – como está sendo feito, em um completo
vácuo moral movido pelos “valores ocidentais” de “progresso” – o
mundo certamente sofrerá as violentas conseqüências que se
seguirão, e será tarde demais para manifestações de paz e críticas
de direitos humanos.
Se a impunidade persistir, a popular sentença
de que “violência gera violência” jamais será tão verdadeira.
Se nos
calarmos, o sangue dos mártires terá sido derramado em vão.

domingo, 19 de agosto de 2007

INIMIGOS PRINCIPAIS OU INIMIGO PRINCIPAL?

Na semana passada as duas maiores autoridades executoras da política de guerra do governo Bush, a secretária de Estado, Condoleeza Rice, e o da Defesa, Robert Gates, fizeram uma incursão no Oriente Médio.
Primeiramente foram juntos ao Egito.
Depois visitaram a Arábia Saudita. Em seguida, a delegação dividiu tarefas.
Rice seguiu viagem à Palestina ocupada (Jerusalém e Ramallah), enquanto Gates deslocou-se ao Kuweit e aos Emirados Árabes Unidos.

Na primeira etapa da visita, os secretários de Bush reuniram-se em Charm el-Cheik, no Egito, com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuweit.

A missão teve três objetivos, todos relacionados com a aplicação do plano de reestruturação do Oriente Médio, a prioridade do segundo mandato de George W. Bush.

O primeiro objetivo foi conseguir apoio para estabilizar o Iraque.
Mais de quatro anos depois de iniciada a guerra de agressão, o imperialismo norte-americano colhe um retumbante fracasso.
O Iraque se insurgiu, as forças patrióticas foram capazes de organizar uma tenaz resistência, que inflige pesadas perdas humanas e materiais aos agressores (ver artigo “Por que os EUA perderam”, de Abdul al-Bayaty e Hanna al-Bayaty em www.cebrapaz.org.br).
É muito limitada a capacidade de ação desses países árabes no conflito iraquiano.
Por mais reacionários e pró-americanos que sejam, um envolvimento direto desses países ao lado das forças de ocupação atiça ainda mais o nacionalismo árabe, resultando no efeito contrário ao esperado.

Os emissários de Bush levaram na bagagem um pacote de ajuda militar para a aquisição de armamentos e tecnologia, no valor de 20 bilhões de dólares a serem negociados com a Arábia Saudita e outros países.
Ao Egito e Israel os belicistas estadunidenses ofereceram um pacote de ajuda militar da ordem de 43 bilhões de dólares.
A mensagem é clara.
Os Estados Unidos estão apostando em mais militarização da região, o que, independentemente de qualquer intenção proclamada, redundará em maior instabilidade.

O segundo objetivo foi fazer com que esses países exerçam pressão sobre o Irã no sentido de desencorajar a continuidade do programa nuclear desse país.
Ora, o Irã já sofreu duas resoluções da ONU ameaçando aplicar sanções caso não suspenda o programa nuclear, mas a atitude de Teerã é inabalável, não havendo qualquer sinal de que vá submeter-se aos ditames de Washington.
Disso se conclui que o exercício de pressões sobre o Irã, seja por parte dos Estados Unidos ou de interpostas forças também só acarretará mais instabilidade na região.

O terceiro objetivo relacionou-se com a Palestina.
Rice buscou envolver seus aliados nos esforços para organizar uma conferência de “paz” no final do ano.
Também nesse aspecto os resultados tendem a ser pífios.
A tática de distribuir migalhas tem por resultado o aprofundamento das divisões entre as diferentes forças que atuam naquele cenário.
A tentativa de isolamento, cerco e aniquilamento do movimento Hamas, que venceu as eleições, conduzirá a mais dilacerações, portanto a mais guerra, nunca à paz nem à criação de um verdadeiro Estado Palestino.
Além do que, é indefectível a posição pró-israelense do governo Bush.

Quem deu o principal argumento para atestar o fracasso da missão de Rice e Gates foram os próprios, quando proclamaram quem são os inimigos principais dos Estados Unidos na região: a Síria, o Irã, o Hezbolá e o Hamas.
A Síria e o Irã são dois países soberanos e não dão mostras de estar dispostos a renunciar aos seus objetivos nacionais.
Atacá-los militarmente cobraria um preço altíssimo que os EUA não estão em condições de pagar na presente situação.
Quanto ao Hezbolá e ao Hamas, são dois movimentos de resistência que já estão nos campos de batalha.
A amarga experiência israelense, derrotado pelo Hezbolá durante a guerra de julho-agosto do ano passado, indica que se trata de uma força difícil de aniquilar, pela sua capacidade de combate, pelas profundas raízes que deitou no seio da população libanesa e pelo imenso prestígio de que desfruta em todo o mundo árabe.
Quanto ao Hamas, desalojá-lo à força das posições que conquistou poderá representar uma tragédia humanitária numa Palestina já martirizada há muitas décadas.

Assim, é mais provável que, ao invés de alcançar os objetivos anunciados, o resultado da missão de Rice e Gates seja uma mais nítida caracterização do imperialismo norte-americano como o inimigo principal dos povos do Oriente Médio.
José Reinaldo de Carvalho*
jornalista é Diretor de Comunicação do Cebrapaz.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

In the memory of martyr Saddam Hussein Al-Tikriti

Added: January 10, 2007
From: nilufar420
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nilufar420

In the memory of late Iraqi president... In the memory of late Iraqi president Saddam Hussein Al-Tikriti,1937-2006.
..may he rest in peace!

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domingo, 1 de julho de 2007

O DESENHO DO HUMOR NA RAZÃO DOS OPRIMIDOS


Entrevista: Carlos Latuff

Marcelo Salles


Carlos Latuff é carioca, nascido em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Pai servidor público, mãe dona de casa. Estudou até o ensino médio (antigo segundo grau) e começou a trabalhar aos 14 anos, como ofice-boy de um banco. Seu primeiro contato profissional como artista aconteceu numa agência de propaganda, em 1989. Daí em diante, Latuff passou a trabalhar na imprensa sindical e após assistir a um documentário sobre os zapatistas colocou seu traço a favor de diversas causas. Em 1999 visitou os territórios ocupados da Palestina e hoje, aos 38 anos, tem seus desenhos reproduzidos no mundo inteiro. Mas o mesmo motivo do reconhecimento causou-lhe problemas. Além de ter sido detido duas vezes pela polícia carioca devido a desenhos sobre violência e corrupção policial, Latuff foi ameaçado de morte por um grupo ligado ao Likud, partido de extrema-direita israelense.


AND - Em que situação você começou a usar o desenho como trabalho?

— Eu sempre desenhei e os meus pais diziam “ah, quando crescer vai ser desenhista”. Mas essa coisa de ser desenhista, era meio distante, porque o que sempre foi colocado pra gente é que desenhista tinha que ter um padrinho, era coisa burguesa. Tanto que comecei a trabalhar num banco, com 14 anos, como ofice-boy. A idéia de ser desenhista era distante, então tinha que pegar aquilo que estivesse à mão. Depois eu fui trabalhar numa firma de aparelhos ortopédicos e, em seguida, como ofice-boy numa editora. Nesse meio tempo, fiquei numa loja que fabricava adesivos e foi o primeiro contato realmente profissional com o desenho, em que eu pude aplicar alguns dos meus conhecimentos. Aí em 1989 fui trabalhar numa agência de propaganda como ilustrador. Aí, sim, começou minha carreira.

AND - E desse primeiro contato com o desenho na agência para o desenho político, como foi?

— Em 1998 eu tive contato com os zapatistas, que se deu através de um documentário na TV. Aquele movimento começou a abrir a minha cabeça para o meu papel como artista dentro de um contexto de transformação social, política. Então, esse ser politizado, esse artista engajado, nasceu a partir desse contato que eu tive, intelectual, porque eu nunca estive em Chiapas, infelizmente.

AND - Isso lhe afetou de alguma maneira?

— Sim, bastante. Me pareceu uma coisa fantástica, uma população indígena sofrendo pressões inacreditáveis e resistindo. E o governo mexicano respondendo com tropas e tal. Foi aí que nasceu esse princípio do apoio artístico à causa. Produzir imagem copyleft*, sem direitos autorais, em que abri o direito de reprodução, colocando como domínio público na internet, para que todos pudessem reproduzir da melhor maneira que os conviesse. Essa foi a primeira experiência que tive com os zapatistas e foi aí que tomou corpo o ativismo, como se diz.

AND - Você acabou se engajando em outras causas também. E todas têm essa ligação: um determinado grupo, político, nacional, o que seja, mas que sofre uma agressão e tenta resistir de alguma maneira...

— O que sinto é o seguinte: me toca bastante poder presenciar a resistência. Eu tenho sempre essa frase na cabeça, o lema de uma greve que teve na Universidade Autônoma do México: “subversão é vida, submissão é morte”. Que aquele povo indígena, naquelas condições precaríssimas e tão discriminados por um segmento branco, burguês, da sociedade mexicana, levantar-se em armas, em palavras, em ação. Isso pra mim é a natureza inquebrantável do ser humano. É a possibilidade dele se deparar com uma situação terrível de opressão e não se deixar abater, não baixar a cabeça, não dobrar os joelhos. É essa coisa da dignidade realmente que sempre me chamou a atenção. E começou a me chamar mais atenção a partir dos zapatistas, até chegar o caso dos palestinos.

AND - Você visitou a Palestina?

— A visita à Palestina se deu através de um convite de uma organização civil que viu um desenho meu na internet. Quando vemos a coisa ao vivo e em cores, o choque é inevitável. Em qualquer lugar, tem a presença de militares israelenses. Havia uma autonomia muito limitada de autoridades palestinas, que tinha uma polícia palestina, mas a qualquer momento você via patrulhas israelenses... Esse contato com a realidade é transformador.

AND - Como atua o monopólio da imprensa na divulgação da situação palestina?

— Os veículos do monopólio da imprensa só dão notícias quando uma bomba explode, um homem-bomba explodiu em Jerusalém. Aí essa imprensa cobre. Ou então um ataque israelense à Gaza que mata um monte de gente. São processos violentos, dos quais a “mídia” se alimenta, porque ela é realmente o drácula, ela se alimenta de sangue, ela vive disso. A audiência televisiva é que nem pressão sanguínea: ela funciona com sangue mesmo. Sendo que o conflito do Oriente Médio é o que tem mais cobertura. Todos os canais estão lá. Você sempre vê cobertura do Oriente Médio o tempo todo, mas é a cobertura do monopólio. Ele não trata das raízes do problema, nem do dia-a-dia. Trata dos efeitos e das reações violentas. Ponto. “Morreu alguém, beleza!, mas ele não mostra, por exemplo, as dificuldades que os palestinos têm de se locomoverem no seu próprio território. O monopólio das comunicações não mostra, por exemplo, uma mulher que é obrigada a dar a luz num check-point e o soldado sionista impede o sujeito de transitar dentro do seu próprio território. Ele não mostra, em Hebron, como é que os colonos sionistas atiraram pedras nos palestinos. Não mostram como eles destroem plantações de oliveiras dos palestinos. Não mostram demolições de casas. Quer dizer, para aquele tipo de imprensa não interessa o lado palestino. Então ela não acompanha o dia-a-dia.

AND - Foi depois da sua ida à Palestina que você sofreu ameaças daquele grupo ligado ao Likud?

— Esses setores reacionários da comunidade judaica se levantaram, evidentemente. Seja emitindo opiniões em blogues ou mesmo fazendo ameaças abertas em páginas da internet. O que também não me surpreende porque quando se vai contra interesses de determinados grupos, evidentemente se espera por algum tipo de reação. Agora, o interessante é que estamos falando de um lobby influente, poderoso, atento a qualquer crítica à política de Israel. E o lobby está pronto para responder, com as alegações de sempre, de anti-semitismo. Quer dizer, falseiam dizendo que crítica ao Estado de Israel é sempre anti-semitismo. O lobby invariavelmente quer associar a defesa aos direitos do povo palestino, a solução do problema — seja através de um Estado para os dois povos ou de dois Estados para os dois povos —, à questão do judaísmo, ao anti-semitismo.

AND - Em que se resume isso?

— Na tentativa de silenciar, de ocultar a causa palestina; de desviar a discussão. A questão palestina nada tem a ver com judaísmo em si. Fossem chineses oprimindo palestinos, eu estaria criticando os chineses, certamente. Vou dar um exemplo de como o anti-semitismo é colocado a serviço do status quo. Você pode fazer, por exemplo, uma charge esculhambando o Bush. Você pode chamar o Bush de filho de uma Condolezza, sem nenhum problema. Vai ter reação, mas dificilmente alguém lhe chamará de racista. Você pode representar o Tony Blair como um macaco que ninguém vai lhe chamar de racista. Pode ser o Lula... Agora, se for o Ariel Sharon — e eu já fiz uma série de charges sobre ele, esculhambando mesmo porque o cara é um desgraçado, um assassino, é um dos carniceiros de Sabra e Chatila — fui chamado de anti-semita. Por quê? Porque o Sharon é judeu. Se o Ariel Sharon fosse cristão, não teria problema. Os sionistas, o Estado de Israel, não querem a solução do problema porque é importante que os palestinos sempre sejam vistos como inimigos. Assim eles justificam a grana, os bilhões de dólares que os Estados Unidos mandam para reforçar a máquina de guerra e o aparato de segurança de Israel.

AND - E, voltando à América Latina, como é que você vê a política do USA para a região?

— O USA está preocupado, demonstrou uma grande preocupação com a América Latina. E a América Latina, historicamente falando, sempre foi resistente a Washington. Não se pode esquecer dos anos 60, aquele monte de golpes militares, tudo bancado pela CIA. Não é à toa que teve Cuba, não é à toa que teve a revolução sandinista, não é à toa que teve o golpe contra o Salvador Allende, (teve e têm) muitas guerrilhas... Os amigos comunistas costumam dizer que realmente aqui sempre foi e continua sendo palco de confronto com as políticas do USA.

AND - Voltando ao Brasil: você fez um trabalho importante sobre a violência policial, que aconteceu sobretudo nos bairros proletários. Queria que você contasse aquela história de que, por causa dos seus desenhos, você foi parar na delegacia.

— Eu fiz uns cartazes para propaganda de uma exposição. E em algum momento a polícia chegou, pegou os coladores e levou todo mundo para a delegacia. Tive que ir prestar depoimento e tal. Agora, acho também que a violência policial não pode ser tratada como um caso isolado, como produto único e exclusivo da polícia. A polícia não é autônoma, mas faz parte do aparato de Estado. Ela é corrente de transmissão do pensamento do Estado, da função do Estado, o braço armado do Estado. Então é preciso que se entenda a violência policial e todo esse desdobramento, dentro dessa lógica de Estado.

AND - E qual seria?

— A repressão do Estado e não simplesmente a violência policial como um fato, como se o responsável por isso fosse apenas o policial. Se o policial tem liberdade para fazer isso é porque alguém lhe confere essa liberdade. E quem confere essa liberdade ao policial é o Estado. Quando mataram aquelas crianças na Candelária, a classe média aplaudiu aquilo ali. Quando a polícia “passou o cerol” naqueles 111 em Carandiru, parte da classe média bateu palma. Então setores da classe média foram a favor do Exército na rua. Muita gente fala: “que saudade da época do regime militar”. Tem uma parte da classe média que se mantém reacionária e serve como base social que apóia as atrocidades contra o povo. Então, se temos essa polícia truculenta, ela não se deu do nada. Além de ser uma construção da época da ditadura, tem policiais que serviram na ditadura e hoje são comandantes de batalhão ou delegados. Ainda tem gente que serviu à ditadura que hoje está ligada às forças de segurança. Esse ranço da ditadura continua.

AND - E esse modelo de repressão está ligado ao modelo econômico adotado?

— Não sei se é só o modelo econômico, não. Você tem países ditos desenvolvidos, ricos, onde as pessoas vivem melhor. Mas se a polícia tiver que te quebrar, ela quebra também. A polícia é o aparato de segurança. Ela não tem outra alternativa a não ser reprimir. Ela é feita para isso. É a máquina do Estado para reprimir. Essa história de polícia humanizada me parece algo irreal. Se uma autoridade te dá um fuzil AR-15, ela já está partindo do pressuposto que você tem que estar preparado para matar ou morrer. Para começo de conversa, é arma de guerra. O cara não está usando ali arma para munição de borracha, arma de choque. Ele tá usando arma de guerra. Mesmo uma 45, uma 9mm... O problema que eu coloco é filosófico: por que a sociedade precisa de polícia?

AND - Você acredita que o capitalismo pode resolver os problemas da humanidade?

— Não, não... Nem um pouco. Temos visto o que tem feito o capitalismo, onde tem nos levado. O capitalismo é a destruição, o caos. O capitalismo é a barbárie. A partir do momento em que o capital vale mais que o social, tudo vale. O social é o respeito à vida, respeito aos valores humanos. A partir do momento em que isso tem um papel terciário, o mais importante é ganhar dinheiro, é o lucro, acabou-se.


*NR - Copyleft é trocadilho político. Lembra copyright (dos direitos autorais), mas brinca com o right e o left (esquerda e direita). Nesse caso, são direitos autorais da esquerda.