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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CONVOCAÇÃO DO PRESIDENTE SADDAM HUSSEIN

“Que todos vocês protejam a terra natal e se engajem na resistência”

“Não os deixem tomar seu petróleo e sua riqueza.”

A defesa da pátria é um dever nacional e religioso.


“Eu os convoco, filhos do Iraque, a transformar as mesquitas em centros de resistência e a garantir o triunfo da religião, do Islã e da pátria, e a fazer o inimigo sentir que vocês o odeiam por meio de palavras e de ato”.


Iraquiana beija a foto de Saddam na capital do Iraque!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Cowboys de Infierno

Ex-marine escreve em livro: ‘Sou um assassino psicopata treinado para matar’

Jimmy Massey: Durante quase 12 anos ele foi um marine.
Trabalhou no recrutamento de jovens para guerra no Iraque.
E comandando seu pelotão no solo iraquiano.
Recentemente, esteve em Caracas, na Venezuela, para lançar seu livro Cowboys de Infierno.
Na ocasião, deu uma entrevista à jornalista Rosa Miriam Elizalde.
A seguir, trechos da entrevista, que pode ser lida na íntegra aqui (em espanhol).

Jimmy Massey por ele mesmo

Tenho 32 anos e sou um assassino psicopata treinado para matar.
Não nasci com essa mentalidade.
Foi o Corpo de Infantaria da Marinha dos EUA que me educou para ser um gângster das corporações americanas.
O que sei fazer é vender aos jovens a idéia de alistar-se nos marines e matar.
Sou incapaz de conservar um trabalho.
Para mim os civis são desprezíveis, atrasados mentais, uns fracos, uma manada de ovelhas.
Eu sou seu cão pastor.
Sou um predador.
No Exército me chamavam "Jimmy o Tubarão".

Marines
Os Estados Unidos só têm duas maneiras de usar os marines: para tarefas humanitárias e para assassinar.
Nos 12 anos que eu passei no Corpo de Marines dos Estados Unidos jamais participei de missões humanitárias.

O que significa ser um recrutador militar nos EUA
Ser um mentiroso.
A administração Bush tem incentivado a juventude americana a alistar-se no Exército e o que basicamente faz – e eu fiz também - é atraí-los com incentivos econômicos. [Se tiver estômago para imagens fortes, visite esta página, com mais informações e fotos – algumas bem chocantes – dos soldados americanos que acreditaram nas promessas de Bush].
Durante três anos recrutei 74 pessoas, que nunca me disseram que queriam entrar no Exército para defender o país nem alegaram nenhuma razão patriótica. Queriam receber dinheiro para ir a uma universidade ou obter um seguro de saúde.
E eu lhes descrevia primeiro todas essas vantagens e só ao final lhes falava que iam servir à pátria.
Jamais recrutei o filho de um rico.

Iraque: O ‘inimigo’ armado pelos EUA
Cheguei ao Iraque em março de 2003.
Meu pelotão foi a vários lugares antes ocupados pelo Exército iraquiano.
O que vimos foram milhares e milhares de caixas de munições que levavam a etiqueta norte-americana e estavam aí desde que os Estados Unidos ajudaram o governo de Saddan Hussein na guerra contra o Irã.
Vi caixas com a bandeira norte-americana e até tanques dos EUA.
Meus marines – eu era sargento de categoria E6, uma categoria superior ao sargento, e dirigia a 45 marines - me perguntavam por que havia munições de nosso país no Iraque.
Não entendiam.
Os relatórios da CIA afirmavam que Salmon Pac era um campo de terroristas e que íamos encontrar armas químicas e biológicas.
Não encontramos nada.
Nesse momento comecei a pensar que nossa missão realmente era o petróleo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"CHOQUE E TERROR" NO IRAQUE

Invasão de Bush ao Iraque já matou mais de 655.000 civis
Por: Antonio Pimenta/HP

Três milhões de pessoas foram forçadas a se deslocarem de seus lares, fugindo das tropas ianques e dos esquadrões da morte de Bush.
No assalto a Faluja, marines usaram armas químicas, queimando civis vivos com fósforo branco e napalm

Por mais diversionismo que faça com seu tribunal-farsa, não há como Bush ocultar que é ele o criminoso de guerra no Iraque.
A invasão e ocupação do país pelas tropas dos EUA matou mais de 655 mil iraquianos, revelou a mais tradicional publicação médica do mundo, a inglesa “The Lancet”.

Foi Bush que transformou Abu Graib num superlotado campo de tortura e humilhações sexuais, o escândalo que indignou o mundo.
No assalto a Faluja, em 2004, os marines usaram armas químicas contra civis, queimados vivos com fósforo branco e napalm.
Mais de três milhões de pessoas foram forçadas a se deslocarem de seus lares, fugindo das tropas ianques e dos esquadrões da morte de Bush.
Dezenas de milhares de iraquianos se exilaram.

A limpeza étnica cometida por Bush entope os necrotérios no país inteiro.
Tropas ianques têm matado a sangue frio famílias inteiras.
Os bombardeios ianques destroem casas,
hospitais e mesquitas.
A infra-estrutura foi arrasada e falta água e luz a maior parte do tempo.
Não há empregos.
O governo legítimo do Iraque foi derrubado e as reservas do país surrupiadas por Bush.
Os museus e milenares sítios históricos, saqueados.
E como todos esses crimes são cometidos para roubar o petróleo iraquiano, trata-se, ainda, de latrocínio.

COMPLÔ - O primeiro crime de guerra de Bush foi montar um complô, para enganar seu próprio povo, usando mentiras e falsificações sobre “armas de destruição em massa” e inexistentes “vínculos com a Al Qaeda”, e invadir o Iraque, em violação da lei internacional e contra a ONU.

Pelos critérios do Tribunal de Nuremberg, “começar uma guerra de agressão” – como a invasão de Bush – “não é somente um crime internacional; é o crime internacional supremo, diferindo dos outros crimes de guerra somente pelo fato de conter em si mesmo o mal acumulado do todo”.
O crime de guerra seguinte: matar ou ferir milhares de iraquianos, no assalto ao Iraque, cuja operação-chave era denominada de “Choque e Terror”;
depor seu governo legítimo;
fechar seu parlamento;
“dissolver” o exército iraquiano;
cassar a constituição, a corte suprema e o código legal;
tomar os campos de petróleo e refinarias;
instalar um vice-rei, Paul Bremer;
e impor o sectarismo, para uma artificial divisão entre “xiitas”, “curdos” e “minoritários sunitas”.

Imediatamente após a tomada de Bagdá, a cidade foi alvo de uma onda de saques e vandalismo cometidos por uma turba, ao que tudo indica, montada pelo agente da CIA Ahmed Chalabi.
A horda também pilhou o Museu Nacional, roubando milhares de peças milenares das várias civilizações da Mesopotâmia, o atual Iraque, berço da civilização, e do Califado de Bagdá.
Tudo sob escolta dos marines.
Um inominável crime contra a Humanidade e o Iraque.

ESCÂNDALO - O grande escândalo inicial, que desvelou os crimes de guerra de Bush, foi o vazamento das fotos da tortura e sevícias em Abu Graib.
As pilhas de presos nus, os cães, o prisioneiro morto na tortura, tornaram-se o retrato da ocupação.
Veio a público que Bush havia resolvido levar para Abu Graib as “técnicas” de seu campo de concentração de Guantánamo;
que havia outras prisões em Bagdá e Basra, e mais dezenas de centros de tortura.
Na realidade, o que ficou caracterizado como o escândalo de Abu Graib era apenas a parte preliminar da tortura.
Como apresentado na audiência pública em Berlim, pelo indiciamento de Donald Rumsfeld, desta semana, testemunhos de ex-prisioneiros e ex-soldados “mostram que os prisioneiros eram submetidos a choques elétricos; espancados; lacrados em caixas. Substâncias ferventes eram despejadas nos seus narizes; cadeiras eram quebradas nas suas costas. Urinavam neles e eles sofriam abusos sexuais”, afirmou o advogado Wolfgang Kaleck.

Até 2005, segundo o historiador Jeremy Brecher, o número de presos mortos na tortura, “sob custódia dos EUA”, ultrapassava os 100.
Mulheres e crianças eram seqüestradas, sob ameaça de estupro ou morte, para forçar que os procurados se entregassem.

GENOCÍDIO - Os números do genocídio promovido por Bush no Iraque – 655 mil pessoas desde a invasão – foram estabelecidos por uma equipe de médicos epide-miologistas iraquianos e americanos, supervisionada pela Escola de Medicina Pública da Universidade Johns Hopkins, e publicados na “Lancet”.

O estudo afirma que ocorreram 655 mil mortes a mais, do que teria havido se a invasão não tivesse ocorrido.
A estimativa foi estabelecida através de entrevistas, por amostragem, ao acaso, no Iraque inteiro – um método usado para estabelecer o número de mortes em casos de desastres naturais e fome, para comparação com a taxa de mortalidade precedente.

Do total de 655 mil “mortes em excesso”, 601 mil foram causadas por violência e o resto por doenças e outras causas, afirmou o estudo.
Incapaz de conter a Resistência, a ocupação lançou-se a todo tipo de atrocidades. Contra Faluja, foram oito semanas de bombardeio,
36 mil casas destruídas,
60 escolas e 65 mesquitas.
O hospital foi invadido.
Os marines cortaram a água,
a luz,
os telefones e o
suprimento de alimentos e remédios.
“Eu recebi a ordem de ficar atento porque estava sendo usado fósforo branco em Faluja. Eu vi os corpos queimados de mulheres e crianças. O fósforo explode e cria uma nuvem. Quem estiver dentro de 150 metros está morto”, afirmou o ex-soldado Jeff Englehart, veterano de Faluja.
Outros massacres foram cometidos em dezenas de cidades e aldeias.

ESQUADRÕES DA MORTE - Bush também mandou montar os esquadrões da morte, a chamada “Opção El Salvador”, tarefa levada a cabo pelo organizador dos esquadrões da morte na guerra suja da América Central, John Negroponte, que foi nomeado embaixador e levou para o Iraque um experiente coronel da sua equipe dos anos 80.
A fase “industrial” da ação dos esquadrões da morte teve início depois da explosão do segundo principal sítio sagrado da fé xiita, a mesquita dourada de Samarra, levada a cabo por agentes americanos, quando o templo estava cercado por tropas dos EUA e sob toque de recolher.

Aos crimes diretamente organizados pelo comando ianque, somam-se outros, cometido por grupos de soldados, e rotineiramente relatados como “mortes de insurgentes em combate”.
Em um desses, em Hadita, foram friamente mortos 24 civis.
Em Mahmudia, soldados ianques assassinaram uma família inteira, para estuprar uma criança de 14 anos.
Em outra aldeia, contou o jornalista Seymour Hersh, soldados de uma patrulha dos EUA, que teve um dos três veículos atingido por uma bomba por controle remoto, dispararam contra um campo de futebol onde ocorria um jogo.
“Dez minutos mais tarde, os soldados começaram a juntar os corpos e a jogar armas ali. Isso foi reportado como 20 ou 30 insurgentes mortos naquele dia”.
A este gigantesco rol de crimes de guerra, somam-se os da primeira guerra de Bush Pai e os dos anos de bloqueio, em que mais de 1,5 milhão de civis morreram, incluindo mais de 500 mil crianças, devido aos bombardeios e sanções.

domingo, 26 de agosto de 2007

O MOTIVO DA GUERRA CONTRA O IRAQUE

MILHARES DE CRIANÇAS, MULHERES E IDOSOS IRAQUIANOS FORAM ASSASSINADOS PELO EXÉRCITO GENOCIDA IANQUE PARA QUE OS AMERICANOS SE APOSSASSEM DOS CAMPOS DE PETRÓLEO DO PAÍS.
AS DECLARAÇÕES DE WOLFOWITZ, O VICE DE DEFESA DOS EUA NÃO DEIXAM DÚVIDAS.
04/06/2003 - 15h51 Vice de Rumsfeld diz que razão de guerra no Iraque foi petróleo da Folha Online
O vice-secretário da Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, afirmou que "nadar em petróleo" foi a principal razão para a ação militar no Iraque, segundo o jornal alemão "Der Tagesspiegel".
Questionado sobre a razão de haver diferença nas negociações dos EUA com a Coréia do Norte e com o Iraque, o vice de Donald Rumsfeld respondeu:"A principal diferença é que no caso do Iraque, economicamente falando, nós simplesmente não tínhamos escolha. O país [Iraque] nada em um mar de petróleo".
Os comentários foram feitos por Wolfowitz em uma declaração a delegados em uma cúpula de segurança asiática em Cingapura no final de semana.
Os comentários seguem outra declaração polêmica de Wolfowitz, feita em uma entrevista à revista americana "Vanity Fair" no mês passado.
Ele disse à revista que "por razões que estão muito ligadas à burocracia do governo dos EUA, estabelecemos como ponto principal algo com que todos poderiam concordar: armas de destruição em massa".
Os governos de EUA e Reino Unido, que lideraram a guerra no Iraque, têm sido questionados sobre as verdadeiras razões da ação militar.
O principal motivo alegado para invadir o país, a existência de armas de destruição em massa, é alvo de dúvidas, uma vez que tais armas não foram encontradas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Crimes de guerra
Homenagem ao Iraque
Yasmin Anukit*
Quando digo "homenagem ao Iraque", expresso minha profunda consternação pela agenda criminosa a que tem sido submetida esta terra.
Incluo aí a esperança de que a vitória dos povos do Oriente Médio possa conduzir à liberdade verdadeira e o desejo de que a fênix, um dia, renasça das cinzas.
Afinal, a águia é o emblema do Iraque.
A própria bandeira do país, constituída pelas três cores da "opus magna" (o branco da origem, o vermelho da exaltação e o negro da dissolução), indica a vocação de morrer e renascer infinitamente.
Sedimentando, às margens do Tigre e do Eufrates, a Mesopotâmia e, muitos milênios depois, o Califado, que desde Baghdad, inundaria o mundo, a alma do povo iraquiano sempre demonstrou uma consciência inexaurível das possibilidades de reengendramento da vida e da morte.
O próprio significado das "Mil e Uma Noites" designa o ciclo interminável do eterno retorno. Sobrepondo-se às cores da bandeira brilham as três estrelas verdes (Unidade, Liberdade e Socialismo) e o lema: Allah hu Akbar!"- Deus é Maior - indicando que, além da contingência, Ele permanece.
Alguns mitos falaciosos e equivocados serviram de legitimação arbitrária para a guerra.
Em primeiro lugar, a acusação sobre o uso de "armas químicas".
O Iraque admitiu o uso de armas químicas para pôr fim ao conflito de oito anos com o Irã, no momento em que a infantaria iraniana ameaçava assolá-los.
A verdade é que as potências do primeiro mundo reivindicam o monopólio exclusivo destas armas.
Sob a cobertura da "ameaça química iraquiana" - cujo precedente foi o ataque à aldeia curda de Hallabja, terminantemente negado pelo vice-primeiro ministro Tarik Aziz e pelo professor da Escola Superior de Guerra dos EUA, Stephan Pelletière - oculta-se o crime das Nações Unidas ao aprovar, na guerra do Golfo de 1991, o lançamento de mais de 300 toneladas de urano empobrecido sobre Basra, no sul, levando à morte lenta milhares de pessoas, por câncer, leucemia e deformações várias.
Desde então, o país tem sido bombardeado pela aliança anglo-americana, ininterruptamente, com armas não convencionais.
Além disso, despejou-se sobre as lavouras todo tipo de germes e vírus, contaminando, assim, a agricultura local e a água potável.
Agora vem o "golpe de misericórdia".
Esses bombardeios atingiram as chamadas "zonas de exclusão aérea", contrárias à lei internacional, pois o Iraque teria direito à defesa sobre aqueles 2/3 do território.
Passo a passo, a soberania do país foi minada, com fins à recolonização e redesenhamento do mapa geopolítico do Oriente Médio, sob a hegemonia de Israel.
Ao nacionalizar o petróleo em 1972, o Iraque quis garantir, com isso, sua emancipação econômica, bem como reverter, pelo socialismo, a distribuição da riqueza ao povo, mediante os serviços gratuitos de saúde, medicamentos e educação.
A República Popular Democrática do Iraque, visou, desde a revolução de 68, garantir a seus cidadãos, homens e mulheres, igualdade de direitos, sem distinção confessional ou tribalista, bem como arremessar a vanguarda da luta pela libertação dos povos árabes, incluindo a Palestina.
Tentando evitar isso, a Cia insuflou rebeliões no norte e no sul, para desestabilizar o governo central, aplicando a velha tática de "dividir para reinar".
Dizer que os EUA querem levar a "democracia" ao Iraque é, no mínimo, uma piada.
Sua meta é privatizar a grande estatal iraquiana,fazendo do país, o negócio do século.
O embargo econômico que a ONU ainda permite durar - na verdade, uma guerra biológica, histórica e civilizacional - demoliu sistematicamente todo o progresso que o Iraque havia conquistado antes.
A imagem midiática daquela terra é a de um deserto com poços de petróleo.
Mas ali existem mais de 500 mil sítios arqueológicos e monumentos inestimáveis: Mossul, rica por suas igrejas e mosteiros do século XIII; Najaf e Kerballah, cidades-santuários xiitas, que abrigam tumbas do Imam Ali e Al-Hussein, da família do Profeta, as figuras mais veneradas por todos os muçulmanos.
Cada pedaço do Iraque é uma relíquia onde se sobrepõem camadas imemoriais.
Na última guerra do Golfo, museus foram saqueados, entre eles, o grande Museu de Baghdad, tendo desaparecido milhares de peças de valor incalculável, fato que hoje se repete em proporções catastróficas.
Obras arquitetônicas como o zigurat de Ur, o arco sassânida de Ctesifonte, mesquitas preciosamente talhadas com revestimentos de ouro, universidades seculares, como Al-Mustansiria, tudo tem sido danificado e agora, mais uma vez, agonizam.
O governo pediu a colaboração da Unesco em 1991, mas esta lhe foi negada.
Um trabalho gigantesco foi feito por Saddam Hussein, antes da atual guerra, para esconder e proteger os valiosos tesouros do país - tão importantes quanto os do antigo Egito.
Para Saddam e para o partido Baath (renascimento) - pois seu objetivo é o renascimento da Nação Árabe - as relíquias arqueológicas e os monumentos históricos são o ponto de partida para reivindicar sua identidade cultural.
Hoje vemos a destruição chegar ao ponto culminante.
As ruínas da Babilônia foram arrasadas.
Saqueadores e incendiários (chamados de Ali Baba), comprometidos com os invasores, atearam fogo à Biblioteca Nacional de Baghdad e à Biblioteca de Alcorões, na deliberação criminosa de apagar a memória do Iraque, tanto dos tempos primordiais, como do Islam.
Por detrás do vandalismo ianque, esconde-se o complot milenar do sionismo internacional, que finalmente, após dois mil e quinhentos anos de espera, vai à desforra, vingando-se da destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor, hoje comparado a Saddam Hussein.
Isso equivale a jogar o país no "tempo zero", a decapitar, sinistramente, o seu papel na história para beneficiar a nova ditadura da coca-cola.
Pergunta o jornalista Robert Fisk, ( The Independent ): "Quem mandou os incendiários? Quem quer destruir a identidade deste país?"
A ciber-guerra tecnológica contra a terra onde surgiu a escrita e onde o Islã atingiu o apogeu, implica numa "Nova Ordem Mundial" que deseja apagar os vestígios do passado e sabotar seu novo ímpeto.
Lixo radioativo foi reempregado pelo exército invasor.
Um povo antigo, cheio de sentimentos, fé, paixões, ideais e orgulho de suas origens, ainda resiste.
A abaya negra das mulheres do Iraque logo se transformará num símbolo de luto para toda a humanidade.
Mas as raízes do povo da Mesopotâmia estão solidamente cravadas nas fundações do tempo. Esperamos que renasçam ainda.
Já cerca de um ano antes desta guerra, Saddam escreveu: "Os bárbaros desta era desejam aniquilar a ' mãe da civilização'. Digam-lhes numa voz clara e alta: Ó demônios, erradicai vossas abominações contra nós, nosso museu vivo, testemunho e celeiro dos profetas, como Abraão. Digam-lhes para deixar nosso povo construir, construir até o topo e trabalhar para uma cooperação frutífera e pelo amor entre os homens. A despeito das feridas e injúrias lançadas à filha dos árabes (Baghdad), a tocha de luz para a humanidade prevalecerá, sua face esplêndida, cintilante, incandescente na fé, saudável e intocada pela desonra." (Saddam Hussein, 2002, discursos)
Mesopotâmia (1)
Era uma vez, a "terra entre dois rios": um arabesco ornado pelo vento, porto de antigos sonhos e navios... flor consagrada no jardim do tempo!
Tal terra foi chamada "paraíso": bíblico berço incólume da História!
Ali se ergueram torres cujo piso subiu ao alto cume em toda a glória!
Mas o Ocidente bárbaro e hostil, sem leme, sem raízes, nem passado, deitou à areia a água do cantil que à humanidade havia saciado!
É o videogame, a tecnologia rasgando a alma árabe, a mais secreta, é essa cultura da selvageria que abafa a voz eterna do Profeta!
O grito da Jihad, então, virá... e todo o mundo islâmico há de inflamar: "Meu sangue e vida dou por Baghdad!" Deus é Maior! "Allah hu Akbar!"
E os Anjos do Senhor, em altos brados, irão abrir as portas de Babel(2), louvando o sangue mártir derramado dos fedayin(3) em luta para o Céu!
________________________________*Professora de estudos Orientais, História da Arte e Civilização Islâmica)
(1) mesopotâmia: "terra entre rios"
(2) Babel: "porta de Deus"
(3) fedayin: "os que se sacrificam"