Mostrando postagens com marcador Líbano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Líbano. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Tudo pelo Bem... De quem?

DEZ PASSOS PARA CHEGAR AO ISRAÓLEO

Primeiro, dizemos que o Presidente Saddam era um ditador perverso
Em segundo lugar,acusamos Saddam de ter Armas de Destruição Massiva
Em terceiro lugar,bombardeamos e invadimos o Iraque.
Em quarto lugar,declaramos que a agressão barbárica é uma “missão cumprida”pelo bem da democratização no berço da civilização.
Em quinto lugar,promovemos, iniciamos e organizamos o caos total no Iraque levando ao poder os senhores da guerra, os poderes feudais, os mullahse até os ladrões + 107.259 mercenários.
Em sexto lugar,perdemos a guerra e depois culpamos a Al-Quaeda e tentamos encontrar uma saída...
Se não, passamos ao número 7…
Em sétimo lugar, invadimos o Líbano, como distracção, porque Israel fracassou de todas as maneiras e repetidamente também.
Em oitavo lugar, se nunca encontrarmos as armas de Saddam escondidas no Líbano,então continuamos (de acordo com o planeado) a procurá-las, na Síria...
Em nono lugar,depois de devastar, destruir e arruinar a Síria, também,o último, e décimo passo, será declarar tudo isto um êxito total,e tudo em benefício de Israel...Claro!
Posso estar enganado, por isso aceitaria quaisquer outras análises ou acusações.
Até lá eu digo:“Foi tudo feito pelo bem de Israel”ou melhor “pelo bem do Israóleo”.

http://umarabefrustrado.blogspot.com/search/label/Armas%20de%20Destrui%C3%A7%C3%A3o%20Massiva

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

BOMBAS DE FRAGMENTAÇÃO SOBRE O LÍBANO


Human Right Watch denuncia: Israel despejou Quatro milhões de bombas sobre o Líbano
A Human Rights Watch está iniciando uma campanha pelo banimento das bombas de fragmentação.
Mas o que são bombas de fragmentação?
A Human Rights Watch responde:
“são armas terrivelmente imprecisas e não confiáveis que não distinguem entre alvos militares e civis. Elas espalham milhares de “bombinhas” em uma área maior do que dois campos de futebol.
Dessas, centenas não explodem com o impacto, infestando a paisagem com explosivos que não foram explodidos e que agem como minas terrestres, esperando para matar ou ferir indiscriminadamente”.
A Human continua: “O dano causado pelas munições de fragmentação continua por décadas, freqüentemente causando um número maior de mortes e desmembramentos de civis depois que o conflito terminou do que quando este estava acontecendo”.
Estados Unidos e Israel são os campeões na utilização dessas armas.
Desde o Vietnam e mais recentemente o Afeganistão e o Iraque, foram e continuam sendo alvos dos invasores anglo-americanos.
No Líbano, foi Israel quem barbarizou.
Com a palavra a Human Rights:
“Munições de fragmentação foram usadas recentemente durante a guerra no Líbano em meados de 2006, quando Israel lançou um número estimado de quatro milhões de submunições no Líbano”.(...)
Assista ao vídeo com legendas em português http://www.hrw.org/portuguese/video/2007/clusters/video.html

posted by bourdoukan

VITÓRIA DA INTERNET

Atentem para esse trecho de uma reportagem do Financial Times
( Aqui para assinantes)

“Não há vestígio da operação que provocou a guerra: o ataque do Hizbollah através da fronteira, em que dois soldados israelenses foram capturados e três outros, mortos”.

Perceberam?
Já não se fala mais em soldados seqüestrados, mas capturados.
E não podia ser diferente.
Israel invadiu o Líbano.
Os guerrilheiros do Hizbollah reagiram e capturaram os invasores.
Capturaram e não seqüestraram.
Mas não pensem que essa mudança aconteceu porque os redatores adquiriram consciência.
Não, não foi por isso.
É que não suportaram a pressão exercida pelos leitores através da Internet.
Mas é bom não descuidar.
Essa gente não tem caráter e vive da pilantragem.
Todo cuidado é pouco.

posted by bourdoukan
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Quando o sistema agoniza, não há DIREITO que resista!


*Captura e não seqüestro
Agora é oficial.
A ONU acaba de reconhecer que as Fazendas de Shebaa ocupadas por Israel pertencem ao Líbano.
Por tanto, quando os guerrilheiros do Hizbullah enfrentaram o exército israelense, eles estavam defendendo seu país.
Sendo assim, e de acordo com o Direito Internacional, eles não seqüestraram, mas capturaram os dois soldados israelenses, motivo esse alegado pelo governo de Israel para invadir o Líbano.
Os guerrilheiros do Hizbullah, por esse mesmo Direito, deixam de ser considerados terroristas e passam a ser patriotas, a exemplo dos maquis franceses durante a ocupação nazista.
É claro que falar em Direito Internacional nas atuais circunstâncias não quer dizer muita coisa já que para Bush et caterva, Direito Internacional e nada, é a mesma coisa.
Quando o sistema agoniza, não há Direito que resista.
Ou alguém ainda tem dúvidas sobre o ocaso do atual sistema?
Mas voltando ao Hizbullah, e para que não paire nenhuma dúvida, é muito importante ressaltar que ao defender o Líbano contra a invasão sionista, essa sua atitude pode ser comparada também aos resistentes que professavam a religião judaica no gueto de Varsóvia.
Eles, igualmente, foram vítimas de um governo títere, a exemplo do governo do Líbano, (ou alguém consegue explicar a imagem constrangedora do presidente Siniora cumprimentando Condoleeza Rice quando o povo libanês era massacrado?) que não esboçou nenhuma resistência e abriu suas portas aos invasores nazistas.
Todo mundo sabe o que aconteceu no gueto de Varsóvia.
Os resistentes eram chamados de terroristas (como a mídia faz hoje com o Hizbullah). Foram massacrados e os raros sobreviventes, lamentavelmente, repetiram, e continuam aplicando, os ensinamentos nazistas contra os palestinos.
E mais, em pleno século 21, os israelianos (governantes arianos de Israel) ocupam três nações (Palestina, Líbano e Síria) e ainda posam de vítima.
Com apoio, naturalmente, dos pilantras da mídia planetária e de seus asseclas, que confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresa.
*Publicado em Caros Amigos de agosto
posted by bourdoukan

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Refugiados do Iraque chegam ao Brasil


Palestinos refugiados do Iraque chegam ao Brasil
São Paulo.
Fugidos do Iraque desde a queda do regime de Saddam Hussein que os protegia, eles permaneceram por quatro anos em um campo na Jordânia e ontem chegaram ao Brasil - primeiro país da América Latina a aceitar refugiados de fora da região sob o programa da ONU, fortalecendo o Programa de Reassentamento Solidário.
Canadá e Nova Zelândia já os receberam e o Chile deve ser o próximo.
Os 35 palestinos que aterrissaram ontem em Guarulhos serão reassentados no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
Outros dois grupos chegarão em 4 e 18 de outubro.
Ao todo serão mais de 100 refugiados.
Na chegada do primeiro grupo, um menino, inicialmente assustado e acompanhado de seus pais, desembarcou com duas bolas na cor verde-e-amarela do Brasil.
- Agradecemos ao governo brasileiro por este gesto humanitário e, ao mesmo tempo, reforçamos que a solução para os refugiados não é humanitária.
A solução para eles é deixar de ser refugiados - defendeu Emir Saleh Mourad, secretário-geral da Confederação Árabe-Palestina do Brasil.
Eles abandonaram o país em 2003, fugindo de prisões arbitrárias, desaparecimentos e torturas praticadas por milícias armadas.
Até 2003, a Jordânia acolheu refugiados palestinos, mas desde então não aceita mais.
O campo de Ruweished, a 70 Km da fronteira com o Iraque, será definitivamente fechado com a decisão das autoridades brasileiras de receber o grupo.
- Eles não têm saída para outro país.
São cerca de 15 mil palestinos no Iraque que não têm para onde ir - disse a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Astrid Van Genderen Stort. - Jordânia, Síria e Líbano acreditam que outros devem assumir a responsabilidade.
Os iraquianos formam o maior grupo de candidatos a asilo no Ocidente.
Cerca de 19.800 pediram asilo a países ocidentais na primeira metade de 2007, perfazendo um de cada sete pedidos do tipo feitos durante aquele período.
Aumentou em 45% o número de iraquianos que pedem asilo, se aproximando de um total de 22.200.
[ 22/09/2007 ] 02:01

terça-feira, 25 de setembro de 2007

MASSACRE DE SABRA E CHATILA:ISRAEL CONTRA CIVIS PALESTINOS


Massacre de Sabra e Shatila:
25 anos depois

Esse mês de setembro marca 25 anos do Massacre de Sabra e
Shatila, que aconteceu no Líbano, em 1982.
Desde então, são 25
anos de agonia, memórias e traumas dos sobreviventes de uma das
piores campanhas criminosas de Israel contra civis palestinos.
Os
culpados nunca foram punidos, assim como os sobreviventes nunca
foram indenizados.
Em junho de 1982, as forças de ocupação israelenses, ainda
comandadas por Ariel Sharon, então Ministro da Defesa, invadiram
o Líbano e ocuparam Beirute.
Após dois meses de um violento
cerco focando os ataques em áreas civis, um cessar-fogo foi
conseguido pelo enviado estadunidense Philip Habib.
As forças da
OLP (suposto motivo da invasão israelense) deixaram o Líbano
como ditava os termos do acordo.
Mas os planos de Israel não eram
tão claros – eles mantiveram o cerco à capital libanesa.
Em julho do mesmo ano, Ariel Sharon anunciou sua intenção de
permitir a entrada da milícia do Partido Falange, de Bashir Gemayel,
presidente recém-eleito do Líbano graças a um golpe israelense,
nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila para
“limpar o local dos terroristas remanescentes”.
Os falangistas, uma
milícia maronita de extrema-direita, aliada do “lar nacional judaico”,
era o maior exército privado do Líbano.
Ironicamente, as forças da
OLP – os “terroristas” – já haviam deixado o Líbano.
Em 15 de
setembro, jatos militares e tropas israelenses já haviam armado um
cerco nos campos de refugiados palestinos.

No dia seguinte, com o cerco
israelense armado e seguro,
Israel deu a luz verde para a
milícia de Gemayel invadir
Sabra e Shatila.
Sabendo que,
na realidade, nenhum
“terrorista” estava no local,

apenas 150 soldados de Gemayel invadiram os campos no final
tarde do dia 16 de setembro.
Pelas próximas 40 horas, os soldados
estupraram, mataram e feriram civis palestinos, a maioria deles
mulheres, crianças e idosos, sob a observação sistemática das
forças israelenses.
Duas horas depois do início da matança,
relatórios terríveis chegaram ao comando israelense, mas ninguém
se mexeu.
Nunca será possível saber o verdadeiro número de
vítimas do massacre – além das mais de mil pessoas que foram
enterrados em covas coletivas construídas pelo Comitê
Internacional da Cruz Vermelha em Beirute, centenas de outras
nunca foram encontrados.
A estimativa de mortos gira em torno de
2500 a 3000 civis palestinos.
As vítimas e sobreviventes do crime
até hoje não tiveram o direito de nem sequer ter uma investigação
formal da tragédia.
O Knesset, o parlamento israelense, abriu uma comissão de
inquérito sobre o caso, presidida por Yitzhak Kahan.
Apesar das
limitações da comissão (por ser política e não judicial, ignorando
dessa forma as vozes das vítimas), concluiu-se que Ariel Sharon foi

diretamente o responsável pelo massacre, e recomendou que ele
fosse destituído de suas atribuições de Ministro da Defesa.
Oficialmente, Sharon resignou o cargo.
Na realidade, porém, ele
continuou agindo livremente como Ministro da Defesa de Israel,
somente não carregando o nome do cargo.
Em 19 de setembro do mesmo ano, a ONU condenou o massacre
através da Resolução 521
.
Pouco depois, em dezembro, a
Assembléia-Geral da ONU classificou o massacre como “um ato de
genocídio”.
Apesar disso, o homem que foi “pessoalmente
responsável” pelo crime, assim como seus associados, nunca foram
punidos e nem sequer julgados.
Em 1984, os jornalistas israelenses
Ze'ev Schiff e Ehud Ya'ari concluíram a história do massacre com
as seguintes palavras: “Se existe uma lição moral para o doloroso
episódio de Sabra e Shatila, ela ainda precisa ser reconhecida”.
Essa realidade permanece ainda hoje. 

domingo, 19 de agosto de 2007

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Foto: muro da vergonha "Israel"
Foto: meninas armadas - libano-thumb

ESCOLHER O LADO CERTO DA HISTÓRIA
Zillah Branco*
A conscientização dos povos que leva à participação cada vez maior nas ações sociais obriga-nos a escolher sempre o lado certo da história.
Cada vez que analisamos os fatos políticos, que tomamos posição a favor ou contra uma estratégia de luta, somos obrigados eticamente a aprofundar o conhecimento sobre as raízes do problema e as suas conseqüências.
Não é fácil distinguir a responsabilidade política dos que provocam conflitos e daqueles que se defendem com as armas disponíveis mesmo que sejam bárbaras e desumanas sem o disfarce da tecnologia mais sofisticada.
O que não se pode é condenar como terroristas os que fazem guerrilha e guerra de resistência nacional quando agredidos por forças regulares ditatoriais ou de outro país dominador.
Se na luta popular utilizam os recursos que os transformam em bombas humanas ou se provocam a participação social nas ações, não se tornam “bárbaros” em comparação com os agressores que dispõem de alta tecnologia e exércitos regulares.
O agressor é o responsável pelas conseqüências bárbaras e terroristas da ação que promove.
Bush e seus assessores, mais os governos submissos ao imperialismo, como Israel e Inglaterra, por exemplo, promovem guerras com falsa publicidade de defesa da democracia e dos direitos humanos, invadem territórios alheios e matam civis em nome de uma absurda justiça que disfarça os seus mais mesquinhos interesses de poder econômico e político.
A mídia, alimentada na sua maioria por essas campanhas de falsa publicidade, mostra a luta dos que resistem muitas vezes com os recursos do terrorismo por falta de equipamentos e organização bélicos para fazer frente ao armamento sofisticado do imperialismo, e a imagem que fica é a de que o verdadeiro agressor é a vítima de bárbaros invasores.
Na mídia predomina o efeito da imagem e uma bomba atirada de longe parece mais “humanizada” que a explosão de dinamite que um soldado suicida carrega no seu corpo. O conceito de terrorismo hoje está preso à arma sem sofisticação, quando na verdade a alta tecnologia bélica e os recursos científicos aplicados à estratégia de ataque, têm uma dose de cinismo, de prepotência, de crueldade, de traição, do maior terror.
As populações usadas como escudo pelo invasor são as grandes vítimas e as guerras cirúrgicas praticadas pelo imperialismo, e agora especialmente por Israel, utilizam os serviços de espionagem e a corrupção para despejar mísseis diretamente sobre o carro, a casa, a aldeia onde pensam estar o seu inimigo, sabendo que muitos civis também serão mortos e cidades destruídas.
Esta é uma forma terrorista calculada para matar sem risco, mais grave que os que provocam morte e morrem juntos.
O terrorismo praticado por um Estado não tem qualquer justificação.
Há anos que Israel seqüestra, prende e mata palestinos e libaneses que lutam pelo desenvolvimento dos seus povos. São nove mil prisioneiros nas cadeias de Israel, incluindo mulheres e crianças, que provocaram o seqüestro de três soldados israelenses que serviriam como moeda de troca nas negociações pela paz regional.
A desproporção do número de prisioneiros por si só torna injustificável a agressão de Israel ao Líbano e Gaza.
Sem argumentos válidos os pretextos giram em torno da pretensão de “povo eleito” e “vitimas do holocausto nazista”, como se merecessem privilégios negados aos outros povos.
E, o apoio imperialista dos Estados Unidos interessados no domínio dos territórios árabes por razões econômicas e estratégicas, desmoraliza mais ainda as retensas justificações “histórico culturais” relativas ao anti-semitismo que são usadas para sensibilizar a opinião pública.
As populações daqueles paises sob bombardeio são vítimas inocentes do terror que é a guerra e a opressão, mas as populações de todo o mundo são vítimas dos enganos divulgados pela mídia que instigam preconceitos e ódios para dividir a humanidade mais uma vez como fez o nazismo há 60 anos.
Famílias dividem-se, amizades são desfeitas, em discussões mal conduzidas baseadas em falsas explicações dessa nova guerra que nada mais é que moderna versão do velho plano de domínio sobre os povos do Oriente Médio alimentado pela pressão constante de Israel como ponta de lança do imperialismo.
Muito já se escreveu sobre a velha estratégia expansionista de Israel, como o artigo de Gershon Knispel “As areias que engolem povos” (na revista Caros Amigos), e sobre os interesses imperialistas bem claros nas declarações de Condoleeza Rice quando disse: “Não vejo qualquer interesse na diplomacia se for para voltar ao status quo anterior entre Israel e o Líbano.
Penso que isso seria um erro.
O que nós estamos presenciando, de certa forma, é um começo, são as dores do parto de um novo Oriente Médio, e seja o que for que façamos, devemos estar certos de que avançamos para o novo Oriente Médio e que não voltaremos ao antigo” (publicado no jornal Avante! do PCP, Portugal Agosto/2006).
Não é novidade, pois em 1996 Israel enunciou um documento intitulado “Uma ruptura limpa: uma nova estratégia para a segurança” onde se prevê: a anulação dos acordos de paz de Oslo;
a eliminação de Iasser Arafat;
a anexação de territórios palestinos;
a derrubada de Saddam Husseim para desestabilizar a Síria e o Líbano;
o desmantelamento do Iraque com a criação de um Estado Palestino no seu território;
a utilização de Israel como base complementar do programa norte-americano de guerra das estrelas.
Bush já expressou o seu desejo de controlar as zonas ricas em hidrocarbonetos do Golfo da Guiné ao Mar Cáspio, passando pelo Golfo Pérsico, o que exige uma redefinição de fronteiras como a que está em curso.
Os que vivem em Israel e os que têm afeto por aquele povo, têm dificuldade em compreender a maquiavélica estratégia que vem sendo aplicada por aquele Estado desde 1957 e nas várias agressões aos povos vizinhos, o que provocou o nascimento de movimentos de resistência como o Hamas e o Hezbolá hoje acusados de terrorismo por se defenderem com armas de pedra ou homens bomba.
É preciso alcançar um distanciamento que permita ver o coletivo histórico apesar dos sacrifícios pessoais de quem vive naquele país.
Não está em causa o direito de existir um Estado de Israel, não voltamos ao tempo do anti-semitismo que foi gravado com o holocausto na Segunda Guerra.
Lamentavelmente o Governo de Israel é que tem assumido a posição nazista de ponta de lança do imperialismo contra os povos vizinhos prestando-se a abrir o caminho comandado pelos que ambicionam o controle das bacias de petróleo no Oriente Médio.
Perdeu a guerra contra o Líbano pela segunda vez, mas não desiste de permanecer no território que devastou cruelmente.
A ONU tem sido enfraquecida durante toda esta escalada bélica que acompanhou a destruição da União Soviética.
Mas as nações que defendem a democracia manifestaram o seu repúdio às chacinas feitas contra o povo libanês e terão de reerguer a instituição internacional que defende o direito dos povos para que o mundo não mergulhe na barbárie absoluta.
A história do expansionismo imperialista é antiga e tornou-se mais visível depois da queda da União Soviética.
Dialeticamente os antigos aliados da estratégia traçada pelos governos norte-americanos hoje se apercebem de que perdem a própria independência e dignidade nacional na subordinação que mantinham.
Foi expressiva a solidariedade das nações mais ricas com o Líbano e o isolamento dos governos de Israel e dos Estados Unidos como agressores.
Os caminhos da paz estão abertos e serão fortalecidos pela manifestação permanente de todos os povos.
Zillah Branco é cientista social e Conselheira do Cebrapaz.

INIMIGOS PRINCIPAIS OU INIMIGO PRINCIPAL?

Na semana passada as duas maiores autoridades executoras da política de guerra do governo Bush, a secretária de Estado, Condoleeza Rice, e o da Defesa, Robert Gates, fizeram uma incursão no Oriente Médio.
Primeiramente foram juntos ao Egito.
Depois visitaram a Arábia Saudita. Em seguida, a delegação dividiu tarefas.
Rice seguiu viagem à Palestina ocupada (Jerusalém e Ramallah), enquanto Gates deslocou-se ao Kuweit e aos Emirados Árabes Unidos.

Na primeira etapa da visita, os secretários de Bush reuniram-se em Charm el-Cheik, no Egito, com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuweit.

A missão teve três objetivos, todos relacionados com a aplicação do plano de reestruturação do Oriente Médio, a prioridade do segundo mandato de George W. Bush.

O primeiro objetivo foi conseguir apoio para estabilizar o Iraque.
Mais de quatro anos depois de iniciada a guerra de agressão, o imperialismo norte-americano colhe um retumbante fracasso.
O Iraque se insurgiu, as forças patrióticas foram capazes de organizar uma tenaz resistência, que inflige pesadas perdas humanas e materiais aos agressores (ver artigo “Por que os EUA perderam”, de Abdul al-Bayaty e Hanna al-Bayaty em www.cebrapaz.org.br).
É muito limitada a capacidade de ação desses países árabes no conflito iraquiano.
Por mais reacionários e pró-americanos que sejam, um envolvimento direto desses países ao lado das forças de ocupação atiça ainda mais o nacionalismo árabe, resultando no efeito contrário ao esperado.

Os emissários de Bush levaram na bagagem um pacote de ajuda militar para a aquisição de armamentos e tecnologia, no valor de 20 bilhões de dólares a serem negociados com a Arábia Saudita e outros países.
Ao Egito e Israel os belicistas estadunidenses ofereceram um pacote de ajuda militar da ordem de 43 bilhões de dólares.
A mensagem é clara.
Os Estados Unidos estão apostando em mais militarização da região, o que, independentemente de qualquer intenção proclamada, redundará em maior instabilidade.

O segundo objetivo foi fazer com que esses países exerçam pressão sobre o Irã no sentido de desencorajar a continuidade do programa nuclear desse país.
Ora, o Irã já sofreu duas resoluções da ONU ameaçando aplicar sanções caso não suspenda o programa nuclear, mas a atitude de Teerã é inabalável, não havendo qualquer sinal de que vá submeter-se aos ditames de Washington.
Disso se conclui que o exercício de pressões sobre o Irã, seja por parte dos Estados Unidos ou de interpostas forças também só acarretará mais instabilidade na região.

O terceiro objetivo relacionou-se com a Palestina.
Rice buscou envolver seus aliados nos esforços para organizar uma conferência de “paz” no final do ano.
Também nesse aspecto os resultados tendem a ser pífios.
A tática de distribuir migalhas tem por resultado o aprofundamento das divisões entre as diferentes forças que atuam naquele cenário.
A tentativa de isolamento, cerco e aniquilamento do movimento Hamas, que venceu as eleições, conduzirá a mais dilacerações, portanto a mais guerra, nunca à paz nem à criação de um verdadeiro Estado Palestino.
Além do que, é indefectível a posição pró-israelense do governo Bush.

Quem deu o principal argumento para atestar o fracasso da missão de Rice e Gates foram os próprios, quando proclamaram quem são os inimigos principais dos Estados Unidos na região: a Síria, o Irã, o Hezbolá e o Hamas.
A Síria e o Irã são dois países soberanos e não dão mostras de estar dispostos a renunciar aos seus objetivos nacionais.
Atacá-los militarmente cobraria um preço altíssimo que os EUA não estão em condições de pagar na presente situação.
Quanto ao Hezbolá e ao Hamas, são dois movimentos de resistência que já estão nos campos de batalha.
A amarga experiência israelense, derrotado pelo Hezbolá durante a guerra de julho-agosto do ano passado, indica que se trata de uma força difícil de aniquilar, pela sua capacidade de combate, pelas profundas raízes que deitou no seio da população libanesa e pelo imenso prestígio de que desfruta em todo o mundo árabe.
Quanto ao Hamas, desalojá-lo à força das posições que conquistou poderá representar uma tragédia humanitária numa Palestina já martirizada há muitas décadas.

Assim, é mais provável que, ao invés de alcançar os objetivos anunciados, o resultado da missão de Rice e Gates seja uma mais nítida caracterização do imperialismo norte-americano como o inimigo principal dos povos do Oriente Médio.
José Reinaldo de Carvalho*
jornalista é Diretor de Comunicação do Cebrapaz.