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domingo, 15 de julho de 2007

FEMINISTAS AFEGÃS ON LINE



A televisão é banida sob o regime do Taliban

Feministas Afegãs On Line

A RAWA quer publicar a situação das mulheres afegãs
Um grupo de feministas afegãs tem usado a internet para chamar a atenção sobre as atrocidades e abusos dos direitos humanos cometidos contra as mulheres sob o regime do Taliban.
A Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA) fixada em Peshawar, no vizinho Paquistão, elas esperam que a website aumente a consciência internacional sobre a condição ruim das mulheres no Afeganistão.
A RAWA diz que tem aproximadamente 2000 membros que trabalham tanto dentro como fora do Afeganistão.
Elas secretamente educam meninas e conseguem fundos para ajudar mulheres que são proibidas pelo Taliban de trabalharem.
A Website não é para os sensíveis.
Contém muitas fotografias tiradas pela RAWA que mostram as atrocidades contra as mulheres, que aparentemente estas fotografias foram contrabandeadas do Afeganistão.
Sob o regime do Taliban, as mulheres são banidas de trabalharem fora de seus lares.
O regime fundamentalista tem também proibido as escolas e universidades e forçaram as mulheres a se vestirem da cabeça aos pés.
A Assistência Médica é segregada e frequentemente é difícil para as mulheres serem tratadas por um médico homem.
E o Taliban advertiu pelo rádio que as mulheres não obedientes seriam punidas no rosto.
Uma porta-voz da RAWA disse a agência de Notícias BBC que elas não tinham muita ajuda dentro do Afeganistão mesmo com as facilidades da Website, por causa dos "vigilantes" do Taliban.
"O nosso maior propósito, portanto, é acordar o mundo para saber sobre a condição das mulheres no Afeganistão".
Assistência Técnica e treinamento para a Website foram providos pelos homens, mas o site é mantido e desenvolvido por mulheres.
Ameaças
A porta-voz disse que a RAWA recebeu ameaças via internet, muitas delas foram vulgares e impúdicas; mas ela acrescentou: a website precisa de visitantes e publicidade.
As mulheres são incentivadas a não retrucarem com violência.
Mas, tanto dentro do Afeganistão como no Paquistão, muitos grupos tem levado a cabo sua tarefas em segredo e isto pode ser perigoso.
A porta-voz disse que a RAWA emitiu uma "fatwa" ou sentença islâmica contra os seus membros.
"Eles ordenaram sua forças a prenderem os membros da RAWA e as apedrejarem em público até a morte" diz a porta-voz.
As mulheres dizem que muitas delas tiveram sorte, muitas ativistas foram presas, mas mais tarde foram soltas.
'Status Marginalizado'
As Nações Unidas fizeram uma reportagem em Outubro do ano passado sobre o extremismo religioso em que as mulheres no Afegansitão foram reducidas a um status marginalizado, foram atormentadas pela exclusão nos campos social, econômico e cultural.
A organização dos direitos humanos, a Anistia Internacional, disse numa reportagem que sob o regime do Taliban, as mulheres eram punidas pelas violações de seu código islâmico, as penalidades eram apedrejamentos até a morte.
A própria WebSite do Taliban diz que a mídia internacional está distorcendo a situação no país e que eles estão "incentivando completamente o desenvolvimento das mulheres nos campos social, econômico e cultural" no emprego, na educação e outras áreas.
Imagens reproduzidas com a gentil permissão da RAWA.

De:
http://news.bbc.co.uk/hi/english/world/south_asia/newsid_1235000/1235583.stm

RAWA - ASSOCIAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DAS MULHERES DO AFEGANISTÃO


RAWA - Associação Revolucionária da Mulheres do Afeganistão

Procuro com este post conscientizar as pessoas e lembra-las da infeliz situação em que se encontram essas pobres mulheres.

"Desde que tomou o Afeganistão, em 1997, o grupo islâmico Taliban tem imposto terríveis regras de restrição às mulheres - fechando escolas e hospitais, banindo as mulheres do mercado de trabalho e exigindo que se vistam com o "burqa", vestimenta que as cobre dos pés à cabeça, inclusive o rosto. Hoje, as mulheres são completamente privadas do direito à educação, ao trabalho, o direito de ir e vir, do direito à saúde, do direito ao recurso legal, do direito ao lazer, e do direito de ser humana. O espancamento de mulheres por razões "disciplinares", pelo mínimo pretexto (por caçarem sapatos com cores vibrantes, por mostrarem calcanhares desnudos, por aumentarem as vozes ao falar, pelo seu riso alcançar os ouvidos de homens desconhecidos ou pelo ruído dos seus sapatos ao andar etc.) é uma rotina no Afeganistão do Taliban. A RAWA, Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão, é a única organização política/social feminista das mulheres afegãs, anti-fundamentalista, que luta pela paz, liberdade, democracia, e pelos direitos das mulheres no maligno fundamentalismo afegão."

Site do RAWA: http://www.rawa.org/

Versão em português: http://www.rawa.org/portuguese.htm

Mais algumas traduções: http://www.mulher.org.br/afeganistao/


Eu sei que o que estou tentando fazer, divulgando a associação não é muita coisa, mais prefiro fazer pouco do que não fazer nada.


MULHERES AFEGÃS FORA DA ESCURIDÃO

A imagem da cidade de Cabul mudou. Há quatro anos, na anarquia pós queda do regime taliban, não se viam mulheres na rua. Apenas burkas, ondulantes, vestes azuis que retiravam a existência às mulheres. Timidamente os tempos são de mudança. Elas, sobretudo as mais novas, arriscam mostrar o rosto. Não prescindem dos véus ou dos lenços e das saias que lhe escondem as formas até aos pés, mas ganharam expressão. E a cidade está diferente. Claro que Cabul é a cidade afegã mais vulnerável à pressão internacional. Na província a tradição ainda dita as regras, e as regras incluem a burka. É por isso que Aliema, uma jovem de 20, está cheia de sorte. Não usa burka, quer estudar engenharia civil para construir edifícios bonitos no seu país - e o pai autoriza.

As mulheres do Afeganistão educam e se organizam em defesa dos direitos humanos.
Elas vem de uma terra onde as mulheres estão sendo confinadas a escuridão, então Sajeda Hayat e Sehar Saba, para sua própria segurança, precisam permanecer nesta escuridão.
É o alerta do governo fundamentalista Taliban no Afeganistão.

Elas viajam usando pseudônimos e tiram fotos discretamente.

Mesmo assim essas duas jovens se recusam a ficar em silêncio.
Juntando líderes da "Não Violência", o grupo de resistência anti-Taliban, chamada de RAWA, sigla em inglês que significa "Associação Revolucionária das mulheres do Afeganistão", Hayat e Saba tem vivido quase todas as suas vidas como num exílio.
As meninas foram forçadas a fugir para o vizinho Paquistão no começo dos anos 80 durante a invasão soviética no Afeganistão. Foram nos campos de refugiados paquistaneses que elas atingiram a maioridade e aprenderam sobre o trabalho da RAWA, isso para valorizar a mulher afegã.
No final da recente viagem aos Estados Unidos, Hayat e Saba falaram a Amnesty Now sobre o seu trabalho.

A especialista Margaret Ladner que é coordenadora e que representa o Afeganistão na Anistia Internacional dos Estados Unidos no Sul da Ásia conduziu a entrevista.
Amnesty Now: O que é a RAWA e quais os objetivos da organização?
Hayat:
A RAWA foi fundada em 1977 para lutar pelos direitos das mulheres no Afeganistão, porque mesmo antes da invasão soviética e antes dos fundamentalistas, as mulheres eram vendidas como gado. Mas enquanto o país era ocupado pela Rússia, a RAWA mudou sua organização política, porque nós acreditávamos que todas as pessoas tem algum direito a liberdade, isso foi um grande significado para falar sobre os direitos das mulheres. E isso é verdade hoje, porque nós devemos falar sobre os direitos humanos, qualquer pessoa no Afeganistão é privada de muitos direitos básicos. Nós acreditamos que o governo deve ser baseado no secularismo e na democracia.
AN:
Vocês estão fixadas hoje no Paquistão?
Hayat:
No começo dos anos 80 a RAWA transferiu parte das suas atividades para o Paquistão por causa da difícil situação no Afeganistão devido ao regime soviético.
Naquele tempo nós estabelecemos programas seculares, nós tínhamos também uma clínica para mulheres e crianças refugiadas, estabelecemos cursos de enfermagem, literatura e outros cursos para ensinar as mulheres a terem os seus direitos.

AN: A RAWA ainda é capaz de operar dentro do Afeganistão?
Hayat:
É claro, os membros da RAWA especialmente dentro do Afeganistão tem muitos riscos. Até mesmo no Paquistão, durante uma demonstração em 1998, A RAWA foi atacada pelo Taliban. Isso é o porque que nós temos que ter muito cuidado, não somente no Afeganistão mas também no Paquistão.
No Afeganistão, nós temos salas de aula instaladas em casas, cursos de literatura, especialmente para viúvas que não tem parentes homens. Nós a capacitamos para ganhar algum dinheiro.

AN: O quão são ruins as condições para as mulheres no Afeganistão?
Saba:
A situação já não era boa antes mesmo dos fundamentalistas quando eles tomaram o poder. Mas desde 1992 o Afeganistão é como uma grande prisão, especialmente para as mulheres. As mulheres são banidas de todas as atividades públicas, elas não podem ir a escola e nem trabalhar, não podem ir ao médico sem serem acompanhadas por um parente do sexo masculino e elas precisam usar o " Burka " para cobri-las totalmente.
AN:
Vocês tem falado sobre serviços para ajudar as mulheres, mas a RAWA também leva em conta ações políticas?
Saba:
Nós queremos isso o quanto nós fazemos para as mulheres, então nós temos muitas atividades, como por exemplo, demonstramos a nossa causa no dia 28 de Abril, o dia em que os fundamentalistas tomaram o poder, o dia mais negro da história do Afeganistão.
AN: O que vocês levaram em conta durante a viagem que fizeram aos Estados Unidos?
Saba:
Foi realmente uma grande oportunidade para a nossa organização, porque foi a primeira vez que a RAWA veio para os Estados Unidos e nós estamos muito agradecidas.
Estivemos em mais de 15 universidades e falamos com pessoas muito prestativas, havia uma menina de 16 anos de New Hampshire e ela organizou uma demonstração na sua escola no dia 28 de Abril condenando todas as atrocidades humanas no Afeganistão.Ela nos convidou para sua escola, foi a maior reunião que tivemos em 2 meses.
AN: Como nós dos Estados Unidos, podemos ajudar?
Hayat:
Não somente grupos de direitos humanos, mas pessoas do mundo inteiro podem fazer muito. Claro que organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional, podem fazer mais, desde que eles estejam ativos nestes campos. Mas indivíduos americanos podem por exemplo ajudar a RAWA com diferentes projetos; um dólar faz diferença, pode prover um caderno, uma caneta ou um lápis.
AN: Como cada uma de vocês se envolveu nesta vida perigosa?
Hayat:
Eu me tornei membro com 17 anos, mas antes disso eu já ia para a escola da RAWA e minha mãe era um membro.
Saba: Eu também era muito jovem quando entrei para a escola da RAWA, isso foi em 1994, os professores eram membros da RAWA e além de ensinar, eles falavam sobre o direito das mulheres, eu me envolvi nessas atividades e me juntei como membro quando eu estava com 17 anos, agora eu estou no Comitee Estrangeiro e ensino em uma de nossas escolas num campo de refugiados.
AN: Os amigos e a família incentivam vocês?
Saba:
Sim, a minha família. Minha mãe é membro da RAWA, meus pais e meus irmãos são muito prestativos. Mas não são todos os meus parentes, alguns deles são contra o meu trabalho.
Hayat: Para mim também, meus pais são muito prestativos com o meu trabalho. Todas as minhas irmãs e meus irmãos estão involvidos na RAWA. Alguns de meus parentes não sabem, mas muitos deles são prestativos, mesmo meu avô e minha avó, eles são muito tradicionais.
AN:
Vocês já sentiram medo nas suas vidas?
Hayat:
Nós não sentimos medo, mas temos que ser muito cautelosas, se nós tivéssemos medo não escolheríamos este caminho, nós sabemos que a luta necessita de sacrifício.
AN: Como vocês tentam amenizar o perigo?
Saba:
Dentro do Afeganistão, todos os lugares que os membros da RAWA vivem são subterrâneos e o mesmo ocorre no Paquistão. Nós temos que por exemplo mudar a toda hora de casa e não deixar que o governo do Paquistão e nem os fundamentalistas saibam onde estamos.
AN:
Tem alguma mensagem que vocês gostariam de transmitir para os membros da AIUSA?
Hayat:
Eu acho que deveria dizer ao mundo o que está acontecendo no Afeganistão.
Saba:
E diga para as pessoas do Afeganistão que eles não estão sozinhos e que não serão esquecidos.


Para mais informações sobre os direitos da mulheres afegãs, contate a AIUSA, programa de direitos humanos das mulheres em Nova York ou visite o site da RAWA (http://www.rawa.org)

Amnesty Now, Uma publicação da Anistia Internacional, EUA, (outono 2000).

http://sic.sapo.pt/online/institucional/No_pais_das_burkas.htm

RESOLUÇÃO DA RAWA

Resolução da RAWA sobre os ataques terroristas aos Estados Unidos
O Povo do Afeganistão não tem nada a ver com Osama e os seus cúmplices
A 11 de Setembro de 2001 o mundo ficou perplexo perante os horríveis ataques aos Estados Unidos da América.
A RAWA alinha com o resto do mundo expressando a sua dor e condenando este acto bárbaro de violência e terror.
A RAWA já tinha, inclusive, avisado que os Estados Unidos não podiam apoiar as facções fundamentalistas islâmicas mais traiçoeiras, criminosas, antidemocráticas e machistas existentes porque, depois de tanto os Taliban como os Mujahid terem cometido todo o tipo de crimes horrendos contra o nosso Povo, não teriam certamente nenhum tipo de problemas em cometer o mesmo tipo de crimes contra o Povo Americano, que eles consideram infiel.
Aliás, para se poderem manter no poder, estes bárbaros assassinos estão dispostos a seguir qualquer via assassina.
Mas infelizmente temos que assumir que foi o próprio governo dos Estados Unidos que apoiou o ditador paquistanês Gen. Zia-ul Haq.
A criar milhares de escolas religiosas que vieram a formar os primeiros Taliban.
Similarmente, como é claro para todos, Osama Bin Laden era o menino dos olhos da CIA.
Mas o mais espantoso é que os políticos norte americanos ainda não aprenderam a lição com a sua política no nosso país e continuam a apoiar esta ou aquela facção fundamentalista.
Na nossa opinião, qualquer tipo de apoio a qualquer fundamentalista, seja Taliban ou Mujahid, é um atentado aos direitos das mulheres e aos direitos humanos.
Confirmando-se que os suspeitos autores dos ataques terroristas estão fora dos Estados Unidos, provar-se-á uma vez mais a nossa constante denúncia de que os terroristas fundamentalistas devorarão os seus criadores.
O governos dos Estados Unidos deveria pensar bem nas causas de fundo deste acontecimento, que não o primeiro nem será o último.
Os Estados Unidos devem, duma vez por todas, acabar com o seu apoio aos terroristas afegãos e seus apoiantes.
Agora, porque os os Taliban e Osama Bin laden são os principais suspeitos aos olhos dos oficiais de guerra americanos, vão os Estados Unidos submeter o Afeganistão a uma ofensiva militar similar à de 1998 e matar milhares de inocentes afegãos por crimes cometidos apenas pelos Taliban e Osama Bin Laden?
Será que os Estados Unidos pensam que, aniquilando milhares de vidas de afegãos pobres e inocentes, atingirão as reais causas de fundo do terrorismo?
Ou será que se incentivará ainda mais esse terrorismo?
Do nosso ponto de vista, uma grande e indiscriminada ofensiva militar sobre uma nação, há mais de duas décadas, enfrenta permanentes desastres e está quase totalmente destruída, não é nenhum motivo de orgulho.
Não pensamos sequer que um ataque desta natureza seja o desejo da maior parte dos cidadãos americanos.
O Governo Americano e os seus cidadãos deviam saber que há uma grande diferença entre o pobre e destroçado povo afegão e os terroristas criminosos Mujahid e Taliban.
Reafirmamos a nossa solidariedade e apresentamos as mais profundas condolências ao povo norte americano, mas mantemos que a sua tristeza não será nunca aliviada por o Afeganistão ser atacado e o seu martirizado e desamparado povo ser assassinado.
Esperamos sinceramente que o grande povo americano saiba diferenciar o povo afegão duma mão cheia de terroristas fundamentalistas.
Os nossos corações estão com eles.
Fim ao Terrorismo!
Associação Revolucionária da Mulher Afeganistão (RAWA)
14 de Setembro de 2001
http://www.rawa.org/ny-attack_pr.htm

sábado, 14 de julho de 2007

GRUPO REVOLUCIONÁRIO QUE ENFRENTA O TALIBÃ


RESISTÊNCIA
Grupo revolucionário enfrenta o Taliban
Andrea Assef
Mas você vai saber também que nem tudo está perdido. No meio desse cenário árido de desesperança, surge uma resistência. É a Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (Rawa), uma entidade formada por duas mil mulheres que vivem na clandestinidade dentro e fora do Afeganistão. A Rawa foi fundada em 1977, em Cabul, por um grupo de intelectuais afegãs lideradas por Meena (para proteger os familiares, elas não usam o sobrenome), com o objetivo de lutar contra a invasão soviética. Dez anos depois, Meena, com apenas 30 anos, foi assassinada por agentes da KGB, a polícia secreta da União Soviética. Atualmente, a Rawa, que transferiu a sua sede para Quetta, no Paquistão, representa a única força de oposição aos homens do Taliban. A principal tarefa da Rawa é atender os 2,6 milhões de refugiados afegãos. Nos campos de refugiados, a Rawa mantém hospitais e escolas para meninas e meninos. Mesmo sob a intensa vigilância Taliban, a entidade atua secretamente no Afeganistão. Escolas clandestinas para meninas e assistência médica para mulheres nas áreas mais remotas do país são as principais ações dessas bravas guerreiras.
DINHEIRO conversou com uma das líderes do Rawa, a afegã Mehmooda, que vive num campo de refugiados no Paquistão. Ela, assim com todas as integrantes do Rawa, vem recebendo ameaças de morte.
“Não vamos desistir nunca”, avisa. Ninguém melhor do que Mehmooda para contar o que está ocorrendo com a economia do Afeganistão, devastada por essa exclusão social das mulheres afegãs. “O Aiatolá Khomeini, o horrível tirano do Irã, disse certa vez: ‘a economia pertence às bestas.’ Assim pensam também os talibans”, explica Mehmooda.
Contatos para contribuição à causa da mulher afegã podem ser feitos pelo e-mail (rawa@rawa.org) ou por carta P.O.Box 374, Quetta, Paquistão.
http://www.dinheironaweb.com.br

HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS INVISÍVEIS DO AFEGANISTÃO


As Vítimas Invisíveis

Nunca saberemos qual foi o custo total de vidas humanas dos ataques aéreos dos Estados Unidos, mas morreram muito mais pessoas do que aquelas massacradas diretamente pelas bombas

The Guardian, 20 de maio de 2002

Jonathan Steele in Herat

Um afegão levanta a cabeça de uma criança que, junto com outros 11 civis, morreu durante ataques aéreos a Cabul Um homem e seus sete filhos foram mortos quando uma bomba explodiu em sua casa (foto AP)More photos


Quem matou Asaq Mohammed? Seu tio o viu morrer.



Logo depois que os Estados Unidos começaram a bombardear o Afeganistão no outono passado, o menininho, que tinha só dois anos idade, fugiu de casa com seus pais e outros familiares nas costas de um burro.
Viajaram durante quatro dias pelas montanhas, em trilhas cobertas de neve.

À noite, sua única proteção contra o frio era um punhado de lençóis.
Não tinham tendas.
Depois de três anos de seca, todos já estavam enfraquecidos pela fome antes de partirem da aldeia de Ghorambay, na região oeste do Afeganistão.

A longa viagem a pé foi demais para os mais vulneráveis.
Quando chegaram exaustos à cidade de Owbeh, Asaq e seu irmão de seis meses, Abdul Rahman, não conseguiram se recuperar.
Suas vidas breves se esvaíram.
Seyd Mohammed acredita que seus dois sobrinhos ainda estariam vivos se não tivessem sido obrigados a fugir.


"Eles não teriam morrido se tivessem ficado aqui," diz ele com tristeza do lado de fora de sua casa.
Depois que o bombardeio acabou, os aldeões voltaram para Ghorumbay a fim de juntar os pedaços de sua vida desmoronada.

Como todas as outras casas do povoadozinho à beira de uma rodovia, a de Seyd Mohammed tem o telhado de grama seca espalhado por cima de uma estrutura leve.
À medida que a fome foi aumentando no ano passado, as pessoas foram ficando tão desesperadas por dinheiro para comprar comida que tiraram as vigas originais do telhado para vender na cidade mais próxima.

Depois foi a vez das vigas das janelas.
Agora a casa de Seyd Mohammed lembra uma prisão, com fileiras de galhinhos pregados nas janelas como as barras de uma cela.
A morte de seus sobrinhos pode ser atribuída à seca, à pobreza, ao frio, ao Talibã ou aos norte-americanos, ou a uma combinação de alguns ou todos esses fatores.

Não é fácil descobrir os responsáveis.


Mas é importante para toda tentativa de calcular o custo em vidas humanas dos ataques aéreos dos Estados Unidos ao Afeganistão.

As vítimas diretas das bombas e mísseis norte-americanos chamaram muita atenção dos políticos e da mídia e, apesar disso, ninguém sabe ao certo quantas delas houve.

Uma reportagem de fevereiro publicada pelo The Guardian estima que houve entre 1.300 e 8.000 mortes.


Uma investigação do The Guardian sobre as "vítimas indiretas" confirmou a crença de muitos órgãos de assistência de que elas excedem o número daqueles que morreram de ataques diretos.
Até 20 mil afegãos podem ter perdido a vida como conseqüência indireta da intervenção norte-americana.


Eles também fazem parte de qualquer contagem do número de mortos.
O bombardeio teve três efeitos principais sobre a situação humanitária.


Causou deslocamentos maciços ao levar centenas de milhares de afegãos a fugir de suas casas. Interrompeu a entrega de suprimentos às vítimas da seca que dependiam de ajuda de emergência.


Provocou intensificação das lutas e transformou um impasse militar em fluidez caótica, que levou mais pessoas ainda a fugir.
É impossível contar com exatidão o número dessas vítimas.


Os afegãos muçulmanos enterram seus mortos em 24 horas e os túmulos daqueles que morreram durante a fuga pelas montanhas, depois de abandonar seus lares, só são conhecidos por seus parentes mais próximos.
Ninguém tem tempo de entrevistar os sobreviventes ou averiguar suas histórias.


A única maneira de chegar a uma estimativa é com extrapolações e palpites razoavelmente bem fundamentados.
Em primeiro lugar, o deslocamento.


Pouco menos de 250 mil afegãos fugiram para o Irã e Paquistão depois do 11 de setembro, quando ficou claro que os Estados Unidos atacariam.


O que foi uma verdadeira proeza, pois envolvia pagamento a contrabandistas ou suborno aos guardas das fronteiras.


Ambos os países fecharam as fronteiras com o Afeganistão.
Apesar dessas restrições, o órgão dos refugiados da ONU, a UNHCR, estimou que cerca de 160 mil afegãos entraram no Paquistão em dezembro, muitas vezes secretamente e em pequenos grupos.


O número que passou pela fronteira iraniana é difícil de estimar, mas os oficiais iranianos entrevistados por The Guardian em Zahedan, no sudeste do Irã, disseram que 60 mil afegãos cruzaram a fronteira no primeiro mês depois do bombardeio.


Outros 9 mil ficaram em campos de refugiados do lado afegão.
Em ambos os casos, esses refugiados receberam uma assistência razoável depois de sua chegada, fundando comunidades de refugiados/imigrantes ou em campos que recebiam ajuda oficial. A viagem é que era o problema.


Um número desconhecido morreu no caminho.


Os refugiados que pretendiam cruzar a fronteira tendiam a estar em melhores condições de vida, pois sabiam que teriam de pagar e levar fundos para isso.
Aqueles que se deslocaram dentro do Afeganistão enfrentaram problemas diferentes.


Alan Kresko, secretário-assistente do órgão norte-americano que lida com as questões populacionais, migração e refugiados, estimou que 150 mil pessoas foram desalojadas.


Outros acham que o número foi maior.
A UNHCR estimou que 900 mil pessoas já haviam sido desalojadas dentro do Afeganistão antes de 11 de setembro.


Em março, mais de um milhão ainda estavam desalojadas.


Subtraindo aqueles que voltaram para casa para tentar aproveitar as chuvas de primavera, ainda resta um mínimo de 200 mil e possivelmente mais que fugiram de seus lares, mas continuaram no Afeganistão depois de 11 de setembro.
Os que tiveram mais sorte entre essas populações desalojadas internamente (PDIs) mudaram-se para a casa de parentes que ficava perto da sua.


Foi o caso de muitos da cidade ocidental de Herat que escaparam para aldeias a apenas alguns quilômetros de distância.
Lá continuaram tendo abrigo e quantidades adequadas de comida. Para eles, o maior problema foi o trauma.


"O bombardeio foi muito severo. Eles queriam atingir principalmente alvos militares, mas a força das explosões era muito intensa. Foi horrível para crianças e cardíacos. Meus filhos corriam para mim e eu sentia o coração deles batendo como um passarinho na mão," disse Gholam Rassoul, motorista de Herat.
O grupo que correu mais perigo foi daqueles que se dirigiram para áreas de fome e frio, onde correram mais riscos do que se tivessem ficado em casa.
Nas palavras de Kate Stearman, presidente das comunicações do ramo britânico da Care International, "Depois de 11 de setembro houve um pânico generalizado no Afeganistão, com o preço dos alimentos subindo vertiginosamente e fuga em massa das cidades.... O bombardeio e a deterioração das condições de segurança levaram a movimentos populacionais imensos e, em geral, sem qualquer tipo de registro. Embora se esperasse mais de um milhão de refugiados no Paquistão, eles não apareceram, e esse fato em si era preocupante, porque indicava que muitos mais ficaram presos dentro do Afeganistão, sem que se saiba o que houve com eles."
Em Qala-i-Nau, a capital de Badghis, uma das províncias mais afetadas pelos três anos de seca, o bombardeio norte-americano levou centenas a fugirem da cidade para aldeias onde as pessoas estavam mais perto de morrer de inaniação do que os moradores da cidade.
Os aldeões não tinham com o que alimentar os recém-chegados, disse Faisal Danesh, um assistente social da instituição de caridade World Vision.


O bombardeio interrompeu a entrega do suprimento de comida por via aérea, levando assistentes sociais expatriados a saírem do Afeganistão, e fizeram com que a equipe afegã parasse de prestar ajuda e serviços médicos em campos de PDIs, piorando ainda mais a sua situação.


"Durante duas semanas nossos agentes de saúde afegãos não viajaram até o campo de refugiados por causa da insegurança criada pelo bombardeio. Tivemos de sair muito antes," disse o dr. David Hercot da Medecins du Monde, que trabalha no campo de refugiados cada vez maior de Maslakh, na periferia de Herat.
Ninguém tem cifras exatas sobre quanta assistência deixou de ser dada em resultado da desintegração causada pelo bombardeio.


Em outubro, estima-se que a entrega de suprimentos caiu para 40% em nível nacional.
O principal fornecedor de alimentos, o Programa World Food, redobrou seus esforços quando as condições de segurança melhoraram, e choferes de caminhão concordaram em levar as cargas de volta ao Afeganistão em novembro e dezembro.


Mas continuou difícil distribuí-los para os campos de refugiados e aldeias.
Antes de 11 de setembro, o Afeganistão já na corda bamba, e cortamos essa corda durante três meses. Ou, falando sem rodeios: antes de 11 de setembro, o Afeganistão tinha um dos mais elevados índices de mortalidade infantil do mundo e um dos menores índices de expectativa de vida.


"Interromper a maior parte dos programas internacionais de assistência durante três meses só piorou as coisas," disse um analista ocidental dos direitos humanos.


"De meados de setembro a meados de dezembro," acrescentou ele "pode-se dizer que em áreas com níveis já elevados de desnutrição e abandono deve ter havido aumentos nos índices de mortalidade."
Entre essas áreas estavam o centro, o norte e o oeste do Afeganistão.


"Que aumentos foram esses, ninguém pode dizer, mas o fato de terem ocorrido não está em questão."
O terceiro efeito do bombardeio foi aumentar a instabilidade provocando o Talibã.


Até 11 de setembro, a guerra civil afegã estava num impasse há quase três anos.


Exceto em partes da região central perto de Bamiyan, as linhas de frente não tinham se alterado de forma significativa.


A assistência às vítimas da seca entrou nas áreas controladas pelo Talibã ou por seus adversários da Aliança do Norte com relativamente pouca dificuldade.


Houve escassez, mas porque os governos ocidentais não conseguiram responder aos apelos da ONU para ajudarem o Afeganistão.


A assistência que foi dada conseguiu chegar a seu destino.
Para os afegãos das áreas rurais, o fato da maioria das cidades serem controladas pelo Talibã não tinha grande importância.


Mal viam os fundamentalistas pashtun.


Na aldeia tajik de Kondolan, na região de Badghis afetada pela seca, por exemplo, as mulheres rurais não usavam a burca. Não fazia parte dos costumes locais e o Talibã nunca a impôs.


O Talibã proibiu as meninas de freqüentarem a escola, mas essa proibição também não teve o menor efeito: "Não temos nenhum tipo de escola há 25 anos," disse Mirza Behbut, um agricultor da região.
A intervenção dos Estados Unidos agravou o impasse militar e político.


Privados de comida quando os aviões norte-americanos atacavam seus comboios de suprimentos, o Talibã começou a roubar tudo o que era enviado para as vítimas da seca.
"Antes de Setembro, o Talibã nunca tinha saqueado. Recebia ajuda do Paquistão e de alguns países árabes. Depois de Setembro, enfrentou dificuldades para conseguir comida," disse Faisal Danesh, do World Vision.


"Isso fez muita diferença quando os expatriados foram embora. Não teríamos tido uma crise tão grave se eles tivessem ficado."
O Programa World Vision não tinha um escritório em Qala-i-Nan nessa época, mas o sr. Danesh diz que as sementes e grãos da Organização do Povo Norueguês e do Comitê Dinamarquês de Ajuda aos Refugiados Afegãos, que eram os principais órgãos na região antes do bombardeio, foram roubados de seus armazéns pelas milícias do Talibã.
O início do bombardeio levou as tensões políticas para um nível perigoso.


Em Ghorambay, a aldeia onde Seyd Mohammed e seus sobrinhos moravam, o mojahedim apareceu e distribuiu armas, insistindo com os aldeões para que fizessem emboscadas aos comboios do Talibã que passassem por ali.
Com base nas palavras de um informante, o Talibã atacou a aldeia de surpresa em busca das armas.


Não encontraram nada, mas levaram cinco aldeões para a tortura.


Com medo de que os homens detidos confessassem (e confessaram), os aldeões restantes fugiram para as montanhas naquela noite, na viagem que levou as duas crianças à morte.
O melhor ponto de partida para calcular o número de mortes indiretas provocadas pelas bombas e mísseis norte-americanos é o índice de mortalidade nos campos de PDIs.


The Guardian passou vários dias no oeste do Afeganistão, o centro da região afetada pela seca.
Em Herat, Medecins du Monde mostrou a The Guardian arquivos do campo de Maslakh, onde constavam o nome das pessoas e a causa da morte.


Esses dados foram compilados por 15 agentes de saúde afegãos que visitam regularmente as PDIs para verificar seu estado de saúde.


Cada um deles concentra-se numa pequena seção do campo.


Alguns são mulheres e, por isso, conseguem conquistar a confiança das mulheres das PDIs.
Medecins de Monde descobriu que o total de mortes no campo Maslakh foi em média de 145 por mês entre setembro e dezembro de 2001, quase o dobro do total de 79 em fevereiro de 2002, um indício claro de que as coisas pioraram durante o período do bombardeio.
O total de 580 mortes de setembro a dezembro foi registrado nas duas principais áreas do campo, cuja população era estimada em 80 mil pessoas (uma pesquisa de fevereiro de 2002 descobriu que uma estimativa anterior de 350 mil estava inflacionada).


Isso equivale a um índice de mortalidade de 1.8 por cada mil pessoas por mês.
"Não temos educadores em Maslakh Três, a área para onde se dirigiram os que chegaram depois de 11 de setembro. Viviam em tendas, e não em abrigos de alvenaria. Achamos que seu índice de mortalidade foi maior,"
disse o dr. David Hercot a The Guardian.
Em outros três campos menores de PDIs em outras partes do Afeganistão, os índices de mortalidade foram superiores ao de Maslakh, embora as estatísticas pareçam ter sido compiladas com menos rigor (ver o gráfico).


Em Dehdadi, ao sul de Mazar-i-Sharif, que abrigava 15 mil pessoas, 230 morreram entre 11 de setembro - quando a ajuda internacional foi suspensa - e 11 de janeiro.


Disse Stephan Goetghebuer da Medecins sans Frontieres a Time Asia.


Esse é um índice de mortalidade de cerca de 4 por cada mil pessoas por mês.
Nos campos de Baghe Sherkat e Amirabad, perto de Kunduz, WHO afirma que 164 pessoas - entre uma população desalojada internamente de 25 mil pessoas - morreram de fome, frio e doenças num período de aproximadamente dois meses, o que corresponde a um índice de 3 por mil pessoas por mês.
O índice de mortalidade foi menor no campo de Dasht-e-Arzana, na periferia de Mazar-i-Sharif. Funcionários disseram a Lynne O'Donnell, do jornal The Australian, que o índice de mortalidade do início de dezembro esteve por volta de 1.15 por mil por mês, numa população de 21 mil pessoas.


No campo de Nasaji, na província de Balkh, com 14.500 pessoas, 19 morreram de desnutrição e abandono em novembro, um índice de 1.3 por mil naquele mês.
Levando em conta a diferença de tamanho dos campos, o índice médio de mortalidade chegou a 2 por mil pessoas por mês.


Os campos de refugiados abrangidos por esses números continham cerca de três quartos da população total desalojada internamente de aproximadamente 200 mil pessoas.
Extrapolando, isso significa uma média de 400 mortes nos campos todo mês, ou 1.600 entre setembro e o final de dezembro.


É difícil saber com certeza se o 1 milhão de pessoas fora dos campos teriam índices de mortalidade comparáveis.


Se tiveram, o número de mortes foi de 8 mil entre setembro e dezembro de 2001.
O Projeto de Alternativas de Defesa do Commonwealth Institute, sediado em Massachusetts, tem uma visão crítica da intervenção norte-americana.


Carl Conetta, seu diretor, que em janeiro fez a primeira tentativa de calcular os custos humanitários da intervenção, afirmou que o 1 milhão de membros das populações desalojadas internamente fora dos campos de refugiados estavam correndo um grave risco.
"No pior dos casos, pode ter havido 2 mil famílias dos planaltos centrais que tiveram índices de mortalidade de mais de 7,5 pessoas por cada 1 mil por mês," escreveu ele numa reportagem que pode ser lida em www.comw.org.
O melhor dos casos seria o das pessoas entrevistadas por The Guardian perto de Herat, que fugiram para as aldeias dos vales próximos.


Além de refugiados e de populações desalojadas internamente, cinco milhões de afegãos muito pobres ficaram em casa durante os bombardeios, mas a assistência à seca que eles estavam recebendo foi suspensa.
Supondo que os índices de mortalidade relativos a essas 5 milhões de pessoas fossem os mesmos dos campos de PDIs, teríamos um número adicional de 40 mil mortes que poderiam ter sido evitadas entre setembro e dezembro de 2001;
Essa é uma suposição máxima.
Somando a esse número a estimativa de 1.600 mortes nos campos e as 8 mil fora dos campos de refugiados, a cifra final seria de 49.600.


O sr. Conetta chegou à conclusão preliminar de que o número de mortes indiretas acima de 20 mil eram improváveis, principalmente por causa da falta de relatórios ou evidências específicas.
Quantas mortes teriam ocorrido de qualquer forma depois do 11 de setembro, mesmo que não tivesse havido bombardeios, uma vez que tantos afegãos estavam enfraquecidos pela seca?
Tudo quanto se pode dizer é que os bombardeios provocaram uma redução de 40% na entrega de suprimentos ao Afeganistão em outubro.


Embora depois essa redução tenha se agravado muito, a distribuição dentro do país ficou muito mais difícil do que antes dos bombardeios.
Tomando os 40% como ponto de referência, poderíamos concluir que a intervenção dos Estados Unidos causou cerca de 40% do número máximo de mortes supostas.


Isso equivale a 19.840 pessoas.
Mesmo que dividíssemos esse número pela metade, tomando 20% como ponto de partida, um total aproximado de 10 mil pessoas teriam morrido "indiretamente" por causa da campanha norte-americana.


O leque de estimativas é amplo, mas excede claramente a escala daqueles mortos pelas bombas.
Ninguém jamais vai saber qual é o número exato e, à medida que o tempo passa, é mais provável que diminuam do que aumentem as chances de chegarmos a uma estimativa mais rigorosa da escala de morte.
Os túmulos sem nomes das colinas do Afeganistão, em locais no deserto e em cantos obscuros dos campos de refugiados serão lentamente esquecidos.
j.steele@guardian.co.uk
Os afegãos ainda estão morrendo enquanto os ataques aéreos continuam. Mas ninguém está contando o seu número.
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