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domingo, 21 de outubro de 2007

Conclusões Óbvias

Liberdade imediata a Saddam Hussein
A prisão do chefe de governo do Iraque, Saddam Hussein, é conseqüência da violação imperialista da autodeterminação dos povos.
A nação iraquiana foi invadida e está ocupada militarmente pelos Estados Unidos por razões econômicas e estratégicas.
A maior potência exerce o poder de ditadura mundial, munida de uma capacidade bélica gigantesca.
A total desintegração de um poder de Estado nacional pela ocupação militar e a edificação de um outro poder sob o comando externo dos Estados Unidos expõem a face ditatorial do imperialismo.
O governo das multinacionais e do capital financeiro procura mascarar a ditadura imperialista com a farsa de levar a democracia ao Iraque em substituição ao regime carrasco de Saddam Hussein.
Institui um governo títere e corrompe as lideranças de etnias que compõem o povo iraquiano.
O Estado iraquiano está cercado pelos tanques dos invasores e quem o comanda são os generais norte-americanos.
Essa ditadura do capital imperialista conta com a resistência de uma guerra de guerrilha e não consegue ganhar o apoio unificado do povo iraquiano.
A caça à cúpula governamental de Saddam, anunciada ao mundo em cartas de baralho e oferecida recompensa de milhões de dólares a delatores, foi traçada como condição para destruir a resistência e estabilizar um poder títere.
A prisão de Saddam, apresentada em condições humilhantes, constitui um ponto alto da estratégia norte-americana de domesticar os iraquianos.
Os meios de comunicação do mundo inteiro foram acionados para apresentar um rato de esgoto e estabelecer antecipadamente o julgamento da pena de morte.
Quase no mesmo instante em que os porta-vozes do imperialismo incentivam a população mundial a parabenizar o chefe do imperialismo Bush, as forças militares que ocupam o Afeganistão assassinam uma centena de crianças.
E, a olhos vistos, os milhares de manifestantes iraquianos que protestavam contra a prisão de Saddam são metralhados nas ruas.
Sobre o sangue da população oprimida, Bush monta a farsa do julgamento de Saddam.
Não foi o povo iraquiano que derrubou seu governo e não será ele que ajustará contas de seus crimes.
O imperialismo precisa dar a impressão de que limpa a humanidade de um facínora.
Na verdade, pisoteia a autodeterminação dos povos e exerce sua ditadura mundial.
É contra esse poder e a barbárie dos opressores dos povos semicoloniais que os trabalhadores e a juventude devem defender liberdade imediata a Saddam Hussein e fora os Estados Unidos do Iraque.
Erson Martins, Diretor da Apropuc.

domingo, 19 de agosto de 2007

INIMIGOS PRINCIPAIS OU INIMIGO PRINCIPAL?

Na semana passada as duas maiores autoridades executoras da política de guerra do governo Bush, a secretária de Estado, Condoleeza Rice, e o da Defesa, Robert Gates, fizeram uma incursão no Oriente Médio.
Primeiramente foram juntos ao Egito.
Depois visitaram a Arábia Saudita. Em seguida, a delegação dividiu tarefas.
Rice seguiu viagem à Palestina ocupada (Jerusalém e Ramallah), enquanto Gates deslocou-se ao Kuweit e aos Emirados Árabes Unidos.

Na primeira etapa da visita, os secretários de Bush reuniram-se em Charm el-Cheik, no Egito, com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuweit.

A missão teve três objetivos, todos relacionados com a aplicação do plano de reestruturação do Oriente Médio, a prioridade do segundo mandato de George W. Bush.

O primeiro objetivo foi conseguir apoio para estabilizar o Iraque.
Mais de quatro anos depois de iniciada a guerra de agressão, o imperialismo norte-americano colhe um retumbante fracasso.
O Iraque se insurgiu, as forças patrióticas foram capazes de organizar uma tenaz resistência, que inflige pesadas perdas humanas e materiais aos agressores (ver artigo “Por que os EUA perderam”, de Abdul al-Bayaty e Hanna al-Bayaty em www.cebrapaz.org.br).
É muito limitada a capacidade de ação desses países árabes no conflito iraquiano.
Por mais reacionários e pró-americanos que sejam, um envolvimento direto desses países ao lado das forças de ocupação atiça ainda mais o nacionalismo árabe, resultando no efeito contrário ao esperado.

Os emissários de Bush levaram na bagagem um pacote de ajuda militar para a aquisição de armamentos e tecnologia, no valor de 20 bilhões de dólares a serem negociados com a Arábia Saudita e outros países.
Ao Egito e Israel os belicistas estadunidenses ofereceram um pacote de ajuda militar da ordem de 43 bilhões de dólares.
A mensagem é clara.
Os Estados Unidos estão apostando em mais militarização da região, o que, independentemente de qualquer intenção proclamada, redundará em maior instabilidade.

O segundo objetivo foi fazer com que esses países exerçam pressão sobre o Irã no sentido de desencorajar a continuidade do programa nuclear desse país.
Ora, o Irã já sofreu duas resoluções da ONU ameaçando aplicar sanções caso não suspenda o programa nuclear, mas a atitude de Teerã é inabalável, não havendo qualquer sinal de que vá submeter-se aos ditames de Washington.
Disso se conclui que o exercício de pressões sobre o Irã, seja por parte dos Estados Unidos ou de interpostas forças também só acarretará mais instabilidade na região.

O terceiro objetivo relacionou-se com a Palestina.
Rice buscou envolver seus aliados nos esforços para organizar uma conferência de “paz” no final do ano.
Também nesse aspecto os resultados tendem a ser pífios.
A tática de distribuir migalhas tem por resultado o aprofundamento das divisões entre as diferentes forças que atuam naquele cenário.
A tentativa de isolamento, cerco e aniquilamento do movimento Hamas, que venceu as eleições, conduzirá a mais dilacerações, portanto a mais guerra, nunca à paz nem à criação de um verdadeiro Estado Palestino.
Além do que, é indefectível a posição pró-israelense do governo Bush.

Quem deu o principal argumento para atestar o fracasso da missão de Rice e Gates foram os próprios, quando proclamaram quem são os inimigos principais dos Estados Unidos na região: a Síria, o Irã, o Hezbolá e o Hamas.
A Síria e o Irã são dois países soberanos e não dão mostras de estar dispostos a renunciar aos seus objetivos nacionais.
Atacá-los militarmente cobraria um preço altíssimo que os EUA não estão em condições de pagar na presente situação.
Quanto ao Hezbolá e ao Hamas, são dois movimentos de resistência que já estão nos campos de batalha.
A amarga experiência israelense, derrotado pelo Hezbolá durante a guerra de julho-agosto do ano passado, indica que se trata de uma força difícil de aniquilar, pela sua capacidade de combate, pelas profundas raízes que deitou no seio da população libanesa e pelo imenso prestígio de que desfruta em todo o mundo árabe.
Quanto ao Hamas, desalojá-lo à força das posições que conquistou poderá representar uma tragédia humanitária numa Palestina já martirizada há muitas décadas.

Assim, é mais provável que, ao invés de alcançar os objetivos anunciados, o resultado da missão de Rice e Gates seja uma mais nítida caracterização do imperialismo norte-americano como o inimigo principal dos povos do Oriente Médio.
José Reinaldo de Carvalho*
jornalista é Diretor de Comunicação do Cebrapaz.