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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Verdadeiras Intenções de Israel



Israel roubando mais terras
Estaria Israel mesmo interessado em “negociar a paz”?




Enquanto os holofotes da comunidade internacional se voltam para a
breve “reunião de paz” entre
Israel e a Autoridade Palestina,
organizada pelos Estados Unidos, o governo israelense está
ocupado com outra coisa: expandir os seus assentamentos ilegais
na Cisjordânia, que ironicamente é controlada hoje pela própria
Autoridade Palestina.



Israel roubando mais terras

Enquanto os holofotes da comunidade internacional se voltam para
a breve “reunião de paz” entre Israel e a Autoridade Palestina,
organizada pelos Estados Unidos, o governo israelense está
ocupado com outra coisa: expandir os seus assentamentos ilegais
na Cisjordânia, que ironicamente é controlada hoje pela própria
Autoridade Palestina.
O mais recente relatório do movimento pacifista israelense Peace
Now,
que abrange o período entre maio e outubro de 2007, informa
que há 88 construções ilegais israelenses em distintos pontos na
Cisjordânia,
“variando de pequenas casas até grandes projetos de
dezenas e centenas de edifícios”.


O mais chocante no relatório é
provavelmente a descrição de um novo bloco residencial ultraortodoxo,
com cerca de 600 unidades, que será anexado ao
assentamento ilegal de Givat Zeev, ao norte de Jerusalém.

As
intenções do governo israelense ficam claras quando o relatório
prova que novas construções estão a caminho em 34 dos 105
“pontos de controle” militares israelenses nas
terras palestinas
ocupadas.
O que fica evidente é que os “encontros de paz” entre Israel e a
Autoridade Palestina, tão glorificados pela mídia ocidental,
escondem uma realidade constante da Palestina – a anexação
ilegal de terras pelo governo israelense
.

Com o território palestino
sendo diariamente engolido por assentamentos israelenses, é difícil
imaginar um estado palestino independente em um futuro próximo.
Outro ponto crítico do relatório da Peace Now indica exatamente
isso, ao condenar a construção da estrada E-1 por parte de Israel.
Supostamente, a estrada serviria para “facilitar o transporte para os
palestinos”, mas, ao que tudo indica, trata-se de um meio para
dividir a Cisjordânia a tal ponto que se tornem duas terras que não
sejam limítrofes.

Essa questão se evidencia após uma breve análise
de onde os assentamentos são construídos – a maioria deles no
lado oeste do controverso “Muro de Israel”.

Absolutamente, todos os
assentamentos israelenses nas terras palestinas ocupadas são
ilegais perante a Lei Internacional.

Após a Guerra Árabe-Israelense
de 1967, o Estado de Israel decidiu expandir suas fronteiras ao leste
de Jerusalém, de 6,5 km² para 70,5 km², incluindo assim terras de
muitas vilas palestinas da Cisjordânia.

Condenados pela
comunidade internacional, representada oficialmente pela ONU,
Israel até hoje ignora a Resolução 242, que os obriga a devolver as
terras ilegalmente ocupadas a seus legítimos proprietários.
O Peace Now se recusa a aceitar a justificativa usada pelo governo
israelense de que a expansão na Cisjordânia, lar de 2,4 milhões de
palestinos, se trata do “crescimento natural de Israel”.

Usando as
próprias estatísticas fornecidas pelo governo, o relatório indica que
o número de colonos judeus vivendo em terras palestinas na

Cisjordânia teve um crescimento anual de 5,8%, contra somente
1,8% de crescimento dentro das fronteiras de Israel no mesmo
período.

Dessa maneira, fica claro que o foco israelense é expandir
suas fronteiras através da captura de terras na Cisjordânia
. Citando
diretamente do Peace Now: “O crescimento dos assentamentos é
muito maior do que o ‘crescimento natural de Israel’
, e inclui uma
migração massiva de colonos para a Cisjordânia”.


No início da semana passada,
cerca de 2 mil judeus ultraortodoxos,
muitos deles colonos
das terras palestinas na
Cisjordânia, protestaram nas
ruas de Jerusalém contra o
suposto diálogo entre Israel e a

Autoridade Palestina.

Para eles, ainda existe o sonho de uma
“Grande Israel”, ocupando toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.


Protestos como os atuais e essa ideologia extremista judaica é que
culminaram no assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak
Rabin, em 1995, por parte de colonos israelenses que o viam como
um obstáculo quanto ao sonho judaico.

Dessa vez, os radicais
foram ainda mais longe.


Rabinos ameaçaram até George W. Bush
por seu envolvimento com a causa, citando a destruição causada
pelo furacão Katrina como uma “punição divina” pela interferência
estadunidense na política israelense
.


Com isso, Israel está em uma situação delicada – ao mesmo tempo
em que oferecem um “diálogo” para a Autoridade Palestina, roubam
terras na Cisjordânia para satisfazer aos extremistas dentro do país.


De uma maneira ou outra, como colocado por Yariv Oppenheimer,
diretor-geral do Peace Now
, “se essa política continuar, teremos um
estado colono ao invés de um estado palestino na Cisjordânia”.

Ao
que tudo indica, é esse o caminho do governo israelense.



“O conhecimento é em si mesmo um poder” – Francis Bacon ( 1561 – 1626 )

http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_82.pdf

domingo, 14 de outubro de 2007

MURO DA SEGREGAÇÃO RACIAL

PALESTINA • 08/01/2004
O Muro da segregação racial na Cisjordânia, é um projeto sionista de nova colonização na Palestina.
por Raed El Arabi : da Direção da União da Juventude Árabe para América Latina (UJAAL)
Um Muro que, na sua conclusão, isola aos palestinos cisjordanos e a metade de seu território, principalmente as zonas urbanas.
Um projeto sionista para uma nova fase de colonização.
Diversas ONGs e setores populares, de todo o mundo tem convocado uma jornada internacional de protestos e mobilizações contra a construção do Muro e do crime sionista contra o povo palestino.
Características do Muro
O muro de concreto gigantesco, comummente conhecido como o Muro de apartheid, ou Muro de Segregação Racial, que está sendo construido pelo governo sionista de Israel na Cisjordânia, não é uma idéia nova, más sim, é apenas uma materialização, do que foi decidido em 1973.

O Muro de 8 metros de altura, é duas vezes mais alto que o anterior muro de Berlim.
Fontes palestinas antecipam que pode alcançar entre 650 a 700 km de longitude, segundo declarações dos radicais do Likud, isso significa, quatro vezes mais longo do que era o comprimento do Muro de Berlim, e 45 metros de largura (em algumas zonas terá um Muro interno e outro externo). 145 Km já estão construidos.
Nem as críticas internacionais, nem as exigências da ONU tem conseguido parar o projeto do governo sionista.
"Não tenho outra alternativa, a separação é a única possibilidade de segurança", "devemos levantar barreiras que impedem a entrada de terroristas suicidas e outros agressores", com estas palavras, argumentou a construção do Muro, o assassino sionista Ehud Barak, quando anunciava no Camp David em julho de 2000, que o projeto será de separação física e económica.

Será equipado com alta tecnologia sofisticado de vigilância, fio farpado, fios elétricos, e rodeado por trincheiras; também haverão patrulhas constantemente.
Os palestinos de 12 cidade que ficarão divididos pelo Muro, terão que pedir licença para cruzá-lo.
O custo total da sua construção se calcula em mais de 1 bilhão de Euros.
O dia 9 de Novembro de 2003, é o dia no qual coincide a queda do Muro de Berlin, quando milhares comemoravam o 14º aniversário da queda do muro de Berlin, o governo sionista de Isreal, nesta data fechou a primeira fase da construção, e inciciou assim no dia 1º de Outubro a segunda.
O texto da declaração foi feita em público imediatamente.

A segunda fase da construção do Muro:

"Está nova fase terá que cobrir a construção de 270 Km: desde o assentamento de Elqana, ao sul de Qalquilya, até o acampamento militar de Ofer, perto da cidade de Ramalah (140 Km); desde o assentamento de Har Gilo, ao sul de jerusalèm, até o assentamento de Carmel, ao sul de Hebrón (115 Km); e 15 Km mais ao longo da fronteira noroeste de Jerusalém"[1].

145 kilómetros do Muro já estão construidos

Algo mais de 145 kilómetros do "Muro de segregação racial", aprovados previamente, pelo governo sionista, já estão práticamente completados.
Ao redor do asentamento de Ariel o muro se encontra a 22 kilómetros da "línha verde"[2], (desviando dentro das terras de Cisjordânia).
Em total 44 assentamentos estarão situados ao oeste do Muro, e 65.000 hectares, um 11.6% de Cisjordânia estará isolado, entre o "Muro" e a "línha verde".
As aldeias de Rummana, Taba e Yanin foram postos num cantão, separados da Cisjordãnia e do resto da palestina por dois muros separados.

Se estima que 100,000 árvores de azeitona e 50,000 de uma variedade ampla de frutas da região, já foram roubados ou destruidos pelo exército sionista, ao longo dos primeiros 112 km do Muro, de acordo com os dados do grupo Palestino de proteção do meio ambiente.

Um relatório da ONU em maio de 2003, refere-se que, o Muro atingirá imensamente Palestinos, em todos os sentidos.
O relatório informa que: "95,000 palestinos permanecerão viver entre o Muro e a Linha Verde (61,000 deles no distrito de Jerusalém) quando se completa."
O relatório confirma que o Muro deixará muitos Palestinos sem acesso a recursos de água[3].

O Muro, afetará seriamente o viver de milhares de Palestinos.
Separa fazendeiros de suas terras, divide as famílias, e muitos ficarão sem tarbalho ou longe dos negócios.
Os pastores foram forçados vender seus rebanhos devido a destruição do pastgem pelo exército sionista.
Algumas ONGs tem denunciado que a primeira fase de construção do Muro tem deixado a 20.000 pessoas sem meio de vida, patrimônio e tem arrasado miles de hectares de terrenos e de poços de agua em Cisjordania.
A organização de direitos humanos israelense, "Btselem", afirmou que o recorrido da "barreira de separação" aprovado pelo governo israelense atingirá diretamente os inteésses de 875.000 palestinos e outros 263.000 ficarão isolados, entre eles 115.000 pessoas encerradas entre o Muro e a "línha verde", que separa a Israel de Cisjordania.

A ONU lava as mãos para não ser cúmplice:
A construção do Muro de segregação racial na Cisjordânia pelo governo sionista de Israel foi objeto de uma massiva condena na Asambléia Geral das Nações Unidas no final do mes de outubro de 2003.
A petição da iniciativa foi dos países árabes, que após uma longa jornada de negociações foi aceita.
A medida foi aprovada por 144 votos a favor, 12 abstenções e 4 em contra, entre eles os Estados Unidos e o Estado sionista de israel.
Com uma amplia maioría, a Assembléia Geral da ONU tem aprovado a resolução que exige de Israel a paralização do Muro.
O embaixador israelense Dan Gillerman, na ONU qualificou a decisão de "farsa".
O observador permanente da Autoridad Nacional Palestina na ONU, Nasser Al-Kidwa, deu seu agradecimento aos países que apoiaram a resolução.
A pesar da resolução da ONU e da condena da comunidade internacional, o governo sionista em resposta, declarou que continuará na construção do Muro.
Nestá resolução se exige de Israel "que paralise e dé marcha atrás na construção do Muro na Cisjordânia e no oeste de Jerusalém.
Segundo declarações da ONU, a Assembléia se manifesta "particularmente preocupada" pelas consequências da edificação deste muro, que "prejudica futuras negociações e fáz físicamente impossível a solução de criar dois Estados", como contempla a 'Estrada do Mapa'.

O Muro é um projeto sionista de colonização:
Se trata de um projeto que tem recebido a condena da comunidade internacional, que o considera uma iniciativa motivada por razões claramente políticas e não só de seguridade.
O Governo sionista argumenta que é necessário construir o Muro para impedir a entrada de atacantes palestinos, que tem matado a centenas de israelenses nos últimos 3 anos.
Os palestinos e a comunidade internacional temem que se trate de uma política de fatos consumados por parte de Ariel Sharon para anexar zonas de Cisjordania.

Declarações da ala radical do Likud, informam que o projeto de separar a Cisjordânia das fronteiras de Jordânia é um projeto que foi estabelecido um pouco antes da Guerra de 1967.
Ao longo da istalação do Muro, este se desvia em várias localidades, de uma forma que respeita os assentamentos dos colonos sionistas, e em grande parte para anexar terrenos agrícolas férteis que pertenceram sempre aos palestinos.

A política racista e expansionista do governo sionista de Israel, vende hoje a idéia de querer através do Muro estabelecer, uma medida de seguridade, para evitar a infiltração dos grupos armados da Intifada, como HAMAS, Al Jihad Islâmica e FPLP, no território ocupado.

Na realidade, o projeto da construção do Muro de segregação racial, não é um passo novo na política de colonização sionista, já que em 1973, Sharon havia declarado na sua visita ao assentamento de Ariel, sobre seu projeto de construir um Muro entre israelenses e palestinos.
E as declarações dos radicais do Likud, confirmam isso.

No verão de 2002, se provocou uma controvérsia no governo de Sharon quando começou a construçaõ do lado leste do Muro, que atingia a "Linha Verde", perto da aldeia Salim, ao oeste de Jenin, onde foram anexadas as terra mais férteis, e os moradores palestinos -os donos- serão deslocados futuramente.
A ala radical do likud, declarou: "a razão de anexar éstas terras é atrair novos colonos judeus no futuro para os novos assentamentos com terras férteis".

A crise à onde vai?

Depois que Sharon tinha falado em Herzliya sobre o Muro e o crescimento demográfico palestino, Benjamin Netanyahu disse:
o problema do Sharon se coloca entre duas escolhas apertadas, entre o aliado estratégico, George W. Bush, e o "amigo" que é eficiente nas eleições israelenses, o líder radical Zaif Hafir, que recusa abandonar nem sequer um único alcance de mão da terra confiscada para alcançar progresso político de segurança.

Sharon sugeriu a idéia de ter eleições prévias dentro de dois meses na qual o eleito será quem daria as escolhas de qualquer acordo, ou a execução do plano de separação ou continuar na confrontação sangrenta com os "suicidas Palestinos".
Acredita-se que esta chance está disponível causar a mudança que ele procura antes das eleições presidenciais norte americanas em novembro de 2004.
Sharon tem se manifestado em várias oportunidades de não reconhecer a "Linha Verde" como uma condição de princípio que expressa sua recusa à Resolução 242 da ONU.
O Likud argumenta que a reivindicação desta Resolução é impossível, o governo sionista de Isreal recusou admitir à Linha Verde como base para negociação.
Sua desculpa é que Palestina não teve fronteiras que foram reconhecidas sob o Mandato Britânico, infelizmente Yasser Arafat em Oslo concordou.
Mas nos últimos três meses, Sharon declarou um número de vezes que ele estava pronto para ajustar o Muro à medidas próximas da "Linha Verde" se os Palestinos assinam o Acordo de Paz de certa maneira que garante implementação de suas condições.
Não só isso, a política de Sharon pode também pôr em perigo de dissolução o governo, porque os partidos religiosos extremos, definitivamente se retirarão da Coalizão de Rightist.
Para evitar encarar crises fatais, ou acontecer o mesmo quando Yitzhak Rabin em 1995 tentou destruir a maioria dos assentamentos e retornar à Linha Verde, foi enfrentado com um "movimento" de protestos violentos que eventualmente levaram a seu assassinato.
Os temores do Estado sionista de Israel do crescimento demográfico palestino e dos ataques da Intifada levarão ao aumento das correntes de oposição para compôr a Intifada.
E éste tipo de crises do sionismo e das negociações de Paz, só fortalecem HAMAS, Al-Jihad Islâmica e a FPLP, assim a Intifada vai fazendo de Abu Alaá outra cópia fracassada de Abu Mazen, e talvez de Sharon outra cópia morta de Y. Rabin. ===========================================================
[1]- Grupo Palestino de Proteção do Meio Ambiente (uma ONG).
[2]-22 de novembro de 1967, resolução 242 do conselho de Segurança da ONU: determina a devolução dos territórios ocupados pelo Estado sionista de Israel na Cisjordâni e Gaza, e determinar uma linha verde, que respeita o território para a criação do Estado palestino.
[3]- Grupo Palestino de Proteção do Meio Ambiente.
Fonte:
PALESTINA1

CRIME NA CISJORDÂNIA

O Muro da Vergonha
CRIME NA CISJORDÂNIA
Seiscentos e oitenta mil palestinos da Cisjordânia irão sofrer
directamente com o muro de separação que está a ser construído por Israel, cuja legalidade será estudada a partir de 23 de Fevereiro pelo Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) de Haia.
Cerca de 850 km2 do território da Cisjordânia, com excepção de Jerusalém Leste, cerca de 14,5% daquele total, estarão brevemente no interior deste muro e da linha de armistício de 1949, a chamada linha verde, segundo revela um relatório elaborado pela agência da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
Mais de 274 mil palestinianos que vivem em 122 povoações e cidades irão "viver em regiões fechadas - entre o Muro e a linha verde - ou em enclaves totalmente cercados pelo muro", segundo revela o documento.
Outros 400 mil que vivem a leste daquela linha serão obrigados a atravessá-la em "check-points" para chegar às suas quintas ou locais de trabalho.
"Isto significa que o muro afectará directamente mais de 680 mil palestinianos, o que representa 30% da população da Cisjordânia", revela o relatório da ONU.
Apenas 11% do traçado do muro, que se estende por 700 quilómetros, coincide com a "linha verde", que separa a Cisjordânia de Israel.
Pelo seu traçado sinuoso, que avança em profundidade na Cisjordânia, a linha de separação, uma vez terminada, será muito mais longa do que a linha verde, segundo a mesma fonte, adiantando ainda que "os danos causados pela destruição de terras e de bens para a construção do muro são irreversíveis e os palestinianos correm o risco de não se conseguirem impor economicamente ainda que a situação política melhore no terreno".
Os 180 km de muro já construídos isolaram já povoações inteiras da Cisjordânia dos mercados, dos serviços hospitalares e das escolas.
Para terminar este troço, mais de 1100 hectares de terras particulares palestinianas foram confiscadas e 102 mil árvores arrancadas.
Estas terras, onde trabalha um quarto da população total, são das mais férteis da Cisjordânia e geram em média 900 mil dólares por ano e por km2, isto é, o dobro do que geram os campos noutros locais da Cisjordãnia ou da Faixa de Gaza.

O MURO DA SEPARAÇÃO

foto: cerca em Belém
Israel faz obras para separar israelenses de palestinos


Guila Flintde Belém


Os projetos para separar israelenses de palestinos se intensificaram
Existe uma palavra em hebraico que todos os palestinos sabem dizer: "mahsom", que significa barreira ou ponto de checagem.
Durante os últimos anos, Israel vem desenvolvendo projetos de grandes dimensões que visam criar uma separação fisica entre palestinos e israelenses nos territórios ocupados.
Na Cisjordânia, vivem 250 mil colonos israelenses e mais de 2 milhões de palestinos.
Os assentamentos pontilham toda a Cisjôrdania criando um mapa complexo no qual assentamentos israelenses e cidades, vilarejos e aldeias palestinos se entremeiam.
Em imagens : Belém sob controle dos palestinos

Projetos
Os
projetos de separação têm o objetivo de evitar o encontro entre as duas populações e incluem a construção de cercas e muros, a escavação de fossas, a instalação de bloqueios nas estradas com blocos de concreto e montes de areia e a presença de pontos de checagem militares em locais considerados estratégicos.
Segundo as autoridades israelenses, a meta é garantir a segurança de israelenses, depois que dezenas deles foram mortos por atiradores palestinos tanto nas estradas da Cisjordânia quanto nos assentamentos.
Para os palestinos, a presença desses obstáculos físicos transforma suas cidades e aldeias em prisões e dificulta todos os aspectos da vida da população.
Também está em andamento a construção de estradas periféricas, para contornar as regiões habitadas por palestinos.
Desde o início da Intifada, em setembro de 2000, o tráfego de veículos palestinos nessas estradas foi proibido e elas servem exclusivamente para a movimentação de colonos israelenses.
'Zona de separação'
A cidade de Belém, assim como todas as outras cidades palestinas, está ficando cada vez mais cercada por todos os tipos de obstáculos físicos que impedem a passagem dos habitantes, não só em direção às cidades israelenses como também em direção a outras cidades palestinas e à zona rural.
Ao norte do vilarejo de Beit Sahour, na periferia da cidade de Belém, as autoridades israelenses estão concluindo a construção de um trecho da chamada “zona de separação”.
Segundo porta-vozes israelenses, o objetivo do projeto é impedir que atacantes palestinos saiam de Beit Sahour em direção a Jerusalém.
Rodeando a parte norte do vilarejo se vê um complexo de cercas de arame farpado, cercas eletrônicas e valas.
Entre as cercas está sendo construída uma nova estrada que levará colonos israelenses que moram em assentamentos ao sudeste de Belém para Jerusalém.
Para construir esta estrada foram confiscadas terras agrícolas pertencentes a 5 aldeias palestinas e também parte da área urbana de Beit Sahour.

'Pretexto'
Segundo Jamal Salman, diretor-geral da prefeitura de Belém, o objetivo da cerca ao redor de Beit Sahour não é garantir a seguranca de civis israelenses.
A seguranca é só o pretexto”, disse Salman à BBC Brasil, “mas o objetivo verdadeiro é confiscar mais terras dos palestinos e criar fatos consumados nessa área, pois a cerca não passa na linha verde (fronteira original entre Israel e a Cisjordânia, antes da ocupação israelense na guerra de 1967), mas sim avança nas áreas palestinas”.
Durante o mês de março, os moradores da parte norte de Belém foram informados pelas autoridades israelenses que um muro deverá ser construído, separando o bairro onde eles moram do resto da cidade.
Esse bairro fica junto à
Tumba de Raquel, local de peregrinacao para judeus ortodoxos que acreditam que lá foi enterrada a matriarca.
Desde a ocupação da Cisjordânia, em 1967, a Tumba de Raquel foi gradualmente transformada em uma base militar israelense, e hoje esta cercada por muros e torres de controle, com soldados em guarda 24 horas por dia.
O novo muro, que deverá ter 8 metros de altura, deverá servir para separar os palestinos dos israelenses que vão rezar na Tumba de Raquel.
Amjad Awwad, de 35 anos, é dono de um supermercado nesse bairro.
“Essa sempre foi a área mais próspera de Belém”,
disse Awwad, “mas nos últimos anos, por causa da base militar instalada na Tumba de Raquel, esta região virou uma área morta. Das 80 lojas que havia aqui, 73 já foram fechadas”.

'Gueto'
Cerca de 450 palestinos moram ou trabalham nesta parte de Belém.
Eles temem que a construção do novo muro torne sua vida insuportável.
“Se esse novo muro for construído, Belém será dividida em duas partes e os moradores do bairro vão passar a viver em um gueto”, disse Jamal Salman, da prefeitura, “de um lado haverá o muro com 8 metros de altura e, do outro, a cerca que impede a nossa passagem para Jerusalém”.
O próprio Salman tem uma loja nesse bairro e disse que, se o muro for construído, ele terá que pedir permissão às autoridades israelenses a cada vez que quiser ir de sua casa, que fica no sul de Belém, a sua loja.
A Prefeitura de Belém entrou com um apelo contra a construção do novo muro na Suprema Corte de Justica de Israel.
A Corte pediu esclarecimentos ao Ministério da Defesa.
Os palestinos em Belém esperam que a Corte aceite o apelo e proíba a construção do novo muro.

MARCHA A FAVOR DOS PALESTINOS

Em Porto Alegre, centenas marcham a favor de palestinos

CAIO JUNQUEIRA

Enviado da Folha Online a Porto Alegre

Centenas de pessoas participaram na tarde desta sexta-feira de da "Marcha contra a ocupação da Palestina", no 5º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

De acordo com os organizadores, 10 mil pessoas estiveram presentes.

No final do ato, eles derrubaram um muro de cerca de 2 metros de comprimento por sete de largura.

O muro construído no local é uma alusão ao que israelenses começaram a construir em junho de 2002 entre Israel e a Cisjordânia, alegando impedir ataques palestinos.

Com gritos contra o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e contra o presidente dos Estados Unidos, George Bush, os manifestantes percorreram boa parte da orla do rio Guaíba, onde o fórum é realizado.

Natural de Ramallah, na Cisjordânia, Hasan Barghotti é um dos 55 palestinos que veio a Porto Alegre participar dos debates do fórum.

Ele disse que, depois que o muro foi construído por Israel, as perspectivas de paz entre os dois povos diminuíram.

"As agressões ao povo palestino continuam aumentando. Os israelenses destroem nossas casas e as árvores históricas do nosso povo. Com a construção do muro, a paz ficou mais difícil", disse durante a caminhada.

Os embaixadores da Síria e da Palestina participaram do ato junto com centenas de descendentes de palestinos e militantes do PSTU e do PC do B.

O deputado federal Jamil Murad (PC do B-SP) também compareceu.

Ele disse que, devido ao avanço das tecnologias, foi permitido aos brasileiros terem mais informações sobre o que acontece no Oriente Médio.

De acordo com ele, isso fez com que os a maioria dos brasileiros apóie a causa palestina.

"Com o advento da tecnologia moderna, tem sido colocado na mídia opiniões diferentes que facilitam a compreensão, pelos brasileiros, do conflito. Querem condenar os palestinos como terroristas, mas Israel seleciona os civis que mata. Os fatos falam mais que os debates."

Muro

A construção do "muro de proteção" foi requisitada pela direita e esquerda israelenses, após a onda de atentados suicidas que atingiu Israel desde o início da Segunda Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense) no final de setembro de 2000.

Com extensão prevista de 350 km, o "muro de proteção" deve cobrir do norte ao sul a "linha verde" ----limite imposto por Israel após a Guerra dos Seis Dias entre israelenses e árabes, em 1967-- e englobar também o setor oriental de Jerusalém, onde os palestinos pretendem construir um dia a capital do seu Estado.

O complexo defensivo deve ser alto em alguns pontos e ainda terá dispositivos eletrônicos capazes de detectar infiltrações, fossas antitanques e pontos de observação e patrulha.

28/01/2005 - 22h31

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u80425.shtml

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A vida dos Palestinos do Iraque pós-Saddam

Refugiados palestinos são marginalizados pelos iraquianos
13h38 - 29/11/2003

-->Bagdá, 29 nov (EFE).- Milhares de palestinos foram forçados a deixar o Iraque e outras centenas se encontram em campos de refugiados em condições desumanas na capital, marginalizados pelo restante da população.
O campo de futebol do Clube Haifa, no bairro de Baladiyat, na capital iraquiana, onde vivem desde a queda do regime de Saddam Hussein cerca de 460 palestinos em tendas de lona, inundou com as primeiras chuvas de inverno.
Baladiyat é um bairro situado nos arredores de Bagdá no qual vive o maior agrupamento de palestinos no Iraque -cerca de 30.000 pessoas- e onde agora foi estabelecido um campo de tendas para os palestinos que foram expulsos de suas casas nestes últimos meses.
A maioria deles nasceram no Iraque, e são descendentes dos 5.000 que chegaram neste país em 1948, depois da criação do Estado de Israel, principalmente procedentes de três aldeias próximas à cidade costeira de Haifa: Abu Ghazal, Ichsin e Yaba."Voltamos a 1948, só que naquele ano não tínhamos nem barracas de campanha", aponta Huda Abdel Rahman, que diz ter 58 anos de idade apesar de aparentar muito mais.
Enquanto fala, um homem sai de uma das tendas e começa a urinar a poucos metros diante de todos, no meio do acampamento, agora convertido num lamaçal.
Akram Muhamad a-Risk, um dos palestinos habitantes do acampamento, vivia antes no centro da capital, até que, quatro dias depois da tomada de Bagdá pelas tropas americanas, o proprietário do edifício onde tinha residido durante 37 anos, o expulsou com uma pistola, junto a outras 13 famílias palestinas.
A-Risk, de 45 anos e com seis filhos, afirma que o proprietário era um xiita, supostamente membro de um grupo ressentido com o favorecimento de Saddam Hussein aos palestinos e a sua causa.
Em particular, muitos iraquianos consideravam injusto que Saddam Hussein enviasse dinheiro aos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia durante os anos do bloqueio econômico no Iraque.
A-Risk, que ganhava a vida com enceradeiras, se sente agradecido pelo que o ex-presidente iraquiano fez.
"Saddam nos protegia, era o único líder árabe que apoiou nossa causa. Sob seu regime, nós palestinos gozávamos quase dos mesmos direitos que os cidadãos iraquianos", aponta.
Os palestinos não podiam ter propriedades no Iraque, mas o Estado em muitos casos lhes dava residências ou pagava seu aluguel.
"Agora todos queremos sair daqui. Temos medo, não há segurança na rua, não se sabe o que vai acontecer no país amanhã", diz A-Risk, que ainda sonha em voltar à Palestina.
Outras centenas de palestinos foram expulsos de suas casas depois da queda do regime de Saddam, no último dia 9 de abril.
A maioria não têm nenhuma fonte de renda e vive das rações de comida que recebiam até há pouco das Nações Unidas.
"Agora não podemos trabalhar com os iraquianos, eles nos rejeitam por sermos palestinos, sua opinião sobre nós mudou", diz Faisal Fais Jalid, de 48 anos e antigo empregado de um ministério, onde hoje nem sequer querem reconhecer que ele trabalhou ali durante 16 anos.
Sua mulher morreu pouco antes do início da guerra e agora ele tem que cuidar de seus quatro filhos, que "jogam na cara minha incapacidade de melhorar nossas condições de vida", afirma um desesperado Jalid, que usa sandálias de plástico e tem os pés cheios de barro, apesar do frio.
A seu lado, uma mulher de 60 anos clama: "Isto tem solução? A maioria das crianças está doente. Ninguém vem ajudar, se esqueceram de nós", e pede colaboração médica, em particular psiquiatras.
Segundo o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), milhares se viram forçados a deixar o país.
Kris Janowski, porta-voz da Acnur, expressou ontem em Genebra sua preocupação pela situação de cerca de 427 palestinos procedentes do Iraque que se encontram confinados em campos de refugiados na fronteira entre a Jordânia e Iraque desde o mês de abril.
A maioria tem documentos de residência iraquiana, e nenhum deles deseja voltar ao Iraque, país que a Acnur não considera apto para seu retorno, e sim à Cisjordânia, à Faixa de Gaza e Israel, o que, segundo esse organismo, deve ser estudado.