Mostrando postagens com marcador Bagdá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bagdá. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CONVOCAÇÃO DO PRESIDENTE SADDAM HUSSEIN

“Que todos vocês protejam a terra natal e se engajem na resistência”

“Não os deixem tomar seu petróleo e sua riqueza.”

A defesa da pátria é um dever nacional e religioso.


“Eu os convoco, filhos do Iraque, a transformar as mesquitas em centros de resistência e a garantir o triunfo da religião, do Islã e da pátria, e a fazer o inimigo sentir que vocês o odeiam por meio de palavras e de ato”.


Iraquiana beija a foto de Saddam na capital do Iraque!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Um Iraque diferente


“Sei do perigo de cobrir uma guerra, mas, mesmo assim, gostaria de voltar e terminar o meu trabalho. É muito interessante”


Em um dia foi informado que poderia ir cobrir a guerra no Iraque, duas semanas depois já estava com a mala pronta e um equipamento de 80 mil dólares sob sua responsabilidade.


O jornalista da TV Bandeirantes Herbert Moraes, primeiro goiano a cobrir uma guerra, ou uma “pré-guerra”, conta em entrevista exclusiva para o Jornal Opção todos os detalhes sobre como é o Iraque sob um foco nada sensacionalista, e, sim, humanista.

Herbert traça o perfil da sociedade iraquiana, seus costumes, curiosidades e fala sobre fatos que o marcaram.


Como foi repórter e cinegrafista ao mesmo tempo, além de fotógrafo, Herbert Moraes retrata uma Bagdá com a riqueza de detalhes da informação narrada pelo povo e documentada por suas lentes.


Nas imagens apresentadas a seguir, Herbert conseguiu documentar lugares proibidos de serem fotografados e que se há 30 dias existiam, hoje, quatro dias do início da guerra, já estão todos destruídos.
Euler Belém — Como foi decidido que você iria para o Iraque?
Eu estava na redação, quando o então diretor executivo da Band, Carlos Amorim perguntou, na redação, quem falava bem inglês.
Disseram que eu falava.
Ele, então, me chamou e perguntou como estava o meu inglês.
Falei que estava bom.
Ele disse para eu preparar a documentação e a minha mala que eu iria para o Iraque.
Eles pediram o meu passaporte e uma semana depois voltaram a me chamar.
Foi quando disseram que dentro de quatro dias eu iria para o Iraque.
Estudei muito sobre o Oriente Médio antes de ir.
Euler Belém — Qual é a rota para chegar ao Iraque?
Depende.
O normal seria São Paulo–Amsterdã, Amsterdã–Amã na Jordânia, depois para Bagdá.
O problema no meu caso foi quando cheguei em Damasco, Síria.
O espaço aéreo estava fechado no Iraque, então, tive de pegar um ônibus para Bagdá.
A viagem durou quatorze horas.
Euler Belém — Quantos quilômetros?
São mil quilômetros no deserto.
Euler Belém — Qual era o ônibus?
Uma marinete, o mesmo que aquelas jardineiras antigas.
Era um ônibus velho, sem banheiro.
O vidro da frente estava quebrado e entrava um poeirão terrível.
Euler Belém — Tem militares na estrada?
Tem e eles checam tudo.
Como eu estava com o pessoal da Federação das entidades árabes, e eles eram convidados do governo iraquiano, não tive problema.
Euler Belém — Você foi a convite do governo iraquiano?
A Band não, mas, nos quatro primeiros dias, estive acompanhado de um grupo que estava a convite do governo do Iraque.
Por isso, tivemos algumas regalias.
Por exemplo: quando entrei na Síria, tive problema com o equipamento, já no Iraque, não.
Na saída, tive problemas, porque não estava mais com o grupo.
Quase que não consigo voltar.
Patrícia Moraes — O seu equipamento foi apreendido?
Foi apreendido na Síria.
A Síria tem um problema sério com Israel por causa das Colinas de Golan.
Israel tomou as Colinas de Golan da Síria.
Não chega a ser uma guerra, mas é um problema militar.
Por isso, eles desconfiam muito de quem entra com equipamento.
Na Síria, não pude usar o meu equipamento.
Euler Belém — A estrada entre Síria e Bagdá tem restaurante?
Somente depois de ter entrado no Iraque a gente parou num posto militar que tinha um restaurante e havia um pessoal preparando carneiro.
Ofereceram carneiro, mas o grupo que estava comigo e eu não aceitamos.
Estava muito frio, eram umas seis horas da manhã.
Tomamos um chá e comemos pão sírio, que eles fazem na hora, com queijo.
Euler Belém — Como era sua alimentação no Iraque?
Comida árabe.
Eles fazem um arroz-de-carreteiro muito bom.
Euler Belém — Arroz-de-carreteiro com carneiro?
Com carneiro, tabule e homus.
Eles comem muito pepino.
No café-da-manhã eles comem tomate, pepino, azeitona, homus. [pasta de sementes de grão-de-bico]
Euler Belém — Na Síria, como eles analisam a situação entre Iraque e Estados Unidos?
A Síria tem uma relação muito boa com o Iraque.
Ambos são governos ditatoriais.
É normal para eles passarem o poder de pai para filho.
Eu não acredito que essa invasão americana vá provocar um movimento do povo contra Saddam Hussein.
Euler Belém — Quais são as conseqüências do embargo econômico na sociedade iraquiana?
O abastecimento alimentar é contornado com os países vizinhos.
Tanto na Síria como no Iraque não há Coca-Cola.
Eles tomam uma bebida parecida com Pepsi que é produzida no Irã.
Refrigerantes vêm do Irã, arroz do Vietnã e açúcar do Brasil.
O mercado negro é muito grande e sem nenhum tipo de controle do governo.
Há muita mercadoria da China, Taiwan e Irã.
Mesmo tentando contornar as dificuldades provocadas pelo embargo, o Iraque tem 1 milhão de famintos.
Euler Belém — A vida em Bagdá é muito cara?
Muito cara.
O dinar iraquiano não vale nada.
Por exemplo, 1 dólar corresponde a 8 notas de 250 dinares, isto é, 2 mil dinares.
Com 2 mil dinares se consegue comer bem em Bagdá.
Com 10 dólares pode se comer um banquete no restaurante mais caro.
Eu entrevistei um garçom que ganha um dólar por dia e estava muito feliz.
O recepcionista do hotel onde eu estava hospedado ganha 75 dólares por mês, que é muito no Iraque.
Euler Belém — Água é importada?
A água de garrafa é do Irã.
O grupo que ficou comigo durante quatro dias tomou água da torneira do hotel e teve diarréia.
Patrícia Moraes — Como é o sistema de saúde?
O Hospital Central de Criança Saddam Hussein já foi referência no mediterrâneo e, hoje, não tem mais nem equipamentos, tudo está sucateado.
Não há nem mesmo antibióticos básicos. Quem tem leucemia está condenado a morte, por exemplo.
Euler BelémVocê falou que o iraquiano está pronto para a guerra, e que respeita muito Saddam Hussein.
Qual é a explicação?
Um pouco é resultado da repressão, e a outra explicação é a lealdade e a admiração por Saddam Hussein.
O fato de ele ter sido soldado e, hoje, ser um líder faz com que tenha respeito na sociedade.
Euler Belém — Existe oposição a Saddam Hussein?
Existe uma oposição, mas bem camuflada.
Euler Belém — Se os Estados Unidos conseguirem derrubar Saddam Hussein vão conseguir implantar um novo governo?
Não. Se Saddam Hussein cair, quem vai governar é Frank Tomy, que é o senhor dos anéis.
É impossível implantar uma democracia onde existem tribos.
Os curdos, os sunitas, os xiitas possuem estilo de vida diferente.
Patrícia Moraes — A ditadura Saddam Hussein oferece condições de vida para a sociedade?
Oferece.
Não existe analfabetismo no Iraque, são 6 milhões de crianças estudando.
Patrícia Moraes — Mas a saúde é precária.
A saúde é precária, porque existe o embargo, mas todos têm acesso aos hospitais, e, antes do embargo, o governo dava tudo para os iraquianos em termos de saúde. As universidades são públicas ou particulares. Eu fui a uma universidade de economia, onde os alunos pagam 100 dólares por ano. Todos os iraquianos querem trabalhar para o governo.
Patrícia Moraes — Há muita diferença social?
Tem classe alta, média e baixa.
O bairro mais miserável de Bagdá é habitado por curdos que são contra o regime de Saddam.
Lá, a miséria é como em São Paulo.
Não há saneamento, recolhimento de lixo.
O governo abandonou a população.
As pessoas ricas trabalham para o governo.
Euler Belém — Você chegou a conversar com algum opositor ao regime de Saddam Hussein?
Conversei com um homem, na feira, que não concordava com o governo Saddam.
Foi a única pessoa entre as centenas que eu conversei que falou mal do governo Saddam.
Disse que, apesar de não gostar, tinha que abaixar a cabeça, porque mora ali e trabalha para o governo.
Ele também disse que não podia falar mal do governo Saddam dentro da casa dele para os filhos. E quando fala do governo é para a mulher, trancados no quarto, e muito baixo.
Euler Belém — Como você se comunicava com as pessoas?
Eu tinha um guia que trabalhava para o Ministério das Relações Exteriores.
Tudo o que ele me dizia era filtrado.
Era de acordo com o que ele achava que eu podia saber.
Em Bagdá, os jornalistas são obrigados a sair com guia.
Uma vez eu fui fazer uma reportagem junto com um jornalista português.
O tema era a saída dos iraquianos de Bagdá.
Fomos a uma empresa de ônibus internacionais que fazia Bagdá–Damasco, Bagdá–Amã.
Quando estávamos entrevistando o dono de uma loja, o guia do jornalista português, que era uma pessoa medrosa, disse que ninguém estava deixando Bagdá.
Eu percebi que a tradução não tinha sido verídica e fui dar uma volta, foi quando conversei com um funcionário da mesma loja.
Perguntei como estava o negócio e ele falou que o número de pessoas viajando tinha aumentado por causa da guerra.
Euler Belém — Para onde os curdos vão?
Para a Síria, Jordânia.
Euler Belém — Você notou tensão e medo nas pessoas?
Muito disfarçado.
As pessoas estavam seguindo com a vida normalmente, mas por causa do governo.
A imagem que aparece das crianças jogando bola foi colocada na televisão pelo governo, que não revelou o limite de 48 horas estipulado pelos Estados Unidos para o início da guerra.
O governo maquia muito.
Euler Belém — A televisão estatal controla tudo?
Tudo.
São três canais que a toda hora passam clipes horrorosos do Saddam Hussein e músicas em sua homenagem.
As mensagens são passadas exaustivamente na televisão.
Há dois anos que ele não aparece em público.
Patrícia Moraes — Que característica da sociedade pareceu mais interessante para você?
Várias.
As mulheres são gordas e os casamentos são muito interessantes.
Os noivos não participam da festa de casamento.
Eles chegam depois com a família.
Os homens não participam desse ritual.
Participam da festa as mulheres de ambas as famílias que são as mães, irmãs, a tia da tia, a cunhada da cunhada.
É a família inteira mesmo.
Elas vão para a porta do elevador e começam a cantar, representando a hora do acasalamento.
O noivo sobe em um elevador com a família dele e ela sobe em outro elevador com a família dela. Eles chegam ao andar das núpcias e as famílias acompanham os noivos até a porta do quarto.
A noiva chora, se despedem e a família volta para a festa.
Patrícia Moraes — Vestida de branco?
Vestida de branco, de véu e grinalda.
Patrícia Moraes — Muitas jóias?
Muitas pedras preciosas e muita maquiagem.
As mãos também são pintadas.
Euler Belém — Os homens também são gordos?
São e todos usam bigode.
Fumam muito, exageradamente.
Euler Belém — Cigarro ou cachimbo?
Cigarro.
É estranho quem não fuma.
Não fumar e não ter filhos é estranho no Iraque.
No elevador, tem cinzeiro.
Outra coisa muito interessante aconteceu quando fui de Bagdá para Damasco.
Eu estava no avião de uma empresa iraquiana, quando, de repente, o piloto que estava taxiando na pista começou a rezar.
Depois, todos começaram a fumar.
Euler Belém — Você não ficou sufocado?
Na hora eu chamei a aeromoça e perguntei se as pessoas podiam fumar.
Ela disse que sim.
As mulheres não fumam, mas todos os homens fumam.
Euler Belém — As pessoas se paqueram?
Eles não são como no Irã ou no Afeganistão.
Não são tão radicais com a religião.
Nem todas as mulheres usam véu.
Depende da tribo.
Os xiitas admitem que elas usem véu, mas não precisam usar burca;
as sunitas podem usar maquiagem e não precisam usar véu.
Euler Belém — Tem prostituição?
Tem, mas muito disfarçada na Rua Arassat, a mais chique de Bagdá.
Onde estão os bons restaurantes e lojas.

Euler Belém — A riqueza é ostensiva?
Os prédios, as construções?
Não.
A riqueza é vista somente nos Palácios de Saddam Hussein.
Euler Belém — As companhias de petróleo são todas do governo?
São todas estatais.
Tem algumas companhias estatais que possuem acordos comerciais com França, Rússia.
Euler Belém — Você não tem medo de cobrir guerra?
Não tive medo nenhum.
No primeiro dia, quando peguei o ônibus de Damasco para Bagdá, tive um pouco de medo. Durante as 14 horas de viagem, o motorista deu carona para uma família com cinco filhos, um iraquiano e a mulher.
E para dois tunisianos que estavam indo para Bagdá fazer parte de um protesto pró-Iraque.
No meio do caminho, eu tomei um Dramin para dormir.
Eu nunca tinha tomado Dramim e apaguei.
Atrás do ônibus tinha um banco grande que a gente revezava, porque dava para deitar.
Na minha vez, como eu tinha tomado Draminm, dormi e não acordei mais.
O pessoal ficou nervoso comigo, porque não tinha cristo que me levantasse.
Numa determinada hora da viagem o ônibus parou numa barricada, todos desceram e eu continuei dormindo.
Alguém pediu para que o tunisiano me acordasse.
Ele era escuro, grandão, vestia um casaco preto e usava bigode.
Ele foi me acordar sacudindo e falando árabe.
Eu só via esse homem falando árabe comigo, de casaco preto, com cara de árabe.
O ônibus vazio, pensei: bom, mataram todo mundo e só faltou eu.
Me descobriram aqui no canto e agora sou eu.
Nesse momento, alguém lá fora me chamou: “Herbert desce daí”.
Foi quando eu me acalmei. [Risos]
Euler Belém — Você gritou?
Não, fiquei olhando, parado.
Ainda estava sob o efeito do remédio.
Esse foi o único medo que passei.
Euler Belém — Você ainda pode voltar para o Iraque. Agora não é mais arriscado?
É. Eu não voltaria para o Iraque, porque, como não há serviço de embaixada, não há ninguém para autorizar a entrada no país.
Agora é cada um por si.
Euler Belém — Como os jornalistas do New York Times conseguiram entrar?
Porque eles já estavam em Bagdá.
Euler Belém — Eles não saem também?
Se quiserem, podem sair.
Euler Belém — Onde eles ficam?
Há alguma área de menos risco?
Não.
Toda a imprensa fica no prédio do Ministério da Informação, porque ninguém pode trabalhar fora.
Embaixo do prédio existe um abrigo antiaéreo.
Esse pode ser um dos alvos. [No primeiro dia de bombardeio este prédio foi um dos primeiros alvos acertados.]
Euler Belém — Você iria para o Kuait ou para a Síria?
Iria para o Kuait.
A Síria está muito longe de Bagdá.
Patrícia Moraes — Há muitos abrigos espalhados pela cidade?
Muitos.
Euler Belém — Você acha que Saddam Hussein foge?
Ele não tem uma Al Qaeda.
O Bin Laden tem uma rede atrás dele e pode se esconder em cavernas.
Saddam Hussein não é o tipo que se esconde em caverna.
Euler Belém — Você sabe de algum grupo terrorista finlandês ligado ao Saddam?
Desconheço essa história.
Eu encontrei dois finlandeses no Iraque e achei estranho.
Na Síria, também tinha um finlandês.
Euler Belém — Qual o motivo que eles dão para a guerra?
Petróleo.
Eles odeiam os americanos.
Patrícia Moraes — Você falou de uma curiosidade da sociedade.
Agora me fala sobre alguma coisa que te surpreendeu?
As privadas.
Não tem privada, é latrina.
No banheiro tem um buraco, com um lugar para colocar os pés e é preciso abaixa para fazer as necessidades.
Euler Belém — Um mau cheiro terrível?
É.
Tem outra curiosidade.
O grupo que viajou comigo me disse que as fezes ficariam da cor de doce de leite.
Foi dito e feito.
Euler Belém — Por que acontece isso?
Por causa da comida.
Não sei o que eles usam, mas ficou parecendo doce de leite.
Eu estava no aeroporto, na Síria, quando fui usar o banheiro e vi umas fezes com a cor também de doce de leite.
O povo, realmente, tem as fezes cor de doce de leite.{risos]
Euler Belém — Como são os jornais?
Tem um jornal para estrangeiros, o Irait Dain, que é uma porcaria.
O papel é bom, mas no canto sempre tem um pensamento de Saddam com uma foto dele.
A primeira manchete sempre é alguma coisa relacionada a Saddam.
Tem umas matérias ridículas de meia página sobre como surgiu o guarda-chuva.
Patrícia Moraes — Quanto da sociedade fala inglês?
Muito pouco e eles falam um inglês macarrônico.
Somente quem trabalha no alto escalão do governo fala inglês.
Mas, nas escolas, têm aulas de espanhol e de inglês.
Euler Belém — Quais são as marcas físicas e psicológicas da guerra de 1991?
Física nenhuma, porque tudo o que foi bombardeado, foi demolido.
Por isso, há muito espaço aberto em Bagdá.
Al Meria era um abrigo para 450 crianças e mulheres.
Todos estavam lá, no dia do ataque, em 1991.
Eles preservaram o lugar como ficou naquela época.
Quando se entra, ainda é possível sentir o cheiro de queimado.
Doze anos depois, é impressionante.
Todas as 400 e tantas pessoas que estavam lá dentro morreram.
No teto do abrigo está o buraco do míssil que entrou.
Euler Belém — Há alguma possibilidade de você ter que voltar?
Toda.
Eu sou a única pessoa que tem visto na Bandeirantes para entrar no Iraque.
Euler Belém — É cara a estada no Iraque?
É.
Eu gastei 4 mil dólares em duas semanas.
O hotel é muito caro.
Eu fiquei em dois hotéis.
Em um hotel gastei 400 dólares e, no outro, 1.700 dólares.
Gastei muito com telefone, porque tinha que ligar para os guias.
Do dia 20 a 25, gastei 200 dólares por dia para poder trabalhar.
É preciso ter uma autorização do Ministério da Informação, que, na verdade, é uma forma deles tirarem dinheiro dos jornalistas.
Eles cobram 200 dólares por dia para o jornalista poder trabalhar.
No total, eram 200 dólares e mais 100 dólares para o guia indicado por eles, ou seja, esse dinheiro também vai para o ministério.
Como foram 300 dólares por dia, em cinco dias eu gastei 1.500 dólares.
Na Babilônia, também gastei muito.
Logo que cheguei, comecei a filmar quando um homem que fica vigiando me perguntou se eu tinha autorização do Ministério do Patrimônio Histórico e da Cultura, que custa 5 mil dólares.
Como eu não tinha, o guia, que estava comigo, me disse para seguir a visita sem a câmara.
Eu segui com o guia da Babilônia e o outro que mora lá ficou conversando com o meu guia. Quando voltei, o guia que me mostrou a Babilônia foi embora e o meu guia me disse que, se eu pagasse 200 dólares para o guia que mora lá, poderia filmar.
Paguei e filmei tudo, até um dos palácios de Saddam Hussein que não podem ser filmados.
Tudo em Bagdá funciona com propina.
É o “rachim”.
Euler Belém — A Babilônia está conservada?
Está bonita.
Na verdade, como tudo foi destruído e o que sobrou foi levado pelos alemães.
Saddam Hussein reconstruiu tudo.
Quando se entra na Babilônia há uma placa enorme com o perfil de Nabucodonosor [que viveu antes de Cristo] e, ao lado, o perfil de Saddam Hussein.
Ele gosta de se igualar aos grandes reis da Mesopotâmia, tanto que construiu um palácio ao lado.
Euler Belém — Não há turistas?
Desde 1991, os 1.500 turistas que visitavam a Babilônia, por dia, sumiram.
Patrícia Moraes — Você entrevistou o vice-primeiro ministro, Tarik Aziz, o que ele falou?
Perguntei para ele que opinião tinha sobre a afirmação de George W. Bush de que o Iraque seria o 54º Estado americano depois do ataque.
Ele respondeu que era um absurdo, que o povo iraquiano não iria admitir essa supremacia americana e que todos os iraquianos estavam preparados para a guerra.
Então perguntei se ele estava preparado.
Ele falou que estava e que jamais abandonaria o Iraque.
Patrícia Moraes — Você passou por algum treinamento de segurança?
Nada.
Euler Belém — Você está com vontade de voltar?
Estou, porque é muito interessante.
Mas, como tenho noção do perigo, passaria por um treinamento de segurança, como o jornalista Caco Barcelos, na Inglaterra, antes de ir.
Euler Belém — Caco Barcelos foi para o Kuait?
Marcos Uchôa está no Kuait.
Eu só iria se tivesse um aparato maior.
Eu não iria como fui dessa vez, carregando equipamento de 180 mil dólares na mão.
Euler Belém — Por que a Globo foi expulsa do Iraque?
Quem a tirou de lá?
Dizem que foi por causa da história dos guias.
Em uma das reportagens do Luiz Carlos Azenha, ele falou que, finalmente, tinha conseguido entrevistar os iraquianos para saber o que eles pensavam sobre a vida em Bagdá.
O embaixador do Iraque, na hora, ligou daqui para o Iraque e contou.
Na mesma hora, mandaram eles de volta.
Euler Belém — Como é o clima?
À noite, agora, faz muito frio, porque é inverno.
Mas, na quinta-feira, 20, começa a Primavera.
Euler Belém — Lá tem árvores?
Muitas tâmaras.
Euler Belém — Você viu alguma livraria, banca de revista?
Não.
Euler Belém — E farmácia?
Poucas .
Euler Belém — A presença militar lá é ostensiva?
É.
Não se pode fotografar nada.
No dia que eu fotografei o prédio com a imagem de Saddam o policial quis tomar a minha câmera.
Euler Belém — Com fuzil na mão?
Fuzil na mão.
Euler Belém — Fuzil novo?
Não, velho. Tudo sucateado
Patrícia Moraes — Como é o povo iraquiano?
São amigáveis, inteligentes e interessados.
Euler Belém — Não perguntaram se você era jogador de futebol?
Toda hora eles falavam Ronaldo, Ronaldinho.
Patrícia Moraes — Há boates, bares para sair à noite?
Não.
O estádio de futebol funciona todos os dias com jogos ou shows de música.
Eles prezam muito a família.
Euler Belém — Há droga?
Quem usa droga é condenado à morte.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

CHOQUE E PAVOR EM BAGHDAD

Massacre em Bagdá



SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A BAGDÁ

Ao se chocar contra o solo, numa calçada de terra não muitos metros distante de um ponto de ônibus, um dos mísseis lança uma onda de fogo e ar que destrói a fachada de dois conjuntos comerciais e pelo menos oito veículos num raio de 50 metros.

Com o impacto, dois dos carros viram de ponta-cabeça no ar, para caírem carbonizados e completamente destruídos quase no mesmo lugar em que estavam.
A explosão atinge mais diretamente um pequeno restaurante e uma mecânica e as casas que ficavam sobre estes estabelecimentos.

Do outro lado da rua, onde caiu o outro míssil, parte dos prédios vem ao chão, enquanto as janelas e portas voam primeiro para dentro, depois para fora, esmigalhando todos os móveis que encontram no caminho.
No trajeto, destroem também as pessoas.

Seriam 15 mortos, segundo números do governo iraquiano, entre eles mulheres e crianças.
Os que não morreram carbonizados tiveram o corpo despedaçado pelo impacto.
A reportagem da Folha chegou no momento em que os bombeiros apagavam os últimos focos de incêndio e as ambulâncias recolhiam os últimos pedaços encontrados no chão.

Alguns restos humanos, no entanto, ficaram para trás.
Em frente ao restaurante, num monte de tijolos quase picados, jazia um punho direito com a palma da mão e os cinco dedos fechados.

Poucos metros à esquerda, na entrada de um dos edifícios destruídos, um cérebro humano quase inteiro parecia esquecido perto do rodapé, ladeado por três galinhas brancas estufadas que se embolavam perto da guia da rua e foram mortas pelo ar.
Do outro lado da rua, outra mão decepada.

O horror, o horror.

Perto das 11h30 (5h30 de Brasília) de ontem, o que o Iraque disse ter sido dois mísseis "inteligentes" da coalizão anglo-americana atingiram as duas calçadas da rua Abi Talib, em Al Shaab, uma rua movimentada de comércio de um dos principais bairros residenciais no norte de Bagdá, no maior ataque a atingir civis na capital desde o início do conflito, há uma semana.
A tragédia causou revolta na população local e juntou uma pequena multidão de militares e civis armados em protestos que duraram a tarde inteira.

Se o engano for confirmado, será uma das principais dores-de-cabeça para as forças dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Com os bombardeios chegando à casa dos 5.000 só em Bagdá, o número de civis mortos no país todo pode estar perto dos 7.000, segundo o Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha nos países muçulmanos.

Na Guerra do Golfo (91), um míssil atingiu por erro um abrigo civil em Bagdá, matando 314. Na época, porém, apenas 10% das bombas e mísseis eram "inteligentes", contra 90% de agora.

"Só Deus! Só Deus!"

"Procure bem, só temos comércio por aqui", gritava Ali Benayam Gatt, 55. A oficina de reparo de automóveis era dele, e o ataque deixou um parente morto e outro gravemente queimado. "Agora, todos estamos pensando que nada impede que a próxima bomba caia na sala de nossa casa."

O prédio militar mais próximo fica a pelo menos um quilômetro do lugar, segundo o governo.
De acordo com Haneed Dulaimi, soldado da defesa civil, o ataque deixou ainda 45 feridos.

"Meu primo estava dentro do restaurante e morreu em pedaços", dizia, resignado, Faris Rashid Ismail, 37, que mora próximo da rua em que os mísseis caíram e correu para o local quando ouviu um barulho de avião seguido de dois estouros consecutivos.

"Mas estou me sentindo consolado, pois sei que ele foi um mártir do islã." Ao seu lado, dezenas de pessoas abraçadas gritavam "Só Deus! Só Deus", pulando sobre a carcaça de um dos carros destruídos e apontando seus fuzis e pistolas para o alto.

O céu parecia colaborar com o que se via em terra -no segundo dia da maior tempestade de areia a atingir Bagdá em cinco anos, estava de cor vermelho-sangue.

Momentos depois, a chuva viria piorar tudo, fazendo do chão uma mistura de sangue, água, areia e partículas do petróleo queimado que o governo iraquiano vem lançando ao ar desde o fim de semana para atrapalhar os aviões da coalizão.

De repente, um soldado apoiou seu fuzil na lama, arranca dos escombros uma das mãos decepadas e pulou num dos buracos feitos pela explosão na calçada.
A mão que suas mãos carregavam era a mais impressionante, tendo perdido todo o resto do membro, à exceção dos cinco dedos, que se mantinham unidos por algum motivo.

O soldado dentro da cratera ergue o resto humano e começa a orar, de cabeça baixa.
Em sua volta, na superfície, estão outros bagdalis armados, igualmente de cabeça baixa, também orando.

Acabada a reza, ele enterra nas cinzas do buraco a mão arrancada, ergue novamente seus braços e canta. Os outros fazem o mesmo: "Sacrificarei minha alma e meu sangue por Saddam".

Se essa guerra é no fundo a batalha que travam George W. Bush e Saddam Hussein pelos corações e mentes dos iraquianos, Al Shaab pode vir a ser o Waterloo norte-americano.
27.3.03

Postado por Ivson
http://www.coleguinhas.jor.br/pensata/2003_03_01_pensata_arquivos.html

domingo, 21 de outubro de 2007

Saddam e a Liberdade da Igreja



Um amigo de Saddampor Renato Pompeu


O arcebispo ortodoxo de Bagdá, dom Severius (foto), esteve em São Paulo em agosto.
Ele critica as ameaças americanas.
Mais uma indicação de que a grande mídia detesta novidades que fujam à rotina e que não se enquadrem no unilateralismo da visão ocidentocêntrica dos problemas internacionais: a presença no Brasil, durante agosto, do principal dignitário eclesiástico cristão no Iraque não foi sequer noticiada.
Talvez isso se deva a que não convenha, para o "pluralismo" dominante, divulgar que, para o arcebispo de Bagdá e Basra da Igreja Ortodoxa Síria, dom Severius Hawa, 72 anos – embora ele faça questão de ressaltar que a Igreja não se envolve de modo nenhum em questões políticas –, Saddam Hussein "é muito boa gente. Inteligente, gosta do povo; visita sempre os pobres, entra na casa, vai até a cozinha, abre a geladeira e, se falta alguma coisa, manda comprar na hora, dá dinheiro".

Falando na casa paroquial da Igreja de São João Batista, em Mirandópolis, bairro de classe média na zona sul de São Paulo – onde foi pároco nos anos 1960 –, dom Severius, nascido em Nínive, antiga capital da Assíria, hoje perto do centro petrolífero de Mossul, no Iraque, afirma que "reina cem por cento de liberdade religiosa no Iraque e há, inclusive, uma sinagoga em pleno funcionamento em Bagdá".
Segundo dom Severius, embora sua Igreja não tenha uma posição oficial sobre regimes políticos, o seu rebanho de 700.000 fiéis é constituído de patriotas iraquianos, não havendo "nenhum cristão" entre os grupos de oposição a Saddam.

Na verdade, pouca gente no Ocidente sabe que os cristãos ocupam uma posição estratégica no Iraque.
Basta dizer que o vice-primeiro-ministro, Tariq AZIZ, ex-ministro do Exterior, e o ministro das Obras Públicas, Maan Sarsan, são cristãos.
Essa posição estratégica dos cristãos se deve a que eles constituem uma parte da elite intelectual iraquiana, pois, na maioria, os cristãos são médicos, advogados, engenheiros, professores universitários, muitos deles formados na Inglaterra, antiga metrópole colonial do Iraque.
De acordo com dom Severius, "a Igreja não assume atitude política, mas respeita a autoridade. A Igreja é contra a guerra, a favor da paz; quanto ao povo, tem de cumprir o dever, sem que a Igreja interfira. Nossos discursos pregam a paz, a harmonia, a paciência. Durante a guerra de 1991, todos os bispos da Igreja Ortodoxa Síria pediram à ONU, ao papa João Paulo II e a outras instituições e pessoas que contribuíssem para pôr fim ao conflito. Também pedimos que seja suspenso o cerco comercial ao Iraque e exigimos uma solução pacífica para os problemas do povo palestino".

Diz o arcebispo que "a Igreja não se coloca contra cristãos patriotas", mas que, quando se encontra com Saddam, de quem se considera amigo pessoal, "pregamos sempre a paz, a concórdia, o amor. Os cristãos são a favor da paz. A política dos Estados Unidos não segue a doutrina de paz de Jesus. O Iraque é uma terra abençoada: tem petróleo, tem fósforo, tem ferro. É isso o que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Europa querem".
Quanto ao Kuwait, dom Severius diz de novo que a Igreja não tem posição sobre o assunto, mas que os cristãos iraquianos julgam, como os demais iraquianos, que o Kuwait faz parte de seu país e dele foi separado por interesses, na época, da Grã-Bretanha.
Afirma o prelado que, na verdade, na Arábia Saudita, aliada do Ocidente, é que não existe de modo nenhum liberdade religiosa, a ponto de que não há nenhuma igreja cristã em território saudita.

Também no Kuwait a liberdade religiosa não é plena: mais de uma vez, as autoridades estiveram prestes a fechar as duas únicas igrejas cristãs do país, uma católica romana e a outra ortodoxa grega.
Sempre segundo o arcebispo de Bagdá e Basra, no Iraque não há restrições a costumes ocidentais.
Enquanto na Arábia Saudita e no Kuwait as mulheres são obrigadas a cobrir o corpo todo, no Iraque circulam moças até de minissaia.

Na verdade, dom Severius acha que, no Iraque, há "muita liberdade".
Ele ressalta, por exemplo, que o governo de Saddam reservou 2 milhões de dólares para a restauração do Mosteiro de São Mateus, em Mossul, que data de 393 d.C.
Além dos ortodoxos sírios, existem outros cristãos no Iraque: católicos romanos, nes-torianos, coptas, armênios.
O próprio irmão do arcebispo, Hanna Hawa, é oficial reformado do Exército do Iraque.
Dom Severius conta que, quando era bem jovem, seu pai teve uma parada cardíaca e foi dado como morto pelos médicos.
No entanto, o pai mais tarde "despertou" e contou que, em sonhos, tivera a visão de um homem chegando a cavalo; era Jesus, que dizia: "Levanta!"
E o pai levantou.
A partir daí, o pai, que já era um fiel religioso, passou a freqüentar ainda mais a Igreja e as obras, levando os filhos – e o menino Severius decidiu dedicar-se à vida sacerdotal.

Fez o seminário em Nínive e foi enviado ao Brasil em 1961, como pároco no bairro paulistano de Mirandópolis.
O culto em sua Igreja é feito em árabe, em siríaco ou aramaico (a língua em que Jesus falava), a língua original de seu povo.
Ficou no Brasil até 1970, funcionando, segundo seus antigos paroquianos e paroquianas, como "um anjo bom", que, além de oficiar os cultos, visitava as famílias, agindo como um segundo pai ou irmão que ajudava a resolver os conflitos familiares.
A Igreja Ortodoxa de que dom Severius faz parte tem 50 milhões de fiéis no mundo inteiro, inclusive 2.000 famílias no Brasil, em São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte.
Segundo o arquiteto e escritor Ibrahim Sowmy, já falecido, nascido na Turquia e radicado no pós-Segunda Guerra em São Paulo, onde ajudou a construir a Igreja de São João Batista, "sírio", "siríaco" e "assírio" são a mesma palavra: entre Síria e Assíria existe a mesma diferença que entre Corão e Alcorão, ou seja, a ausência ou a presença do artigo definido.

Renato Pompeu é jornalista e escritor, autor de Memórias de Uma Bola de Futebol.
http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed66/renato_pompeu.asp

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A vida dos Palestinos do Iraque pós-Saddam

Refugiados palestinos são marginalizados pelos iraquianos
13h38 - 29/11/2003

-->Bagdá, 29 nov (EFE).- Milhares de palestinos foram forçados a deixar o Iraque e outras centenas se encontram em campos de refugiados em condições desumanas na capital, marginalizados pelo restante da população.
O campo de futebol do Clube Haifa, no bairro de Baladiyat, na capital iraquiana, onde vivem desde a queda do regime de Saddam Hussein cerca de 460 palestinos em tendas de lona, inundou com as primeiras chuvas de inverno.
Baladiyat é um bairro situado nos arredores de Bagdá no qual vive o maior agrupamento de palestinos no Iraque -cerca de 30.000 pessoas- e onde agora foi estabelecido um campo de tendas para os palestinos que foram expulsos de suas casas nestes últimos meses.
A maioria deles nasceram no Iraque, e são descendentes dos 5.000 que chegaram neste país em 1948, depois da criação do Estado de Israel, principalmente procedentes de três aldeias próximas à cidade costeira de Haifa: Abu Ghazal, Ichsin e Yaba."Voltamos a 1948, só que naquele ano não tínhamos nem barracas de campanha", aponta Huda Abdel Rahman, que diz ter 58 anos de idade apesar de aparentar muito mais.
Enquanto fala, um homem sai de uma das tendas e começa a urinar a poucos metros diante de todos, no meio do acampamento, agora convertido num lamaçal.
Akram Muhamad a-Risk, um dos palestinos habitantes do acampamento, vivia antes no centro da capital, até que, quatro dias depois da tomada de Bagdá pelas tropas americanas, o proprietário do edifício onde tinha residido durante 37 anos, o expulsou com uma pistola, junto a outras 13 famílias palestinas.
A-Risk, de 45 anos e com seis filhos, afirma que o proprietário era um xiita, supostamente membro de um grupo ressentido com o favorecimento de Saddam Hussein aos palestinos e a sua causa.
Em particular, muitos iraquianos consideravam injusto que Saddam Hussein enviasse dinheiro aos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia durante os anos do bloqueio econômico no Iraque.
A-Risk, que ganhava a vida com enceradeiras, se sente agradecido pelo que o ex-presidente iraquiano fez.
"Saddam nos protegia, era o único líder árabe que apoiou nossa causa. Sob seu regime, nós palestinos gozávamos quase dos mesmos direitos que os cidadãos iraquianos", aponta.
Os palestinos não podiam ter propriedades no Iraque, mas o Estado em muitos casos lhes dava residências ou pagava seu aluguel.
"Agora todos queremos sair daqui. Temos medo, não há segurança na rua, não se sabe o que vai acontecer no país amanhã", diz A-Risk, que ainda sonha em voltar à Palestina.
Outras centenas de palestinos foram expulsos de suas casas depois da queda do regime de Saddam, no último dia 9 de abril.
A maioria não têm nenhuma fonte de renda e vive das rações de comida que recebiam até há pouco das Nações Unidas.
"Agora não podemos trabalhar com os iraquianos, eles nos rejeitam por sermos palestinos, sua opinião sobre nós mudou", diz Faisal Fais Jalid, de 48 anos e antigo empregado de um ministério, onde hoje nem sequer querem reconhecer que ele trabalhou ali durante 16 anos.
Sua mulher morreu pouco antes do início da guerra e agora ele tem que cuidar de seus quatro filhos, que "jogam na cara minha incapacidade de melhorar nossas condições de vida", afirma um desesperado Jalid, que usa sandálias de plástico e tem os pés cheios de barro, apesar do frio.
A seu lado, uma mulher de 60 anos clama: "Isto tem solução? A maioria das crianças está doente. Ninguém vem ajudar, se esqueceram de nós", e pede colaboração médica, em particular psiquiatras.
Segundo o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), milhares se viram forçados a deixar o país.
Kris Janowski, porta-voz da Acnur, expressou ontem em Genebra sua preocupação pela situação de cerca de 427 palestinos procedentes do Iraque que se encontram confinados em campos de refugiados na fronteira entre a Jordânia e Iraque desde o mês de abril.
A maioria tem documentos de residência iraquiana, e nenhum deles deseja voltar ao Iraque, país que a Acnur não considera apto para seu retorno, e sim à Cisjordânia, à Faixa de Gaza e Israel, o que, segundo esse organismo, deve ser estudado.

terça-feira, 10 de julho de 2007

EUA & REINO UNIDO: "FÓSFORO BRANCO,NAPALM,URÂNIO EMPOBRECIDO NO IRAQUE"

(Foto: Soldados de EEUU ante cadáveres de vecinos de Faluya tras la toma de la ciudad en noviembre de 2004.
Apréciese que algunos de ellos aparecen carbonizados pero con ropa, una pruebe del uso de fósforo blanco por parte de los asaltantes



EEUU y Reino Unido han recurrido al empleo de fósforo blanco, napalm, municiones de racimo y revestidas con uranio empobrecido



Uso de armas indiscriminadas y especialmente dañinas en Iraq



Informe de ‘Global Policy Forum’ (II) *
Global Policy Forum
(www.globalpolicy.org), marzo de 2007


IraqSolidaridad (www.iraqsolidaridad.org), 23 de abril de 2007




Traducido del inglés para IraqSolidaridad por Paloma Valverde


“La legislación humanitaria internacional establece principios claros para llevar a cabo operaciones militares y limita los medios permisibles y los métodos de guerra.


Esos principios prohíben el uso de armas que no distinguen entre objetivos militares y civiles, e infligen un daño indiscriminado o un sufrimiento innecesario.


Sin embargo, las fuerzas de la Coalición han utilizado, repetidamente, armas especialmente dañinas e indiscriminadas, tales como fósforo blanco, napalm, municiones de racimo y uranio empobrecido, que tienen efectos desproporcionados, mucho más allá de los objetivos militares planificados.


Esas armas se consideran, mayoritariamente, inaceptables e inhumanas.”




Imagen tomada desde posiciones estadounidenses del bombardeo de Faluya en noviembre de 2005 con fósforo blanco. Ampliar Foto

“A los generales les gusta el napalm: tiene un gran efecto psicológico.” Coronel Randolph Alles, Cuerpo de Marines de EEUU [1]

Estados Unidos y Reino Unido han utilizado armas indiscriminadas y especialmente dañinas limitadas por las convenciones internacionales o consideradas por amplia mayoría inaceptables e inhumanas.



EEUU ha usado elementos incendiarios, como el MK-77 [2], un tipo de armamento de napalm, así como municiones de fósforo blanco [3].


El fósforo blanco se ha empleado contra objetivos terrestres en zonas civiles densamente pobladas [4].
Esas armas son extremadamente crueles: se introducen en la piel y abrasan a la víctima hasta [causarle] la muerte.
Los gobiernos de EEUU y Reino Unido negaron en un principio la utilización de esas armas, pero posteriormente se vieron obligados a retractarse.
Durante la invasión [de Iraq] de 2003, EEUU y Reino Unido también utilizaron profusamente municiones [revestidas] con uranio empobrecido [5] y municiones de racimo [6].


Las municiones de racimo matan y mutilan indiscriminadamente cuando se utilizan en zonas pobladas y además dejan mini-bombas sin explotar que posteriormente causan muertos y heridos civiles.


Las armas con uranio empobrecido, argumentan sus detractores, pueden producir efectos nocivos en la salud a largo plazo y varios organismos internacionales han apelado a una moratoria en su uso.


El uso tanto de munición con uranio empobrecido como de racimo viola la prohibición de [utilización de] armas que causan sufrimiento innecesario y daño indiscriminado.
Bombas incendiarias tipo napalm
El napalm es una mezcla inflamable de gasoil y de materiales glutinosos que se emplean en una bomba incendiaria.


Durante la guerra de Vietnam, EEUU utilizó masivamente el napalm, el cual se desarrolló durante la Segunda Guerra Mundial, lo que originó críticas y protestas populares.


Actualmente, la mayoría de los países se abstienen de la utilización de esas bombas incendiarias porque se consideran especialmente crueles e indiscriminadas.


Las fuerzas armadas estadounidenses se valen una nueva forma de napalm conocida como MK-77 Modelo 5 [7].
Las bombas tipo napalm detonan al impacto creando una bola de fuego.


El gel incendiario impacta contra estructuras [materiales] y los cuerpos de las víctimas a las que mata por quemaduras internas y asfixia.


Las víctimas que sobreviven normalmente padecen quemaduras extremadamente graves y traumas en el cuerpo.


Muchos fallecen tras períodos de intenso sufrimiento y dolor.
Durante e inmediatamente después de las operaciones militares iniciales [en Iraq] en 2003, hubo una gran información acerca de que EEUU había utilizado bombas incendiarias en Iraq.


Los periodistas empotrados informaron de que aviones estadounidenses lanzaron armas similares a las de napalm en el Monte Safwan, limítrofe con la frontera de Kuwait [8], al sur de Iraq [9].


Los pilotos y los comandantes del Cuerpo de Marines estadounidense han confirmado que utilizaron napalm cerca de los puentes del Canal de Sadam y del río Tigris, al sur de Bagdad. El coronel Randolph Alles, comandante de la Unidad Aérea de marines afirma:



“[…] Bombardeamos con napalm en las proximidades de esos puentes […] Desgraciadamente allí había gente […], se les veía en la pantalla del piloto […]. Había soldados iraquíes. No es una buena forma de morir.”
[10]

En un primer momento, el ejército estadounidense negó las acusaciones sobre la utilización de napalm [11].
Sin embargo, en agosto de 2003, el Pentágono reconoció que se habían usado bombas MK-77 [12]. Su primera negativa se basó en la falsa distinción entre el napalm y las nuevas bombas incendiarias MK-77, compuestas de una mezcla algo distinta de gasoil [combustible para reactores en lugar de benceno y gasolina] [13].


El Pentágono finalmente admitió que las dos armas son “[…] extraordinariamente parecidas” [14], con efectos idénticos sobre las víctimas.


Como señaló el director de estudios militares del grupo Global Segurity:
“[…] Se le puede llamar de otra manera, pero sigue siendo napalm. [El napalm] Se ha reformulado en el sentido de que ahora utiliza un petróleo destilado distinto, pero es napalm. EEUU es el único país que emplea napalm desde hace mucho tiempo.” [15]
En respuesta a una pregunta formulada en la Cámara de los Comunes [de Reino Unido], Adam Ingram, ministro británico de las fuerzas armadas, negó explícitamente que las bombas incendiarias MK-77 se hubieran utilizado en Iraq [16].


Más tarde, Ingran se vio obligado a retractarse de su declaración [17], afirmando no saber que los soldados estadounidenses habían informado a la prensa y que el Pentágono ya lo había reconocido.

Los grupos de derechos humanos consideran que las bombas incendiarias son inhumanas.
“[…] Las bombas incendiarias producen quemaduras que son difíciles de curar”, afirma Robert Musil, director de Physicians for Social Responsibility [18].
Una convención internacional legalmente vinculante restringe el uso de armas incendiarias en combate y prohíbe estrictamente su uso en zonas pobladas.


El Protocolo III de la Convención de Naciones Unidas (NNUU) sobre el empleo de ciertas armas que pueden ser excesivamente dañinas o tener efectos indiscriminados (1980), prohíbe la utilización de armas incendiarias contra civiles o contra objetivos militares en zonas con concentración de civiles [19].


Además, normalmente la ley humanitaria prohíbe los ataques indiscriminados y que causan daños evitables.

El fósforo blanco
El fósforo blanco es un agente incendiario [aglutinante] parecido al lacre, que se utilizaba para hacer señales, como cortina de humo y con fines incendiarios.


EEUU utilizó de forma regular el fósforo blanco en Vietnam.


El WP [siglas inglesas para fósforo blanco, White Phosphorous], o “Willie Pete”, como se conoce entre los soldados, normalmente explosiona en el aire y se usa para iluminar el cielo nocturno, para destruir el arsenal enemigo o para limitar la visión [20].


También se ha utilizado en Iraq como un arma incendiaria contra objetivos humanos, un uso comúnmente considerado contrario a la ley humanitaria internacional.
Cuando el fósforo blanco entra en contacto con el oxígeno arde con un olor amargo similar al del ajo y no deja de arder hasta que el oxígeno se agota [21].


Quema la piel de las víctimas y atraviesa la ropa, lo que tiene como consecuencia profundas heridas y dolor abdominal, ictericia, necrosis de los huesos e insuficiencia multiorgánica (fundamentalmente hepática y renal), tras lo cual muy pocos sobreviven [22].
Al igual que el napalm, la utilización de fósforo blanco contra las personas fue negada por el gobierno de EEUU.


La emisión de un documental en la televisión estatal italiana, RAI, reveló que las tropas estadounidenses utilizaron fósforo blanco contra objetivos terrestres durante los combates iniciales en 2003 y en la batalla de Faluya, en noviembre de 2004.


El documental mostraba a los habitantes de Faluya que describían “[…] una lluvia de fuego que se abatía sobre la ciudad” y presentaba material gráfico de los cuerpos de civiles abrasados y derretidos [23], identificados con posterioridad, con la supervisión de las autoridades estadounidenses, gracias al registro del cementerio [24].


En el momento del asalto estadounidense sobre la ciudad [de Faluya], el diario The Washington Post informaba de que “[…] algunas armas de artillería dispararon ráfagas de fósforo blanco” y añadía:
“[…] los resistentes han informado de que los han atacado con una sustancia que derrite la piel, un comportamiento compatible con las quemaduras por fósforo blanco. Kamal Hadeethi, médico del hospital regional afirma que ‘los cuerpos de los combatientes que he recibido estaban quemados y algunos cuerpos estaban derretidos’.”[25]
En una carta al The Independent, Robert Tuttle, embajador estadounidense en Reino Unido, negó esta declaración afirmando que “[…] las fuerzas estadounidenses que participan en la operación Libertad iraquí siguen utilizando las armas legales convencionales apropiadas contra objetivos legítimos” [26].
El Pentágono explicó que el fósforo blanco se utilizó sólo para iluminar por la noche y para crear cortinas de humo [27].
Sin embargo, las publicaciones militares estadounidenses contradicen este intento [de justificación] del Ministerio de Relaciones Públicas.


La edición de mayo-junio de 2004 de la revista Infantry, informaba que se había usado fósforo blanco para atacar directamente, y no para crear una cortina de humo [28].


Un informe militar posterior en la revista Field Artillery confirmó que el fósforo blanco “[…] ha demostrado ser una munición efectiva y versátil […] una potente arma psicológica contra los resistentes […].


Lanzamos operaciones de ‘acoso y derribo’ contra los resistentes y utilizamos el fósforo blanco para que salgan [de sus escondites]” [29].


Una serie de informes distintos apoyan el hecho de que el fósforo blanco se utilizó deliberadamente en zonas pobladas [30].
Como recordaba el The New York Times en un editorial de noviembre de 2005, “[…] de hecho, uno de los crímenes que se adjudicaron a Sadam Huseín fue el de disparar fósforo blanco contra los rebeldes kurdos y los civiles en 1991, una de las razones invocadas para la guerra de Iraq” [31].
El manual del ejército de EEUU estipula claramente que “[…] es contrario a la ley de guerra por tierra el empleo de fósforo blanco contra objetivos personales” [32].


La legislación internacional, incluido el Protocolo III de la Convención de NNUU sobre el empleo de ciertas armas que puedan considerarse excesivamente nocivas o tener efectos indiscriminados (1980), prohíbe el uso de armas incendiarias contra civiles o contra objetivos militares en zonas pobladas [33].


Por tanto, el ejército de EEUU violó sus propias leyes así como la legalidad internacional cuando atacó una ciudad utilizando esta terrible sustancia incendiaria.
Uranio empobrecido
El uranio empobrecido es un producto de deshechos radioactivos atenuados provenientes del proceso de enriquecimiento del uranio, que se utiliza [como revestimiento de la munición convencional] en un tipo de armas para penetrar el blindaje de los tanques y de otros vehículos blindados desde gran distancia [34].
Según el The Guardian, los expertos han calculado que las fuerzas de la Coalición utilizaron entre 1.000 y 2.000 toneladas de obuses antitanque [recubiertos] de uranio empobrecido durante la invasión [de Iraq] de 2003 y en los combates inmediatamente posteriores [35].
El informe del programa de medioambiente de NNUU coincide con esta apreciación [36].
Destacados expertos sanitarios han afirmado que el polvo proveniente de la explosión de munición [revestida de uranio empobrecido] puede causar efectos negativos a largo plazo sobre la salud humana [37].
Mientras el ejército estadounidense insiste en que el uranio empobrecido no supone una amenaza para la salud, muchos veteranos estadounidenses y británicos de la guerra del Golfo de 1991 han sufrido inexplicables enfermedades que conllevan fatiga, desórdenes del sueño y pérdida de memoria (denominadas genéricamente “Síndrome de la Guerra del Golfo”).
El 19 de diciembre de 2005, el ministerio de Asuntos de Veteranos entregó una cantidad compensatoria a la familia de un veterano que había muerto por cáncer metastático del apéndice, debido a que el cáncer estaba médicamente relacionado con la exposición al uranio empobrecido [sufrida] durante el servicio prestado [en el ejercito] por el veterano [38].
En Iraq, se han producido informaciones sobre el aumento del cáncer y de las malformaciones congénitas en los nacimientos en zonas en las que se habían utilizado municiones con uranio empobrecido [durante la Guerra del Golfo de 1991] [39].
Veteranos, organizaciones médicas e instituciones internacionales como la Organización Mundial de la Salud [40] han instado a la realización de estudios científicos sobre los efectos concretos del uranio empobrecido en el cuerpo humano.
Una subcomisión de la Comisión de Derechos Humanos de NNUU [41] autorizó un estudio preliminar sobre derechos humanos y “[…] armas de destrucción masiva o [armas] con efecto indiscriminado o cuya naturaleza cause daño excesivo o sufrimiento innecesario”.
El informe de 2002 incluía el uranio empobrecido como arma.
El autor se refiere a una serie de hechos e informaciones “[…] que señalan muertes y enfermedades graves relacionadas con la inhalación de uranio empobrecido. Los efectos médicos claves son: el cáncer, de aquellos que han estado expuestos [al uranio empobrecido], y las malformaciones congénitas en los nacimientos de niños que han inhalado uranio empobrecido” y califica las armas con uranio empobrecido de “mortales e indiscriminadas” [42].
A pesar de que las armas con uranio empobrecido se usan normalmente contra objetivos militares, las municiones dejan residuos químicos y radiactivos que contaminan el aire y las aguas subterráneas como [ocurre] en Bosnia y Herzegovina [43].
En 2001, después de que la OTAN usara armas con uranio empobrecido en Kosovo, el Consejo de Europa exigió la prohibición de la producción, los experimentos y la venta de armas con uranio empobrecido, afirmando que “[…] los efectos en la salud y en la calidad de vida durarán muchísimo y afectarán a las futuras generaciones de manera similar” [44].
Carla del Ponte, jefa de la Fiscalía del Tribunal Internacional de NNUU para la ex Yugoslavia, afirma que la utilización de armas con uranio empobrecido se podría investigar como un posible crimen de guerra [45].
En 2005, desde el Programa de Medioambiente de NNUU se emitió un informe en el que se afirmaba que en Iraq había 311 lugares contaminados con uranio empobrecido [46].
Al mismo tiempo, el Parlamento Europeo ha reiterado su exigencia de una moratoria en el uso del uranio empobrecido como arma, con vistas a introducir una prohibición absoluta sobre la base legal del Tratado de no proliferación de armas nucleares (1968), de la Convención sobre Armas Biológicas y Tóxicas (1972), la Convención de Armas Químicas (1993) y el exhaustivo Tratado sobre Prohibición de Experimentos Nucleares (1997) [47].
En vista de las posibles consecuencias para la salud, probablemente la utilización de uranio empobrecido contraviene los principios ya establecidos de la legislación humanitaria, lo que incluye los [principios] fundamentados en las Convenciones de Ginebra y sus Protocolos y la guía de NNUU relativa a la protección de civiles, a la prevención del sufrimiento humano innecesario y al daño al medioambiente.

Municiones de racimo
Las municiones de racimo contienen cientos de mini-bombas o sub-municiones diseñadas para explosionar con el impacto.
La munición de racimo se puede lanzar desde el aire o disparar desde tierra.
En un principio, [las municiones de racimo] explotan en el aire y liberan las sub-municiones, las cuales se dispersan hasta impactar contra los objetivos terrestres.
Algunas no detonan (entre el cinco y el 30 por ciento, dependiendo del tipo) [48], dejando mini-bombas sin explosionar, que amenazan a los civiles durante décadas después de un conflicto. Durante las operaciones de 2003, tanto las fuerzas de la Coalición como las fuerzas del gobierno de Iraq dispararon municiones de racimo desde tierra y aire.
Cuando las municiones de racimo alcanzan a las víctimas explosionan de forma sucesiva debido a su efecto de fragmentación.
Los fragmentos penetran en el cuerpo, produciendo a menudo heridas internas. “[…] Los fragmentos atraviesan la piel y los músculos e impactan en el hueso, generando ondas expansivas en el organismo y causando hemorragias internas” [49]. Alrededor de un 30 por ciento de las víctimas mueren como consecuencia de las heridas [50].
Se dice que durante los ataques aéreos de 2003, las fuerzas estadounidenses y británicas lanzaron miles de municiones de racimo “[…] en zonas densamente pobladas por todo Iraq, incluidas Bagdad, Basora, Hilla [Babilonia], Kirkuk, Mosul, Nasiriya y otras ciudades y núcleos urbanos” [51].
Según un exhaustivo reportaje de investigación del USA Today, desde marzo hasta principios de abril de 2003, EEUU utilizó 10.782 armas [con munición] de racimo y Reino Unido casi 2.200 [52].
La fuerza aérea estadounidense también confirmó la utilización de 63 municiones de racimo CBU-87 entre el 1 de mayo de 2003 y el 1 de agosto de 2006 [53], que contenían un total de 12.726 mini-bombas [54].
Mientras declaraban limitar el “daño colateral”, la Coalición lanzó cerca de dos millones de sub-municiones, muchas dirigidas a barrios, que causaron la muerte o hirieron a más de 1.000 civiles [55].
Según Human Rights Watch, “[…] las municiones de racimo lanzadas desde tierra que explosionaron causaron cientos heridos de civiles en todo Iraq, incluidas las ciudades de al-Halilla, Nayaf, Karbala, Bagdad y Basora […]. Una de las causas fundamentales de las bajas de civiles en la guerra fue la conversión de los barrios en objetivo militar, teniendo que soportar los barrios los efectos de esas armas” [56].
Amnistía Internacional describe escenas en el hospital de Hilla en las que “[…] los cuerpos de hombres, mujeres y niños, vivos y muertos, que llevaron al hospital estaban perforados con fragmentos de metralla de las municiones de racimo”.
Un médico informó que casi todos los pacientes eran víctimas de las municiones de racimo. “[…] Los supervivientes heridos contaron a los periodistas que los explosivos caían ‘como uvas’ del cielo y que las mini-bombas rebotaban a través de las ventanas y las puertas de sus casas antes de explosionar” [57].
Un gran número de mini-bombas no explosionan cuando alcanzan su objetivo [58].
Según un informe del ministerio de Defensa remitido al Congreso de EEUU en 2000, “[…] esas sub-municiones tienen un porcentaje de fallos del 16 por ciento.
De forma que una típica descarga de 12 misiles MLRS podría convertirse en más de 1.200 sub-municiones sin estallar diseminadas al azar en un área de entre 120.000 y 240.000 metros cuadrados de la zona de impacto [59].
Las mini-bombas que no explosionan se quedan en el suelo hasta mucho después del fin del conflicto, lo que supone una amenaza a largo plazo para los civiles.
A la postre podrían explosionar cuando los niños las cojan o cuando accidentalmente los agricultores las golpeen con un apero.
Al igual que con las minas, las municiones de racimo hay que localizarlas y destruirlas una por una.
A pesar de los esfuerzos conjuntos de la Autoridad Provisional de la Coalición, NNUU y las ONG, las municiones sin explosionar siguen hiriendo y matando civiles iraquíes o a cualquiera que pase por las zonas en las que se han lanzado municiones de racimo [60].
Debido a las muertes indiscriminadas, tanto en el espacio como en el tiempo, que producen, las municiones de racimo son armas particularmente discutidas y se puede afirmar que violan los principios de la legalidad internacional sobre protección de civiles (incluido el artículo 48 del Protocolo I de la IV Convención de Ginebra).
También violan los principios de la ley que prohíben los ataques indiscriminados y el infligir sufrimiento innecesario, así como los principios que exigen una precaución real para minimizar los daños y la muerte de civiles.
Muchas organizaciones humanitarias y de derechos humanos, incluidos el Comité Internacional de la Cruz Roja, Human Rights Watch, Amnistía internacional y Landmine Action, han exigido reiteradamente la prohibición del uso de munición de racimo en zonas civiles, incluidos los objetivos militares situados en zonas habitadas.
En una conmovedora petición al Consejo de Seguridad de NNUU, Jan Egeland, Subsecretario General de Asuntos Humanitarios [de Naciones Unidas], exigió una moratoria en el uso de municiones de racimo, cuya utilización, argumentó “[…] por cualquiera, en cualquier parte del mundo […] es inmoral” [61].
Iraq es uno de los lugares más contaminados junto con Afganistán, Camboya, Laos, Kosovo y Vietnam.

Conclusión
La legislación humanitaria internacional establece principios claros para llevar a cabo operaciones militares y limita los medios permisibles y los métodos de guerra.
Esos principios prohíben el uso de armas que no distinguen entre objetivos militares y civiles, e infligen un daño indiscriminado o un sufrimiento innecesario.
Sin embargo, las fuerzas de la Coalición han utilizado, repetidamente, armas especialmente dañinas e indiscriminadas, tales como fósforo blanco, napalm, municiones de racimo y uranio empobrecido, que tienen efectos desproporcionados, mucho más allá de los objetivos militares planificados.
Esas armas se consideran, mayoritariamente, inaceptables e inhumanas.

Notas de ‘Global Policy Forum’ e IraqSolidaridad:
1. James W. Crawley, “Officials Confirm Dropping Firebombs on Iraqi Troops” San Diego Union-Tribune (5 de agosto de 2003).
2. Iraq Analysis Group, Fire Bombs in Iraq: Napalm by Any Other Name (marzo-abril de 2005).
3. Jason E.Levy, “TTPs for the 60mm Mortar Section” Infantry Magazine (mayo-junio de 2004). and Captain James T. Cobb, First Lieutenant Christopher A. LaCour and Sergeant First Class William H. Hight, “The Fight for Fallujah” Field Artillery (marzo-abril de 2005).
4. RAI News 24, “Fallujah: La Strage Nascosta” [Fallujah: The Hidden Massacre] (noviembre de 2005).
5. Scott Peterson, “Remains of Toxic Bullets Litter Iraq” Christian Science Monitor (15 de mayo de 2003).
6. Human Rights Watch, Off Target: The Conduct of the War and Civilians Casualties in Iraq (diciembre de 2003).
7. Iraq Analysis Group, op.cit.
8. “Dead Bodies Are Everywhere” Sydney Morning Herald (22 de marzo de 2003).
9. Martin Savidge, “Protecting Iraq's Oil Supply” CNN (22 de marzo de 2003).
10. Crawley, op.cit.
11. Sydney Morning Herald, op.cit.
12. Crawley, op.cit.
13. GlobalSecurity.org, "MK-77750lb Napalm".
14. Crawley, op.cit.
15. Cited in “US Admits It Used Napalm Bombs in Iraq”. The Independent (10 de agosto de 2003).
16. British Parliament, Written Answers to Questions. Defense Minister Adam Ingram Denies US Use of Firebombs (11 de enero de 2005).
17. British Parliament, Written Answers to Questions. Defense Minister Adam Ingram Admits US Use of Firebombs (28 de junio de 2005).
18. Crawley, op.cit.
19. EEUU sigue formando parte de un pequeño grupo [de países] que no ha firmado este Protocolo. El Protocolo ha sido ratificado por 94 países, convirtiéndose en una norma, ampliamente aceptada, de la legislación internacional. Debido a que la Coalición actúa bajo mandato del CS de NNUU, se deben aplicar los principios más exigentes de la legalidad internacional.
20. Globalsecurity.org. "Incendiary Weapons: White Phosphorus".
21. Ibíd.
22. US Department of Health and Human Services, Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR). White Phosphorus.
23. RAI News 24. “Fallujah: La Strage Nascosta” [Fallujah: The hidden massacre] (noviembre de 2005). Sobre el uso de este tipo de armamento en Faluya, léase en IraqSolidaridad: Faluya: uso por EEUU de bombas de fósforo y de fragmentación durante el asalto de noviembre de 2004 y enlaces relacionados, particularmente La delegación de la CEOSI se entrevista con su director y entrega una primera partida de ayuda sanitaria .
24. Marc Wells, “An Interview with Sigfrido Ranucci, Director of The Hidden Massacre” World Socialist Website (14 de diciembre de 2005).
25. Jackie Spinner, Karl Vick and Omar Fekeiki, “US Forces Battle Into Heart of Fallujah” Washington Post (10 de noviembre de 2004).
26. “US Forces Used 'Chemical Weapon' in Iraq”. The Independent (16 de noviembre de 2005).
27. US Department of Defence, Office of the Assistant Secretary of Defence (Public Affairs). News Briefing with Secretary of Defense Donald Rumsfeld and Gen. Peter Pace (29 de noviembre de 2005).
28. Jason E.Levy: “TTPs for the 60mm Mortar Section”. Infantry Magazine (mayo-junio de 2004).
29. Captain James T. Cobb, First Lieutenant Christopher A. LaCour and Sergeant First Class William H. Hight: “TF 2-2 IN FSE AAR: Indirect Fires in the Battle of Fallujah” Field Artillery Magazine (marzo-abirl de 2005), pág. 5.
30. “Violence Subsides for Marines in Fallujah” North County Times (10 de abril de 2004).
31. “Shake and Bake” New York Times (29 de noviembre de 2005).
32. Army's Command and General Staff College at Fort Leavenworth, KS. The Battle Book. ST 100-3 (julio de 1999).
33. Se puede objetar que el fósforo blanco no está “diseñado esencialmente” para causar efectos incendiarios y [que] por lo tanto no está sometido al Protocolo III sobre ciertas armas convencionales. Sin embargo, si se emplea deliberadamente para causar tales efectos, esto implica un incumplimiento legal del Protocolo III y, en cualquier caso, tal uso es contrario a los principios fundamentales que prohíben infligir sufrimiento innecesario y daño indiscriminado.
34. Globalsecurity.org: “Military: Depleted Uranium”.
35. Paul Brown, “Uranium Hazard Prompts Cancer Check on Troops” The Guardian (25 de abril de 2003).
36. United Nations Environment Programme. “Assessment of Environmental ‘Hot Spots’ in Iraq” (noviembre de 2005).
37. The Royal Society, “The Health Hazards of Depleted Uranium Munitions” (2001). [“[…] En Iraq existen más de 400 lugares contaminados de radiactividad que suponen un grave riesgo para la salud de la población y que, según los especialistas del gobierno iraquí, hay que descontaminar con urgencia. ‘[…] La situación es muy grave. Hay lugares que deberían ser descontaminados lo antes posible para garantizar que el pueblo iraquí no sufra graves enfermedades por este motivo’, afirma Fuad Abdel-Sattar, investigador medioambiental del ministerio de Medio Ambiente [iraquí], quien añade que el ministerio no tiene fondos ni recursos humanos para llevar a cabo el trabajo. ‘[…] Existe el riesgo de que surjan una serie de enfermedades debido a que en la mayoría de los lugares cercanos a los núcleos urbanos hay productos químicos dañinos, entre ellos [carcasas de munición revestida con] el uranio empobrecido’, añade. Según los especialistas, durante los últimos cinco años el número de casos de cáncer se ha incrementado de forma drástica, en parte como resultado de la exposición a materiales radiactivos durante las guerras de los pasados 25 años. ‘[…] Hemos sido testigos de más de seis nuevos casos de cáncer a la semana en nuestro hospital. Hace años, tratábamos a 4.000 enfermos al año, pero en los últimos tres años el número ha aumentado hasta más de 9.000 casos al año’, afirma Basima Juaad, oncóloga del Hospital Cancer Radiation de la capital, y añade, ‘[…] Lo más preocupantes es que muchos de esos pacientes han estado expuestos a la radiación de forma distinta. Algunos vivían en lugares cercanos a zonas contaminadas, otros eran niños cuando se produjeron las últimas guerras y jugaron cerca de sitios peligrosos y los efectos se manifiestan ahora, en ellos y en sus propios hijos’. Según el ministerio de Sanidad, alrededor de un 52 por ciento de todos los enfermos de cáncer en Iraq son niños menores de 5 años.” IRIN, 19 de abril de 2007: http://www.irnnews.org (traducido del inglés para IraqSolidaridad por Paloma Valverde). Nota de IraqSolidaridad.]
38. In the Appeal of David L. Larson, in the case of Janet E. Larson, Docket No. 01-05 766, XSS 001 56 2047 (19 de diciembre de 2005).
39. Larry Johnson, “Iraq Cancers, Births Defects Blames on US Depleted Uranium” Seattle Post Intelligencer (12 de noviembre de 2002); y Robert Collier, “Iraq Links Cancers to Uranium Weapons” San Francisco Chronicle (13 de enero de 2003).
40. 54th World Health Assembly. Provisional Agenda Item 13.10: “Health Effects of Depleted Uranium (Report by the Secretariat)” A54 19 Add. 1 (26 de abril de 2001).
41. Sub-Commission on the Promotion and Protection of Human Rights.
42. Commission on Human Rights: Sub-Commission on the Promotion and Protection of Human Rights, Fifty-fourth Session, Item 6 of the Provisional Agenda: “Human Rights and Weapons of Mass Destruction, or With Indiscriminate Effect, or of a Nature to Cause Superfluous Injury or Unnecessary Suffering”, Working Paper Submitted by Y.K.J. Yeung Sik Yuen in Accordance with Sub-Commission Resolution 2001/36. E/CN.4/Sub.2/2002/38 (27 de junio de 2002).
43. United Nations Environment Program. Depleted Uranium in Bosnia and Herzegovina (marzo de 2003).
44. Parliamentary Assembly of the Council of Europe. Environmental Impact of the War in Yugoslavia on Southerneast Europe, Recommendation 1495 (2001) (24 de enero de 2001).
45. “Use of DU Weapons Could Be War Crime” CNN (14 de enero de 2001).
46. UN Environment Program. Assessment of Environmental ‘Hot Spots’ in Iraq (noviembre de 2005).
47. European Parliament. Resolution on Non-Proliferation of Weapons of Mass Destruction: A Role for the European Parliament (2005/2139(INI)), P6_TA-PROV(2005)0439. Text Adopted by Parliament (17 de noviembre de 2005).
48. Cluster Munitions Coalition, Technical Analysis of Cluster Munitions.
49. Medact, “The Question of the Legality of Inhumane Weapons Used During the 2003 Iraq Conflict”, Working Paper No. 2.
50. H. Gilbert Husum and T.M. Wisborg, “Save Lives, Save Limbs: Life Support for Victims of Mines, Wars and Accidents” Third World Network (2003) quoted in UK Working Group on Landmines, “Cluster Bombs: the Military Effectiveness and Impact on Civilians of Cluster Boimbs” (2003), pág. 20.
51. Landmine Monitor. Report 2003: Toward a Mine-Free World.
52. Paul Wiseman, “Cluster Bombs Kill in Iraq, Even After Shooting Ends” USA Today (16 de diciembre de 2003).
53. Letter from the Department of the Air Force, 20th Fighter Wing (ACC), Shaw Air Force Base, South Carolina (23 de agosto de 2006) signed by Mary F. Huff, Base Freedom of Information Act Manager as quoted by the Mennonite Central Committee.
54. Mennonite Central Committee, “Use of Cluster Munitions in Iraq after the Initial Invasion”.
55. Human Rights Watch, “Minimize Civilian Casualties in Iraq” (17 de marzo de 2006); Human Rights Watch, “Off Target: The Conduct of the War and Civilian Casualties in Iraq” (2003); véase también Handicap International, “Fatal Footprint: The Global Human Impact of Cluster Munitions” (noviembre de 2006).
56. Human Rights (2003) op.cit. pág. 85.
57. Amnesty International, “Iraq: Civilians under Fire” (8 de abril de 2003).
58. B Rappert and R Moyes, “Out of Balance – The UK Government's Efforts to Understand Cluster Munitions and International Law” Landmine Action (noviembre de 2005), pág.18.
59. Cited in Human Rights Watch, “US Using Cluster munitions in Iraq” (1 de abril de 2003).
60. Medact, “The Question of the Legality of Inhumane Weapons Used During the 2003 Iraq Conflict”, Working Paper No.2.
61. Statement by Under-Secretary-General Jan Egeland to the Security Council on the protection of civilians in armed conflict (4 de diciembre de 2006).