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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

PELA UNIDADE E SOBERANIA DO IRAQUE




"The Iraqi leadership believes that the Palestinians - and it does not matter who they are and how we [in Iraq] view one figure or another - are not terrorists. The Palestinians fight and struggle with legitimate means... it is a legitimate activity which we support explicitly and not in secret..."
Iraqi Deputy Prime Minister, Tareq Aziz, in response to the speech of US President Bush, MBC Television, 14 September 2002.

Tareq Aziz enfrenta ‘corte’ do invasor e homenageia Sadam

“Tive a honra de trabalhar com o herói Sadam, responsável pela unidade e soberania do Iraque”, afirmou Tareq com altivez na corte-farsa montada por Bush para funcionar no QG ianque da Zona Verde

Em plena corte-farsa de Bush, no interior do QG da invasão em Bagdá, o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, prestou nessa segunda-feira dia 5 sua homenagem ao “herói Sadam”e afirmou ainda que foi o Irã, “com gás cianeto”, que “matou milhares de curdos em Halabja, e não o Iraque”.

“O governo do qual fiz parte não cometeu genocídio contra o povo curdo”, reiterou o líder iraquiano, que compareceu como testemunha do ex-ministro da Defesa Sultan Hachim, no assim-chamado, pelo invasor, ‘caso Anfal’.

“Tive a honra de trabalhar com o herói Sadam, responsável pela unidade e soberania do Iraque”, afirmou Tareq com altivez, apesar de seu conhecido estado precário de saúde e ao qual o invasor se nega a dar cuidados.

Tais declarações levaram o fantoche Mohamed Oreib Al Kalifa, que encena ser “juiz” chefe, a tentar silenciá-lo com ameaças.
Ao que Tareq reagiu com ironia: “já sou um prisioneiro. Que mais pode me fazer?”.
Depois de Sadam, é Tareq a face mais conhecida no mundo inteiro da revolução iraquiana.
Também de sua amplitude, um cristão, companheiro de sunitas, xiitas, curdos, turcomentos – todos iraquianos.

ANFAL

O ‘caso Anfal’ não passa de um apêndice da principal peça de propaganda do governo ianque contra a revolução iraquiana, e de demonização de Sadam, a tragédia de Halabja, onde cinco mil foram mortos por ataque com gás venenoso durante a guerra Irã-Iraque.
Tareq foi, pois, direto à questão.
“As armas químicas usadas naquele tempo que causaram a morte de milhares de pessoas [em Halabja] eram feitas de gás cianeto e não de gás mustarda. Quem tinha esse gás era o Irã, não o Iraque”, destacou.

“O ataque químico à aldeia curda de Halabja foi cometido pelos iranianos em uma ofensiva contra a população curda”, assinalou Tareq.
Ele acrescentou que a ofensiva iraniana com armas químicas em 1988 “é confirmada por documentos internacionais”.
Isso ficou estabelecido até mesmo através de relatórios do Pentágono, como um “publicado em 1989 e disponível na internet”, lembrou.
Também citou um artigo de Milton Viorst na revista norte-americana “New Yorker”.

Tareq apontou outro indício de que o governo iraquiano nada tinha a ver com Halabja.
Nas conversações de 1991, entre os líderes iraquianos e uma delegação curda que incluía o atual ‘presidente’ Jalal Talabani, “sobre compensações para as vítimas curdas da guerra”, Halabja não foi “sequer mencionada por qualquer das partes”, registrou.

Aliás, por todo o Oriente Médio, foi o Iraque, a revolução de Sadam, que mais direitos concedeu aos curdos.
Direito de ter sua língua, escolas, assembléia.
A única condição era a de que se reconhecessem como iraquianos e a grande maioria dos curdos se integrou na revolução, inclusive de armas na mão, contra os iranianos, na época – como testemunhou o correspondente de então do “Guardian”, Patrick Cockburn.
Que também considerou impossível que “182 mil curdos” fossem mortos nessas imediações e isso não transpirasse imediatamente.

ANALISTA DA CIA

Provavelmente o relatório a que Tareq se refere trata-se do estudo conduzido pelo analista sênior da CIA sobre o Iraque no decorrer da guerra Irã-Iraque e professor da Escola de Guerra dos EUA, Stephen Pelletiere, que concluiu que “foi gás iraniano que matou os curdos, não iraquiano”.
De acordo com sua investigação para o Pentágono, “as condições dos corpos dos civis curdos indicaram que eles tinham sido mortos por um agente sanguíneo – isto é, um gás à base de cianeto – que, como se sabe, era usado pelo Irã’.
Os iraquianos – que tinham gás mostarda, que atua por princípio diferente – “não tinham agentes sanguíneos na época”.

O relatório a que Tareq aludiu, desmonta, portanto, a fantasia reacionária do “exército de Sadam jogando gás venenoso no seu próprio povo”.
Não se trata de uma peça contra o Irã, como alguns poderiam alegar, porque diz que “a tragédia de Halabja ocorreu no decorrer de uma batalha entre iraquianos e iranianos – estes últimos no controle da cidade – que definiria o estratégico controle da maior represa do país, Darbanddikhan, e assim, das águas do Tigre e do Eufrates”.
Portanto, se deu no meio de uma batalha e não tendo civis curdos como alvo.
Como destacou Pelletiere, “os civis que foram mortos tiveram o infortúnio de serem pegos no meio disso”.

Quanto ao ‘Anfal’, não passa de uma projeção, sobre os líderes revolucionários iraquianos, dos crimes de guerra de que são useiros e vezeiros os capos do império, como está aí o próprio Iraque, Afeganistão, Vietnã, Coréia para serem exemplos.
Se, como alegam os invasores ianques, seus fantoches e mariposas, “foram mortos 182 mil curdos”, passados quatro anos de ocupação no Iraque inteiro e 16 anos de “autonomia da região” curda, todo dia devia ter alguém achando uma, duas covas em massa, ainda mais com os invasores dispostos a premiar com verdinhas.
Também já deveria ter aparecido alguém, algum renegado, que teria participado da matança, para dar “detalhes”.
Mas não encontram nada porque não há nada.


sábado, 26 de janeiro de 2008

VIOLAÇÃO DE LEIS INTERNACIONAIS

Saddam: bastidores de uma execução clandestina
Categoria:
Internacional
Postado por:
marceloambrosio
Agora que o vídeo com a execução quase clandestina de Saddam Hussein é de conhecimento público, detalhes desse dramático capítulo na história do Oriente Médio justificam o horror e os protestos internacionais que suscitou - a começar da divulgação pelos autores, uma violação aos direitos humanos.
Nos diálogos com os executores, por exemplo, chama minha atenção o fato de um dos verdugos mascarados ter gritado para Saddam o nome de Moqtada Al Sadr, o clérigo radical xiita que lidera o Exército Mehdi, a principal força paramilitar do país.
O ex-ditador o ignorou, mas o carrasco insistiu e gritou o nome do pai de AL Sadr, assassinado por ordem de Saddam.
Não foi apenas uma bravata, mas um atestado da identidade dos encapuzados.
Uma das razões pelas quais o Iraque vive uma guerra sectária é a infiltração do Mehdi no aparato de segurança do Estado, haja visto o centro de tortura que o grupo mantinha dentro da sede do ministério do Interior, em Bagdá.
Nos cárceres, havia mais de 180 prisioneiros sunitas, capturados clandestinamente, sem ordem judicial.
O "aparelho" foi descoberto e desmantelado em uma operação militar americana realizada à revelia do então primeiro-ministro xiita Ibrahim Al Jaafari, mas a presença de seguidores de Al Sadr na cena do enforcamento demonstra que os braços do Mehdi continuam firmemente amarrados ao esquema de segurança do atual governo.
Também explica porque o condenado morreu sem capuz e todos os executores o usavam.
Sem eles, seria virtualmente impossível sustentar a legalidade da execução.
Legalidade é a palavra-chave também para um dos principais advogados do ex-ditador enforcado.
Em uma longa entrevista à ABC, Bouchra Khalil usa a mesma imagem que mencionei no artigo anterior comparando a execução encapuzada à degola de reféns patrocinada por Al Zarqawi no passado.
Também, como eu, levanta fortes suspeitas quanto à pressa da Suprema Corte iraquiana em confirmar a realização da pena capital.
Segundo Khalil, cada um dos juízes ligados ao caso recebeu uma cópia da apelação à condenação, um calhamaço com 200 páginas.
Em nove dias, para seu espanto, o apelo foi rejeitado.
Dada a importância do caso, é até possível que possam ter acelerado ao máximo o processo.
Ainda assim, aqui a pressa é irmã da suspeição.
Descontada a simpatia óbvia do entrevistado pelo tirano iraquiano, é patente que seus argumentos devem ser observados com atenção.
Khalil diz que a lei iraquiana na qual a pena de morte é um capítulo prevê um prazo de trinta dias, a contar da data da confirmação presidencial da sentença, para a execução.
No caso de Saddam, o prazo venceria só no dia 26 de janeiro.
"Por razões morais, humanitárias e pela tradição, o preso tem direito aos 30 dias para resolver seus assuntos pessoais. O que houve foi uma violação das leis internacionais", acrescenta o defensor, que esteve todo o tempo com a família Hussein no exílio jordaniano.
Também há queixas pelo isolamento a que os Hussein foram relegados nos últimos momentos.
O advogado conta que, ao longo do processo, sempre que havia alguma audiência importante "as autoridades americanas os informavam, mas a partir do momento em que começaram a circular os rumores de um enforcamento iminente, o acesso da família foi cortado".
A afirmação revela que o contato era uma permissão americana, não de Bagda.
A última audiência com advogados foi autorizada e realizada no dia 28, pouco antes de o prisioneiro ser entregue à custódia iraquiana.
Curiosamente, Khalil informa que os carcereiros haviam dado um rádio para Saddam, mas o aparelho foi retirado da cela dois dias antes do encontro.
"Eles não queriam que soubesse que estava tão perto de morrer".
Ainda de acordo com Khalil, no encontro final o ex-ditador estava ciente do que o aguardava, e agradeceu o esforço e os riscos corridos pela equipe de defesa - dois dos seus advogados foram assassinados e um terceiro, o americano Ramsey Clarke, se afastou por considerar o processo ilegitimo e viciado. Também recusou tranquilizantes oferecidos por um médico americano.
"Se é esse o meu destino, eu o aceito", disse.
A língua do ditador estava mesmo afiada: quando outro dos verdugos encapuzados, ao vê-lo com a corda no pesçoco, gritou: "vai para o inferno", Saddam Hussein retrucou: "O inferno é o Iraque".
O genocida do deserto tinha toda razão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CONVOCAÇÃO DO PRESIDENTE SADDAM HUSSEIN

“Que todos vocês protejam a terra natal e se engajem na resistência”

“Não os deixem tomar seu petróleo e sua riqueza.”

A defesa da pátria é um dever nacional e religioso.


“Eu os convoco, filhos do Iraque, a transformar as mesquitas em centros de resistência e a garantir o triunfo da religião, do Islã e da pátria, e a fazer o inimigo sentir que vocês o odeiam por meio de palavras e de ato”.


Iraquiana beija a foto de Saddam na capital do Iraque!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

SILÊNCIO CRIMINOSO

Iraque - As 935 mentiras de bush & gang
Foram catalogadas 935 afirmações falsas sobre o Iraque feitas por babybush & gang. A começar pelas ADMs que Saddan não possuía, a tentativa de ligar Saddan a Osama, outra mentira, e por aí vai.Depois babybush quer saber porque sua popularidade está lá embaixo e porque ele é considerado o pior presidenteda história dos EUA, o que não é pouca coisa, porqueo que tem de bandido que governou aquele país não é brincadeira.
O ex-Presidente Italiano, o homem que revelou a existência da Operação Gládio, Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, num dos mais respeitados jornais italianos, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.


O ex-Presidente Italiano, o homem que revelou a existência da Operação Gládio, Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, num dos mais respeitados jornais italianos, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.Cossiga foi eleito Presidente do Senado Italiano em Julho de 1983 antes de obter uma maioria decisiva nas eleições de 1985 tornando-se Presidente de Itália nesse ano. Francesco Cossiga ganhou o respeito dos partidos da oposição com a reputação de um político honesto e conduziu o país durante sete anos até Abril de 1992.A tendência de Cossiga para ser honesto preocupou a elite governante italiana e foi forçado a demitir-se após ter revelado a existência, e a sua participação na criação, da Operação Gládio – uma rede de operações secretas sob os auspícios da NATO que executou atentados bombistas por toda a Europa nos anos 60, 70 e 80.A especialidade da Gládio era executar o que se chama "false flag operations," ataques terroristas que eram imputados à oposição doméstica e geopolítica.As revelações de Cossiga contribuíram para uma investigação do parlamento italiano em 2000 sobre a Gládio, durante a qual foram reveladas provas de que os ataques foram administrados pelo aparelho de inteligência americano.Em Março de 2001, o agente da Gládio Vincenzo Vinciguerra afirmou, em testemunho sob juramento, "Vocês têm de atacar civis, pessoas, mulheres, crianças, pessoas inocentes, gente anónima arredada da política. A razão é muito simples: forçar... o povo a virar-se para o estado a pedir mais segurança." http://citadino.blogspot.com/2007/12/o-ex-presidente-italiano-francesco.html
enviado por: MVM<==>News
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Junte as 3 notícias e veja como é impressionante o silêncio sobre esse assunto.
A declaração não é de um qualquer, é do ex-presidente da Itália:
os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.
>>>Estudo revela que guerra do Iraque se baseou em declarações falsas
Um estudo de duas organizações jornalísticas sem fins lucrativos afirma que o presidente George W. Bush e altas autoridades do governo emitiram centenas de declarações falsas sobre a ameaça do Iraque à segurança dos EUA nos dois anos que se seguiram aos ataques terroristas de 11/9.
O estudo concluiu que os relatórios "faziam parte de uma campanha organizada que direcionou efetivamente a opinião pública e, no processo, empurrou o país para uma guerra com decididas falsas pretensões".
O resultado da análise das organizações foi publicado no site do Centro da Integridade Pública, que trabalhou em parceria com o Fundo para a Independência do Jornalismo.
O porta-voz da Casa Branca Scott Stanzel afirmou que não comentará o estudo porque não o viu.
O trabalho das organizações reuniu 935 declarações falsas --em pronunciamentos, relatórios, entrevistas e outros meios-- divulgadas durante dois anos.
Estas declarações foram compiladas em um banco de dados a partir de 11 de setembro de 2001.
A análise mostrou que Bush e seus secretários e membros do governo mentiram deliberadamente sobre as suspeitas de que o Iraque produzia ou detinha armas de destruição em massa.
"Agora é incontestável que o Iraque não possui nenhuma arma de destruição em massa", afirmou Charles Lewis e Mark Reading-Smith, do Fundo para a Independência do Jornalismo.
"Em outras palavras, o governo Bush levou a nação à guerra baseado em informações equivocadas propagadas metodicamente e que culminaram em uma operação militar contra o Iraque em março de 2003.
O estudo revela o nome de altos membros do governo envolvidos nas mentiras.
Entre eles figuram o vice-presidente Dick Cheney, Condoleezza Rice (secretária de Estado), Donald Rumsfeld (ex-secretário de Defesa), Colin Powell (ex-secretário de Estado), Paul Wolfowitx (ex-vice-secretário de Defesa), e outros.
"O efeito cumulativo das mentiras foi massiva", dizem os autores na apresentação do estudo.
Segundo ele, a mídia reconheceu que durante os meses anteriores à guerra adotou uma atitude condescendente e sem críticas em relação ao governo.
Desde a invasão do país, em 2003, a onda de violência na qual o Iraque está imerso causou a morte de 151 mil pessoas, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Pesquisa da entidade mostra que no primeiro ano da invasão, 128 iraquianos morreram diariamente de maneira violenta;
no segundo ano, o número caiu para 115, ao tempo que
no terceiro voltou a subir, para 126, com mais da metade das mortes ocorridas em Bagdá.



sábado, 19 de janeiro de 2008

A História do Iraque

The story of Iraq





http://www.youtube.com/watch?v=EN7ryKeqwI0

IRAQUE EM FOTOS



From: lnyousif

About This Video

View Iraq in Iraqi people eyes (Veja o Iraque pelos olhos dos iraquianos)
Added: December 21, 2006
www.FromBaghdadToNewYork.com

Added: December 21, 2006


Category: News & Politics
Tags: Iraq Nature Travel Baghdad War Saddam News Basra Dohouk Fun عراق بغداد صدام طبيعة سفر

Save the dying Iraqi children and women before God gets mad! Chase the American intruders out of the ancient land of Mesopotamia! moominmama01 (4 months ago)



http://www.youtube.com/watch?v=OXIgkmYejJg&feature=related

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

ADMINISTRAÇÃO BUSH: O MAL DO SÉCULO

Muita gente apostou no sucesso da administração Bush, precisamente por ser ela totalmente contrária à Moral e antiética.
Apostaram num mundo em que valesse tudo para vencer - menos a verdade, menos a decência, menos o esforço próprio, menos a honestidade, menos o trabalho honesto.
Seria a vitória dos egoístas, dos inescrupulosos.
Isso ciclicamente tem sido tentado.
No século passado (o XX (20)), os homens inferiores começaram a sua mais recente tentativa para implantar o Mal, desta vez de forma globalizada.
No início, trabalharam de modo sorrateiro, e foram se infiltrando em todas as organizações.
Depois, através de intrigas e calúnias, dedicaram-se a destruir e impedir que o Bem chegasse à liderança.
Todo líder que estivesse verdadeiramente voltado para o Bem foi sendo identificado e de uma forma ou de outra neutralizado ou eliminado.
Se já tivesse seguidores, a estes o mesmo destino seria reservado.
O Bem fica, assim, anulado.
Agigantou-se o poder dos homens inferiores.
E é precisamente aí que sempre o Mal conhece a sua derrota.
Porque quando todo o poder fica concentrado nas mãos dos maus, estes não podem mais culpar os bons por todo o erro que haja na sociedade - pois nada mais está sob o controle dos virtuosos.
Conseqüentemente, se todo poder está nas mãos dos maus e nada funciona, se por toda parte só se vê injustiças, violências, aflições, desventuras, dores, sofrimentos, torturas, deslealdades, falsidades, injustiças, infelicidades - e o que todo homem quer, ao final, é ser feliz - o Mal é, enfim, desmascarado - por suas próprias obras.
A maldade dos homens inferiores volta-se, então, contra eles mesmos.
O Mal mostra-se nefasto não apenas para o Bem, mas termina por causar a destruição de si mesmo.
Pois se o mal vive somente da negação, como pode subsistir em si mesmo?
Vejam que há uma enorme contradição em, perseguindo o mal, querer ser bem-sucedido, através do mal querer atingir o bem-estar.
O Bem só se conquista através do Bem, assim como só o Mal nos advirá se optamos pelo Mal.
Parece óbvio, não é mesmo?
Porém, há milênios o homem vem tentando de diversas formas conquistar todas as conseqüências do Bem através do Mal.
Mas se o mal é a negação do bem como queremos conquistar as conseqüências deste através daquele?
Na atual tentativa, o homem já gastou mais de um trilhão de dólares (tantos que esta moeda acabou se desvalorizando); e até agora quais foram os resultados?
O mundo está mais seguro?
A humanidade está mais feliz?
Pelo menos os privilegiados estão mais seguros e mais felizes?
Mesmo sendo obrigados a viver atrás das grades dos condomínios se sentem livres?
Se estão mais felizes, por que o consumo de drogas é crescente?
E a taxa de suicídio não pára de crescer em várias partes do mundo - principalmente no mundo industrializado?
Mas todos que apostaram no Mal - ainda - esperam que tudo venha a acabar bem...
Ou será que esperam que acabe mal?
Não, não, esperam que acabe ...Pelo menos os que apostam no Bem são bem mais coerentes!
posted by Silv@

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Presidente Saddam e a Liberdade da Igreja

Bento XVI teme ´maus-tratos´ contra cristãos no Iraque


O Pontífice teme que a sociedade "que surge (no Iraque) não tolere a religião cristã"


ROMA - O Papa Bento XVI teme que a minoria cristã no Iraque sofra "maus-tratos" por fundamentalistas muçulmanos, disse ele hoje ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

O Papa se mostrou muito preocupado "que os cristãos sejam maltratados pela maioria muçulmana", contou Bush após a primeira reunião entre os dois. O Pontífice teme que "a nova sociedade que surge (no Iraque) não tolere a religião cristã", disse Bush em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi.
A Santa Sé também comentou o assunto no comunicado sobre o encontro com o presidente americano, dizendo que o Papa chamou a atenção para as "condições críticas" pelas quais passa a comunidade cristã no Iraque.
Saddam Hussein protegia a minoria religiosa - de cerca de um milhão de pessoas - dos vizinhos muçulmanos. Mas, após a derrubada do ditador, os cristãos vêm sendo alvo de ameaças e violência, o que preocupa a Igreja.
O comunicado do Vaticano também pede uma solução "regional e negociada" para o conflito no Iraque, o qual considera "preocupante".
Bush disse que em seu encontro com o Papa, de cerca de 35 minutos, não discutiram se a guerra era "justa" ou não. O presidente classificou Bento XVI como "um homem muito inteligente e carinhoso", e descreveu a reunião como "uma experiência comovente".
Durante a conversa, o Papa disse que acompanhava atentamente o debate sobre a reforma migratória nos EUA, que pretende abrir uma via para a legalização de cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais. "Disse a ele que apoio de forma enérgica a reforma migratória, que, por um lado, fará cumprir a lei e, por outro, tratará as pessoas com dignidade", disse Bush.
Segundo o presidente, a situação na África também foi abordada. Bush informou ao Papa sobre os programas dos EUA para combater a Aids e a malária.
Fonte:http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2007/jun/09/93.htm?RSS

http://www.lustosa.net/noticias/106473.php

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Só a resistência iraquiana é legal









No Iraque, só a Resistência Popular Nacional - Armada, Política e Civil - tem a autoridade, tanto como fato objetivo como sob o Direito Internacional, para determinar o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque.

Nenhum outro ator - e, com certeza, em nenhum caso os políticos títeres instalados pelo EUA em uma “Zona Verde” (de Baghdad) de 10 quilômetros quadrados - podem falar em nome dos iraquianos ou representar a República do Iraque.


Só a resistência iraquiana é legal


Hana Albayaty, Abdul Ilah Albayaty, Ian Douglas(Comitê do Tribunal de Bruxelas)

05 de outubro de 2006
(original disponível em
http://www.brusselstribunal.org/ResistanceLegal.htm)


A ocupação do Iraque, dirigida pelo EUA, é uma viela sem saída política, nem militar, nem moral, nem econômica.
A Resistência Popular Nacional no Iraque é a única legal e legítima representação do povo iraquiano e da República do Iraque.
Só a resistência popular nacional pode e tem autoridade para decidir o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque.

Em 2005, o Júri de Consciência do Tribunal Internacional sobre o Iraque (1) estabeleceu claramente a ilegalidade e imoralidade da invasão, ocupação e destruição do Iraque como um Estado e como uma nação, capitaneadas pelo EUA.

A legalidade está com o Iraque.
Enquanto a plêiade de ilegalidades cometidas pelo EUA no Iraque continua desenfreada, a lei internacional afirma:
- A ocupação do Iraque comandada pelo EUA é expressamente proibida sob a lei internacional, intituindo mudanças objetivadas a alterar permanentemente as estruturas fundacionais do Estado Iraquiano, incluindo as instituições judiciárias, econômicas e políticas e o tecido social (2).

Ademais, e dado que a invasão do Iraque em 2003 foi inequivocadamente ilegal sob a lei internacional, são ilegais não apenas a Constituição Permanente designada pelo EUA e a Assembléia Nacional, mas toda lei, tratado, acordo e contrato assinados no Iraque desde o início da invasão ilegal e subsequente ocupação.

Todos os Estados são obrigados, sob o direito internacional, a não reconhecer como legais as consequencias de atos ilegais levados a cabo por outros Estados. (3)
- A ocupação comandada pelo EUA é proibida, sob o direito internacional, de firmar quaisquer contratos de longo prazo que não tenham o acordo de um governo iraquiano soberano representando o soberano povo iraquiano (4).

Dado que, por definição, tal governo não pode existir sob ocupação, todos os intentos de vincular o futuro do petróleo iraquiano a multinacionais estrangeiras - particularmente por meio dos desfavoráveis “Acordos de Produção Compartilhada (PSAs) (5) - são ilegais, sem validade, efeito ou valor.
- A ocupação comandada pelo EUA é inequivocadamente proibida, sob o Direito Internacional, de promover ou permitir a divisão do Iraque em três ou mais unidades federais (6).

Tal resultado seria uma grave violação das leis de guerra que regem a ocupação beligerante.

É igualmente ilegal que a ocupação comandada pelo EUA engendre e fomente conflitos étnicos e sectários com o fim de levar a cabo políticas opostas aos interesses do povo iraquiano (7).
- Tendo as políticas da ocupação comandada pelo EUA fracassado, as autoridades da ocupação não têm o direito de intentar sujulgar os iraquianos pela força. Conduzindo operações punitivas que indiscriminadamente afetam civis ao longo de cidades inteiras - por exemplo os planos em curso para pacificar Baghdad pela quarta vez - são ilegais e puníveis sob o direito internacional (8).

A ocupação capitaneada pelo EUA e por seus mandatários feudais impostos, estão perpetrando punições coletivas, crimes contra a humanidade, utilizando armas proibidas e violando as leis de guerra ao não reconhecer os combatentes da resistência como combatentes (9).
- A campanha em curso de assassinatos, torturas, violações e terror contra os cidadãos sunitas do Iraque, incluindo a operação de esquadrões da morte financiados pelo EUA, constitui genocídio sob a Convenção sobre Genocídio de 1951 (10).

O fracasso das forças de ocupação em proteger, como são obrigados sob a lei internacional, o direito à vida e em assegurar a segurança de todos os cidadãos iraquianos - independemente de crenças confessionais ou outras singularidades - constitui Crime de Guerra e Crime contra a Humanidade (11).


- Só a resistência popular nacional é legal no Iraque.


Sua legalidade e legitimidade é baseada em numerosos instrumentos do Direito Internacional, incluindo documentos fundamentais e determinantes como a Carta das Nações Unidas (12).

Deveria ser reconhecida como um exército combatente e como a continuidade do Estado Iraquiano.

Só a resistência é legal
No Iraque, só a Resistência Popular Nacional - armada, política e civil - tem a autoridade, tanto como fato objetivo como sob o Direito Internacional, para determinar o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque.

Nenhum outro ator - e, com certeza, em nenhum caso os políticos títeres instalados pelo EUA em uma “Zona Verde” (de Baghdad) de 10 quilômetros quadrados - podem falar em nome dos iraquianos ou representar a República do Iraque.
A total responsabilidade pelos desastres que se têm causados sobre o povo iraquiano recai sobre o EUA e seus fracassados “processo político” e medidas de segurança. Nenhuma escalada militar pode prover uma solução.

A ocupação deve acabar, e acabar já.
_____________________________________Notas dos autores e de IraqSolidaridad (
www.iraqsolidaridad.org)

1. Clique aqui para acessar, em espanhol, o documento final da sessão de Istambul do Tribunal Internacional sobre o Iraque, de 24 a 27 de junho de 2005.
2. Artigos 43 e 55 da Convenção de Haia IV, 1907, relativos às leis e costumes da guerra terrestre;

artigos 54 e 64 da Convenção de Genebra IV, 1949, sobre a proteção de civis em tempos de guerra.
3. Artigo 41(2) dos Artigos Preliminares sobre Responsabilidade Estatal da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, representando a norma do direito internacional consuetudinário (e adotada na Resolução 56/83 da Assembléia Geral das Nações Unidas de 26/01/2002, “Responsabilidade dos Estados por Atos Internacionalmente Ilícitos”), impede os Estados de se beneficiarem de seus próprios atos ilegais:

“Nenhum Estado reconhecerá como legal uma situação (de uma obrigação derivada de uma norma obrigatória do Direito Internacional geral)” (destaque do autor);

Seção III(e), Resolução 36/103 da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1962, “Declaração sobre a Inadmissibilidade de Intervenção e Interferência nos Assuntos Internos dos Estados”.
4. Resolução 1803 (XVII) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1962, “Soberania Permanente sobre Recursos Naturais”.
5. Veja-se em IraqSolidaridad: “Em 2006 será aprovada uma nova lei de hidrocarbonetos. EUA insta governo iraquiano a liberalizar o setor petrolífero” (
http://www.iraqsolidaridad.org/2006/docs/econ_6-09-06.html), e ligações relacionadas.
6. Em 11/10/2006 o parlamento iraquiano dava sinal verde à lei que permitirá o estabelecimento de regiões autônomas no Iraque.
7. Resolução 1514 (XV) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1960, “Declaração sobre a Concessão de Independência aos países e povos coloniais”.
8. Artigo 50 do Regulamento da Convenção de Haia IV, 1907; artigo 33, Convenção de Genebra IV, 1949: “Estão proibidas as punições coletivas e qualquer medida de intimidação ou de terrorismo”;

artigo 51, Protocolo I da Convenção de Genebra, 1977.
9. Artigo 3 do Regulamento da Convenção de Haia IV, 1907: “As forças armadas das partes beligerantes podem consistir em combatentes e não-combatentes. Em caso de captura pelo inimigo, ambos têm direito a serem tratados como prisioneiros de guerra”.
10. Artigos 2 e 3 da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, 1951.
11. Princípio VI, Princípios do Direito Internacional Reconhecidos na Carta do Tribunal de Nuremberg e no Julgamento do Tribunal, adotado pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, 1951.
12. Os direitos à autodeterminação, independência nacional, integridade territorial, unidade nacional, e soberania sem interferência externa foram afirmados numerosas vezes por uma série de organismos das Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança, a Assembléia Geral, a Comissão de Direitos Humanos, a Comissão de Direito Internacional e a Côrte Internacional de Justiça.

O princípio da autodeterminação prevê que quando se suprime estes direitos pela força, pode-se fazer uso da força para opôr-se e conseguir a autodeterminação.

A Comissão de Direitos Humanos tem rotineiramente reafirmado a legitimidade da luta contra a ocupação com todos os meios disponíveis, incluindo a luta armada (Resolução nº 3, XXXV, dessa Comissão, 21/02/1979).

Expressamente, a Resolução 37/43 da Assembléia Geral, adotada em 03/12/1982: “Reafirma-se a legitimidade da luta dos povos por independência, integridade territorial, unidade nacional e libertação da dominação colonial e estrangeira, por todos os meios disponíveis, incluindo a luta armada” (Ver também as Resoluções da Assembléia Geral 1514, 3070, 3103, 3246, 3328, 3382, 3421, 3481, 31/91, 32/42 e 32/154).

O artigo 1(4) do Protocolo I da Convenção de Genebra, 1977, considera as lutas por autodeterminação como situações de conflito armado internacional.

A Declaração de Genebra sobre o Terrorismo estabelece: “Como reiteradamente reconhecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas, os povos que estão lutando contra dominação colonial, ocupação estrangeira e regimes racistas, no exercício do seu direito a autodeterminação têm o direito de usar a força para conseguir seus objetivos nos marcos do Direito Internacional Humanitário.

Tal uso legal da força não pode ser confundido com atos de terrorismo internacional”.

No exercício do seu direito a autodeterminação, os povos sob dominação colonial e estrangeira têm o direito “de lutar…e buscar e receber apoio, de acordo com os princípios da Carta [das Nações Unidas]” e, em conformidade com a Declaração de Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas e Cooperação entre Estados.

É nesses mesmos termos que o artigo 7 da Definição de Agressão (Resolução 3314 (XXIX) da Assembléia Geral, 14/12/1974) reconhece a legitimidade da luta dos povos sob dominação colonial e estrangeira.

A Declaração de Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas e Cooperação entre Estados (Resolução 2625(XXV) da Assembléia Geral) cita o princípio de que “Os Estados se absterão em suas relações internacionais, da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra atuação incompatível com os propósitos das Nações Unidas”.

O reconhecimento, pela ONU, da legitimidade da luta dos povos sob dominação ou ocupação colonial e estrangeira está em consonância com a proibição geral do uso da força consagrado como princípio fundamental da Carta das Nações Unidas, porque um Estado que forçosamente subjuga um povo a dominação colonial e estrangeira está cometendo um ato ilegal tal como definido no Direito Internacional, e o povo submetido, no exercício de seu inerente direito a autodefesa, lutará para defender e conseguir seu direito a autodeterminação.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Condenação à morte das Resistentes Iraquianas



Fotos: mulheres iraquianas com suas crianças após a invasão estadunidense no ano de 2003.
As mulheres iraquianas são contra a ocupação e invasão do Iraque pelos Eua e aliados bem como contra o "governo-fantoche" instalado desde 2003 que coaduna com tanta morte e destruição.
Mais de 2 mil mulheres iraquianas estão presas por “razões de segurança”

A condenação à morte de três resistentes iraquianas mostra que a execução de Saddam Hussein e outros membros do partido Baas não foram actos isolados.
Como se não bastassem as execuções praticadas pelos esquadrões da morte, a clique governante iraquiana prepara o caminho para execuções ‘judicialmente sancionadas’ de todos os que se oponham ao seu regime e à ocupação norte-americana.
É vital denunciar a condenação à morte das resistentes iraquianas.
Importa repudiar mais esta barbaridade e compelir as autoridades iraquianas a revogar a sentença.
Até à data, sabia-se do assassinato de resistentes praticado por esquadrões da morteintimamente ligados ao governo iraquiano e às forças de ocupação.
Mas não se falava da condenação à morte de membros da Resistência.
Eman Khamas, resistente iraquiana e membro do WTI, refere, sobre isto, que na realidade não se trata do primeiro caso; simplesmente, até agora não eram dados como pertencendo à resistência.
A escritora e resistente iraquiana Haifa Zangana, igualmente membro do WTI, referiu que “as execuções dos que eles (poder iraquiano) chamam ‘terroristas’ e ‘criminosos’ têm ocorrido às dúzias desde há um ano para cá”, acrescentando que “uma execução pública teve lugar em Mossul, no norte do Iraque, há dois meses”. Salienta que “todavia, é a primeira vez que se ouve falar da condenação de mulheres à morte”.
Segundo Mohamed Khorshid, dirigente das organizações de direitos humanos do Iraque, em declarações ao jornal Asharq Al Awsat, em 6 de Abril de 2006, “há mais de 2 mil mulheres classificadas como ‘prisioneiros de segurança’ que estão sob supervisão tanto das forças de ocupação como do seu regime fantoche, em várias prisões, campos e centros de detenção”.
Numa declaração recente no parlamento, diz Khorshid, a ministra iraquiana dos direitos humanos reconheceu haver mais de mil mulheres naquelas condições; mas, perante a reacção pública, a ministra deu o dito por não dito um dia depois. Comentando a condenação das três mulheres, uma representante do WTI da Turquia, sublinhou tratar-se de “um sinal de abertura de uma época de execuções ‘legais’ no Iraque, uma prova horrível de que as execuções de Saddam Hussein e de outros líderes do partido Baas não foram actos isolados ou incidentes excepcionais”.
Pelo contrário, acrescenta, “foram a maneira de a clique governante iraquiana preparar o caminho para execuções ‘judicialmente sancionadas’ de todos os que se oponham ao seu regime e à ocupação norte-americana.”
Como refere a mensagem que a União dos Advogados Iraquianos fez chegar ao Tribunal Mundial sobre o Iraque, informando sobre a condenação sumária das resistentes e dos procedimentos sem lei do Supremo Tribunal Iraquiano, é vital protestar e agir contra estes actos a fim de compelir as autoridades iraquianas a revogar a sentença.
Importa informar o maior número de pessoas de mais esta barbaridade e instar as instituições relevantes a intervir.
Exige-se do governo e das autoridades portuguesas uma tomada de posição junto das autoridades iraquianas e norte-americanas no sentido de impedir a execução e de condenar a arbitrariedade do Tribunal Supremo Iraquiano.
Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Um Iraque diferente


“Sei do perigo de cobrir uma guerra, mas, mesmo assim, gostaria de voltar e terminar o meu trabalho. É muito interessante”


Em um dia foi informado que poderia ir cobrir a guerra no Iraque, duas semanas depois já estava com a mala pronta e um equipamento de 80 mil dólares sob sua responsabilidade.


O jornalista da TV Bandeirantes Herbert Moraes, primeiro goiano a cobrir uma guerra, ou uma “pré-guerra”, conta em entrevista exclusiva para o Jornal Opção todos os detalhes sobre como é o Iraque sob um foco nada sensacionalista, e, sim, humanista.

Herbert traça o perfil da sociedade iraquiana, seus costumes, curiosidades e fala sobre fatos que o marcaram.


Como foi repórter e cinegrafista ao mesmo tempo, além de fotógrafo, Herbert Moraes retrata uma Bagdá com a riqueza de detalhes da informação narrada pelo povo e documentada por suas lentes.


Nas imagens apresentadas a seguir, Herbert conseguiu documentar lugares proibidos de serem fotografados e que se há 30 dias existiam, hoje, quatro dias do início da guerra, já estão todos destruídos.
Euler Belém — Como foi decidido que você iria para o Iraque?
Eu estava na redação, quando o então diretor executivo da Band, Carlos Amorim perguntou, na redação, quem falava bem inglês.
Disseram que eu falava.
Ele, então, me chamou e perguntou como estava o meu inglês.
Falei que estava bom.
Ele disse para eu preparar a documentação e a minha mala que eu iria para o Iraque.
Eles pediram o meu passaporte e uma semana depois voltaram a me chamar.
Foi quando disseram que dentro de quatro dias eu iria para o Iraque.
Estudei muito sobre o Oriente Médio antes de ir.
Euler Belém — Qual é a rota para chegar ao Iraque?
Depende.
O normal seria São Paulo–Amsterdã, Amsterdã–Amã na Jordânia, depois para Bagdá.
O problema no meu caso foi quando cheguei em Damasco, Síria.
O espaço aéreo estava fechado no Iraque, então, tive de pegar um ônibus para Bagdá.
A viagem durou quatorze horas.
Euler Belém — Quantos quilômetros?
São mil quilômetros no deserto.
Euler Belém — Qual era o ônibus?
Uma marinete, o mesmo que aquelas jardineiras antigas.
Era um ônibus velho, sem banheiro.
O vidro da frente estava quebrado e entrava um poeirão terrível.
Euler Belém — Tem militares na estrada?
Tem e eles checam tudo.
Como eu estava com o pessoal da Federação das entidades árabes, e eles eram convidados do governo iraquiano, não tive problema.
Euler Belém — Você foi a convite do governo iraquiano?
A Band não, mas, nos quatro primeiros dias, estive acompanhado de um grupo que estava a convite do governo do Iraque.
Por isso, tivemos algumas regalias.
Por exemplo: quando entrei na Síria, tive problema com o equipamento, já no Iraque, não.
Na saída, tive problemas, porque não estava mais com o grupo.
Quase que não consigo voltar.
Patrícia Moraes — O seu equipamento foi apreendido?
Foi apreendido na Síria.
A Síria tem um problema sério com Israel por causa das Colinas de Golan.
Israel tomou as Colinas de Golan da Síria.
Não chega a ser uma guerra, mas é um problema militar.
Por isso, eles desconfiam muito de quem entra com equipamento.
Na Síria, não pude usar o meu equipamento.
Euler Belém — A estrada entre Síria e Bagdá tem restaurante?
Somente depois de ter entrado no Iraque a gente parou num posto militar que tinha um restaurante e havia um pessoal preparando carneiro.
Ofereceram carneiro, mas o grupo que estava comigo e eu não aceitamos.
Estava muito frio, eram umas seis horas da manhã.
Tomamos um chá e comemos pão sírio, que eles fazem na hora, com queijo.
Euler Belém — Como era sua alimentação no Iraque?
Comida árabe.
Eles fazem um arroz-de-carreteiro muito bom.
Euler Belém — Arroz-de-carreteiro com carneiro?
Com carneiro, tabule e homus.
Eles comem muito pepino.
No café-da-manhã eles comem tomate, pepino, azeitona, homus. [pasta de sementes de grão-de-bico]
Euler Belém — Na Síria, como eles analisam a situação entre Iraque e Estados Unidos?
A Síria tem uma relação muito boa com o Iraque.
Ambos são governos ditatoriais.
É normal para eles passarem o poder de pai para filho.
Eu não acredito que essa invasão americana vá provocar um movimento do povo contra Saddam Hussein.
Euler Belém — Quais são as conseqüências do embargo econômico na sociedade iraquiana?
O abastecimento alimentar é contornado com os países vizinhos.
Tanto na Síria como no Iraque não há Coca-Cola.
Eles tomam uma bebida parecida com Pepsi que é produzida no Irã.
Refrigerantes vêm do Irã, arroz do Vietnã e açúcar do Brasil.
O mercado negro é muito grande e sem nenhum tipo de controle do governo.
Há muita mercadoria da China, Taiwan e Irã.
Mesmo tentando contornar as dificuldades provocadas pelo embargo, o Iraque tem 1 milhão de famintos.
Euler Belém — A vida em Bagdá é muito cara?
Muito cara.
O dinar iraquiano não vale nada.
Por exemplo, 1 dólar corresponde a 8 notas de 250 dinares, isto é, 2 mil dinares.
Com 2 mil dinares se consegue comer bem em Bagdá.
Com 10 dólares pode se comer um banquete no restaurante mais caro.
Eu entrevistei um garçom que ganha um dólar por dia e estava muito feliz.
O recepcionista do hotel onde eu estava hospedado ganha 75 dólares por mês, que é muito no Iraque.
Euler Belém — Água é importada?
A água de garrafa é do Irã.
O grupo que ficou comigo durante quatro dias tomou água da torneira do hotel e teve diarréia.
Patrícia Moraes — Como é o sistema de saúde?
O Hospital Central de Criança Saddam Hussein já foi referência no mediterrâneo e, hoje, não tem mais nem equipamentos, tudo está sucateado.
Não há nem mesmo antibióticos básicos. Quem tem leucemia está condenado a morte, por exemplo.
Euler BelémVocê falou que o iraquiano está pronto para a guerra, e que respeita muito Saddam Hussein.
Qual é a explicação?
Um pouco é resultado da repressão, e a outra explicação é a lealdade e a admiração por Saddam Hussein.
O fato de ele ter sido soldado e, hoje, ser um líder faz com que tenha respeito na sociedade.
Euler Belém — Existe oposição a Saddam Hussein?
Existe uma oposição, mas bem camuflada.
Euler Belém — Se os Estados Unidos conseguirem derrubar Saddam Hussein vão conseguir implantar um novo governo?
Não. Se Saddam Hussein cair, quem vai governar é Frank Tomy, que é o senhor dos anéis.
É impossível implantar uma democracia onde existem tribos.
Os curdos, os sunitas, os xiitas possuem estilo de vida diferente.
Patrícia Moraes — A ditadura Saddam Hussein oferece condições de vida para a sociedade?
Oferece.
Não existe analfabetismo no Iraque, são 6 milhões de crianças estudando.
Patrícia Moraes — Mas a saúde é precária.
A saúde é precária, porque existe o embargo, mas todos têm acesso aos hospitais, e, antes do embargo, o governo dava tudo para os iraquianos em termos de saúde. As universidades são públicas ou particulares. Eu fui a uma universidade de economia, onde os alunos pagam 100 dólares por ano. Todos os iraquianos querem trabalhar para o governo.
Patrícia Moraes — Há muita diferença social?
Tem classe alta, média e baixa.
O bairro mais miserável de Bagdá é habitado por curdos que são contra o regime de Saddam.
Lá, a miséria é como em São Paulo.
Não há saneamento, recolhimento de lixo.
O governo abandonou a população.
As pessoas ricas trabalham para o governo.
Euler Belém — Você chegou a conversar com algum opositor ao regime de Saddam Hussein?
Conversei com um homem, na feira, que não concordava com o governo Saddam.
Foi a única pessoa entre as centenas que eu conversei que falou mal do governo Saddam.
Disse que, apesar de não gostar, tinha que abaixar a cabeça, porque mora ali e trabalha para o governo.
Ele também disse que não podia falar mal do governo Saddam dentro da casa dele para os filhos. E quando fala do governo é para a mulher, trancados no quarto, e muito baixo.
Euler Belém — Como você se comunicava com as pessoas?
Eu tinha um guia que trabalhava para o Ministério das Relações Exteriores.
Tudo o que ele me dizia era filtrado.
Era de acordo com o que ele achava que eu podia saber.
Em Bagdá, os jornalistas são obrigados a sair com guia.
Uma vez eu fui fazer uma reportagem junto com um jornalista português.
O tema era a saída dos iraquianos de Bagdá.
Fomos a uma empresa de ônibus internacionais que fazia Bagdá–Damasco, Bagdá–Amã.
Quando estávamos entrevistando o dono de uma loja, o guia do jornalista português, que era uma pessoa medrosa, disse que ninguém estava deixando Bagdá.
Eu percebi que a tradução não tinha sido verídica e fui dar uma volta, foi quando conversei com um funcionário da mesma loja.
Perguntei como estava o negócio e ele falou que o número de pessoas viajando tinha aumentado por causa da guerra.
Euler Belém — Para onde os curdos vão?
Para a Síria, Jordânia.
Euler Belém — Você notou tensão e medo nas pessoas?
Muito disfarçado.
As pessoas estavam seguindo com a vida normalmente, mas por causa do governo.
A imagem que aparece das crianças jogando bola foi colocada na televisão pelo governo, que não revelou o limite de 48 horas estipulado pelos Estados Unidos para o início da guerra.
O governo maquia muito.
Euler Belém — A televisão estatal controla tudo?
Tudo.
São três canais que a toda hora passam clipes horrorosos do Saddam Hussein e músicas em sua homenagem.
As mensagens são passadas exaustivamente na televisão.
Há dois anos que ele não aparece em público.
Patrícia Moraes — Que característica da sociedade pareceu mais interessante para você?
Várias.
As mulheres são gordas e os casamentos são muito interessantes.
Os noivos não participam da festa de casamento.
Eles chegam depois com a família.
Os homens não participam desse ritual.
Participam da festa as mulheres de ambas as famílias que são as mães, irmãs, a tia da tia, a cunhada da cunhada.
É a família inteira mesmo.
Elas vão para a porta do elevador e começam a cantar, representando a hora do acasalamento.
O noivo sobe em um elevador com a família dele e ela sobe em outro elevador com a família dela. Eles chegam ao andar das núpcias e as famílias acompanham os noivos até a porta do quarto.
A noiva chora, se despedem e a família volta para a festa.
Patrícia Moraes — Vestida de branco?
Vestida de branco, de véu e grinalda.
Patrícia Moraes — Muitas jóias?
Muitas pedras preciosas e muita maquiagem.
As mãos também são pintadas.
Euler Belém — Os homens também são gordos?
São e todos usam bigode.
Fumam muito, exageradamente.
Euler Belém — Cigarro ou cachimbo?
Cigarro.
É estranho quem não fuma.
Não fumar e não ter filhos é estranho no Iraque.
No elevador, tem cinzeiro.
Outra coisa muito interessante aconteceu quando fui de Bagdá para Damasco.
Eu estava no avião de uma empresa iraquiana, quando, de repente, o piloto que estava taxiando na pista começou a rezar.
Depois, todos começaram a fumar.
Euler Belém — Você não ficou sufocado?
Na hora eu chamei a aeromoça e perguntei se as pessoas podiam fumar.
Ela disse que sim.
As mulheres não fumam, mas todos os homens fumam.
Euler Belém — As pessoas se paqueram?
Eles não são como no Irã ou no Afeganistão.
Não são tão radicais com a religião.
Nem todas as mulheres usam véu.
Depende da tribo.
Os xiitas admitem que elas usem véu, mas não precisam usar burca;
as sunitas podem usar maquiagem e não precisam usar véu.
Euler Belém — Tem prostituição?
Tem, mas muito disfarçada na Rua Arassat, a mais chique de Bagdá.
Onde estão os bons restaurantes e lojas.

Euler Belém — A riqueza é ostensiva?
Os prédios, as construções?
Não.
A riqueza é vista somente nos Palácios de Saddam Hussein.
Euler Belém — As companhias de petróleo são todas do governo?
São todas estatais.
Tem algumas companhias estatais que possuem acordos comerciais com França, Rússia.
Euler Belém — Você não tem medo de cobrir guerra?
Não tive medo nenhum.
No primeiro dia, quando peguei o ônibus de Damasco para Bagdá, tive um pouco de medo. Durante as 14 horas de viagem, o motorista deu carona para uma família com cinco filhos, um iraquiano e a mulher.
E para dois tunisianos que estavam indo para Bagdá fazer parte de um protesto pró-Iraque.
No meio do caminho, eu tomei um Dramin para dormir.
Eu nunca tinha tomado Dramim e apaguei.
Atrás do ônibus tinha um banco grande que a gente revezava, porque dava para deitar.
Na minha vez, como eu tinha tomado Draminm, dormi e não acordei mais.
O pessoal ficou nervoso comigo, porque não tinha cristo que me levantasse.
Numa determinada hora da viagem o ônibus parou numa barricada, todos desceram e eu continuei dormindo.
Alguém pediu para que o tunisiano me acordasse.
Ele era escuro, grandão, vestia um casaco preto e usava bigode.
Ele foi me acordar sacudindo e falando árabe.
Eu só via esse homem falando árabe comigo, de casaco preto, com cara de árabe.
O ônibus vazio, pensei: bom, mataram todo mundo e só faltou eu.
Me descobriram aqui no canto e agora sou eu.
Nesse momento, alguém lá fora me chamou: “Herbert desce daí”.
Foi quando eu me acalmei. [Risos]
Euler Belém — Você gritou?
Não, fiquei olhando, parado.
Ainda estava sob o efeito do remédio.
Esse foi o único medo que passei.
Euler Belém — Você ainda pode voltar para o Iraque. Agora não é mais arriscado?
É. Eu não voltaria para o Iraque, porque, como não há serviço de embaixada, não há ninguém para autorizar a entrada no país.
Agora é cada um por si.
Euler Belém — Como os jornalistas do New York Times conseguiram entrar?
Porque eles já estavam em Bagdá.
Euler Belém — Eles não saem também?
Se quiserem, podem sair.
Euler Belém — Onde eles ficam?
Há alguma área de menos risco?
Não.
Toda a imprensa fica no prédio do Ministério da Informação, porque ninguém pode trabalhar fora.
Embaixo do prédio existe um abrigo antiaéreo.
Esse pode ser um dos alvos. [No primeiro dia de bombardeio este prédio foi um dos primeiros alvos acertados.]
Euler Belém — Você iria para o Kuait ou para a Síria?
Iria para o Kuait.
A Síria está muito longe de Bagdá.
Patrícia Moraes — Há muitos abrigos espalhados pela cidade?
Muitos.
Euler Belém — Você acha que Saddam Hussein foge?
Ele não tem uma Al Qaeda.
O Bin Laden tem uma rede atrás dele e pode se esconder em cavernas.
Saddam Hussein não é o tipo que se esconde em caverna.
Euler Belém — Você sabe de algum grupo terrorista finlandês ligado ao Saddam?
Desconheço essa história.
Eu encontrei dois finlandeses no Iraque e achei estranho.
Na Síria, também tinha um finlandês.
Euler Belém — Qual o motivo que eles dão para a guerra?
Petróleo.
Eles odeiam os americanos.
Patrícia Moraes — Você falou de uma curiosidade da sociedade.
Agora me fala sobre alguma coisa que te surpreendeu?
As privadas.
Não tem privada, é latrina.
No banheiro tem um buraco, com um lugar para colocar os pés e é preciso abaixa para fazer as necessidades.
Euler Belém — Um mau cheiro terrível?
É.
Tem outra curiosidade.
O grupo que viajou comigo me disse que as fezes ficariam da cor de doce de leite.
Foi dito e feito.
Euler Belém — Por que acontece isso?
Por causa da comida.
Não sei o que eles usam, mas ficou parecendo doce de leite.
Eu estava no aeroporto, na Síria, quando fui usar o banheiro e vi umas fezes com a cor também de doce de leite.
O povo, realmente, tem as fezes cor de doce de leite.{risos]
Euler Belém — Como são os jornais?
Tem um jornal para estrangeiros, o Irait Dain, que é uma porcaria.
O papel é bom, mas no canto sempre tem um pensamento de Saddam com uma foto dele.
A primeira manchete sempre é alguma coisa relacionada a Saddam.
Tem umas matérias ridículas de meia página sobre como surgiu o guarda-chuva.
Patrícia Moraes — Quanto da sociedade fala inglês?
Muito pouco e eles falam um inglês macarrônico.
Somente quem trabalha no alto escalão do governo fala inglês.
Mas, nas escolas, têm aulas de espanhol e de inglês.
Euler Belém — Quais são as marcas físicas e psicológicas da guerra de 1991?
Física nenhuma, porque tudo o que foi bombardeado, foi demolido.
Por isso, há muito espaço aberto em Bagdá.
Al Meria era um abrigo para 450 crianças e mulheres.
Todos estavam lá, no dia do ataque, em 1991.
Eles preservaram o lugar como ficou naquela época.
Quando se entra, ainda é possível sentir o cheiro de queimado.
Doze anos depois, é impressionante.
Todas as 400 e tantas pessoas que estavam lá dentro morreram.
No teto do abrigo está o buraco do míssil que entrou.
Euler Belém — Há alguma possibilidade de você ter que voltar?
Toda.
Eu sou a única pessoa que tem visto na Bandeirantes para entrar no Iraque.
Euler Belém — É cara a estada no Iraque?
É.
Eu gastei 4 mil dólares em duas semanas.
O hotel é muito caro.
Eu fiquei em dois hotéis.
Em um hotel gastei 400 dólares e, no outro, 1.700 dólares.
Gastei muito com telefone, porque tinha que ligar para os guias.
Do dia 20 a 25, gastei 200 dólares por dia para poder trabalhar.
É preciso ter uma autorização do Ministério da Informação, que, na verdade, é uma forma deles tirarem dinheiro dos jornalistas.
Eles cobram 200 dólares por dia para o jornalista poder trabalhar.
No total, eram 200 dólares e mais 100 dólares para o guia indicado por eles, ou seja, esse dinheiro também vai para o ministério.
Como foram 300 dólares por dia, em cinco dias eu gastei 1.500 dólares.
Na Babilônia, também gastei muito.
Logo que cheguei, comecei a filmar quando um homem que fica vigiando me perguntou se eu tinha autorização do Ministério do Patrimônio Histórico e da Cultura, que custa 5 mil dólares.
Como eu não tinha, o guia, que estava comigo, me disse para seguir a visita sem a câmara.
Eu segui com o guia da Babilônia e o outro que mora lá ficou conversando com o meu guia. Quando voltei, o guia que me mostrou a Babilônia foi embora e o meu guia me disse que, se eu pagasse 200 dólares para o guia que mora lá, poderia filmar.
Paguei e filmei tudo, até um dos palácios de Saddam Hussein que não podem ser filmados.
Tudo em Bagdá funciona com propina.
É o “rachim”.
Euler Belém — A Babilônia está conservada?
Está bonita.
Na verdade, como tudo foi destruído e o que sobrou foi levado pelos alemães.
Saddam Hussein reconstruiu tudo.
Quando se entra na Babilônia há uma placa enorme com o perfil de Nabucodonosor [que viveu antes de Cristo] e, ao lado, o perfil de Saddam Hussein.
Ele gosta de se igualar aos grandes reis da Mesopotâmia, tanto que construiu um palácio ao lado.
Euler Belém — Não há turistas?
Desde 1991, os 1.500 turistas que visitavam a Babilônia, por dia, sumiram.
Patrícia Moraes — Você entrevistou o vice-primeiro ministro, Tarik Aziz, o que ele falou?
Perguntei para ele que opinião tinha sobre a afirmação de George W. Bush de que o Iraque seria o 54º Estado americano depois do ataque.
Ele respondeu que era um absurdo, que o povo iraquiano não iria admitir essa supremacia americana e que todos os iraquianos estavam preparados para a guerra.
Então perguntei se ele estava preparado.
Ele falou que estava e que jamais abandonaria o Iraque.
Patrícia Moraes — Você passou por algum treinamento de segurança?
Nada.
Euler Belém — Você está com vontade de voltar?
Estou, porque é muito interessante.
Mas, como tenho noção do perigo, passaria por um treinamento de segurança, como o jornalista Caco Barcelos, na Inglaterra, antes de ir.
Euler Belém — Caco Barcelos foi para o Kuait?
Marcos Uchôa está no Kuait.
Eu só iria se tivesse um aparato maior.
Eu não iria como fui dessa vez, carregando equipamento de 180 mil dólares na mão.
Euler Belém — Por que a Globo foi expulsa do Iraque?
Quem a tirou de lá?
Dizem que foi por causa da história dos guias.
Em uma das reportagens do Luiz Carlos Azenha, ele falou que, finalmente, tinha conseguido entrevistar os iraquianos para saber o que eles pensavam sobre a vida em Bagdá.
O embaixador do Iraque, na hora, ligou daqui para o Iraque e contou.
Na mesma hora, mandaram eles de volta.
Euler Belém — Como é o clima?
À noite, agora, faz muito frio, porque é inverno.
Mas, na quinta-feira, 20, começa a Primavera.
Euler Belém — Lá tem árvores?
Muitas tâmaras.
Euler Belém — Você viu alguma livraria, banca de revista?
Não.
Euler Belém — E farmácia?
Poucas .
Euler Belém — A presença militar lá é ostensiva?
É.
Não se pode fotografar nada.
No dia que eu fotografei o prédio com a imagem de Saddam o policial quis tomar a minha câmera.
Euler Belém — Com fuzil na mão?
Fuzil na mão.
Euler Belém — Fuzil novo?
Não, velho. Tudo sucateado
Patrícia Moraes — Como é o povo iraquiano?
São amigáveis, inteligentes e interessados.
Euler Belém — Não perguntaram se você era jogador de futebol?
Toda hora eles falavam Ronaldo, Ronaldinho.
Patrícia Moraes — Há boates, bares para sair à noite?
Não.
O estádio de futebol funciona todos os dias com jogos ou shows de música.
Eles prezam muito a família.
Euler Belém — Há droga?
Quem usa droga é condenado à morte.