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sábado, 26 de janeiro de 2008

EIS A VERDADE QUE TARDA MAS NÃO FALHA!







Uri Avnery is an Israeli writer and peace activist with Gush Shalom.


He is one of the writers featured in The Other Israel: Voices of Dissent and Refusal.


He is also a contributor to CounterPunch's hot new book The Politics of Anti-Semitism.


Uri Avneri: “Todos os regimes coloniais na história disseram o mesmo. Nenhum governante estrangeiro, quando confrontado com um levantamento do povo oprimido, alguma vez reconheceu o inimigo como combatente legítimo”.
Uri Avnery: Bloqueio de Gaza é "pior que crime"
Uri Avnery é um israelense HONRADO.


Leiam o texto e vcs entenderão o porquê da ação CRIMINOSA dos israelenses contra os habitantes de Gaza.

Uri Avnery: Bloqueio de Gaza é "pior que crime"

PARECEU a queda do muro de Berlim.

Não ‘pareceu’, apenas.

Por um momento, o cruzamento em Rafah foi o Portão de Brandenburg.

É impossível não se emocionar quando a multidão de oprimidos e famintos rompe um muro que os impede de avançar, olhos brilhantes, todos se abraçando –, emocionar-se muito,mesmo que se saiba que foi nosso governo, o governo de Israel, que construiu aquele muro.
A Faixa de Ghazaa é a maior prisão da Terra.
Abrir uma passagem no muro, em Rafah, foi um ato de libertação.
Provou-se que políticas desumanas são sempre políticas de estupidez: nenhum poder conseguirá jamais conter uma multidão que já tenha cruzado a fronteira do desespero absoluto.
Esta é a lição de Ghazaa, janeiro, 2008.
CABERIA AQUI a frase famosa do estadista francês, do tempo de Napoleão I, Boulay de la Meurthe[1], com pequena adaptação: “É pior que crime de guerra: é uma estupidez!”

Há vários meses, os dois Ehuds – Barak e Olmert – impuseram um bloqueio à Faixa de Ghazaa e vangloriaram-se muito.

Depois, foram apertando o nó mortal cada vez mais, até que já praticamente nada entrava na Faixa.
Semana passada tornaram absoluto o bloqueio – nem comida, nem remédios.
As coisas chegaram ao paroxismo quando suspenderam também o fornecimento de combustíveis.

Grandes áreas de Ghazaa ficaram sem eletricidade – para as incubadoras para bebês prematuros, para máquinas de diálise, para bombas de água e para evacuar esgotos.

Centenas de milhares de pessoas ficaram sem calefação, sob frio intenso, sem poder cozinhar, sem o que comer.
Vezes sem conta a Rede Aljazeera levou aquelas imagens para milhões de lares em todo o mundo árabe.

Muitas outras redes de televisão exibiram as mesmas imagens.

De Casablanca a Aman, explodiram protestos de massa nas ruas que assustaram os regimes árabes autoritários.

Hosny Mubarak telefonou em pânico para Ehud Barak.

Na mesma noite, Barak foi obrigado a suspender, pelo menos temporariamente, o bloqueio que, desde a manhã, impedia a entrega de combustível na Faixa.

Exceto por isto, o bloqueio continuou total.

Difícil imaginar ato político mais estúpido.
A RAZÃO apresentada para matar de fome e frio 1,5 milhão de seres humanos confinados num território de 365 km2 é o continuado bombardeio de foguetes Qassam sobre cidade de Sderot e arredores.

É razão cuidadosamente pensada para unir o que há demais primitivo e o que há de mais pobre na opinião pública em Israel.

Faz calar as críticas que viriam da ONU e de governos em todo o mundo que, de outro modo, protestariam contra uma punição coletivamente aplicada a populações civis que, sem dúvida alguma, configura crime de guerra nos termos da lei internacional.

Apresenta-se ao mundo um quadro simplificado: o regime de terror do Hamás lança mísseis contra inocentes civis israelenses.

Nenhum governo pode tolerar que seus cidadãos sejam bombardeados dentro de suas fronteiras.

O exército de Israel não tem resposta militar para enfrentar os foguetes Qassam.

Portanto, não lhe resta outra saída além de pressionar a população de Ghazaa, na esperança de que se levante contra o Hamás e faça parar o bombardeio de Qassams.
No dia em que Ghazaa ficou totalmente sem eletricidade, os correspondentes militares israelenses festejaram: só dois foguetes Qassams foram disparados de dentro da Faixa.
Então o bloqueio funciona!
Ehud Barak é um gênio!

No dia seguinte, com 17 Qassams lançados contra Israel,a alegria sumiu.

Políticos e generais israelenses estavam(literalmente) frenéticos, fora de si: um político propôs“ações mais loucas que as deles”; outro propôs "bombardeara área urbana de Ghazaa indiscriminadamente, a cada Qassam disparado",

Um famoso professor (conhecido por ser ligeiramente perturbado) propôs que se adotasse "o mal absoluto".

O modo de atuar do governo israelense é hoje uma repetição do que já fizeram na Segunda Guerra do Líbano (espera-se para os próximos dias a publicação do relatório sobre aqueles dias).
Daquela vez: o Hizbullah capturou dois soldados israelenses, em território de Israel.
Hoje: o Hamás bombardeia casas e cidades em território de Israel.
Daquela vez: precipitadamente, o governo decidiu entrarem guerra.
Hoje: precipitadamente, o governo decidiu impor bloqueio total.
Daquela vez: o governo ordenou bombardeio massivo contra civis, para pressionar o Hizbullah.
Hoje: o governo ordena o massacre, pela fome e pelo frio,de população civil, para pressionar o Hamás.
Os resultados são os mesmos, nos dois casos.
Daquela vez: a população não se levantou contra o Hizbullah; aconteceu exatamente o contrário: pessoas de todos os credos e grupos religiosos reuniram-se numa mesma organização xiita.

Hassan Nasrallah tornou-se herói de todo o mundo árabe.

E hoje: a população cada vez mais unida num Hamás cada vez mais forte, acusa Máhmoude Abbás de colaborar com o inimigo.
Uma mãe que não tenha comida para dar aos filhos não mal diz Ismail Haniyeh.
Ela maldiz Olmert,Abbas e Mubarak.
ENTÃO, o que fazer?
Afinal de contas, não se pode tolerar o sofrimento dos habitantes de Sderot, que vivem sob fogo constante.
O que todos ocultam da opinião pública é que é possível fazer parar o bombardeio de Qassams amanhã de manhã.
Há vários meses, o Hamás propôs um cessar-fogo.

Esta semana, eles repetiram a mesma proposta.

Para o Hamás, cessar-fogo significa: os palestinos cessam o fogo de Qassams e morteiros; e o exército de Israel cessa as incursões em Ghazaa, os assassinatos por armas ‘inteligentes’ em alvos ‘selecionados’ e o bloqueio.
Por que o governo israelense não aceita imediatamente esta proposta?

É simples: para aceitar esta proposta, o governo de Israel tem de falar com o Hamás, direta ou indiretamente.
Isto, precisamente, é o que o governo de Israel recusa-se a fazer.
Por quê?
Outra vez, é muito simples: porque Sderot é apenas um pretexto – como também os dois soldados capturados foram apenas um pretexto – para coisa muito diferente.
O objetivo geral de toda a ‘operação’ é derrubar o regime do Hamás em Ghazaa e evitar que o Hamás tome toda a Cisjordânia.
Em palavras simples e claras: o governo de Israel está sacrificando toda a população de Sderot, em nome de uma idéia de antemão condenada ao fracasso.
O governo de Israel está muito mais interessado em pressionar o Hamás– que é, hoje, a cabeça de ponte de toda a resistência palestina – do que em proteger os habitantes de Sderot.
E toda a mídia colabora para difundir a farsa.
JÁ SE DISSE que é muito perigoso escrever sátiras em Israel – porque muitas vezes a sátira torna-se realidade.
Alguns leitores talvez lembrem de um artigo satírico que escrevi há alguns meses.
Lá, descrevi a situação em Ghazaa como uma experiência científica para descobrir até que ponto conseguiríamos chegar, em matéria de matar de fome populações civis e fazer da vida humana um inferno...antes de termos de levantar as mãos e nos render, derrotados.
Esta semana, a sátira virou política oficial do Estado de Israel.
Comentaristas respeitados declararam explicitamente que Ehud Barak e os chefes militares estão trabalhando na linha de “tentativa e erro” e mudam diariamente seus métodos conforme os resultados.
Param de fornecer combustível a Ghazaa, vêem o que acontece e desfazem tudo quando a reação internacional é negativa demais.
Suspendem o fornecimento de remédios, vêem o que acontece, etc.etc.
O objetivo científico justifica os meios.
O homem encarregado deste experimento é o Ministro da Defesa, Ehud Barak, homem de muitas idéias e poucos escrúpulos,homem cujo modo de raciocinar é basicamente pré-humano.
Ehud Barak é hoje, provavelmente, o ser mais perigoso que há em Israel, mais perigoso que Ehud Olmert e Binyamin Netanyahu, perigoso até para a sobrevivência de Israel no longo prazo.
O homem encarregado de executar o experimento é o Comandante em Chefe do Exército de Israel.
Esta semana, ouvimos os discursos de dois de seus predecessores no cargo,os generais Moshe Ya'alon e Shaul Mofaz, num fórum que teve as mais infladas pretensões intelectuais. Descobriu-se ali que ambos têm idéias que os colocam em algum ponto entre a extrema Direita e a ultra-Direita.
São, os dois, homens de cabeça assustadoramente primitiva.
Desnecessário desperdiçar sequer uma palavra sobre as qualidades morais e intelectuais do sucessor imediato de ambos, Dan Halutz.
Se estas são as vozes dos três últimos Comandantes do Exército de Israel, o que dizer do atual, que não pode falar abertamente como os outros?
Que maçã cairia muito longe da mesma árvore?
Até há três dias, os generais ainda podiam defender a opinião de que o experimento estaria dando certo.
A miséria atingira o clímax na Faixa de Ghazaa.
Centenas de milhares de seres humanos enfrentavam a fome total.
O chefe da Agência de Apoio Humanitário da ONU para a Palestina(UNRWA) denunciou o risco de catástrofe humana absoluta.
Só os mais ricos ainda tinham combustível para seus carros,para aquecer as residências e para cozinhar.
O mundo não parou de girar e ouviu-se apenas um murmúrio planetário.
Os líderes dos Estados árabes enunciaram frases o cas e não moveram um dedo.
Barak, que tem talentos matemáticos, podia até calcular o dia em que a população finalmente entraria em colapso.
E ENTÃO, de repente, aconteceu algo que nenhum deles previu, embora fosse o evento mais facilmente previsível do planeta.
Quando alguém põe 1,5 milhão de seres humanos numa panela de pressão e não pára de pôr fogo no palheiro, é certo que tudo explodirá.
Foi o que aconteceu na fronteira entre Ghazaa e o Egito.
Primeiro, foi uma explosão pequena.
Uma multidão juntou-se no posto de fronteira e os policiais egípcios abriram fogo.
Houve dúzias de feridos.
Foi um sinal de alerta.
Dia seguinte veio o grande assalto.
Combatentes palestinos furaram o muro em vários pontos.
Centenas de milhares de palestinos entraram em território egípcio e respiraram fundo.
Estava quebrado o bloqueio.
Já antes disto, a posição de Mubarak era insustentável.
Centenas de milhões de árabes, um bilhão de muçulmanos viram que o exército de Israel fechava apenas três pontos da fronteira de Ghazaa: pelo norte, pelo leste e pelo mar.
O quarto ponto do bloqueio estava entregue ao exército egípcio.
O presidente do Egito, que se apresenta como líder de todo o mundo árabe foi exposto como colaborador numa operação desumana liderada por um inimigo, e apenas para obter os favores (e o dinheiro) dos norte-americanos.
Seus inimigos internos, a Irmandade Muçulmana, exploraram esta situação e o denunciaram, publicamente, aos olhos de seu próprio povo.
Dificilmente Mubarak teria podido manter-se na posição em que estava.
Mas a multidão palestina livrou-o da tarefa de decidir.
Decidiram por ele.
Os palestinos irromperam no Egito como um tsunami.
Agora, Mubarak que decida quando sucumbirá completamente a Israel e reimporá o bloqueio contra seus irmãos árabes.
E quanto ao experimento de Barak?
O que acontecerá agora?
Barak tem poucas opções:
(a) Reocupar Ghazaa.
O exército não gosta desta idéia.
Para os comandantes militares, a reocupação exporá milhares de soldados israelenses a uma guerra de guerrilhas cruel, diferente de todas as intifadas conhecidas.

(b) Apertar novamente o bloqueio e pressionar Mubarak o mais possível, inclusive com o lobby israelense no Congresso dos EUA, para privá-lo dos bilhões que recebe anualmente em troca de serviços prestados.

(c) Fazer do castigo um prêmio, e entregar a Faixa de Ghazaa a Mubarak, como se este fosse o objetivo secreto de Barak, desde o começo.
Passaria a ser tarefa do Egito garantir a segurança de Israel, evitar a chuva de Qassams e expor seus próprios soldados à guerra de guerrilhas na Palestina – depois de o Egito ter imaginado que se havia livrado definitivamente desta área de conflito,e depois de toda a infra-estrutura da Palestina ter sido destruída pela ocupação israelense.
É provável que Mubarak responda: “É muita gentileza sua, mas, não, não, muito obrigado.”
O bloqueio da Faixa de Ghazaa é crime de guerra.
E é pior que isto: é uma estupidez brutal. ***********--------------------------------------------------------------------------------* Worse than a Crime, 25/1/2008, em Gush Shalom [“Grupoda Paz”], em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1199602046/.Copyleft.
Tradução de Caia Fittipaldi. Reprodução autorizadapelo autor e pela tradutora. [1] A frase famosa é “C'est pire qu'un crime, c'estunefaute” (É pior que um crime: é um erro).
Obs.: No artigo acima, foram mantidas as grafias quea tradutora usou para nomes árabes como Gaza (Ghazaa),Rafá (Rafah), Cassam (Qassam), Hamas (Hamás), Hezbolá(Hizbullah) e outros.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Teatro de Paz

Por que Annapolis é um teatro?
A mídia ocidental agiu em massa ao comemorar os resultados da
recente “Conferência de Paz de Annapolis”, nos Estados Unidos.
A
iniciativa do presidente estadunidense, que trouxe 49 nações ao
país, incluindo a Arábia Saudita e a Síria, além de organizações
internacionais, foi relatada como “um primeiro passo de sucesso”.
Entretanto, nada foi comentado sobre como o povo palestino e
israelense viram a conferência, apesar de serem eles quem
realmente decidirão o futuro da Questão Palestina.
Provavelmente, a mídia ocidental ignorou as principais peças do
jogo pelo fato de a Conferência de Annapolis ter sido recebida, por
ambos os lados, com incerteza e descrença.
De fato, os políticos
envolvidos, Ehud Olmert (77% da população está insatisfeita com
sua condução dos assuntos do país), Mahmoud Abbas (que teve
seu partido unanimemente derrotado pelo Hamas nas últimas
eleições palestinas) e George W. Bush (que tem uma lista
incalculável de mentiras, crimes e fracassos diplomáticos),
perderam força dentro de suas nações, e estão sem credibilidade.
De qualquer maneira, por eles foi prometido que, até o fim de 2008,
“a paz será alcançada” na Palestina.
Todo o espetáculo foi muito
bem feito, mas não se mostrou
realista.
Abbas nem sequer tem
o controle da Palestina no
momento, isolado na
Cisjordânia e ausente na Faixa
de Gaza
, controlada pelo
Hamas.
Olmert, que carrega o peso de sérias acusações de
corrupção e da humilhante derrota para o Hizbollah no ano
passado, depende de uma coalizão de políticos israelenses que já
ameaçaram, mesmo sem o início de algo, que abandonarão o plano
caso ele faça concessões de assuntos como o status da cidade de
Jerusalém ou o direito de retorno dos palestinos.
Além das questões
internas da Palestina, a recusa do governante saudita Saud al-
Faisal
, ministro do Exterior, em cumprimentar Olmert foi uma
manifestação clara do longo caminho a ser percorrido.
O jornal israelense Maariv classificou Annapolis como “fazendo paz
para as câmeras”.
“Cerimônias de paz são feitas quando a paz é
alcançada”,
criticou o diário.
Uma pesquisa de outro jornal
israelense, o Haaretz, mostrou que a maioria dos israelenses
considera a conferência, de antemão, “um fracasso”.
A posição do
povo israelense é clara, já que Annapolis pode destruir o sonho de
colonos sionistas caso Olmert realmente pare de expandir os
assentamentos ilegais sobre as terras privadas palestinas – uma
decisão vital para se alcançar a paz.
Na Palestina, uma pesquisa na
Cisjordânia (controlada pelo próprio Abbas) mostrou que 62% dos
palestinos acreditam que “nada mudará” após Annapolis.
Em Gaza,
protestos anti-Abbas foram marcados pela revolta contra o
esquecimento da região na conferência.
“As pessoas que se
encontraram em Annapolis não representam o povo palestino, mas
sim eles mesmos”,
afirmou um dos líderes do protesto.
A “Conferência de Paz de Annapolis” começou mal.
Assim como
nas demais iniciativas no passado, fatores indispensáveis foram
deixados de lado pelos mentores do plano.
Se os líderes da
Palestina e de Israel (Abbas e Olmert) não têm credibilidade dentro
de seus países, e Bush, intermediário da questão, é malquisto por
toda a comunidade internacional, como o plano poderia ter
sucesso?
De fato, tudo não passou de um teatro, em que os atores
no palco foram aplaudidos, mas aqueles nos bastidores foram
ignorados.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Jesus: Palestino e Árabe


O problema com Jesus
O problema com Jesus ou
Jesus foi realmente esmagado por um bulldozer??
Para começar, ele era de uma família da classe média, o pai era um humilde carpinteiro, nada de luxo, nada emocionante.
Até se podia chamá-lo proletário,tendo em conta que também foi refugiado… no Egipto, mas não roubou nada ao sair do Egipto, como fez Moisés…
Por ser uma pessoa honesta Jesus ficou mais pobree consequentemente também foi proletário.
E acrescentando o facto dele ter nascido e sido criado debaixo da ocupação de uma grande potência imperial, que ele, no mínimo, detestava…
O que fez dele um agitador, um arruaceiro, um militante,um activista também conhecido como revolucionário,e nos termos de hoje em dia, seriaum apoiante de Chávez, de Castro, ou de Saddam…ou simplesmente um membro do Hamas (ou incluso, um líder do Hamas).
De qualquer maneira, ele era do terceiro mundo e árabe
E ainda pior do que árabe, ele era palestino!!
Um palestino contra Roma, e contra os rabinos de barba comprida de Jerusalém!!
Com tal descrição…
Jesus andava mesmo à procura de problemas!!
Além disso, ele também não gostava dos ricos, e até ajudava os pobres.
Perdoou a uma prostituta e até a defendeu!!
E também deu de comer aos famintos, deu roupa aos necessitados e pregou pela igualdade.
Tal como faz o Hamas… hoje em dia.
Imagine-se!!
Num país ocupado, como a Palestina, alguém veio para separar César de Deus, para separar a teocracia da política, para diferenciar entre o Judaísmo e o monoteísmo, e para promover a igualdade e partilhar a riqueza…
Tal pessoa estava mesmo à procura de problemas:
um palestino proletário, contra a ocupação e com um dogmatismo anti-religioso e a favor da igualdade social…até Karl Marx teria inveja dele.
De facto, Marx tinha inveja dele,e as igrejas esqueceram-se dele, e começaram a venerar a mãe dele, em vez dele.
Estava-se mesmo a ver o que ia acontecer, não admira que ele não tenha vivido mais do que 33 anos!!
Nos dias de hoje, teria sido morto a tiro aos 14 anos,ou esmagado por um bulldozer israelense!!
Raja Chemayel

domingo, 19 de agosto de 2007

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Foto: muro da vergonha "Israel"
Foto: meninas armadas - libano-thumb

ESCOLHER O LADO CERTO DA HISTÓRIA
Zillah Branco*
A conscientização dos povos que leva à participação cada vez maior nas ações sociais obriga-nos a escolher sempre o lado certo da história.
Cada vez que analisamos os fatos políticos, que tomamos posição a favor ou contra uma estratégia de luta, somos obrigados eticamente a aprofundar o conhecimento sobre as raízes do problema e as suas conseqüências.
Não é fácil distinguir a responsabilidade política dos que provocam conflitos e daqueles que se defendem com as armas disponíveis mesmo que sejam bárbaras e desumanas sem o disfarce da tecnologia mais sofisticada.
O que não se pode é condenar como terroristas os que fazem guerrilha e guerra de resistência nacional quando agredidos por forças regulares ditatoriais ou de outro país dominador.
Se na luta popular utilizam os recursos que os transformam em bombas humanas ou se provocam a participação social nas ações, não se tornam “bárbaros” em comparação com os agressores que dispõem de alta tecnologia e exércitos regulares.
O agressor é o responsável pelas conseqüências bárbaras e terroristas da ação que promove.
Bush e seus assessores, mais os governos submissos ao imperialismo, como Israel e Inglaterra, por exemplo, promovem guerras com falsa publicidade de defesa da democracia e dos direitos humanos, invadem territórios alheios e matam civis em nome de uma absurda justiça que disfarça os seus mais mesquinhos interesses de poder econômico e político.
A mídia, alimentada na sua maioria por essas campanhas de falsa publicidade, mostra a luta dos que resistem muitas vezes com os recursos do terrorismo por falta de equipamentos e organização bélicos para fazer frente ao armamento sofisticado do imperialismo, e a imagem que fica é a de que o verdadeiro agressor é a vítima de bárbaros invasores.
Na mídia predomina o efeito da imagem e uma bomba atirada de longe parece mais “humanizada” que a explosão de dinamite que um soldado suicida carrega no seu corpo. O conceito de terrorismo hoje está preso à arma sem sofisticação, quando na verdade a alta tecnologia bélica e os recursos científicos aplicados à estratégia de ataque, têm uma dose de cinismo, de prepotência, de crueldade, de traição, do maior terror.
As populações usadas como escudo pelo invasor são as grandes vítimas e as guerras cirúrgicas praticadas pelo imperialismo, e agora especialmente por Israel, utilizam os serviços de espionagem e a corrupção para despejar mísseis diretamente sobre o carro, a casa, a aldeia onde pensam estar o seu inimigo, sabendo que muitos civis também serão mortos e cidades destruídas.
Esta é uma forma terrorista calculada para matar sem risco, mais grave que os que provocam morte e morrem juntos.
O terrorismo praticado por um Estado não tem qualquer justificação.
Há anos que Israel seqüestra, prende e mata palestinos e libaneses que lutam pelo desenvolvimento dos seus povos. São nove mil prisioneiros nas cadeias de Israel, incluindo mulheres e crianças, que provocaram o seqüestro de três soldados israelenses que serviriam como moeda de troca nas negociações pela paz regional.
A desproporção do número de prisioneiros por si só torna injustificável a agressão de Israel ao Líbano e Gaza.
Sem argumentos válidos os pretextos giram em torno da pretensão de “povo eleito” e “vitimas do holocausto nazista”, como se merecessem privilégios negados aos outros povos.
E, o apoio imperialista dos Estados Unidos interessados no domínio dos territórios árabes por razões econômicas e estratégicas, desmoraliza mais ainda as retensas justificações “histórico culturais” relativas ao anti-semitismo que são usadas para sensibilizar a opinião pública.
As populações daqueles paises sob bombardeio são vítimas inocentes do terror que é a guerra e a opressão, mas as populações de todo o mundo são vítimas dos enganos divulgados pela mídia que instigam preconceitos e ódios para dividir a humanidade mais uma vez como fez o nazismo há 60 anos.
Famílias dividem-se, amizades são desfeitas, em discussões mal conduzidas baseadas em falsas explicações dessa nova guerra que nada mais é que moderna versão do velho plano de domínio sobre os povos do Oriente Médio alimentado pela pressão constante de Israel como ponta de lança do imperialismo.
Muito já se escreveu sobre a velha estratégia expansionista de Israel, como o artigo de Gershon Knispel “As areias que engolem povos” (na revista Caros Amigos), e sobre os interesses imperialistas bem claros nas declarações de Condoleeza Rice quando disse: “Não vejo qualquer interesse na diplomacia se for para voltar ao status quo anterior entre Israel e o Líbano.
Penso que isso seria um erro.
O que nós estamos presenciando, de certa forma, é um começo, são as dores do parto de um novo Oriente Médio, e seja o que for que façamos, devemos estar certos de que avançamos para o novo Oriente Médio e que não voltaremos ao antigo” (publicado no jornal Avante! do PCP, Portugal Agosto/2006).
Não é novidade, pois em 1996 Israel enunciou um documento intitulado “Uma ruptura limpa: uma nova estratégia para a segurança” onde se prevê: a anulação dos acordos de paz de Oslo;
a eliminação de Iasser Arafat;
a anexação de territórios palestinos;
a derrubada de Saddam Husseim para desestabilizar a Síria e o Líbano;
o desmantelamento do Iraque com a criação de um Estado Palestino no seu território;
a utilização de Israel como base complementar do programa norte-americano de guerra das estrelas.
Bush já expressou o seu desejo de controlar as zonas ricas em hidrocarbonetos do Golfo da Guiné ao Mar Cáspio, passando pelo Golfo Pérsico, o que exige uma redefinição de fronteiras como a que está em curso.
Os que vivem em Israel e os que têm afeto por aquele povo, têm dificuldade em compreender a maquiavélica estratégia que vem sendo aplicada por aquele Estado desde 1957 e nas várias agressões aos povos vizinhos, o que provocou o nascimento de movimentos de resistência como o Hamas e o Hezbolá hoje acusados de terrorismo por se defenderem com armas de pedra ou homens bomba.
É preciso alcançar um distanciamento que permita ver o coletivo histórico apesar dos sacrifícios pessoais de quem vive naquele país.
Não está em causa o direito de existir um Estado de Israel, não voltamos ao tempo do anti-semitismo que foi gravado com o holocausto na Segunda Guerra.
Lamentavelmente o Governo de Israel é que tem assumido a posição nazista de ponta de lança do imperialismo contra os povos vizinhos prestando-se a abrir o caminho comandado pelos que ambicionam o controle das bacias de petróleo no Oriente Médio.
Perdeu a guerra contra o Líbano pela segunda vez, mas não desiste de permanecer no território que devastou cruelmente.
A ONU tem sido enfraquecida durante toda esta escalada bélica que acompanhou a destruição da União Soviética.
Mas as nações que defendem a democracia manifestaram o seu repúdio às chacinas feitas contra o povo libanês e terão de reerguer a instituição internacional que defende o direito dos povos para que o mundo não mergulhe na barbárie absoluta.
A história do expansionismo imperialista é antiga e tornou-se mais visível depois da queda da União Soviética.
Dialeticamente os antigos aliados da estratégia traçada pelos governos norte-americanos hoje se apercebem de que perdem a própria independência e dignidade nacional na subordinação que mantinham.
Foi expressiva a solidariedade das nações mais ricas com o Líbano e o isolamento dos governos de Israel e dos Estados Unidos como agressores.
Os caminhos da paz estão abertos e serão fortalecidos pela manifestação permanente de todos os povos.
Zillah Branco é cientista social e Conselheira do Cebrapaz.

INIMIGOS PRINCIPAIS OU INIMIGO PRINCIPAL?

Na semana passada as duas maiores autoridades executoras da política de guerra do governo Bush, a secretária de Estado, Condoleeza Rice, e o da Defesa, Robert Gates, fizeram uma incursão no Oriente Médio.
Primeiramente foram juntos ao Egito.
Depois visitaram a Arábia Saudita. Em seguida, a delegação dividiu tarefas.
Rice seguiu viagem à Palestina ocupada (Jerusalém e Ramallah), enquanto Gates deslocou-se ao Kuweit e aos Emirados Árabes Unidos.

Na primeira etapa da visita, os secretários de Bush reuniram-se em Charm el-Cheik, no Egito, com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuweit.

A missão teve três objetivos, todos relacionados com a aplicação do plano de reestruturação do Oriente Médio, a prioridade do segundo mandato de George W. Bush.

O primeiro objetivo foi conseguir apoio para estabilizar o Iraque.
Mais de quatro anos depois de iniciada a guerra de agressão, o imperialismo norte-americano colhe um retumbante fracasso.
O Iraque se insurgiu, as forças patrióticas foram capazes de organizar uma tenaz resistência, que inflige pesadas perdas humanas e materiais aos agressores (ver artigo “Por que os EUA perderam”, de Abdul al-Bayaty e Hanna al-Bayaty em www.cebrapaz.org.br).
É muito limitada a capacidade de ação desses países árabes no conflito iraquiano.
Por mais reacionários e pró-americanos que sejam, um envolvimento direto desses países ao lado das forças de ocupação atiça ainda mais o nacionalismo árabe, resultando no efeito contrário ao esperado.

Os emissários de Bush levaram na bagagem um pacote de ajuda militar para a aquisição de armamentos e tecnologia, no valor de 20 bilhões de dólares a serem negociados com a Arábia Saudita e outros países.
Ao Egito e Israel os belicistas estadunidenses ofereceram um pacote de ajuda militar da ordem de 43 bilhões de dólares.
A mensagem é clara.
Os Estados Unidos estão apostando em mais militarização da região, o que, independentemente de qualquer intenção proclamada, redundará em maior instabilidade.

O segundo objetivo foi fazer com que esses países exerçam pressão sobre o Irã no sentido de desencorajar a continuidade do programa nuclear desse país.
Ora, o Irã já sofreu duas resoluções da ONU ameaçando aplicar sanções caso não suspenda o programa nuclear, mas a atitude de Teerã é inabalável, não havendo qualquer sinal de que vá submeter-se aos ditames de Washington.
Disso se conclui que o exercício de pressões sobre o Irã, seja por parte dos Estados Unidos ou de interpostas forças também só acarretará mais instabilidade na região.

O terceiro objetivo relacionou-se com a Palestina.
Rice buscou envolver seus aliados nos esforços para organizar uma conferência de “paz” no final do ano.
Também nesse aspecto os resultados tendem a ser pífios.
A tática de distribuir migalhas tem por resultado o aprofundamento das divisões entre as diferentes forças que atuam naquele cenário.
A tentativa de isolamento, cerco e aniquilamento do movimento Hamas, que venceu as eleições, conduzirá a mais dilacerações, portanto a mais guerra, nunca à paz nem à criação de um verdadeiro Estado Palestino.
Além do que, é indefectível a posição pró-israelense do governo Bush.

Quem deu o principal argumento para atestar o fracasso da missão de Rice e Gates foram os próprios, quando proclamaram quem são os inimigos principais dos Estados Unidos na região: a Síria, o Irã, o Hezbolá e o Hamas.
A Síria e o Irã são dois países soberanos e não dão mostras de estar dispostos a renunciar aos seus objetivos nacionais.
Atacá-los militarmente cobraria um preço altíssimo que os EUA não estão em condições de pagar na presente situação.
Quanto ao Hezbolá e ao Hamas, são dois movimentos de resistência que já estão nos campos de batalha.
A amarga experiência israelense, derrotado pelo Hezbolá durante a guerra de julho-agosto do ano passado, indica que se trata de uma força difícil de aniquilar, pela sua capacidade de combate, pelas profundas raízes que deitou no seio da população libanesa e pelo imenso prestígio de que desfruta em todo o mundo árabe.
Quanto ao Hamas, desalojá-lo à força das posições que conquistou poderá representar uma tragédia humanitária numa Palestina já martirizada há muitas décadas.

Assim, é mais provável que, ao invés de alcançar os objetivos anunciados, o resultado da missão de Rice e Gates seja uma mais nítida caracterização do imperialismo norte-americano como o inimigo principal dos povos do Oriente Médio.
José Reinaldo de Carvalho*
jornalista é Diretor de Comunicação do Cebrapaz.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

IRÃ E IRAQUE CONDENAM DISCURSO DE BUSH

(foto: No Irã, Kharrazi disse que Bush foi 'arrogante')

30 de janeiro, 2002 - Publicado às 16h01 GMT


Irã e Iraque condenam discurso de Bush


Bush classificou o Irã e o Iraque como 'eixos do mal'


O primeiro discurso do presidente George W. Bush sobre o "Estado da União" gerou reações irritadas por parte dos países que ele classificou como "patrocinadores do terror" - particularmente o Irã e o Iraque que, junto com a Coréia do Norte, foram descritos como "eixos do mal".

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, disse: "Com essas declarações arrogantes, o governo americano mostra sua verdadeira face e prova a vontade de espalhar sua hegemonia pelo mundo."


O Iraque acusou os Estados Unidos de praticar "terrorismo de Estado" contra aqueles que não se renderam aos pedidos do país.


Grupos militantes mencionados no discurso de Bush, como os palestinos Hamas e Jihad Islâmico, também desprezaram as ameaças feitas pelo presidente americano, que disse que os Estados Unidos estão prontos para agir contra eles.


"Eixos do mal"


No seu discurso dirigido ao Congresso e à nação, Bush afirmou que suas três prioridades são ganhar a guerra contra o terror, tornar os Estados Unidos mais seguros contra ataques e reaquecer a economia.


O presidente Bush disse que a guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo está longe de terminar.


No Irã, Kharrazi disse que Bush foi 'arrogante'


Segundo Bush, um de seus objetivos é "impedir que regimes que patrocinam o terror ameacem os Estados Unidos ou seus amigos e aliados com armas de destruição em massa".


Bush disse que a Coréia do Norte está equipada com mísseis e armas de alto poder de destruição.


"O Irã continua a se armar agressivamente e a exportar o terror", acrescentou o presidente.


"O Iraque segue expondo sua hostilidade em relação aos Estados Unidos e apoiando o terror", declarou."

Países como esses, e seus aliados terroristas, são eixos do mal", concluiu.


Reação imediata


Em Teerã, o ministro Kharrazi reagiu imediatamente: "O objetivo de Bush é distrair a opinião pública dos acontecimentos no Oriente Médio e preparar as pessoas para continuar com o apoio a Israel na repressão ao povo palestino", afirmou.


O Iraque respondeu de maneira semelhante.


"Os Estados Unidos são o único país do mundo, junto com a entidade sionista, a praticar terrorismo de Estado contra povos e governos que não se rendem aos seus desejos, sob o pretexto de que estão combatendo as fontes do terrorismo", disse à agência de notícias AFP Salem al-Qubaissi, chefe da comissão parlamentar de relações árabes e internacionais.


Um submundo terrorista atua em florestas e desertos remotos, escondendo-se das cidades grandes


George W. Bush


"Submundo terrorista"


Bush disse que ainda existem campos de treinamento de terror em pelo menos doze países, mas não disse quais.


"Milhares de assassinos perigosos, formados em métodos de assassinato, geralmente apoiados por regimes ilegais, estão espalhados pelo mundo como bombas-relógio", afirmou o presidente americano.


"Um submundo terrorista - que inclui grupos como Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmico e Jaish-e Mohammed - atua em florestas e desertos remotos, escondendo-se das cidades grandes."


Tanto o Hamas quanto o Jihad Islâmico desprezaram o discurso de Bush e prometeram continuar a luta contra Israel.