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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

OS EUA NA HORA DA VERDADE.

Estamos vivendo uma nova época de hitler, sem hitler, mas com alguem que iguala: Bush.
Em uma analise fria, os militares norte-americanos, embora saibam que as armas estratégicas dos EUA não podem ser completamente destruidas pelos russos, sentem que estão em inferioridade, em face a aliança estratégica Russia/China.
Sabem também que a continuidade desta politica agressiva e expansionista, que visa submeter os povos do mundo pela força, pode isolar completamente os Estados Unidos, inclusive com o afastamento de seus titeres e lacaios europeus, a exemplo dos franceses e ingleses no periodo que antecedeu a segunda guerra mundial.
Atualmente a posição russa, é confortavél e a dos EUA em relação ao mundo desfavoravel, seguem os EUA os passos da alemanha nazista, quando pela mesma politica belicista, o mundo voltou-se contra ela.
Os EUA, são atualmente como ladrões de hotel, que vão forçando todas as portas, até que uma lhe seja favoravel e facil de entrar.
Sabem os EUA, que o caminho da força não tem volta, e no seu caso leva a catastrófe, que a exemplo do Iraque, embora tenha achado a porta aberta, encontrou o quarto com o seu dono, que reagiu.
Diferente da era hitler, seu clone ( Bush ) , não encontrou as nações despreparadas e isto esta saindo muito caro aos sonhos megalomaniacos do ditador yankee e hoje existe uma possibilidade de 70 % de uma guerra de grandes proporções, envolvendo os EUA, Russia, China e demais agregados.
UM FIM TRAGICO ?
Mesmo sendo uma importante potencia nuclear, os EUA estão tolhidos pela fraqueza interna,com as mesmas chances de um rato encurralado: se avança o gato pega, se recua as consequencias podem ser igualmente tragicas.
posted by Giovanik

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Conferência pela PAZ no Oriente Médio


DIPLOMACIA
[26/09/2007 - 13:55]
Abbas convida Lula para conferência da paz
O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, convidou o presidente do Brasil para participar da conferência pela paz no Oriente Médio, que deve ocorrer em novembro nos Estados Unidos. Abbas também agradeceu ao Brasil por ter recebido refugiados palestinos.
Eles se encontraram ontem após abertura da assembléia da ONU em Nova York.
Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, agradeceu ontem (25), em Nova York, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o fato de o Brasil ter recebido refugiados palestinos em seu território.
Na última sexta-feira (21) desembarcou no país um grupo de 35 palestinos que morava no deserto da Jordânia e vai viver nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
O encontro de Lula e do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, com Abbas fez parte da agenda paralela à 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas.
Segundo a assessoria do Itamaraty, Abbas afirmou que o gesto do Brasil, ao acolher os refugiados, traduz o empenho do país pela paz.
De acordo com a assessoria, Abbas demonstrou, no encontro, otimismo em relação ao avanço do processo de paz no seu país.
O presidente da Palestina convidou Lula para participar da conferência pela paz no Oriente Médio, que deve ocorrer no mês de novembro em Washington.
A conferência, que foi tema de um encontro na segunda-feira entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e Mahmoud Abbas, é uma iniciativa do governo norte-americano.
Os Estados Unidos, junto com União Européia, ONU e Rússia, integram o quarteto mediador da paz para o Oriente Médio.
Bush disse que os Estados Unidos vão trabalhar duro para que possa haver a criação de um estado palestino democrático que viva em paz com o seu vizinho Israel.
Segundo o Itamaraty, Abbas afirmou, no encontro com Lula, que seria importante a participação do Brasil na conferência como líder regional.
O presidente Lula, de acordo com a assessoria, já respondeu e disse ao líder palestino que vai participar sim do encontro.
Abbas também convidou o presidente do Brasil para visitar o seu país, a Palestina.
Lula nunca esteve na Palestina como presidente, mas Abbas já o visitou no Brasil.
Abbas participou da Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos que ocorreu em maio de 2005 em Brasília por iniciativa do presidente Lula.
Na época, em um encontro entre os dois chefes de estado, Lula já colocou o Brasil a disposição para colaborar com o país árabe no processo de paz na região.
Os dois líderes vem construindo uma relação estreita ao longo das suas administrações.
Abbas enviou cumprimentos a Lula quando ele foi reeleito e também o elogiou pela iniciativa de promover a Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos.
Em julho deste ano, Mahmoud Abbas enviou para Brasília um representante do seu governo, Musa Amer Odeh, para pedir ajuda e conselho do presidente Lula para o estabelecimento da paz no seu país.
O Brasil também enviou observadores para as eleições que ocorreram na Palestina em janeiro de 2005, quando foi eleito o presidente Mahmoud Abbas, e em janeiro do ano passado, na eleição de parlamentares locais.
A Palestina é membro da Liga dos Estados Árabe e a sede do seu governo fica em Ramallah.
O país enfrenta dificuldade de levar a economia adiante, em função dos conflitos locais, mas tem como principais atividades produtivas a agricultura, a indústria alimentícia, de calçados, a exploração de minérios e o setor mobiliário.
No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da Palestina, soma de todas as riquezas, alcançou US$ 4,7 bilhões.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

MATANÇA DE CIVIS NO IRAQUE


Fragmentos da morte
Por Katherine Stapp*

Uma campanha global procura deter o uso de bombas de fragmentação.
As 57 nações que as armazenam são contrárias a uma moratória.

Nova York – Cresce a pressão internacional contra o uso das chamadas bombas de fragmentação, ou de dispersão, que espalham centenas de estilhaços letais e são responsáveis pela morte de milhares de civis.
Mas os governos que as armazenam se fazem de surdos.
“A guerra no Iraque agravou a necessidade de atuar contra essas armas, já que mais de mil iraquianos foram feridos ou mortos por estilhaços durante o bombardeio de seu país”, disse ao Terramérica Virgil Wiebe, assessor legal do Comitê Central Menonita, um dos grupos mais ativos a favor da moratória.
“É cada vez mais claro que alguns tipos de bombas de dispersão simplesmente deveriam ser proibidos. É muito comum não explodirem e criarem pequenos campos minados que farão muitas vítimas”, acrescentou.
Em novembro, a Coalizão das Munições de Dispersão, formada por 85 organizações não-governamentais de 42 países, se reuniu na cidade holandesa de Haia para pedir uma moratória da produção, do comércio e uso dessas armas, “até que seus problemas humanitários estejam resolvidos”.
Entre os integrantes dessa coalizão estão a Anistia Internacional, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Human Rights Watch.
Esta reunião coincidiu, deliberadamente, com outra, em Genebra, da “Convenção sobre proibições ou restrições do emprego de certas armas convencionais que possam ser consideradas excessivamente nocivas ou de efeitos indiscriminados”, de 1980. Um novo quinto protocolo dessa Convenção foi aprovado, em Genebra, sobre alguns efeitos imediatos das bombas de dispersão, mas, não se refere ao seu uso em geral nem aos alvos aos quais possam ser dirigidas.
Até agora, somente a Suécia ratificou esse protocolo e nenhum país apóia a moratória.
Pelo menos 57 nações armazenam bombas desse tipo, especialmente Estados Unidos, Rússia e China.
Entre as bombas de dispersão mais perigosas estão a Munição de Efeitos Combinados BLU-97, muito usada no Iraque e Afeganistão pela Força Aérea norte-americana, e a Munição Convencional Melhorada de Duplo Propósito (DPICM, sigla em inglês), utilizada pelo exército dos EUA no Iraque, explicou Wiebe, do Comitê Central Menonita.
Os efeitos dessas bombas foram detalhados em um relatório da Human Rights Watch, divulgado em dezembro de 2003.
Segundo o documento, foram causadas mais vítimas civis do que qualquer outro fator durante a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, em março e abril desse ano. Washington “não deu uma resposta oficial ao nosso relatório”, disse o pesquisador Mark Hiznay, da divisão de armas dessa ONG.
“Pressionamos o congresso para que enfrente a questão ao examinar a proposta presidencial de orçamento para 2005 e negue financiamento para a produção de bombas de dispersão”, acrescentou.
Um dos principais perigos dessas bombas é que os estilhaços que se espalham sem estourar podem ser recolhidos por civis que, freqüentemente, são crianças.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, as crianças feridas no Iraque por explosões tardias foram mais de mil desde o fim da invasão.
A ONG britânica Contagem de Cadáveres no Iraque (IBC, sigla em inglês) documentou pelo menos 200 mortes de civis nesse país causadas por bombas de dispersão, embora o chefe do Estado Maior Conjunto norte-americano, general Richard Myers, tenha garantido em abril que havia “apenas um caso registrado como conseqüência devido a bombas de dispersão”.
No dia 31 de março de 2003, um ataque norte-americano com essas bombas contra a cidade de Al Hilla, no centro do Iraque, deixou saldo de, pelo menos, 33 civis mortos e outros 109 feridos.
“É uma vergonha terrível que apenas uns poucos parlamentares britânicos defendam, de vez em quando, a proibição das bombas de dispersão”, disse ao Terramérica o porta-voz do IBC, John Sloboda, que destacou a necessidade dos meios de comunicação darem maior atenção ao problema.
Equipes militares e do Departamento de Estado dos Estados Unidos retiram estilhaços não detonadas de algumas zonas do Iraque e garantem que procuram alertar a população sobre elas com cartazes e palestras em escolas, além de conselhos locais.
Washington e Londres alegam que essas bombas são armas de guerra legítimas, e nos últimos anos foi desenvolvida uma nova geração que, segundo dizem, é muito mais certeira, com efeitos tardios inferiores a 1% dos casos.
Douglas Karas, porta-voz do Pentágono (Ministério da Defesa dos EUA) garantiu ao Terramérica que a Força Aérea de seu país usou no Iraque bombas de dispersão “muito certeiras”, projetadas para “funcionar contra alvos previstos” e não espalhar munições caso não os atingissem.
Outras perguntas sobre vítimas civis e a proposta de moratória não foram respondidas por Karas nem por outros funcionários do Pentágono consultados.

* A autora é colaboradora do Terramérica.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O IRAQUE "NÃO ESTAVA NA LISTA"


15 de fevereiro, 2002 - Publicado às 11h10 GMT

´EUA podem agir sozinhos contra Saddam Hussein`


O Secretário de Estado americano, Colin Powell, disse na quinta-feira que o governo americano está trabalhando ativamente para garantir a remoção do líder iraquiano, Saddam Hussein.
Powell disse a um fórum de jovens, organizado pela rede de televisão MTV, que o regime iraquiano tem que mudar ou ser mudado.
Ele acrescentou que o presidente George W. Bush está trabalhando para conseguir isto de forma pacífica, mas não descarta outras opções.
E disse que os Estados Unidos podem agir sozinhos, se necessário.
Num discurso feito no mês passado, Bush se referiu ao Iraque, à Coréia do Norte e ao Irã como partes de um "eixo do mal" - uma acusação que provocou uma reação hostil dos três países citados.
Regimes despóticos

"Compreendemos claramente a natureza despótica do regime iraquiano e acreditamos que ele tem que mudar ou precisa ser mudado".
(Colin Powell, Secretário de Estado dos Estados Unidos)
Segundo Powell, "o presidente (Bush) está trabalhando diplomaticamente e politicamente com este fim, mas também está mantendo todas as opções em aberto".
Ele garantiu que os países aliados vão ser consultados antes da tomada de qualquer ação contra o Iraque, mas ressaltou que os Estados Unidos se reservam o direito de agir sozinhos:
"Esperamos poder trabalhar com todos os nossos amigos da comunidade internacional, mas o presidente não descarta a opção de ter que agir sozinho, se for necessário", alertou o Secretário.
O discurso inflamado dos Estados Unidos contra o Iraque nos últimos dias criou preocupação de alguns dos seus aliados no Golfo Pérsico, no Oriente Médio e na Europa.
Ataque justificado
Mais tarde, ainda na quinta-feira, Powell se encontrou com o ministro canadense das Relações Exteriores, Bill Graham, que se mostrou cauteloso:
"Ninguém apóia Saddam Hussein, mas, em política internacional, antes de invadir um país soberano é preciso ter uma razão, ou vamos chegar ao caos internacional".
Segundo Graham, o Canadá não acredita que haja "um perigo claro e iminente" vindo do Iraque.
"Não se deve exagerar a situação no momento", concluiu o ministro canadense.
O presidente russo, Vladimir Putin, também reagiu, afirmando que não há motivos para estender a guerra contra o terrorismo ao Iraque.
"Sabemos quem são os representantes e cidadãos de nações que estão lutando junto com o Talebã e de onde vem o financiamento dessas operações.
O Iraque não está nesta lista", afirmou Putin.

domingo, 1 de julho de 2007



O Escudo na Europa é uma declaração de guerra

Noam Chomsky-



O chamado Escudo Antimísseis aumenta o risco de uma guerra. A estratégia consiste em aumentar as ameaças de agressão no Oriente Médio, com conseqüências incalculáveis e o perigo de uma guerra nuclear definitiva (...) Aceitar o chamado Escudo Antimísseis significa a escolha pelo fim da espécie humana em um futuro não muito longínquo.


Quando Mikhail Gorbachov permitiu que a Alemanha tomasse parte de uma aliança militar hostil, aceitou uma grave ameaça à segurança da Rússia, por razões demasiado conhecidas para que voltem a elas agora. Em contrapartida, o governo dos Estados Unidos se comprometeu a não ampliar a OTAN para o leste. Este compromisso foi violado alguns anos mais tarde, o que levantou poucos comentários no Ocidente, mas ampliou o risco de um confronto militar.
Pode-se imaginar como os Estados Unidos iriam reagir se a Rússia, a China, o Irã ou qualquer outra potência estrangeira ousasse apenas pensar em colocar um sistema de defesa antimísseis em qualquer região próxima às fronteiras norte-americanas. Isso sem de fato iniciar a levar este plano a cabo. Em tais circunstâncias, praticamente inimagináveis, não apenas haveria, com certeza, uma reação violenta dos Estados Unidos, como esta reação seria também compreensível por razões simples e claras.
É reconhecido por todos que a defesa com mísseis é uma arma de "primeiro golpe".
Reconhecidos analistas militares norte-americanos a descrevem assim: "Não é apenas um escudo, mas uma capacitação para a ação". Esta arma facilitará a aplicação mais eficiente da potência militar dos Estados Unidos no exterior. "Isolando o país da possibilidade de represálias, o escudo antimísseis garantirá a capacidade e a disposição dos Estados Unidos para modelar o contexto em outras partes do mundo" ."A defesa com mísseis serve para proteger a capacidade dos Estados Unidos em exercer o poder no exterior. Não tem a ver com defesa, é uma arma ofensiva, por isso temos necessidade dela".
Todas estas explicações vêm de reconhecidas fontes liberais, membros da tendência dominante do poder, que deseja desenvolver esta arma e posicioná-la nos limites externos da área de influência norte-americana no mundo. A lógica é simples e fácil de compreender, um sistema de escudo antimísseis em pleno funcionamento envia uma mensagem aos objetivos em potencial: "Podemos atacar quando quisermos e vocês não poderão contra-atacar, portanto não podem nos impedir".
Estão vendendo o sistema aos europeus como uma defesa contra os mísseis iranianos. Ainda que os iranianos tenham armas nucleares e mísseis de longo alcance, a probabilidade que os usem para atacar a Europa é inferior à probabilidade de que a Europa receber o impacto de um asteróide. Portanto, se trata-se realmente de um mecanismo de defesa, a República Tcheca deveria instalar um sistema para a defesa contra asteróides.
Se o Irã der o mais insignificante sinal de querer fazer algo semelhante, o país se evaporaria. O sistema aponta, de fato, para o Irã, porém, como arma de primeiro golpe. Ele faz parte das crescentes ameaças contra o Irã, que constituem por si mesmas uma grave violação da Carta das Nações Unidas, ainda que isto nunca venha à luz. Quando Mikhail Gorbachov permitiu que a Alemanha tomasse parte de uma aliança militar hostil, aceitou uma grave ameaça à segurança da Rússia, por razões demasiado conhecidas para que voltem a elas agora. Em contrapartida, o governo dos Estados Unidos se comprometeu a não ampliar a OTAN para o leste. Este compromisso foi violado alguns anos mais tarde, o que levantou poucos comentários no Ocidente, mas ampliou o risco de um confronto militar.
O chamado Escudo Antimísseis aumenta o risco de uma guerra. A estratégia consiste em aumentar as ameaças de agressão no Oriente Médio, com conseqüências incalculáveis e o perigo de uma guerra nuclear definitiva.
Há mais de meio século Bertrand Russell e Albert Einstein lançaram um alerta aos povos do mundo a fim de que enfrentem o fato de estamos diante de uma escolha clara, terrível e inevitável: "Teremos de dar um fim à espécie humana? Ou a humanidade está disposta a renunciar à guerra?".


Aceitar o chamado Escudo Antimísseis significa a escolha pelo fim da espécie humana em um futuro não muito longínquo.


[Artigo tirado do 'Diário Vermelho' do Brasil, 5 de xuño de 2007]


As opinións vertidas nos artigos de opinión, enviados polos nosos colaboradores ou tiradas doutros meios, non teñen porque ser necesariamente compartidas pola CIG.


GUERRA CONTRA IRAQUE ENVIOU MENSAGEM DOS EUA AO MUNDO

(foto: Bombas em Bagdá)


Guerra contra Iraque enviou mensagem dos EUA ao mundo

Marco Aurélio Weissheimer-





Invasão do Iraque foi um acerto de contas que não ocorreu no final da Guerra Fria.


Com ela, os EUA enviaram uma mensagem às grandes potências, diz o professor José Luís Fiori.


O segredo para entender esse caráter estranho do conflito, segundo Fiori, talvez esteja em ver o ataque dos EUA como uma guerra de sinalização.


“E o sinal principal não foi para os iraquianos ou para os movimentos terroristas internacionais, mas sim para outros atores políticos que não estão necessariamente no Oriente Médio.


Em suas duas conferências na capital gaúcha, ele analisou o sentido desses sinais enviados para o antigo clube das super-potências, árabes e também ao resto do mundo.


O que há de comum entre eles é uma mensagem clara: os EUA estão assumindo a condição de Império mundial e não admitirão o surgimento de potências regionais ou globais que possam representar uma ameaça a essa supremacia.
O ataque dos Estados Unidos ao Iraque foi uma guerra de natureza muito estranha que, ao mesmo tempo, representou um acerto de contas que não ocorreu no final da Guerra Fria e serviu para Washington enviar uma série de sinais ao mundo.


O que houve foi uma guerra de sinalização com profundos desdobramentos políticos que mexem em praticamente todos os tabuleiros geopolíticos no mundo.


A análise é do professor de Economia Política Internacional, José Luís Fiori, que fez duas palestras em Porto Alegre (nos dias 23 e 26 de maio) sobre os desdobramentos da guerra no Iraque para a ordem mundial.


Segundo Fiori, o que os EUA estão fazendo agora é um esforço de reconstrução de um território perdido nos anos 60 e 70.


Ao proferir a aula inaugural do curso de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fiori destacou a natureza estranha dessa guerra em torno da qual está ocorrendo um processo de reorganização da conjuntura internacional.


“Assistimos a uma espécie de guerra de um lado só, que levou cerca de um ano sendo organizada e durou apenas dezoito dias”.


Outro traço bizarro do conflito, acrescentou, foi não ter apresentado resultados explícitos do ponto de vista dos seus objetivos declarados.


Até agora não foram encontradas as famosas armas de destruição em massa e o destino de Saddam Hussein permanece incógnito.


Além disso foi uma guerra localizada, que envolveu diretamente apenas três países, mas que teve uma grande repercussão na opinião pública mundial.
O segredo para entender esse caráter estranho do conflito, segundo Fiori, talvez esteja em ver o ataque dos EUA como uma guerra de sinalização.


“E o sinal principal não foi para os iraquianos ou para os movimentos terroristas internacionais, mas sim para outros atores políticos que não estão necessariamente no Oriente Médio.


Em suas duas conferências na capital gaúcha, ele analisou o sentido desses sinais enviados para o antigo clube das super-potências, árabes e também ao resto do mundo. O que há de comum entre eles é uma mensagem clara: os EUA estão assumindo a condição de Império mundial e não admitirão o surgimento de potências regionais ou globais que possam representar uma ameaça a essa supremacia.


O argumento central da mensagem identifica seus principais destinatários. Os EUA atacaram o Iraque com o pretexto de neutralizar armas de destruição de massa que “colocariam em perigo a paz e a ordem mundial”.


Ora, assinalou Fiori, quem detém os principais estoques de armas de destruição em massa do planeta?


“São os pares dos EUA, não a patuléia”, respondeu.


Ou seja, Bush atirou em Saddam, mas seus alvos não estavam exatamente em Bagdá.



Guerra e capitalismo



Apesar das excentricidades envolvidas no conflito, Fiori ressaltou que a guerra não é, em si, uma coisa extraordinária na história e, muito menos, no desenvolvimento do sistema capitalista mundial.


Para sustentar essa afirmação, citou um levantamento realizado pelo historiador Paul Kennedy sobre o número de conflitos militares que assolaram o mundo desde o surgimento do Estado moderno.


No período entre 1480 e 1800, houve uma guerra a cada 2 ou 3 anos (período de origem do sistema capitalista moderno, no qual deu-se a formação dos Estados Nacionais).


De 1800 a 1940, houve uma guerra a cada um ou dois anos.


Depois de 1945, Kennedy registra que a cada 14 meses havia uma nova guerra.
O estudo também identifica a relação entre esses conflitos e o número de vítimas.


No século XVIII, houve 68 guerras e 4 milhões de mortos;


no século XIX, 205 guerras e 8 milhões de mortos;


já no século XX, foram 275 guerras e 115 milhões de mortos.


Ou seja, observou Fiori, a guerra tem sido a principal atividade dos Estados Nacionais nos 500 anos de história da idade moderna.


Mais do que isso: é um mecanismo central do sistema em todos os aspectos. O que esses números mostram, segundo ele, são as relações estreitas e profícuas entre a guerra e jogo das trocas no sistema capitalista.


“Tiremos a venda dos olhos. A guerra é uma atividade quase tão essencial quando as atividades propriamente econômicas do sistema capitalista mundial. Esse, talvez, seja o mistério mais profundo desse sistema e de todas as guerras”.



Acerto de contas da Guerra Fria



Fiori ressaltou que nem todas as guerras têm a mesma função e importância. Lembrou que, atualmente, está em curso uma guerra cruel no Congo, que já tem dois milhões de mortos e quase nenhuma repercussão na opinião pública mundial.

É uma guerra na periferia do sistema que, aparentemente, não mexe com os principais interesses geopolíticos das grandes potências do planeta.


O conflito no Iraque é de natureza totalmente diferente.


Fiori sugeriu que o ataque dos EUA representou um acerto de contas de uma guerra excêntrica, que durou 50 anos, que não chegou a acontecer de fato e que não acabou com um tratado entre as partes envolvidas.
A Guerra Fria, explicitou, chegou ao fim sem um tratado que estabelecesse uma reordenação do sistema global, o que foi algo inédito na história.


Fiori lembrou como terminaram alguns dos principais conflitos militares na história recente da humanidade.


O Tratado de Viena eliminou, durante cerca de um século, a guerra na Europa.


Após a Primeira Guerra Mundial, as negociações de Versalhes também definiram novas relações entre os Estados envolvidos no conflito, o mesmo ocorreu ao final da Segunda Guerra Mundial. Para Fiori, a segunda guerra do Iraque é parte de uma espécie de acordo de paz que não houve no final da Guerra Fria entre EUA e União Soviética.


“É um momento de apropriação de territórios que pertenciam de antemão aos EUA por sua vitória gigantesca na Guerra Fria e na primeira guerra do Iraque”, defendeu.



Retomada de territórios perdidos



O que os Estados Unidos estão fazendo agora, disse ainda Fiori, faz parte de um processo de retomada de territórios perdidos nos anos 60 e 70 do século passado.

Neste período, os EUA sofreram derrotas diretas ou indiretas no Vietnã, Irã, Iraque e Afeganistão, reveses que marcaram um momento de perda de hegemonia norte-americana. Essas derrotas, aliadas à crise do petróleo e outros acontecimentos, puseram fim ao que Hobsbawn chamou de era de ouro do capitalismo que se seguiu após o final da Segunda Guerra Mundial.
Na década de 90, logo depois do fim da União Soviética, assinalou Fiori, quase que imediatamente o mundo foi laçado pelo fascínio da utopia globalitária, da paz perpétua e do fim da história.


Com o fim da Guerra Fria, os EUA começaram então a avançar sobre terrenos que haviam perdido.


“Desde 1990, há um movimento mais ou menos agressivo de ocupação desse território, formando um cinturão que vai do norte da Europa até o centro da Ásia. O que está sendo construído nessa região é uma espécie de cordão sanitário com objetivos geopolíticos muito bem definidos”.
Esse movimento geopolítico, na avaliação de Fiori, começa a apontar para uma disrupção no sistema capitalista global.


“Se olharmos o novo mapa militar dessa região, vemos que todos os territórios citados aqui passam a contar com bases militares americanas. Isso deixa claro que já está em desenho a próxima guerra, o próximo inimigo.”


Para identificar o principal destinatário da mensagem enviada desde Bagdá, Fiori lembrou uma tese de Spykeman, um dos principais teóricos da geopolítica dos EUA no início do século passado. Seguindo os passos de seu colega inglês Mackinder, Spykeman falava da importância estratégica de criar um cinturão sanitário cercando e separando a Alemanha da Rússia.


Ou, dizendo de modo mais claro, um cerco completo da Rússia e a sua separação da Alemanha.
Toda geopolítica anglo-americana, enfatizou Fiori, sempre teve como objetivo central evitar a possibilidade de que a Eurásia fosse hegemonizada por um bloco liderado pela Rússia e pela Alemanha.


Essa concepção geopolítica acredita que o coração do mundo está no meio da Eurásia, entre Moscou e Berlim.


Quem controlar o coração dessa região, controlará a Europa e, por conseguinte, o mundo inteiro.


O que está em disputa, então, é o poder global.


Segundo Fiori, esse jogo já dura cinco ou seis séculos e os atores são sempre os mesmos.


No século XIX e na primeira metade do século XX, a questão central era como controlar a Rússia, país que já foi destruído várias vezes ao longo da história e sempre acabou se reerguendo.



Bipolaridade surpreendente



Os primeiros desdobramentos da segunda guerra do Iraque apontam para a continuação dessa disputa.

O conflito teve como um de seus efeitos colaterais uma inesperada aproximação entre França, Alemanha e Rússia, ressuscitando velhos fantasmas europeus.


“Um fato recente que não recebeu a devida atenção é que, depois do posicionamento alemão contra a guerra, os EUA iniciaram um deslocamento de tropas para países da Europa Central. É um movimento sintomático que parece levar o seguinte recado aos alemães: vocês estão de quarentena”, disse Fiori.


A coalizão entre franceses, alemães e russos ainda é superficial, admitiu, e não se sabe qual será o seu futuro.


Mas ela carrega consigo a possibilidade de um reordenamento da geopolítica européia.
Esse redesenho europeu, fruto da ofensiva dos EUA, reforçaria outro imbróglio escondido: não o ajuste de contas da Guerra Fria, mas o agravamento das relações dos EUA com os derrotados da Segunda Guerra Mundial, especialmente Alemanha e Japão.


“No fundo, a arquitetura que sustentou o sucesso do capitalismo pós-Segunda Guerra esteve baseada em uma relação peculiar entre os EUA e os principais derrotados no conflito, constituindo uma espécie de relação proto-colonial entre esses países. Acredito que o segredo para entender a crise econômica atual está no fato de que os EUA abandonaram e passaram a jogar contra a arquitetura que construíram depois da guerra”, propôs Fiori.


“Essa arquitetura”, acrescentou, “foi montada com base em uma complexa estrutura de complementariedades e proteções econômico-militares, que fizeram da Alemanha, Japão e Itália algo excêntrico”.
E complementou: “O que existiu, entre 1950 e 1970, foi uma máquina montada nos três países, ancorada no projeto hegemônico dos EUA. É preciso ter isso em mente para entender por que o Japão e a Alemanha não conseguem mais crescer e não podem sequer fazer políticas keynesianas para tentar reativar suas economias”.


Essa mesma restrição está sendo aplicada aos países em desenvolvimento, como o Brasil, sufocados por uma política econômica que impede completamente o surgimento de projetos nacionais de desenvolvimento.


No fundo de tudo isso, sustentou Fiori, está a doutrina Bush e sua disposição de evitar, por meios econômicos e/ou militares, o surgimento de qualquer potência regional que possa representar um obstáculo aos interesses hegemônicos do Império.



De volta ao início do século XX



O que a doutrina Bush está fazendo, concluiu, é aplicar uma velha máxima mercantilista: quando se trata de impedir o surgimento de um concorrente, antes de lançar as bombas, quebre as pernas econômicas do possível candidato.


A partir dos anos 80, uma única potência hegemônica passou a alavancar a economia global. Neste período os EUA fizeram keynesianismo bélico, investiram pesadamente em sua indústria militar e se prepararam para a guerra. E cresceram ainda mais.


Há cerca de duas décadas que só uma superpotência cresce e as demais permanecem estagnadas.


A dissidência de franceses, alemães e russos por ocasião do ataque ao Iraque deve ser entendida neste contexto.
Para Fiori, o momento é altamente conflitivo, no qual pedaços de território e de mercado estão sendo disputados à força, lembrando a passagem do século XIX para o século XX.


E os atores envolvidos nessa disputa são rigorosamente os mesmos: EUA, Inglaterra, Alemanha, Rússia e França.


Ou seja, as grandes questões políticas e econômicas do início do século XX seguem vigentes e carregam consigo um poderoso fator de conflitividade.
As relações entre EUA e Europa estão passando por alterações significativas cujas conseqüências são difíceis de prever.


Fiori acredita que o projeto da União Européia representa um quebra-cabeça insolúvel neste cenário: “os europeus brigam há pelo menos 700 anos para ver quem hegemoniza o continente. O projeto de uma grande Europa sempre naufragou nas mesmas dificuldades.


Uma delas é a Alemanha, um trauma muito antigo na alma européia.


O que está claro é que a luta pela hegemonia continua a fazer parte desse universo geopolítico e a guerra do Iraque trouxe novos elementos que reavivaram velhas disputas”.


Neste momento, a bola está com os EUA, que estão dando as cartas do jogo e, no Iraque, enviaram uma clara mensagem aos seus pares e ao resto do mundo.


“E se a minha hipótese é correta”, finalizou, “a Alemanha já entendeu o recado”.



[Artigo tirado do canal 'Reportagens' de 'Agência Carta Maior',28 de maio de 2003]