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sábado, 8 de dezembro de 2007

Curdos: entre a rebeldia e a paz

Breve histórico do curdos do Iraque.

Muitos estão pagando, e outros virão a pagar um preço muito alto pelo desmantelamento do Iraque, dentre eles os curdos.
Os curdos são um povo tribalizado, suas lideranças não são centralizadas, são divididos em "tribos", ao longo de sua história sempre houve lideres próximos ao Iranianos, outros ao Turcos e alguns próximos ao árabes iraquianos.
Essa divisão que sempre foi, na verdade, o maior inimigo da independência curda.
A comissão britânica que desenhou as linhas de fronteira do norte do Iraque, colocou propositalmente a região curda como parte do Iraque, assim a monarquia iraquiana que atuava como defensora da empresas petroliferas do Iraque, teria controle sob os poços de petroleo dessa região.
Desde então as relações entre curdos e arabes tem sido marcadas por altos e baixos, a principio, a monarquia iraquiana, um regime pro-Ocidente extremamente repressor, adotando uma tática de controle semelhante à que a Turquia exerce atualmente, negava aos curdos o acesso ao ensino superior, entre outros direitos básicos, ocorrendo assim de maneira semelhante aos xiitas do sul, grande parte da população vivia em um regime de semi-feudalismo.
Depois veio a revolução popular de 1958, que destruiu a familia real, a situação melhorou relativamente para os curdos do Iraque, já que a revolução mudou os rumos da politica petrolifera, mas como marca da relações curdo/iraquiana sempre houve alternância em periodos de rebeldia e de paz.

Depois de alguns anos de conflitos, o partido Baa's(baath) realizou uma serie de acordos com os curdos em 1969, e em 1971 o Baa's reconheceu o direito dos curdos a ter um pais, o curdistão se tornou de fato uma região autônoma dentro do Iraque, além disto o Baa's cedeu participação no governo aos curdos.
Mas por outro lado, isso não viria a garantir a paz, pois as lideranças curdas(Barzani) em 1973, procurou aproximação com os piores inimigos do Iraque: Israel, Irã e a CIA.
O que fez retomar as tensões entre os curdos e o partido Baa's que atingiram seu ápice em uma atrevida reivindicação de posse sobre poços petroliferos situados em cidades mistas ao norte de Bagdad.
Em 1980 quando se iniciou a terrivel guerra Irã x Iraque, o Baa's procurou aproximação com os curdos, mas somente o PKK(partido do trabalhadores do curdistão, o mais ativo contra a Turquia) se aliou ao Baa's.
Enquanto o PKD(partido democratico do curdistão) cujo braço armado é as milicias peshmerga, e o lider é o Barzani(sic), se tornaram aliados do Irã.
O Partido Baa's como represália ao fato do PKD no inicio da guerra ter se tornado aliado do Irã, removeu todos vilarejos perto da fronteira Irã x Iraque, onde ficava as principais bases de milicos do PKD.
Em torno de 1985, a guerrã Irã x Iraque estava sendo travado em territorio Iraquiano, e apostando na derrota do Iraque, tanto o PKK e como o PKD se aliaram ao Irã, chegando ao ponto de combaterem juntos contra o Iraque na cidade de Basra.
O partido Baa's diante deste quadro trágico iniciou a operação liquidação dos traidores, tendo o seu ápice no que ficou conhecida como a operação Anfal.

Apesar dos altos e baixos, sempre houve expressiva participação curda no governo e no exército do Iraque; dos 8 homens "fortes" de Saddam, 2 eram curdos.
Barzani e Talabani(do PKD) em 2001 forjaram um acordo com a Turquia para esta não entrar no Norte do Iraque, acordo este que não inclui o PKK, o partido mais atuante contra a Turquia.
Grande parte da região chamada etnicamente de Curdistão se encontra na Turquia, os curdos da Turquia vivem em um regime de escravidão, é negado o direito a falar seu idioma e ao ensimo médio perpetuando o ciclo que os leva a somente a trabalhar em empregos de "segunda classe".
Por isso a Turquia mantem olhos abertos sobre o norte do Iraque, ja que o PKK tem forte bases lá.

Os curdos pagam um preço muito caro pelas más escolhas de seus lideres, em janeiro deste ano assistimos o Irã disparar obuses contra vilarejos curdos. Este é o presente do Irã por eles o terem ajudado.
Com o que a Turquia faz atualmente, é dificil imaginar que um dia em 1919 os curdos ajudaram a Turquia no episódio conhecido como o genocidio armênio e no massacre do assirios iraquianos em 1920.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

QUEM LUTA NO IRAQUE?

Quem luta no Iraque?
Uma pergunta básica, mas poucos sabem responder




Quem é o inimigo?
Quem luta contra quem?
Passados quase 5 anos
desde que os Estados Unidos invadiram o Iraque atrás das “armas
de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram,
essas são questões básicas e óbvias mas que, ao mesmo tempo,
não são fáceis de responder.

As forças estadunidenses
passaram por tantos planos fracassados nesse período, apoiando
uns e deixando de apoiar outros aleatoriamente, que não se sabe
mais quem é aliado e quem é inimigo.
Os sunitas iraquianos estão divididos.
O Partido Islâmico do Iraque,
que desde 2003 é parte do governo-fantoche iraquiano pós-Saddam
Hussein, e a aliança tribal de Al-Anbar
estão decididamente a favor
das forças de ocupação, procurando se integrar ao atual governo
iraquiano sob a retórica de “tolerar a ocupação”
.
Ao mesmo tempo,
a Resistência Iraquiana, que tem o Partido Ba’ath, de Saddam
Hussein, como um dos seus principais financiadores, se recusa a
negociar com as forças de ocupação, mas, ao mesmo tempo,
começa a ganhar espaço no atual governo iraquiano.

Recentemente, 22 grupos da Resistência anunciaram a criação de
uma frente única, sob a liderança de Izzat Ibrahim al-Douri, hoje o
homem do regime de Saddam Hussein mais procurado pelos
estadunidenses
.
Os sunitas do Ba’ath abriram diálogo com Ayad
Allawi, político xiita iraquiano
que se tornou o primeiro governante
do país da era pós-Saddam Hussein.
Allawi é um dos fundadores
do Acordo Nacional Iraquiano, um dos atuais partidos políticos
iraquianos no governo do país.

A batalha entre a classe trabalhadora e a elite xiita, representados
respectivamente pela Assembléia Suprema para a Revolução
Islâmica do Iraque e pelo Partido Islâmico Dawa, são parte do atual
governo-fantoche e têm o apoio dos Estados Unidos
.
Ao mesmo
tempo,
o Jaish al-Mahdi, a milícia do clérigo Muqtada al-Sadr,
causador de pelo menos 20% de todas as baixas estadunidenses
no Iraque desde 2003, freou suas operações depois do mês de
agosto, se organizando politicamente para a eventual retirada das
forças de ocupação.

Os curdos, minoria étnica no Iraque, se mantém politicamente a
favor das forças de ocupação
.
Cerca de 50 mil soldados da milícia
curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) apóiam os
Estados Unidos desde 2003 e auxiliaram a invasão do Iraque pelo
norte do país.
As primeiras batalhas de forças estadunidenses no
norte do Iraque foram baseadas em inteligência e assessoria dos
militantes curdos.
Em troca, os Estados Unidos garantiram que o
Curdistão, região semi-autônoma que o PKK controla e luta para
torná-la independente da Turquia e do Iraque, se tornaria uma
região sem a interferência das forças estadunidenses.
Apesar disso,
o PKK é designado oficialmente como uma organização terrorista
pelos próprios Estados Unidos, pela OTAN e pela União Européia, o
que os torna um aliado imprevisível.

A Al-Qaeda no Iraque reflete
com perfeição o caos gerado
pelas forças de ocupação no
Iraque – de fato, a Al-Qaeda
chegou ao Iraque
simultaneamente à ocupação,
um bônus à “liberdade e
democracia”
prometida ao povo iraquiano por George W. Bush.
Exatamente como as forças estadunidenses, a Al-Qaeda é mais um
órgão estrangeiro atormentando a política iraquiana
.
A milícia
sunita, espelhada na organização de Osama Bin Laden
, tem como
seu foco principal o ataque às forças de ocupação, mas
recentemente também tem investido contra a Resistência Iraquiana
e milícias xiitas, devido à oposição maciça do povo iraquiano quanto
às operações do grupo no país.

Esses são os principais grupos étnicos, religiosos e ideológicos
envolvidos com a atual destruição do Iraque, em função da
desastrosa invasão estadunidense do país.
Durante os quase cinco
anos de ocupação,
entre as dezenas de planos que foram testados,
todos esses grupos tiveram, em um momento ou outro, apoio dos
Estados Unidos.
Milícias curdas e xiitas tiveram apoio das forças de
ocupação contra os sunitas do Partido Ba’ath na invasão do país,
assim como milícias sunitas foram armadas pelos estadunidenses
para combater os xiitas pró-Irã, e até a própria Al-Qaeda entrou em
negociações com oficiais das forças de ocupação em função de
interesses semelhantes, porém conflitantes, que ambos têm no
país.
Em função da derrotada campanha estadunidense, não se
sabe mais quem é aliado e quem é inimigo no Iraque, e é por esse e
outros motivos que a ocupação do país deve se estender além do
planejado.

http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_84.pdf