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sábado, 3 de novembro de 2007

BRASIL, IRAQUE e PALESTINA

Jameel Al Juboury, presidente da Federação Geral dos Trabalhadores do Iraque:

‘Agressão aos palestinos atinge a todos que lutam pela soberania’

"A posição do Iraque de apoio e solidariedade ao povo palestino é a posição dos povos livres de todo o mundo", afirmou Jameel Salman Al Juboury, em entrevista ao HP durante visita à redação

HORA DO POVO - Que avaliação o senhor faz desta visita e dos contatos no Brasil ?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY - Em primeiro lugar, quero dizer que estou muito contente em visitar o Brasil, pois sempre tive desejo de conhecer vosso país.
Tentamos participar do congresso da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, atendendo o convite do presidente Antonio Neto, mas não foi possível devido às circunstâncias do bloqueio contra o nosso país.
Temos boas relações com povo brasileiro e com a Central.
Temos a nossa luta comum contra o imperialismo, e isto é muito importante.
Em nossa visita ao Brasil, em nossas reuniões com trabalhadores brasileiros, especialmente com Antonio Neto, presidente da Central, achamos muito importante para o desenvolvimento das relações entre os trabalhadores dos nossos países e para deter a agressão dos EUA aos povos.
Queremos trabalhar juntos contra essa política do governo dos EUA para que seja contida e não obtenha sucesso.

UNIDADE DOS POVOS
Todos os partidos e movimentos, todos os povos precisam estar juntos e formar uma grande frente para barrar os crimes dos EUA, para impedir que cometam mais crimes contra os povos de todo o mundo.
Nós sabemos que o governo norte-americano tem uma política contra os povos da América Latina, Ásia, África e, especialmente, contra os povos que querem viver em paz e manter sua independência.
A administração norte-americana não respeita a soberania, a liberdade, a opinião e nem as decisões dos povos, muitos menos os direitos humanos.
Os EUA não têm amigos, têm interesses e, enquanto tagarelam sobre direitos humanos, são contra os mais elementares direitos do homem.
Falam contra o terrorismo enquanto perpetram, estimulam e apóiam o terrorismo em todo o mundo, especialmente na Palestina, onde os assassinatos de crianças e idosos são perpetrados com tanques e armas americanas, tudo com o apoio dos Estados Unidos.
Essa política imperialista dos EUA também impõe sofrimento ao povo do Iraque, seja através das sanções – que afrontam as leis internacionais –, seja interferindo nos assuntos internos do Iraque via financiamento dos traidores do país que vivem nos EUA.
Há ainda as agressões dos aviões americanos e ingleses nas regiões norte e sul do país.
O povo do Iraque está junto, unido com seu governo, com o comando do país e gosta do presidente Saddam Hussein.
Por isso somos unidos e fortes e estamos lutando contra essas potências.
A administração norte-americana vive falando em democracia e sobre combate ao terrorismo.
Mas onde está sua democracia ?
Onde está seu combate ao terrorismo?
Por exemplo, no Afeganistão, sob intervenção dos EUA, bombardeiam todos os dias as populações pobres daquele país.
O povo da Síria tem suas colinas de Golan invadidas por Israel;
o povo libanês teve o sul do país invadido e continua sofrendo agressões;
a Líbia, o Sudão e Cuba passaram e passam por agressões e embargos.
Essa é a política dos Estados Unidos contra todos os povos que querem viver em paz.
Nós estamos seguros de que o governo dos EUA não alcançará vitória contra os povos, pelo contrário, tem colhido - e continuará colhendo - derrotas e mais derrotas nos últimos embates no mundo, inclusive com o Iraque.
Os EUA não podem fazer nada contra o Iraque porque não têm direito, não têm razão.
Os países estão lutando por sua liberdade, por sua independência e vão ser vitoriosos no final porque estão lutando por seus justos direitos.
Nosso povo está lutando por princípios em que acredita.
Existe uma imensa diferença entre lutar por princípios e lutar por interesses econômicos espúrios.
Os EUA não têm princípios, nem ideologia e estão perdendo a própria alma. Lutam apenas visando se apoderar do que pertence aos povos.
Nós acreditamos na vitória efetiva ao final porque lutamos contra a agressão, contra a discriminação, contra a "globalização" e contra a privatização.
O governo dos EUA diz que o Iraque, o Irã, Coréia Popular, são o demônio, diz que estes países são "eixo do mal".
Na verdade, estes são países que lutam contra o hegemonismo que a Casa Branca quer impor.
E essa conversa de Bush é uma tentativa de borrar a realidade, uma vã tentativa de confundir para esconder a verdade.
Assim, falam de "globalização" tentando esconder os problemas econômicos do III mundo, os problemas econômicos nos Estados Unidos e, sobretudo, abafar as evidências das agressões que caracterizam a política dos EUA.

HP – Que avanços ocorreram nas relações entre a Federação Geral dos Trabalhadores do Iraque e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY – Foram muito frutíferas nossas reuniões de trabalho, nossos debates, trocas de opiniões e de informações.
Firmamos um manifesto conjunto entre as duas organizações sindicais, cujo objetivo maior é fortalecer e desenvolver o trabalho comum entre os trabalhadores do Brasil e do Iraque.
Esta visita foi um sucesso porque somos povos amigos e temos boas relações com os trabalhadores brasileiros.
Necessitamos trabalhar juntos, sempre.
Esperamos que uma delegação da Central, encabeçada pelo presidente Neto, visite o Iraque para aprofundarmos as relações entre os trabalhadores dos dois países.

HP – Quais as conquistas sociais e as mudanças mais significativas que a revolução dirigida pelo partido Baath trouxe para os trabalhadores e para o povo iraquiano?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY – A revolução fez muito pelos trabalhadores e pelo povo do nosso país.
Por exemplo, a Lei do Trabalho, que garantiu a previdência, a seguridade social para a mulher trabalhadora, foi uma das grandes conquistas.
No terreno da organização sindical e popular houve imensos avanços.
Antes da revolução, os sindicatos eram ilegais e atuavam na clandestinidade, sob forte perseguição.
Vitoriosa a revolução, não apenas os sindicatos foram legalizados e estimulados, como todos os setores da população puderam se organizar de forma democrática.
Assim, a organização das mulheres, dos jovens e estudantes passou também a existir a partir de então.
A revolução garantiu a independência e protegeu a economia do nosso país. Construiu uma sociedade com base socialista.
As riquezas do Iraque foram nacionalizadas, especialmente o petróleo e outros recursos minerais.
A revolução deu autonomia aos curdos, que antes não tinham liberdade.
A revolução estabeleceu a reforma agrária, eletrificou o país e garantiu educação para todos.
Antes, nem as pessoas mais ricas eram alfabetizadas.
Para tornar efetivo o acesso das camadas mais pobres da população à educação foi instituída uma lei tornando obrigatório que as crianças frequentassem a escola, cobrando-se a responsabilidade das famílias.
A revolução iraquiana vitoriosa em 1968 foi liderada pelo presidente Saddam Hussein que comandou uma frente nacional composta pelo Partido Baath, pelo Partido Comunista, Partido Curdo e lideranças independentes.

HP – Que medidas de solidariedade estão sendo tomadas pelo governo do Iraque frente às agressões de Israel ao povo palestino?

JAMEEL SALMAN AL JUBOURY - A agressão contra os palestinos é uma agressão contra o Iraque e contra os povos amigos que lutam por sua independência e liberdade.
O que os palestinos estão sofrendo por parte do governo israelense tem o apoio do governo norte-americano.
Por isso, o presidente Saddam Hussein está convocando voluntários para lutar junto com o povo palestino e já se apresentaram como voluntários 7 milhões de iraquianos, homens e mulheres, dispostos a batalhar pela libertação de Jerusalém.
O presidente Saddam Hussein determinou que 1 bilhão de dólares do programa "Petróleo por Alimentos" seja aplicado em ajuda ao povo palestino e também está oferecendo medicamento e alimentos.
Durante esse período de intensificação das ações terroristas do Estado de Israel contra os palestinos foi enviada uma equipe médica para a Jordânia para tratar dos palestinos feridos.
Nos casos mais graves, os pacientes são levados de avião de Amã para Bagdá, onde há melhores condições para atendimento.
Esta nossa posição de apoio aos palestinos é também a posição dos povos livres de todo o mundo.
Redação

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O drama dos refugiados iraquianos com a Guerra contra o Iraque

foto: Um grupo de refugiados iraquianos que acaba de chegar a Damasco descarrega suas bagagens no bairro de Jaramana
Quem paga “a exportação da democracia”
de Gianni Valente

A agência da ONU para os refugiados (Unhcr) descreve o resultado da crise iraquiana como “o mais maciço deslocamento de uma população no Oriente Médio desde o êxodo dos palestinos que se seguiu à criação do Estado de Israel em 1948”.

Numa população de 26 milhões de pessoas, cerca de 1,8 milhões de iraquianos são refugiados dentro do próprio país, número que poderia crescer a 2,3 milhões até o fim do ano.

Outros 2 milhões vivem no exílio.

Além de um milhão de refugiados na Síria, de que falamos nestas páginas, 750 mil foram expatriados para a Jordânia.

O que preocupa é sobretudo o cenário realista de um aumento exponencial do êxodo de um país dilacerado pela guerra civil.

Se até 2004 se registrava entre a população que fugiu em conseqüência da guerra um fluxo consistente de retorno ao Iraque (300 mil em 2003, 200 mil em 2004), em 2006 apenas 500 refugiados retornaram estavelmente a seu país (ao passo que a média de exilados gira em 40 mil por mês).

Os recursos.
Em janeiro de 2007, a Unhcr lançou um apelo para o angariamento de 60 milhões de dólares necessários para sustentar os programas de proteção e assistência aos refugiados iraquianos ao longo deste ano.

Em meados de fevereiro, as doações cobriam apenas a metade do valor necessário, com as contribuições mais consistentes feitas pelos Estados Unidos (18 milhões) e pela Austrália (2,2 milhões), estando ausentes quase todos os países europeus (com as exceções significativas da Suécia e da Dinamarca).

A Unhcr convocou para os próximos 17 e 18 de abril uma conferência internacional sobre os refugiados e exilados iraquianos, a se realizar em Genebra.

Dirigiu também um apelo à comunidade internacional para que “alivie o ônus humanitário” que pesa sobre os países hóspedes, onde os governos “vêm encontrando dificuldades crescentes na tentativa de administrar um número de refugiados tão amplo”.
Portas fechadas.

Os governos ocidentais não abrem as fronteiras aos iraquianos com status de refugiados.

Só os EUA se declararam disponíveis a acolher sete mil até setembro.

Em meio ao desinteresse geral da comunidade internacional, a exceção é a Suécia, onde 9 mil iraquianos pediram asilo em 2006.


Palestinos sem pátria.

Entre aqueles que mais sofreram com o caos e a violência que explodiram no Iraque pós-Saddam estão os palestinos, que haviam encontrado refúgio no país quando fugiram de suas terras em razão do conflito israelense-palestino iniciado em 1948.

Antes de 2003, eram 34 mil.

Hoje, a barbárie que cresce contra eles (homicídios premeditados, seqüestros, torturas) é também um meio de despejar o ressentimento e a inveja ante a assistência material – alimento, alojamento, assistência à saúde e educação – de que gozavam sob o velho regime baathista.

Nenhum dos países da região – nem a Síria – abre as fronteiras para oferecer a eles asilo e segurança.

Um símbolo desse blecaute humanitário é o caso dos 700 palestinos que se encontram há meses acampados vivendo no limite da sobrevivência em al-Waleed, terra de ninguém entre o Iraque e a Síria.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A RESISTÊNCIA IRAQUIANA


Entrevista com um dirigente militar da Resistência Armada Iraquiana

6 de Maio de 2005


Numha altura em que a guerra de libertaçom nacional iraquiana incrementa a sua intensidade em forma de ataques de todo o tipo contra interesses imperialistas no país, a Campanha Estatal contra a Ocupaçom e pola Soberania do Iraque publicou umha esclarecedora entrevista com um dos dirigentes militares da resistência laica contra a ocupaçom anglo-norte-americana, realizada durante a visita de umha delgaçom dessa entidade ao Iraque.
A seguir, e polo seu interesse para percebermos a natureza dos factos que sacodem o país árabe, oferecemos a traduçom galega da entrevista, como mais um contributo de apoio incondicional do nosso partido à luita do povo iraquiano pola sua soberania nacional:

"Cumpre é manter a resistência armada afastada do fanatismo religioso ou de qualquer identificaçom étnica ou confissional"

Abu Yusef [1] identifica-se como representante da "[…] corrente patriótica das [dissolvidas] Forças Armadas iraquianas integradas na resistência".

Abu Yusef, de apousado falar e expressividade discreta, cabelo e bigode com algumhas brancas, cuja idade pode andar por volta dos 55 anos, é ex-general:

"Parte das acçons da resistência iraquiana contra os ocupantes está a ser dirigida por membros do antigo exército iraquiano", que tinha sido dissolvido, junto ao Partido Baaz, polo administrador da Autoridade Provisória da Coligaçom, Paul Bremer, no Verao de 2003.


A formaçom política correspondente, que integra membros nacionalistas do dissolvido exército iraquiano, denomina-se Movimento de Oficiais Livres (MOL), cujo nome recupera o de umha formaçom clandestina de comandos militares na etapa monárquica prévia à revoluçom republicana de 1958.

Além do Partido Baaz, a Aliança Patriótica Iraquiana e a Uniom do Povo (organizaçom formada por dirigentes e militantes comunistas dissidentes da linha colaboracionista do Partido Comunista Iraquiano), o MOL está a participar no debate para a formaçom de umha denominada Frente de Libertaçom Nacional [2], que deverá apresentar-se como o ramo político da resistência militar à ocupaçom.

Contra o hegemonismo e o sectarismo
O encontro com a delegaçom da CEOSI decorre numha casa de Bagdad sem particulares medidas de segurança.

Sem que seja preciso estabelecê-lo, renunciamos a gravar a conversa, tirar fotos ou filmar.

Abu Yusef adianta no início da sua intervençom umha clara definiçom da resistência iraquiana:
"A resistência iraquiana rejeita o terrorismo, o seqüestro, a extorsom, o assalto a moradias e os ataques contra templos; protege as instituiçons académicas e públicas, umha vez que som património colectivo do povo iraquiano. A resistência iraquiana tem como objectivo expulsar os ocupantes e preservar a unidade do território e do povo iraquianos".


Abu Yusef nom identifica a resistência com umha determinada corrente ideológica nacionalista ou islamista, nem exprime que umha ou outra sejam maioritárias entre os combatentes: "os distintos componentes da resistência partilham o objectivo comum de expulsar os ocupantes e rejeitam a hegemonia ideológica de umha corrente sobre as restantes".

Abu Yusef é categórico no que di respeito à natureza do movimento insurgente: "[…] defenderá o princípio de cidadania e respeitará a vontade popular" umha vez atingida a libertaçom do país dos ocupantes.

Acrescenta que "cumpre é manter a resistência armada afastada do fanatismo religioso ou de qualquer identificaçom étnica ou confissional".
Abu Yusef adere à reiterada consideraçom de todos os nossos interlocutores durante a nossa estada no Iraque quanto à tentativa estado-unidense e das forças colaboracionistas iraquianas de induzir artificialmente um conflito civil no Iraque. [3].

É nessa altura que na reuniom nos mostram umha listagem que inclui um milhar de nomes e dados de pessoas alegadamente contrárias à ocupaçom e que deverám ser assassinadas.

A lista -que foi filtrada por funcionários do ministério iraquiano do Interior à resistência- foi elaborada conjuntamente polas milícias do Congresso Supremo da Revoluçom Islámica no Iraque (CSRII), a organizaçom Badr e as milícias de Ahmad Chalabi, e confirmaria a posta em andamento de esquadrons da morte no Iraque.
Neste mesmo senso, Abu Yusef criticou a fetua (édito islámico) do aiatolá as-Sistani de 22 de Março, em que se sanciona a entrega de informaçom aos serviços secretos e de segurança iraquianos sobre a resistência e a oposiçom, um édito "que nom só nom condena a ocupaçom, como a apoia e beneficia aprofundando simultaneamente no projecto de confronto interno iraquiano", indica o nosso interlocutor.

Objectivos legítimos
Perguntado sobre o nível de unificaçom atingido entre os distintos grupos armados, Abu Yusef frisa que "a resistência está numha fase de melhoramento da sua coordenaçom, enquanto continua o processo de criaçom de comandos unificados territoriais".

Abu Yusef elude responder sobre o número de efectivos da resistência, assinalando que: "o importante nom é tanto o número de combatentes, como o número de civis que a apoiam".
A resistência iraquiana, acrescenta Abu Yusef, "está a desenvolver umha experiência distinta da dos movimentos guerrilheiros do período dentre a II Guerra Mundial e a década de 70", tendo em conta, aliás, que nom dispom de bases seguras como tinha sido o caso, por exemplo, do Vietcong.

Abu Yusef mostra-se nisto muito crítico ao vincar que nengum país árabe limítrofe do Iraque dá qualquer apoio à resistência e que, ao contrário, colaboram com os ocupantes.

A resistência iraquiana, continua Abu Yusef, financia-se exclusivamente com contributos internos iraquianos.
Abu Yusef diferencia entre o que ele denomina "objectivos legítimos" da actividade armada e aqueles que nom som tais:
"Os ocupantes, os traidores e colaboracionistas [som objectivos legítimos da actividade armada]. Som objectivos da resistência igualmente a Polícia iraquiana e a Guarda Nacional, milícias criadas polos ocupantes para se protegerem da resistência e que som utilizadas na actualiadade como vanguarda das forças de ocupaçom [nos operativos contrainsurgentes]".
No entanto, Abu Yusef é categórico ao sublinhar que a resistência nunca recorre a carros armadilhados nem realiza ataques indiscriminados que custarem a vida a civis iraquianos".

"A resistência -acrescenta- recorre a ataques com bomba nas bermas [contra colunas de viaturas das forças de ocupaçom", bombardeamento com mísseis e projécteis de morteiro, lança-granadas e armamento ligeiro".
Abu Yusef refere a expressom "cartas misturadas" para descrever a confusom e manipulaçom das reivindicaçons via Internet de acçons legítimas de resistência como atentados terroristas por parte de grupos associados à rede Al Qaeda ou a az-Zarqawi.

Por vezes, assinala Abu Yusef, algumhas das acçons indiscriminadas adjudicadas a estes ramos som obra de "correntes religiosas de jovens árabes estrangeiros nom associados a Al Qaeda", e desligados da resistência interior.
Som igualmente alvos legítimos a infraestrutura petrolífera, enquanto as empresas estatais iraquianas fornecerem petróleo às empresas estado-unidenses do consórcio Halliburton, bem como as colunas de camions-cisterna que nutrem de carburante as forças de ocupaçom, e que podem ser vistos habitualmente na rede de estradas da periferia da capital escoltados por veículos blindados estado-unidenses.
Todavia, Abu Yusef indica que nem todas as sabotagens contra oleodutos som obra da resistência, um dado que reiterarám outros interlocutores da delegaçom da CEOSI durante a nossa estada no Iraque: em ocasions, designadamente no Sul, mas também na rede Kirkuk-Ceyhan do Norte, funcionários iraquianos associados a mafias repressam clandestinamente o petróleo deitado ou incrementam a cifra da quantidade de crude queimada num ataque para a seguir o venderem de contrabando.


Retirar-se do Iraque
Temos certeza que os EUA vam sair do Iraque, que estám a tentar arranjar maneira de sair do Iraque.

Para tal, estám a estabelecer e proteger entidades e forças [de segurança] internas que som continuidade das milícias dos partidos vindos com os ocupantes: a sua lealdade é ao dinheiro, nom ao País", assinala Abu Yusef.

Após citar Winston Churchill ("os estado-unidenses enganam-se umha vez, voltam a enganar-se umha segundda vez, mas à terceira batem certo"), Abu Yusef afirma nom ter dúvida que mais cedo do que tarde os ocupantes irám abrir umha negociaçom directa com a resistência militar -tentativas de negociaçom que, como outros interlocutores da delegaçom indicarám, estariam já a produzir-se desde há nom menos de oito meses.

Notas:
1. Abu Yusef nom é necessariamente um pseudónimo. Popularmente, nos países árabes, os homens substituem o seu nome civil original polo do seu primeiro filho ou filha precedido por "pai de".
2. A delegaçom da CEOSI tivo acesso a dous rascunhos deste documento, elaborados por distintas organizaçons promotoras da Frante, que num deles acrescenta à denominaçom de Nacional também a de Islámico: Frente de Libertaçom Nacional e Islámica.
3. Abu Yusef enfatiza a toleráncia que tem caracterizado o Iraque tradicionalmente como um exemplo pessoal de curioso sincretismo religioso: a sua mae, mussulmana, ante a demora a engravidar, recorreu a umha imagem da Virgem dos cristaos iraquianos para o conseguir, pondo-lhe velas numha igreja.


http://www.primeiralinha.org/destaques6/entrevista-iraque.htm

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Crimes de guerra
Homenagem ao Iraque
Yasmin Anukit*
Quando digo "homenagem ao Iraque", expresso minha profunda consternação pela agenda criminosa a que tem sido submetida esta terra.
Incluo aí a esperança de que a vitória dos povos do Oriente Médio possa conduzir à liberdade verdadeira e o desejo de que a fênix, um dia, renasça das cinzas.
Afinal, a águia é o emblema do Iraque.
A própria bandeira do país, constituída pelas três cores da "opus magna" (o branco da origem, o vermelho da exaltação e o negro da dissolução), indica a vocação de morrer e renascer infinitamente.
Sedimentando, às margens do Tigre e do Eufrates, a Mesopotâmia e, muitos milênios depois, o Califado, que desde Baghdad, inundaria o mundo, a alma do povo iraquiano sempre demonstrou uma consciência inexaurível das possibilidades de reengendramento da vida e da morte.
O próprio significado das "Mil e Uma Noites" designa o ciclo interminável do eterno retorno. Sobrepondo-se às cores da bandeira brilham as três estrelas verdes (Unidade, Liberdade e Socialismo) e o lema: Allah hu Akbar!"- Deus é Maior - indicando que, além da contingência, Ele permanece.
Alguns mitos falaciosos e equivocados serviram de legitimação arbitrária para a guerra.
Em primeiro lugar, a acusação sobre o uso de "armas químicas".
O Iraque admitiu o uso de armas químicas para pôr fim ao conflito de oito anos com o Irã, no momento em que a infantaria iraniana ameaçava assolá-los.
A verdade é que as potências do primeiro mundo reivindicam o monopólio exclusivo destas armas.
Sob a cobertura da "ameaça química iraquiana" - cujo precedente foi o ataque à aldeia curda de Hallabja, terminantemente negado pelo vice-primeiro ministro Tarik Aziz e pelo professor da Escola Superior de Guerra dos EUA, Stephan Pelletière - oculta-se o crime das Nações Unidas ao aprovar, na guerra do Golfo de 1991, o lançamento de mais de 300 toneladas de urano empobrecido sobre Basra, no sul, levando à morte lenta milhares de pessoas, por câncer, leucemia e deformações várias.
Desde então, o país tem sido bombardeado pela aliança anglo-americana, ininterruptamente, com armas não convencionais.
Além disso, despejou-se sobre as lavouras todo tipo de germes e vírus, contaminando, assim, a agricultura local e a água potável.
Agora vem o "golpe de misericórdia".
Esses bombardeios atingiram as chamadas "zonas de exclusão aérea", contrárias à lei internacional, pois o Iraque teria direito à defesa sobre aqueles 2/3 do território.
Passo a passo, a soberania do país foi minada, com fins à recolonização e redesenhamento do mapa geopolítico do Oriente Médio, sob a hegemonia de Israel.
Ao nacionalizar o petróleo em 1972, o Iraque quis garantir, com isso, sua emancipação econômica, bem como reverter, pelo socialismo, a distribuição da riqueza ao povo, mediante os serviços gratuitos de saúde, medicamentos e educação.
A República Popular Democrática do Iraque, visou, desde a revolução de 68, garantir a seus cidadãos, homens e mulheres, igualdade de direitos, sem distinção confessional ou tribalista, bem como arremessar a vanguarda da luta pela libertação dos povos árabes, incluindo a Palestina.
Tentando evitar isso, a Cia insuflou rebeliões no norte e no sul, para desestabilizar o governo central, aplicando a velha tática de "dividir para reinar".
Dizer que os EUA querem levar a "democracia" ao Iraque é, no mínimo, uma piada.
Sua meta é privatizar a grande estatal iraquiana,fazendo do país, o negócio do século.
O embargo econômico que a ONU ainda permite durar - na verdade, uma guerra biológica, histórica e civilizacional - demoliu sistematicamente todo o progresso que o Iraque havia conquistado antes.
A imagem midiática daquela terra é a de um deserto com poços de petróleo.
Mas ali existem mais de 500 mil sítios arqueológicos e monumentos inestimáveis: Mossul, rica por suas igrejas e mosteiros do século XIII; Najaf e Kerballah, cidades-santuários xiitas, que abrigam tumbas do Imam Ali e Al-Hussein, da família do Profeta, as figuras mais veneradas por todos os muçulmanos.
Cada pedaço do Iraque é uma relíquia onde se sobrepõem camadas imemoriais.
Na última guerra do Golfo, museus foram saqueados, entre eles, o grande Museu de Baghdad, tendo desaparecido milhares de peças de valor incalculável, fato que hoje se repete em proporções catastróficas.
Obras arquitetônicas como o zigurat de Ur, o arco sassânida de Ctesifonte, mesquitas preciosamente talhadas com revestimentos de ouro, universidades seculares, como Al-Mustansiria, tudo tem sido danificado e agora, mais uma vez, agonizam.
O governo pediu a colaboração da Unesco em 1991, mas esta lhe foi negada.
Um trabalho gigantesco foi feito por Saddam Hussein, antes da atual guerra, para esconder e proteger os valiosos tesouros do país - tão importantes quanto os do antigo Egito.
Para Saddam e para o partido Baath (renascimento) - pois seu objetivo é o renascimento da Nação Árabe - as relíquias arqueológicas e os monumentos históricos são o ponto de partida para reivindicar sua identidade cultural.
Hoje vemos a destruição chegar ao ponto culminante.
As ruínas da Babilônia foram arrasadas.
Saqueadores e incendiários (chamados de Ali Baba), comprometidos com os invasores, atearam fogo à Biblioteca Nacional de Baghdad e à Biblioteca de Alcorões, na deliberação criminosa de apagar a memória do Iraque, tanto dos tempos primordiais, como do Islam.
Por detrás do vandalismo ianque, esconde-se o complot milenar do sionismo internacional, que finalmente, após dois mil e quinhentos anos de espera, vai à desforra, vingando-se da destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor, hoje comparado a Saddam Hussein.
Isso equivale a jogar o país no "tempo zero", a decapitar, sinistramente, o seu papel na história para beneficiar a nova ditadura da coca-cola.
Pergunta o jornalista Robert Fisk, ( The Independent ): "Quem mandou os incendiários? Quem quer destruir a identidade deste país?"
A ciber-guerra tecnológica contra a terra onde surgiu a escrita e onde o Islã atingiu o apogeu, implica numa "Nova Ordem Mundial" que deseja apagar os vestígios do passado e sabotar seu novo ímpeto.
Lixo radioativo foi reempregado pelo exército invasor.
Um povo antigo, cheio de sentimentos, fé, paixões, ideais e orgulho de suas origens, ainda resiste.
A abaya negra das mulheres do Iraque logo se transformará num símbolo de luto para toda a humanidade.
Mas as raízes do povo da Mesopotâmia estão solidamente cravadas nas fundações do tempo. Esperamos que renasçam ainda.
Já cerca de um ano antes desta guerra, Saddam escreveu: "Os bárbaros desta era desejam aniquilar a ' mãe da civilização'. Digam-lhes numa voz clara e alta: Ó demônios, erradicai vossas abominações contra nós, nosso museu vivo, testemunho e celeiro dos profetas, como Abraão. Digam-lhes para deixar nosso povo construir, construir até o topo e trabalhar para uma cooperação frutífera e pelo amor entre os homens. A despeito das feridas e injúrias lançadas à filha dos árabes (Baghdad), a tocha de luz para a humanidade prevalecerá, sua face esplêndida, cintilante, incandescente na fé, saudável e intocada pela desonra." (Saddam Hussein, 2002, discursos)
Mesopotâmia (1)
Era uma vez, a "terra entre dois rios": um arabesco ornado pelo vento, porto de antigos sonhos e navios... flor consagrada no jardim do tempo!
Tal terra foi chamada "paraíso": bíblico berço incólume da História!
Ali se ergueram torres cujo piso subiu ao alto cume em toda a glória!
Mas o Ocidente bárbaro e hostil, sem leme, sem raízes, nem passado, deitou à areia a água do cantil que à humanidade havia saciado!
É o videogame, a tecnologia rasgando a alma árabe, a mais secreta, é essa cultura da selvageria que abafa a voz eterna do Profeta!
O grito da Jihad, então, virá... e todo o mundo islâmico há de inflamar: "Meu sangue e vida dou por Baghdad!" Deus é Maior! "Allah hu Akbar!"
E os Anjos do Senhor, em altos brados, irão abrir as portas de Babel(2), louvando o sangue mártir derramado dos fedayin(3) em luta para o Céu!
________________________________*Professora de estudos Orientais, História da Arte e Civilização Islâmica)
(1) mesopotâmia: "terra entre rios"
(2) Babel: "porta de Deus"
(3) fedayin: "os que se sacrificam"