Mostrando postagens com marcador sunitas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sunitas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

QUEM LUTA NO IRAQUE?

Quem luta no Iraque?
Uma pergunta básica, mas poucos sabem responder




Quem é o inimigo?
Quem luta contra quem?
Passados quase 5 anos
desde que os Estados Unidos invadiram o Iraque atrás das “armas
de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram,
essas são questões básicas e óbvias mas que, ao mesmo tempo,
não são fáceis de responder.

As forças estadunidenses
passaram por tantos planos fracassados nesse período, apoiando
uns e deixando de apoiar outros aleatoriamente, que não se sabe
mais quem é aliado e quem é inimigo.
Os sunitas iraquianos estão divididos.
O Partido Islâmico do Iraque,
que desde 2003 é parte do governo-fantoche iraquiano pós-Saddam
Hussein, e a aliança tribal de Al-Anbar
estão decididamente a favor
das forças de ocupação, procurando se integrar ao atual governo
iraquiano sob a retórica de “tolerar a ocupação”
.
Ao mesmo tempo,
a Resistência Iraquiana, que tem o Partido Ba’ath, de Saddam
Hussein, como um dos seus principais financiadores, se recusa a
negociar com as forças de ocupação, mas, ao mesmo tempo,
começa a ganhar espaço no atual governo iraquiano.

Recentemente, 22 grupos da Resistência anunciaram a criação de
uma frente única, sob a liderança de Izzat Ibrahim al-Douri, hoje o
homem do regime de Saddam Hussein mais procurado pelos
estadunidenses
.
Os sunitas do Ba’ath abriram diálogo com Ayad
Allawi, político xiita iraquiano
que se tornou o primeiro governante
do país da era pós-Saddam Hussein.
Allawi é um dos fundadores
do Acordo Nacional Iraquiano, um dos atuais partidos políticos
iraquianos no governo do país.

A batalha entre a classe trabalhadora e a elite xiita, representados
respectivamente pela Assembléia Suprema para a Revolução
Islâmica do Iraque e pelo Partido Islâmico Dawa, são parte do atual
governo-fantoche e têm o apoio dos Estados Unidos
.
Ao mesmo
tempo,
o Jaish al-Mahdi, a milícia do clérigo Muqtada al-Sadr,
causador de pelo menos 20% de todas as baixas estadunidenses
no Iraque desde 2003, freou suas operações depois do mês de
agosto, se organizando politicamente para a eventual retirada das
forças de ocupação.

Os curdos, minoria étnica no Iraque, se mantém politicamente a
favor das forças de ocupação
.
Cerca de 50 mil soldados da milícia
curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) apóiam os
Estados Unidos desde 2003 e auxiliaram a invasão do Iraque pelo
norte do país.
As primeiras batalhas de forças estadunidenses no
norte do Iraque foram baseadas em inteligência e assessoria dos
militantes curdos.
Em troca, os Estados Unidos garantiram que o
Curdistão, região semi-autônoma que o PKK controla e luta para
torná-la independente da Turquia e do Iraque, se tornaria uma
região sem a interferência das forças estadunidenses.
Apesar disso,
o PKK é designado oficialmente como uma organização terrorista
pelos próprios Estados Unidos, pela OTAN e pela União Européia, o
que os torna um aliado imprevisível.

A Al-Qaeda no Iraque reflete
com perfeição o caos gerado
pelas forças de ocupação no
Iraque – de fato, a Al-Qaeda
chegou ao Iraque
simultaneamente à ocupação,
um bônus à “liberdade e
democracia”
prometida ao povo iraquiano por George W. Bush.
Exatamente como as forças estadunidenses, a Al-Qaeda é mais um
órgão estrangeiro atormentando a política iraquiana
.
A milícia
sunita, espelhada na organização de Osama Bin Laden
, tem como
seu foco principal o ataque às forças de ocupação, mas
recentemente também tem investido contra a Resistência Iraquiana
e milícias xiitas, devido à oposição maciça do povo iraquiano quanto
às operações do grupo no país.

Esses são os principais grupos étnicos, religiosos e ideológicos
envolvidos com a atual destruição do Iraque, em função da
desastrosa invasão estadunidense do país.
Durante os quase cinco
anos de ocupação,
entre as dezenas de planos que foram testados,
todos esses grupos tiveram, em um momento ou outro, apoio dos
Estados Unidos.
Milícias curdas e xiitas tiveram apoio das forças de
ocupação contra os sunitas do Partido Ba’ath na invasão do país,
assim como milícias sunitas foram armadas pelos estadunidenses
para combater os xiitas pró-Irã, e até a própria Al-Qaeda entrou em
negociações com oficiais das forças de ocupação em função de
interesses semelhantes, porém conflitantes, que ambos têm no
país.
Em função da derrotada campanha estadunidense, não se
sabe mais quem é aliado e quem é inimigo no Iraque, e é por esse e
outros motivos que a ocupação do país deve se estender além do
planejado.

http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_84.pdf

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

PRESIDENTE SADDAM E O TRIBUNAL FANTOCHE



Redacción 20 de outubro 2005

O presidente deposto do Iraque Saddam Hussein negou-se a responder às perguntas feitas pelo juiz e também negou-se a reconhecer a legitimidade do Tribunal Especial Iraquiano (TEI), formado pelo governo fantoche do país.

Hussein foi levado ao "tribunal" ontem (19) em Bagdá, sob a acusação de que teria ordenado o massacre de 143 xiitas em 1982.

"Reivindico o direito constitucional de fazer valer meus direitos de chefe de Estado e me recuso a responder", disse, dirigindo-se ao presidente do tribunal.

"Não reconheço sua autoridade porque todo (este tribunal) carece de fundamento", acrescentou.

O ex-vice-presidente Taha Yassine Ramadan, vestido com uma túnica branca, também não quis dar sua identidade, limitando-se a dizer que sua "identidade fora roubada".

Acrescentou que confirmava "o que o presidente Saddam Hussein disse".

Redes de TV iraquianas mostraram imagens do início do julgamento e do presidente do tribunal, o curdo Rizgar Mohamed Amin , que lia um documento.

"Esta é a primeira audiência, do primeiro caso, Dujail", disse o presidente do tribunal, antes de chamar os oito acusados.

Hussein estava sentado e rodeado por uma cerca de 1,5m de altura.

Todos podem ser condenados à pena de morte.

Farsa

A filha mais velha de Hussein, Raghad, criticou desde Amã, na Jordânia, onde está exilada, a farsa do julgamento, informou um membro do comitê de defesa.

"Raghad está aborrecida com o modo como o julgamento é realizado, principalmente com a ausência dos advogados solicitados por seu pai", disse em Amã (Jordânia) o advogado jordaniano Issam Ghazzawi, referindo-se ao comitê de defesa, que inclui letrados árabes e estrangeiros, entre eles o ex-secretário de Justiça americano Ramsey Clark.

O conjunto de advogados não foi escolhido por Hussein, tampouco pôde conversar com o acusado livremente, como o exigido pelas convenções internacionais.

Apenas o advogado iraquiano Khalil al Dulaimi foi autorizado pelo governo fantoche e pelas forças de ocupação a defender o presidente deposto.

Entre as acusações contra os oito réus estão as de "assassinato, expulsão, prisão, tortura e desrespeito às normas internacionais".

Durante a sessão, Hussein observou a troca de argumentos entre acusação, defesa e o presidente do tribunal, sem fazer intervenções.

Após uma breve audiência, o juiz adiou a sessão e marcou a próxima audiência para 28 de novembro próximo.

Al Dulaimi havia pedido um adiamento por três meses, mas o juiz optou por pouco mais de um mês.

Tensão

A tensão era sentida em todo o país com o início do julgamento, dois anos após Hussein ter sido capturado pelas tropas americanas, em 2003.

Em Tikrit, cidade natal do ex-presidente e de quase toda sua família, a tensão era mais evidente.

Dezenas de pessoas concentraram-se em um estádio da cidade para protestar contra o julgamento.

No Iraque, as reações ao início do "julgamento" do ex-presidente foram variadas.

A mídia ocidental procurou exibir imagens de muçulmanos xiitas e curdos se manifestando a favor de penas duras contra Hussein.

A imprensa colaboracionista, dirigida por antigos adversários do governo de Hussein, colocou o "julgamento" em suas manchetes.

"Julgamento de um tirano" e "Primeiro ditador árabe a ser julgado" estampavam alguns jornais.

Na imprensa da comunidade sunita, o julgamento foi mencionado, sem grandes artigos.

Em nenhuma outra parte o contraste foi tão marcante quanto nos distritos bagdalis de Azamiyah, de maioria sunita, e Kazimiyah, de população xiita, separados apenas pelo Rio Tigre.

Apenas um fator unia as duas populações: a precária rede elétrica de Bagdá.

A energia falhou diversas vezes durante a transmissão do julgamento.

Na televisão, as grandes redes se preocuparam em mostrar os sentimentos dos oposicionistas e silenciaram em relação às grandes manifestações em Tikrit, Bagdá e Faluja, a favor de Hussein.

Uma seqüência veiculada pela CNN mostra uma dona-de-casa xiita cuspindo na tela da televisão ao ver a imagem de Hussein.

Quando o juiz se dirigiu ao ex-presidente como "senhor Saddam", ela gritou: "Monstro Saddam, você quer dizer!"

Do outro lado do Rio Tigre, num bairro de maioria sunita — a mesma confissão de Hussein — alguns moradores também ficaram galvanizados pelas imagens na TV.

Namir Sharif, ex-oficial do Exército, quase chorou de orgulho ao ver Hussein desafiar a autoridade do tribunal.

"É um ato heróico", disse.

Alguns iraquianos assistiram à primeira sessão do tribunal com temor ou ódio, outros com alegria, outros ainda com amargura e até uma certa nostalgia.

Mas todos assistiram com atenção, incapazes de desviar os olhos da imagem do antigo líder, antes senhor supremo do Iraque, agora réu em julgamento.

Palestinos querem Bush lá

Para os palestinos, Hussein é mais vítima do que algoz, um alvo direto do imperialismo americano.

Para os israelenses, o presidente iraquiano deposto é uma figura demoníaca. Os dois lados têm visões opostas do julgamento de Saddam.

Os palestinos acreditam que o ex-presidente é vítima de uma injustiça; os israelenses esperam que o julgamento sirva de alerta a outros déspotas do Oriente Médio.

Osama Shagnobi, um morador de Gaza, lembra dos cerca de US$ 21.000 que sua família recebeu do governo iraquiano por causa da morte do irmão, Mohammed, num choque com soldados israelenses.

"Não é possível comparar a vida do meu irmão com dinheiro nenhum no mundo, mas sentimos que Hussein estava entre as poucas pessoas ao nosso lado e mostrou que alguém se importava com a perda que sofremos", disse Shagnobi.

Por intermédio de organizações assistenciais islâmicas, o regime de Saddam enviava regularmente dinheiro a parentes de homens-bomba e de extremistas mortos em combates com Israel.

Os palestinos também reverenciaram Saddam quando ele disparou 39 mísseis Scud na direção de Israel durante a Guerra do Golfo, travada em 1991.

Os disparos causaram danos consideráveis, mas poucas vítimas.

Já os israelenses têm uma posição totalmente diferente, algo bastante esperado.

Para eles, o julgamento de Saddam é visto como um "evento que obrigará líderes árabes" a perceber que poderão "pagar por seus atos", repercutindo a opinião da mídia oficial americana e israelense.

"Hoje é um dia especial, pois um terremoto atinge o mundo árabe, com líderes pagando por seus crimes", vituperou o ministro israelense das Relações Exteriores, Silvan Shalom, em entrevista à Rádio Israel.

Em Jerusalém, o israelense Bibi Nissin, de 51 anos, disse acreditar que Saddam terá um julgamento "justo".

"Espero que ele seja condenado à prisão perpétua. E não me importa onde ele cumprirá a sentença, já que não estará aqui em Israel."

Muitos palestinos, revoltados com o favorecimento americano a Israel e com a ocupação do Iraque, gostariam que o presidente dos EUA, George W. Bush, fosse julgado junto com Hussein.

"Se ele é um assassino, o que poderíamos falar dos atos americanos cometidos no Iraque?", questionou o motorista de taxi Saed Souror, de 32 anos.

"Para existir justiça, Bush e Saddam deveriam ser levados ao banco dos réus juntos."

Veja abaixo parte da transcrição do início do "julgamento":

Hussein: Aqueles que lutaram pela causa de Deus serão vitoriosos... estou à mercê de Deus, o mais poderoso.

Amin (juiz 'responsável'): Senhor Saddam, por favor, nos diga sua identidade, seu nome... Você tem bastante tempo, você terá tempo suficiente para dizer o que quiser e expressar seus pensamentos. Mas esta corte tem um procedimento e nós temos que segui-lo.

Hussein: Quem são vocês? O que vocês estão fazendo aqui? Eu não respondo a esta "chamada" corte, com todo o respeito. E me reservo o direito constitucional como Presidente do Iraque (...) Eu não reconheço nem a entidade que autoriza vocês, nem a agressão, porque tudo baseado em falsidade é falsidade... Você já foi juiz antes?

Amin: Não há espaço para este tipo de conversa neste tribunal.

Hussein: Estou neste tribunal militar desde as 2h30 da madrugada, e usando a mesma roupa desde as 9h. Você me conhece, você é iraquiano e sabe muito bem que eu não fico cansado.

Amin : Estou aqui para perguntar sobre sua identidade.

Hussein: Eu respondi essa pergunta por escrito e a enviei a você.

Amin: Senhor Saddam, vá em frente. Você é culpado ou inocente?

Hussein: Eu disse o que disse, eu não sou culpado, sou inocente.

Com agências internacionais

Nova publicada no Diário Vermelho .

http://www.arroutadanoticias.com/novas/nova201020054.html

domingo, 19 de agosto de 2007

IRAQUE: atolado no pântano e no pânico

Iraque: um pântano com Carta Magna
La Jornada*
À primeira vista, o Iraque já conta com uma nova Constituição.
Segundo a contagem oficial do referendo realizado há dias, 78,6 por cento dos votantes aprovou a proposta de Carta Magna elaborada por um parlamento eleito sob ocupação, ao passo que o documento foi recusado por 21,4 por cento dos eleitores.
Os opositores à Constituição não conseguiram nem sequer que a recusa atingisse dois terços da votação em pelo menos três das 18 províncias do infortunado país árabe.
Tais resultados deram azo a que os governos das potências ocupantes, Estados Unidos e Grã-Bretanha em primeiro lugar, toquem os sinos e festejem a "normalização" iraquiana:
uma vez promulgada, esta Constituição estabelece que antes de 15 de Dezembro próximo o Iraque deverá realizar eleições para formar um novo governo com mandato de quatro anos para substituir as actuais autoridades provisórias que, de facto, encontram-se sob o comando dos ocupantes.
Desta forma obter-se-ia, pois, a inserção do Iraque numa democracia representativa e conseguir-se-ia estabelecer ali o estado de direito.
Por desgraça, as coisas são mais complicadas.
Cabe assinalar, à partida, que a entidade denominada "governo iraquiano", o actual ou seu sucessor, não governo senão em algumas zonas restritas das cidades, especialmente nos arredores das fortificações militares estadunidenses e britânicas, e sob o amparo delas.
A nova Constituição, por isso, terá validade na chamada Zona Verde de Bagdad e em alguns pontos mais do território do Iraque, onde a invasão significa ocupação de enclaves e não um controle efectivo do país.
Se fosse precisa uma prova disso, basta mencionar o mais recente ataque da resistência na capital iraquiana contra um conjunto de hotéis onde se hospedavam mercenários e jornalistas estrangeiros, ataque que foi lançado sem problemas a partir de uma praça de Bagdad.
Por outro lado, inclusive se o texto constitucional pudesse de alguma maneira ser aplicado na totalidade ou na maior parte dessa nação devastada, isso não abrandaria o ânimo rebelde dos sunitas, os quais são tidos como o principal bastião demográfico da resistência.
Pelo contrário, a vigência de várias das disposições constitucionais não faria senão exacerbar a fúria desse sector da população e, por conseguinte, a disposição de muitos dos seus integrantes para unirem-se à insurreição armada.
Além disso, a promulgação constitucional tornará muito mais difícil o arranque de um verdadeiro processo de paz, isto é: negociações entre os ocupantes e uma representação plural e equilibrada da sociedade iraquianas, única forma viável de resolver, ainda que a médio prazo, a catástrofe humana criada pelo governo Bush no Iraque, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.
Não se deve esquecer, quanto a isso, que os recentes bombismos nos sistema de transporte público de Londres estão relacionados directamente com a presença de tropas inglesas no golfo Pérsico, nem que a Casa Branca já investiu 2 mil vidas de estadunidenses na sua aventura colonialista e que a sociedade do país vizinho está inequívoca e maioritariamente contra a continuação desta guerra sem mais perspectivas, para os Estados Unidos, senão a criação de oportunidades de negócio para umas quantas empresas da mafia presidencial e o regresso ao país de jovens mortos que foram levados vivos para o Iraque.
Em suma, a violenta e criminosa incursão militar contra o Iraque acabou sendo um mau negócio até para o próprio Bush, o qual nas presentes circunstâncias encontra-se politicamente acossado pelos efeitos da sua estupidez:
os escândalos pelas mentiras presidenciais anteriores à guerra e pelas torturas em Abu Ghraib e Guantánamo;
as evidências de corrupção e favoritismo na concessão de contratos para a "reconstrução" do Iraque;
a exasperação pela morte de estadunidenses, e as recentemente descobertas vendettas políticas da administração contra os seus críticos (como no caso de Valerie Plame, cuja condição de agente da CIA foi vazada para a imprensa pelo gabinete do vice-presidente Dick Cheney para atingir o esposo de Valerie, o diplomata Joseph Wilson, que se opunha à guerra).
Em 2 de Novembro próximo, primeiro aniversário da reeleição deste republicano, poderá apreciar-se a extensão e a profundidade do descontentamento dos estadunidenses contra o seu governo.
A coligação The World Can't Wait "O mundo não pode esperar" convocou, para essa data, uma jornada de protestos nas principais cidades estadunidenses. Finalmente, quanto mais as potências ocupantes e os seus aliados ocupantes se obstinem em prosseguir por semelhante via de "normalização", mais difícil lhes será saírem de um pântano que se estendeu do território iraquiano e acabou por chegar aos seus próprios países.
[*] Diário mexicano.
O original encontra-se em http://www.jornada.unam.mx/2005/10/26/edito.php Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .
27/Out/05

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

DIVISÕES RELIGIOSAS NO IRAQUE

The Independent: divisões religiosas no Iraque se aprofundam

As três principais comunidades religiosas do Iraque responderam de maneira diferente à derrubada do presidente Saddam Hussein e à ocupação, em 2003. Tais respostas aprofundaram as divisões entre elas.
Os muçulmanos sunitas, que são 20% dos 27 milhões de habitantes do Iraque e que foram a comunidade dominante durante centenas de anos, apoiou a resistência armada contra os Estados Unidos desde o início.
Os xiitas, que equivalem a 60% da população iraquiana, não fizeram resistência à ocupação, mas somente porque estavam convencidos de que mediante eleições assumiriam o poder, privilégio que acreditavam merecer por ser maioria.
A atitude perante os EUA pode estar mudando atualmente.
Somente os curdos, que são outros 20% da população, apoiaram totalmente a presença americana no Iraque.
As animosidades étnicas e sectárias no Iraque foram sempre mais profundas do que os próprios iraquianos admitiam, mas as divisões agora se converteram em abismos.
Cada dia que passa são menos numerosos os bairros de população mista em Bagdá.
Os xiitas, que integram provavelmente três quartos da população da capital, estão expulsando os sunitas, que estão sendo concentrados no sudoeste da cidade.
Cerca de 4,2 milhões de iraquianos fugiram de seus lares e se converteram em refugiados, seja para dentrou ou para fora do país, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Os sunitas jamais aceitaram o predomínio dos xiitas e asseguram que eles não são mais que títeres dos iranianos.
Adnan Dulaimi, que encabeça o maior bloco do parlamento, a Frente do Acordo Iraquiano, advertiu esta semana que o governo do Iraque corre perigo de cair nas mãos dos "persas" e "safawíes", estes últimos são a dinastia iraniana que adotou o xiismo.
As pequenas minorias são as mais afetadas pela situação, pois não possuem milícias.
Os cristãos são considerados ao mesmo tempo vulneráveis e prósperos, o que os converte em alvo para seqüestradores.
Muitos fugiram do país e provavelmente têm mais facilidades para sair que os muçuilmanos, graças a contatos no exterior.
Algumas das comunidades mais antigas do mundo estão desaparecendo.
Aos cristãos que permaneceram no Iraque foi imposto um pagamento aos rebeldes, ou que se convertam ao Islã.
A comunidade dos Mandeos — gnósticos cujo profeta é João Batista — em Bagdá, uma vez foi famosa por seus profetas, ouríves e joalheiros, mas a suposta prosperidade que os fez célebres os converteram em objeto favorito dos criminosos.
Com freqüência se desconhece o tamanho real de uma minoria porque muitas delas exageram suas dimensões.
Os turcomenos se concentram em Kirkuk e seus alredores, mas também são dominantes na cidade de Tal Afar, a oeste de Mosul.
A Turquia assumiu a defesa dessa comunidade.
Uma bomba explodiu em 7 de julho em uma aldeia xiita-turcomena no sul de Kirkuk, matando 210 pessoas e ferindo 400.
É provável que tenham sido alvo da suposta rede al-Qaida.
Mais por serem xiitas que por serem turcomenos.
A província de Nínive, da qual Mosul é sua capital, é um mosaico de comunidades.
Há ali 350 mil Iaziditas, cuja religião tem elementos do zoroastrismo, maniqueísmo, judaísmo, proto-cristianismo e islamismo.
Estão também presentes os Shabakos, que falam uma variação do curdo e em sua maioria vivem a leste de Mosul.
As autoridades curdas querem que tanto yaziditas como shabakos votem como curdos e se unam ao governo regional do Curdistão, em um referendo que será celebrado no fim deste ano.
The Independent

La Jornada

domingo, 29 de julho de 2007

IRAQUE: VENCEDOR DA COPA DA ÁSIA







29/07/2007 01:07 - Com o título, o Iraque está classificado para a Copa das Confederações de 2009, que reunirá todos os campeões continentais e da Copa do Mundo na África do Sul

Soldado iraquiano exibe bandeira e fuzil durante festa
Indonésia, 29/07/2007 - O torcedor iraquiano, acostumado a guerra e a sofrimentos, vive momento de extrema alegria com sua seleção
Iraque, 29/07/2007 - Soldados iraquianos comemoram com fuzis nas mãos a conquista histórica da Copa da Ásia

Iraque, 29/07/2007 - A guerra deu lugar a festa em diversas cidades do Iraque
Comemoração da Copa da Ásia deixa 4 mortos no Iraque
Dezenas de milhares de iraquianos saíram às ruas hoje, desafiando um toque de recolher imposto pelo governo, para comemorar a inédita conquista da Copa da Ásia de futebol.
Na final do torneio, em Jakarta (Indonésia), os "leões da Mesopotâmia" venceram a seleção da Arábia Saudita por 1 a 0.
Segundo o governo iraquiano, pelo menos quatro pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas pelos disparos feitos durante as comemorações.
Mas não houve informes de carros-bomba como o que matou pelo menos 50 pessoas em Basra na última quarta-feira, depois de a seleção do Iraque vencer a da Coréia do Sul na semifinal da Copa da Ásia.
"Longa vida ao Iraque" e "Bagdá é vitoriosa", gritavam os torcedores ao dançar e dar tiros para cima em cidades como Bagdá, cuja população é mista de xiitas e sunitas, em Basra (predominantemente xiita), em Tikrit (cidade sunita onde nasceu o presidente Saddam Hussein, deposto após a invasão do país pelos EUA) e Sulaimaniyah (de maioria curda).
"Há uma grande diferença entre os Leões da Mesopotâmia, que lutam para pôr um sorriso nas faces de seu povo, e aqueles que trabalham nos cantos escuros, espalhando a morte e a lamentação entre o povo inocente.
Estamos orgulhosos de vocês. Vocês merecem nosso amor e respeito", disse em comunicado aos jogadores o primeiro-ministro Nouri al-Maliki (xiita).
O governo iraquiano ofereceu um prêmio de US$ 10 mil a cada jogador da seleção.
Já o presidente do Iraque, Jalal Talabani (curdo), anunciou um prêmio de US$ 20 mil para Younis Mahmoud, o autor do gol na vitória sobre os sauditas, depois de um passe do único jogador curdo da seleção, Mulla Mohammed.
Durante entrevista em Jakarta depois da vitória, Mahmoud disse que não voltaria ao Iraque para comemorar.
"Não quero que o povo iraquiano fique zangado comigo, Mas, se eu voltar com a equipe, qualquer um poderá me matar. Um de meus amigos mais chegados, gente do governo foi à casa dele para prendê-lo e nem eu, nem sua família soube onde ele estava durante mais de um ano", disse o jogador.
Mahmoud, que atua no futebol do Qatar, no Golfo Pérsico, também criticou a ocupação de seu país por tropas dos EUA.
"Quero que a América saia. Hoje, amanhã ou depois de amanhã, mas que eles saiam. Eu gostaria que os americanos não tivessem invadido o Iraque e espero que isso termine logo", acrescentou.
A seleção iraquiana não joga em seu próprio país desde a primeira invasão norte-americana, há 17 anos.
Como quase todos os jogadores da seleção iraquiana são xiitas, a partida entre Iraque e Arábia Saudita, predominantemente sunita, foi apelidada de "Ali versus Omar", lembrando a origem da oposição entre as duas principais correntes religiosas do mundo muçulmano (segundo os xiitas, no final do século VII, Omar Ibn al-Khatab, o segundo califa, teria usurpado o poder de Ali Ibn abi-Taleb, primo do profeta Maomé).
Em Bagdá, o comando das forças de ocupação norte-americanas informaram que dois soldados dos Estados Unidos morreram hoje em ataques ocorridos em diferentes pontos da capital.
Essas baixas elevam para 3.648 o número de militares dos EUA mortos no Iraque desde a invasão, em março de 2003.
Ao todo, a coalizão que invadiu o Iraque contabiliza 3,940 militares mortos.
Há estimativas de que o número de iraquianos mortos desde o início do conflito supera os 650 mil.

O ESPORTE QUEBRA BARREIRAS, UNE POVOS E PROPAGA A PAZ!







Técnico brasileiro une sunitas e xiitas para conquista inédita do Iraque

A seleção de futebol iraquiana se classificou nesta quarta para a final da Copa da Ásia.

Jorvan Vieira, que comanda o time do Oriente Médio, falou com exclusividade ao G1.
Dani Blaschkauer Do G1, em São Paulo
Reuters
Jogador iraquiano Bassim Abbas reza após vitória de sua seleção (Foto: Nicky Loh/Reuters)

O esporte quebra barreiras, une povos e propaga a paz.
Quantas vezes você já leu ou ouviu isto?
Então, prepare-se, porque nesta quarta-feira (25) a frase ganhou um reforço.

Um brasileiro conseguiu fazer com que jogadores esquecessem a rivalidade étnica para fazer o Iraque chegar a um posto que nunca alcançou antes: a seleção de futebol se classificou para a decisão da Copa da Ásia ao vencer a Coréia do Sul por 4 a 3 nos pênaltis, após um empate sem gols no tempo normal e na prorrogação.
Até então, o melhor resultado do time iraquiano fora um quarto lugar em 1976 (clique aqui para ver o site de futebol internacional do GloboEsporte).

Num dos países mais violentos do mundo, foi a surpreendente união entre povos que levou o time à final do campeonato.

"Aqui, eles brincam, se beijam, se abraçam, dão as mãos e até tocam música árabe juntos. O ambiente é o melhor possível”, contou Jorvan ao G1, por telefone, direto de Kuala Lumpur, na Malásia.

“A tônica de nossas conversas e preleções é justamente esta: dar o exemplo de que é possível a convivência pacífica”, completou ele.

CLIQUE AQUI PARA COMENTAR A NOTÍCIA
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL76962-5602,00.html#frmPost

De arma na mão iraquiano comemora com amigos vitória da seleção na Copa da Ásia (Foto: Reuters)
Os conflitos no Iraque, principalmente entre xiitas e sunitas, existem desde quando Saddam Hussein liderava o país sob uma ditadura linha-dura.

Após a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, a minoria sunita perdeu o poder para os xiitas.
A mudança levou a um aumento da tensão entre os dois grupos, que chegou à atual guerra civil (clique aqui para ler mais e ver o mapa da divisão sectária).
Reuters

O treinador brasileiro Jorvan Vieira (Foto: Reuters)

“A situação no país é trágica. Eles têm várias linhas da religião. É um fato memorável poder reunir todas estas três tribos [sunitas, xiitas e curdos], no bom sentido", diz o brasileiro Jorvan Vieira.

O feito inédito para a história do futebol iraquiano fez até o brasileiro virar embaixador honorário do Iraque.

“O secretário do primeiro-ministro (Nuri al-Maliki) veio até aqui nos parabenizar. E disse que eu, a partir de agora, serei sempre o embaixador do país. Recebi a informação com muita honra e alegria. O futebol nos leva para este tipo de situação”, disse ele, que contou que se o time for campeão (enfrentará a Arábia Saudita, do técnico brasileiro Hélio dos Anjos, na decisão no próximo domingo, dia 29) os atletas ganharão uma viagem de avião para Bagdá.
“Espero poder entrar neste Airbus 300. Botamos os capacetezinhos, coletes à prova de bala e vamos para lá. Quando aceitei a proposta de dois meses para comandar o Iraque, uma das razões era poder dar um sorriso para este povo tão sofrido”, completou o técnico brasileiro (clique aqui para ler mais sobre Jorvan).

arte
Mapa do Iraque dividido (Arte: G1)


sábado, 7 de julho de 2007

Festival cultural oferece raro alívio ao povo de Bagdá

As luzes diminuíram e um poeta solitário subiu ao palco.
"Se a pátria nos chama, devemos todos sair em sua defesa", disse Samir Al Quaraishi ao público.
"Nossos pais não nos criaram para trancar nossas portas."
Essa e outras mensagens de união nacional foram o centro de um raro festival nesta semana em Bagdá (Iraque), no qual poetas, atores e cantores instaram os presentes a lembrarem-se de uma época em que o país não estava em guerra.

Por razões de segurança, o evento patrocinado pelo governo não foi divulgado nos jornais iraquianos, e a maior parte dos convites foi feita boca a boca.
Por causa do rígido toque de recolher de Bagdá, a apresentação foi feita ao meio dia e não à noite.
Dezenas de policiais fecharam as ruas para o Teatro Nacional no dia do evento, atrapalhando o tráfego por horas.
Todos eram cuidadosamente revistados na entrada.
Quando o público de cerca de 100 pessoas conseguiu entrar, porém, apreciou uma apresentação de arte que lamentava a violência incessante do Iraque e apelava para a paz.

Quatro atrizes surgiram no palco com roupas típicas de diferentes regiões do país.
Uma delas representou o Norte, outra o Sul e outra Bagdá.
A quarta deveria representar Sherazade, personagem do clássico As Mil e Uma Noites.
As atrizes dançaram alegremente até ouvirem uma bomba – gravada – ecoando pelo auditório. Elas correram para camas no palco e se cobriram de medo.

Depois, um homem começou a falar.
"Meu país está sangrando; por tanto tempo estava sangrando a civilização", disse Hani Al Fayad, poeta de Nasiriyah.

O objetivo do festival era pedir o fim da violência sectária, segundo Ghanim Hamid, gerente da televisão Al Sumaria, que coordenou o evento.
"Acredito que a influência da arte nas pessoas é maior do que as palavras dos políticos", disse ele.
"A mídia e a arte devem trabalhar juntas na campanha de reconstrução contra o terrorismo", completou.

Muitos membros da platéia disseram que ficaram agradecidos principalmente por um dia no teatro.
Reuniões públicas de qualquer tipo são extremamente raras em Bagdá atualmente por causa da violência.

"Cada ator ou atriz tem um papel nesta comunidade de esclarecer ao povo que devem seu amor e lealdade ao país, e não a sua seita", disse a atriz Rasha Al Sahir.

"Estou tão feliz de estar aqui hoje. Sentimos falta desses festivais. Eles deviam fazer isso todos os dias", disse Saad Karim, funcionário do Ministério de Comércio.
"As canções e poemas que ouvi hoje me lembraram dos velhos tempos. De fato, vivemos juntos por séculos – sunitas, xiittas, árabes e curdos. Por que agora nos odiamos e combatemos uns aos outros?" perguntou.
"Construímos nossa história juntos, e devemos começar a construir nosso país juntos também."

27/05/2007
Fonte: USA Today

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=18707

sexta-feira, 6 de julho de 2007

BIN LADEN, ABU MUSAB AL ZARQAWI e AYMAN AL ZAWAHRI


Sexta-feira, 30 de junho de 2006

CIA confirma voz de Bin Laden em gravação da Al Qaeda
Líder da Al Qaeda quer o corpo de Al Zarqawi

Uma análise feita por funcionários da CIA [inteligência americana] confirmou nesta sexta-feira que a voz de uma fita divulgada pela rede terrorista Al Qaeda em um site na internet é do líder da organização, o saudita Osama bin Laden.

"A análise técnica da fita terminou, e determinou-se que é a voz Bin Laden", disse um funcionário americano, que falou em condição de anonimato.

A gravação, de 19 minutos, foi divulgada com imagens de Bin Laden ao fundo.
Ele defendeu os ataques contra civis realizados por Abu Musab al Zarqawi -- líder da rede no Iraque morto em um bombardeio dos EUA em Baquba em 7 de junho.

O líder da Al Qaeda exige ainda que o presidente americano, George W. Bush, entregue o corpo de Al Zarqawi à sua família na Jordânia e faz elogios ao líder terrorista morto.
Bin Laden diz ainda que o governo da Jordânia deve permitir que seu corpo seja enterrado no país.

Foi a quarta mensagem de Bin Laden divulgada pela Al Qaeda neste ano.
Todas eram gravações de áudio.
Bin Laden não aparece em imagens de vídeo desde outubro de 2004.
A autenticidade da gravação não pode ser confirmada.

Elogios
Na gravação, a suposta voz de Bin Laden diz que Al Zarqawi agia "sob ordens da Al Qaeda" e tinha permissão para matar "qualquer pessoa que apóie os americanos no Iraque".

"Abu Musab tinha ordens claras para focar sua luta contra os invasores, particularmente os americanos, e deixar de lado aqueles que permanecem neutros", afirmou.
"Mas aqueles que se alinharam aos cruzados, contra os muçulmanos, deveriam ser mortos, independentemente de sua facção. Apoiar infiéis contra os muçulmanos é um grande pecado", disse Bin Laden.

A estratégia de Al Zarqawi de atacar civis xiitas, em uma tentativa de disseminar confrontos entre xiitas e sunitas, causou intensas críticas mesmo entre extremistas islâmicos e gerou tensão entre alguns dos principais líderes da Al Qaeda.

Carta
Em julho de 2005, o braço direito de Bin Laden, Ayman Al Zawahiri, escreveu uma carta a Al Zarqawi criticando os ataques contra mesquitas e civis xiitas, dizendo que estes "prejudicavam a imagem" dos mujahidin.
Al Zawahiri também pediu dinheiro a Al Zarqawi, segundo o Exército americano, que interceptou a mensagem.

Aparentemente, Al Zarqawi ignorou as críticas, pois os ataques contra xiitas prosseguiram.
Tensões entre Al Zarqawi e a liderança da Al Qaeda se dissiparam no início de 2006, quando Al Zawahri divulgou três gravações de vídeo nas quais elogiava Al Zarqawi.

Os elogios parecem ser uma tentativa do comando da Al Qaeda de se conectar com Al Zarqawi, que passou a ser visto como herói por extremistas islâmicos após sua morte em um bombardeio do Exército americano perto de Baquba (65 km ao norte de Bagdá), em 7 de junho.

Fonte: Folha Online

PARA TODA AÇÃO, HÁ UMA REAÇÃO!


Vice-líder da Al Qaeda ameaça realizar ataques contra Ocidente


A Al Qaeda continuará a atacar alvos dos EUA e de outros países do Ocidente enquanto os muçulmanos estiverem sob ataque, afirmou o segundo homem na cadeia de comando da rede, Ayman al-Zawahri, em um vídeo divulgado na quarta-feira.


"Se somos atacados em nossas terras, não deixaremos de atacá-los nos seus países, se Deus quiser", afirmou Zawahri na gravação, divulgada pela rede de TV Al Jazeera.


"A fórmula para a segurança dos senhores é essa: os senhores não sonharão em ter segurança enquanto não a experimentarmos na Palestina e em todos os países islâmicos", afirmou.


A Al Qaeda, que realizou os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, prometeu várias vezes realizar outras investidas contra o país.

Zawahri fez uma ameaça do tipo, pela última vez, em um vídeo divulgado em junho e no qual prometia vingar a morte do líder da rede no Iraque.

Na gravação mais recente, o número dois da Al Qaeda rebateu o argumento do presidente dos EUA, George W. Bush, de que o combate ao terrorismo garantiria a segurança.

E disse que os norte-americanos estavam desesperados para encontrar uma saída do Iraque e do Afeganistão, mas que se aproximavam das pessoas erradas.


"Tanto os democratas quanto os republicanos procuram desesperadamente por uma saída dos desastres no Afeganistão e no Iraque. E ainda continuam usando a mesma mentalidade agressiva e tentando cooperar com algumas pessoas para garantir essa saída. Mas essas pessoas não conseguirão lhes oferecer uma saída, e os senhores vão fracassar."


Zawahri acrescentou:


"Os senhores não estão negociando com os verdadeiros detentores do poder no mundo islâmico e os senhores parecem estar caminhando rumo a uma penosa rodada de negociações, depois da qual serão obrigados a negociar com as forças reais."


Em vista de pressões crescentes para mudar os rumos da impopular guerra no Iraque, Bush estuda as recomendações feitas pelo Grupo de Estudo sobre o Iraque, formado por membros do Partido Republicano e do Partido Democrata.


O painel recomendou que os EUA negociem diretamente com a Síria e o Irã a respeito do Iraque e que acelerem o programa de treinamento das forças iraquianas a fim de retirar os soldados norte-americanos dali até o começo de 2008.


Zawahri convocou os combatentes sunitas a unirem-se ao chamado Estado Islâmico no Iraque, uma entidade anunciada por um grupo da Al Qaeda em outubro.


"Conclamo toda a nação muçulmana a dar apoio a esse Estado nascente já que essa, se Deus quiser, é a porta para a libertação da Palestina e para a retomada do califado islâmico", disse.


"Conclamo todos os meus irmãos mujahideen no Iraque a unirem-se a esse comboio abençoado a fim de salvar o califado iraquiano dos grilhões dos cruzados e seus agentes, os traidores que venderam sua fé", afirmou o militante, que nasceu no Egito.


Zawahri também atacou os líderes xiitas do Iraque que, segundo disse, opunham-se à jihad contra as forças lideradas pelos EUA no Iraque ao mesmo tempo em que consideravam a guerra do Hezbollah, uma guerrilha libanesa, contra Israel, ocorrida recentemente, como algo sancionado pelo Islã.


"Como é possível que a jihad contra os judeus no Líbano esteja de acordo com o Islã enquanto a jihad contra os norte-americanos no Iraque e no Afeganistão seja um tabu", disse.


Fonte: Reuters