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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Armas dos EUA perdidas no Iraque

Negócios de uma guerra suja
Armas dos EUA perdidas no Iraque

Os militares norte-americanos perderam o rasto a milhares de armas enviadas para o Iraque.

A notícia surge na semana em que Bush pediu um reforço dos créditos de guerra.
Cerca de 200 mil armas, das quais espingardas automáticas modelo AK-47 e pistolas, terão desaparecido misteriosamente no Iraque entre Junho de 2004 e Setembro de 2005.
O material, avaliado em quase 20 mil milhões de dólares, alegadamente destinado a equipar as forças de segurança fiéis ao governo de Bagdad, foi distribuído sem controle e poderá ter nutrido os muitos grupos responsáveis pela violência sectária no país provocando o caos generalizado, um dos argumentos mais recorrentes da Casa Branca para justificar a continuação da ocupação do território.
Fontes do Pentágono citadas pelo The Washington Post garantem que o número de armas perdidas corresponde a aproximadamente 30 por cento do total enviado para o país nos últimos quatro anos.
No terreno, o general David Petraeus comprometeu-se pessoalmente com os esforços de investigação, mas no entretanto sobejam as suspeitas de negócios pouco claros e tráfico envolvendo os norte-americanos.
Negócio das arábias
Certo é que para além dos lucros acumulados pelas grandes multinacionais nos conhecidos acordos de «reconstrução» do Iraque, de apetrechamento de bases militares e prisões, ou de exploração das jazidas de petróleo, muitos outros milhões passam pelo país em transito para os bolsos do capital, tudo à custa de centenas de milhares de vidas humanas e da destruição de uma nação com cultura e património seculares.
Neste particular, poucos se ficam a rir e quase todos os que participam na ocupação parecem querer tirar os respectivos proveitos.
Segundo a Aid Watch, agência australiana que supervisiona a aplicação dos fundos de ajuda exterior por parte do seu governo, o executivo de Camberra terá usado mais de 150 milhões de dólares inicialmente destinados a auxílio humanitário para garantir negócios a empresas australianas.
O esquema montado em torno do organismo oficial encarregue de gerir os referidos montantes, a AusAid, carece ainda de uma investigação mais profunda por parte das autoridades, mas pelo que já se apurou o apoio financeiro serviu quase na totalidade para assegurar a manutenção dos contratos de importação de trigo australiano por parte do governo fantoche de Bagdad, o mesmo que, esta semana, viu um grupo de seis ministros vinculados com a ala sunita do poder abandonarem definitivamente o cada vez mais isolado executivo de Nuri al-Maliki.
Bush quer mais
Paralelamente, antes das habituais férias legislativas, o Congresso norte-americano discutiu e aprovou o orçamento da defesa para o ano de 2008, mas contrariamente ao que Bush pretendia, a maioria democrata adiou, mais uma vez, a aprovação dos créditos de guerra exigidos pelo presidente para suportar as ocupações do Iraque e Afeganistão.
Os mais de 600 mil milhões de dólares requeridos pela administração republicana são a maior cifra pedida pela Casa Branca ao parlamento federal para gastos militares desde a Segunda Guerra Mundial, superando mesmo os valores gastos no início da década de 50 com o conflito na península coreana.Repressão sem tréguasAo mesmo tempo que se discute nos EUA o financiamento da guerra, Bush conseguiu fazer aprovar no Congresso um mandato, válido por seis meses, que permite às agências de segurança nacionais e aos serviços secretos interceptar chamadas e mensagens de correio electrónico sem necessidade de autorização judicial.
Republicanos e alguns democratas viabilizaram a medida apresentada como de «combate ao terrorismo», mas a realidade é que tal programa viola grosseiramente os mais elementares direitos, liberdades e garantias dos cidadãos norte-americanos e dos demais habitantes do planeta, uma vez que as secretas de Washington podem espiar sem barreiras qualquer um de nós.
A repressão imperial nos EUA não dá tréguas e, esta semana, a CIA ganhou o processo interposto contra a ex-agente Valerie Plame.
Plame pretendia publicar a sua versão da história envolvendo o seu ex-marido, Joseph Wilson, membro do corpo diplomático norte-americano que afirmou que os EUA usaram falsos argumento para invadirem o Iraque, e a suposta revelação por parte da administração Bush da identidade de Valerie como forma de retaliação contra o embaixador, naquele que ficou conhecido como um dos maiores escândalos contemporâneos nos EUA.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

ENTREVISTA A TRÊS GENERAIS IRAQUIANOS


Artigo colhido no www.globalresearch.ca (Canadá), sobre a situação atual no Iraque


Em vésperas da chamada "transferência de soberania" para o novo governo interino iraquiano em 30 de Junho, ex-generais de Saddam Hussein que se tornaram membros da elite da resistência iraquiana saíram momentaneamente das suas posições clandestinas para explicarem a sua versão dos acontecimentos e falarem das suas intenções.


No ver destes oficiais do Baas, a "grande batalha" no Iraque ainda está para vir.


"Os americanos prepararam a guerra, nós preparamos o pós-guerra. E a transferência de poder em 30 de Junho em nada vai alterar os nossos objectivos. Este novo governo provisório designado pelos americanos não tem legitimidade aos nossos olhos. Não passam de marionetas."


Porque esperaram estes ex-oficiais tanto tempo para saírem dos esconderijos?


"Porque agora estamos certos de que vamos ganhar."


Encontro secreto
Hotel Palestina, terça-feira, 3 horas da tarde.

Uma semana depois do nosso pedido forma, a perspectiva de um encontro com a resistência vai-se tornando mais improvável.

Chegamos a uma série de becos sem saída - até que um homem que nunca víramos antes se aproxima da nossa mesa.

"Continuam a querer encontrar-se com membros da resistência ?"

Dirige-se à minha colega, uma jornalista árabe que já esteve muitas vezes no Iraque.

A conversa é curta.
"Encontramo-nos amanhã de manhã no Hotel Babel", diz o homem antes de desaparecer.

Contra todas as expectativas, este contacto parece ser mais fiável do que todos os que fizéramos antes.
Hotel Babel, quarta-feira, 9 da manhã.

À entrada do cibercafé, atulhado de mercenários estrangeiros, o homem que víramos na véspera deixa cair as palavras:

"Amanhã às 10 da manhã na rua al-Saadoun, em frente ao Palestina.
Não tragam o vosso carro".
Chegamos ao lugar do encontro na quinta de manhã, de táxi.

O nosso contacto está lá.

Depois de um rápido "Salam Aleikum" entramos no carro dele.

"Onde vamos ?" Sem resposta.
Somos conduzidos durante mais de duas horas.

Em Bagdad, mesmo quanto o trânsito não está completamente bloqueado pelas barreiras militares, os engarrafamentos são permanentes.

Num só ano, mais de 300.000 veículos foram contrabandeados para o país.

Os outros carros todos não têm placas de matrícula e a maior parte dos condutores nem sabe o que quer dizer "carta de condução".
"Não demoramos a chegar. Conhecem Bagdad ?", pergunta o nosso homem.

A resposta é claramente não.

Só aprende a orientar-se nesta imensa cidade que nela circular livremente e a pé.

E os comportamentos criminais, que se espalham como um vírus, a onda de raptos, os 50 ou 60 ataques diários contra as forças de ocupação e a resposta indiscriminada dos soldados americanos, não incentivam nada a andar a pé.
O carro pára numa álea de acesso, junto de um minibus com os vidros fumados.

Abre-se uma das portas.

A bordo estão três homens e um condutor que perscruta atentamente todas as ruas e casas em volta.

Enquanto que nós ignoramos totalmente em que situação nos encontramos, os nossos interlocutores parecem saber muito bem com quem estão a falar.

"Antes de quaisquer conversas, nós não queremos que vocês possam ter dúvidas acerca das nossas identidades", dizem, enquanto tiram alguns papéis de um poeirento saco de plástico: bilhetes de identidade, identificações militares, e várias fotografias que os mostram de uniforme ao lado de Saddam Hussein.

São dois generais e um coronel do desmantelado exército iraquiano, agora em fuga há muitos meses, perseguidos pelas espionagens da coligação.
"Gostaríamos de rectificar alguma informação que anda a circular nos media ocidentais, por isso tomámos a iniciativa de nos encontrarmos convosco".

A conversa dura mais de três horas.


Voltando à queda de Bagdad
"Nós sabíamos que, se os Estados Unidos decidissem atacar o Iraque, não teríamos qualquer hipótese de enfrentar o seu poderio tecnológico e militar. Como a guerra estava antecipadamente perdida, tratámos de preparar o pós-guerra. Por outras palavras: a resistência. Contrariamente ao que tem sido espalhado, nós não desertamos quando as tropas americanas entraram no centro de Bagdad, em 5 de Abril de 2003. Lutamos durante uns dias para honrar o Iraque – e não o Saddam Hussein - e então recebemos ordens para dispersar."
Bagdad caíu em 9 de Abril: Saddam e o seu exército desapareceram.
"Como tínhamos previsto, as zonas estratégicas caíram rapisamente sob o controlo dos americanos e seus aliados. Pela nossa parte, era tempo de executarmos o nosso plano. Já estavam organizados movimentos de oposição à ocupação. A nossa estratégia não foi organizada só quando a regime caíu."

Este plano B, que parece ter totalmente enganado os americanos, foi, segundo estes oficiais, cuidadosamente organizado durante meses ou mesmo anos antes de 20 de Março de 2003, data do início da Operação Liberdade para o Iraque.

Tinha como objectivo "libertar o Iraque e expulsar a coligação. Recuperar a nossa soberania e instalar uma democracia laica, mas não a que os americanos impõem. O Iraque sempre foi um país progressista, nós não queremos voltar para trás, queremos andar para a frente", dizem os três taticistas.

Claro que não darão nomes nem números precisos acerca da rede clandestina.

"Temos o número suficiente, o que não falta são voluntários".


Falluja
A ofensiva mortífera das tropas americanas contra Falluja, em Março, foi um ponto de viragem no que diz respeito à resistência.

A pilhagem indiscriminada dos soldados americanos durante as operações de busca (referida por inúmeras testemunhas) e a humilhação sexual infligida aos prisioneiros, como em Abu Ghraib em Bagdad, serviram apenas para fazer crescer a revolta sentida pela maioria dos iraquianos. "Já não há qualquer confiança, e vai ser difícil reconquistá-la."
Segundo estes dirigentes da resistência, "atingimos o ponto sem regresso".

É exactamente igual o ponto de vista da mulher chiita que havíamos encontrado dois dias antes - antiga militante clandestina da oposição a Saddam: "O maior erro das forças de ocupação foi desprezar as nossas tradições e a nossa cultura. Não lhes basta terem bombardeado as nossas infrastruturas, quiseram destruir o nosso sistema social e a nossa dignidade. Isto, não o podemos permitir. São feridas profundas, vão levar muito tempo a cicatrizar. Preferimos viver sob o terror de um dos nossos a ter de viver na humilhação duma ocupação estrangeira."

Segundo os generais de Saddam, "mais de um ano após o começo da guerra, a insegurança e a anarquia ainda dominam o país. Devido à sua incapacidade para controlarem a situação e manterem as promessas que fizeram, os americanos antagonizaram a população no seu todo. A resistência não se limita a uns milhares de ativistas. Setenta e cinco por cento da população apoia-nos e ajuda-nos, directa e indiretamente, voluntariamente fornecendo informações e escondendo pessoas e armas. E isto apesar de muitos civis serem apanhados como danos colaterais nas nossas operações contra a coligação e os colaboracionistas."

Quem é que eles vêem como "colaboracionistas" ?

"Qualquer iraquiano ou estrangeiro que trabalhe com a coligação é um alvo. Ministros, mercenários, tradutores, homens de negócios, cozinheiros ou empregadas de limpeza, o grau de colaboração não importa. Assinar um contrato com o ocupante equivale a assinar a certidão de óbito. Iraquianos ou não, são traidores. Não se esqueçam de que estamos em guerra."

Os meios de dissuasão da resistência provocaram uma redução incessante da lista de candidatos a postos-chave no governo proposto pela coligação, e isto num país assolado por 13 anos de bloqueio e duas guerras, onde o desemprego se tornou um problema crucial.

O caos ambiente não é a única razão para as pessoas evitarem retomar as suas actividades profissionais.

Se os americanos, rapidamente ultrapassados por toda a situação, viessem a tomar a decisão de reintegrar ex-membros do partido Baas (polícias, agentes secretos, militares, quadros do ministério do petróleo), isso não se aplicaria a toda a gente.

A maior parte das vítimas do decreto de 16 de Maio de 2003 do administrador Paul Bremer que institui a des-baasificação do Iraque são ainda clandestinas.


A rede
Essencialmente composta por baasistas (sunitas e chiitas), a resistência agrupa actualmente "todos os movimentos de luta nacional contra a ocupação, sem distinção confessional, étnica ou política. Ao contrário do que vocês, no ocidente, imaginam, não há no Iraque uma guerra fratricida. Temos uma frente unida contra o inimigo. De Falluja a Ramadi, e incluindo Najaf, Kerbala e os subúrbios chiitas de Bagdad, os combatentes falam a uma só voz.
Tal como o jovem dirigente chiita Muqtada al-Sadr que é, como nós, a favor da unidade do povo iraquiano, multiconfessional e árabe. Nós apoiamo-lo numa perspectiva táctica e logística."
Cada região do Iraque tem os seus próprios combatentes e cada facção é livre

de escolher os seus alvos e o seu modus operandi.

Porém, à medida que o tempo passa, as suas acções são cada vez mais coordenadas.

Os generais de Saddam insistem na inexistência de rivalidade entre estas diferentes organizações, excepto num ponto: qual delas conseguirá eliminar o maior número de americanos.


Armas escolhidas
"Os ataques são meticulosamente preparados. Não podem demorar mais de 20 minutos e operamos de preferência durante a noite ou de manhã muito cedo para limitar os riscos de atingir civis iraquianos."

Eles antecipam a nossa pergunta seguinte: "Não, não temos armas de destruição maciça. Mas temos mais de 50 milhões de armas convencionais."

Por iniciativa de Saddam, um autêntico arsenal foi escondido por todo o Iraque muito antes do começo da guerra. Não é artilharia pesada, não são tanques, nem helicópteros, mas sim Katyushas, morteiros (a que os iraquianos chamam haoun), minas anti-tanque, lança-granadas a propulsão rocket e outros lançadores rocket russos, mísseis, AK 47 e reservas substanciais de todos os tipos de munições. E a lista está longe de ser exaustiva.
Mas a arma mais eficiente continuam a ser os kamikazes.

Uma unidade especial, composta por 90% de iraquianos e 10% de combatentes estrangeiros, com mais de 5.000 homens e mulheres bem treinados.

Basta-lhes uma ordem verbal para conduzirem um veículo carregado de explosivos.
E se as reservas de armas diminuírem ?

"Não nos preocupa, há já algum tempo que fazemos as nossas próprias armas."
E mais não quiseram revelar.


Assumindo a responsabilidade
Sim, nós executamos os quatro mercenários americanos em Falluja, em Março passado.

Mas os soldados americanos demoraram quatro horas a remover os corpos, quando habitualmente o fazem em menos de 20 minutos.

Dois dias antes, uma mulher recém-casada tinha sido arbitrariamente presa.

Para a população de Falluja isto foi o cúmulo, de modo que exprimiu toda a sua fúria sobre os quatro cadáveres.

"Os americanos fizeram coisas bem piores a prisioneiros iraquianos em vida."
O ataque suicida que, em 22 de Setembro de 2003, provocou a morte de Akila al-Hashimi, diplomata e membro do Conselho de Governo Iraquiano, também foi perpetrado pela resistência, tal como o carro-bomba que matou o presidente do órgão executivo iraquiano, Ezzedin Salim, em 17 de Maio deste ano, à entrada da Zona Verde (nome dado pelos iraquianos à Zona Vermelha, devido ao grande número de ataques da resistência).
São também responsáveis pelo rapto de estrangeiros.

"Sabemos muito bem que o rapto de cidadãos estrangeiros prejudica a nossa imagem, mas tentem compreender a situação. Somos forçados a controlar a identidade das pessoas que circulam no nosso território. Se tivermos provas de que são trabalhadores humanitários ou jornalistas, soltamo-los.
Se forem espiões, mercenários ou colaboracionistas, executamo-los.Nesta matéria, queremos deixar claro, não somos responsáveis pela morte de Nick Berg, o americano que foi decapitado."
Tal como o ataque contra a sede da ONU em Bagdad em 20 de Agosto de 2003: "Nunca demos ordem para atacar as Nações Unidas e tínhamos muita estima pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello [representante especial da ONU que morreu no ataque], mas não é impossível que os autores deste ataque suicida venham de outro grupo da resistência. Como explicamos, nós não controlamos tudo. E não se pode esquecer que as Nações Unidas são responsáveis pelos 13 anos de bloqueio que nós sofremos."
E que dizem do ataque de 27 de Outubro de 2003 contra a Cruz Vermelha em Bagdad ?

"Não tivemos nada a ver com isso, sempre tivemos um grande respeito por essa organização e pelas pessoas que trabalham para ela. Que interesse poderíamos ter em atacar uma das poucas instituições que há muitos anos vem ajudando o povo iraquiano ? Sabemos que o ataque foi reivindicado por gente de Falluja, mas podemos afiançar-vos que esses não fazem parte da resistência. E mais: por razões políticas e económicas, há muitos interessados em nos desacreditar."


O pós-30 de Junho
"A resolução 1546 adoptada em 8 de Junho não é mais do que uma nova teia de mentiras aos olhos de muitos iraquianos. Primeiro, porque acaba oficialmente com a ocupação por tropas estrangeiras mas autoriza a presença de uma força multinacional sob comando americano, sem estipular a data da sua retirada.
Segundo, porque o veto iraquiano quanto às operações militares importantes, exigido pela França, pela Rússia e pela China, foi rejeitado. Washington limitou-se a conceder uma vaga noção de partenariado com a autoridade iraquiana e nada estabeleceu para o caso de desacordo. Os iraquianos não são parvos; a manutenção das tropas americanas no Iraque para além do 30 de Junho e o orçamento suplementar que conseguiram do Congresso não deixam dúvidas sobre quem realmente manda no país."

Que dizem acerca de um possível papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)? "Se a OTAN intervier, não é para ajudar o nosso povo, mas sim para ajudar os americanos a saírem deste atoleiro. Se eles quisessem o nosso
bem-estar, deviam ter-se manifestado antes",
dizem os três oficiais enquanto vão olhando para os relógios.

É tarde e já excedemos longamente o tempo que nos foi concedido.
"Aquilo que as tropas americanas não conseguem fazer hoje, não são as tropas da OTAN que conseguirão mais tarde. É preciso que todos saibam: tropas ocidentais serão consideradas pelos iraquianos como ocupantes. Isto é algo em que George W. Bush e o seu fiel amigo Tony Blair têm de pensar muito bem.
Se é certo que ganharam uma batalha, também é certo que ainda não ganharam a guerra. A grande batalha ainda está para começar. A libertação de Bagdad não está longe."

[© Copyright ASIAN TIMES 2004. For fair use only/ pour usage equitable seulement/apenas para utilização equitativa]
Posted by tmi-ap-a

outubro 18, 2004

sábado, 30 de junho de 2007

BIOTERRORISMO


Definitivamente ninguém está a salvo.
O delinqüente Bush e seu bando de malfeitores já teriam gasto mais de 20 bilhões de dólares para desenvolver armas de bioterrorismo, químicas e biológicas ofensivas.
A denúncia é do professor de direito internacional Francis Boyle que rascunhou o Biological Weapons Anti-Terrorism Act de 1989, aprovado pelo Congresso.
Ele acusa o Pentágono de transformar armas defensivas em ofensivas.
E ainda, de o governo dos Estados Unidos estar realizando projeções de combate para “vencer a guerra biológica”.
Tudo isso sem o conhecimento da opinião pública.

posted by bourdoukan

Bush desenvolve armas ilegais de bioterrorismo para uso ofensivo
por Sherwood Ross [*]

Em violação da legislação americana e do direito internacional, a administração Bush está a gastar mais dinheiro (em dólares corrigidos da inflação) para desenvolver armamento ilegal com germens ofensivos do que os US$ 2 mil milhões gastos na Segunda Guerra Mundial com o Projecto Manhattan para fabricar a bomba atómica.
Assim o diz Francis Boyle, o professor de direito internacional que rascunhou o Biological Weapons Anti-Terrorism Act de 1989 aprovado pelo Congresso.
Ele declara que o Pentágono "está agora a preparar-se para combater e 'vencer' a guerra biológica, prosseguindo as directivas estratégicas nacionais adoptadas em 2002 pelos dois governos Bush "sem conhecimento em revisão pública".
O Programa de Defesa Química e Biológica do Pentágono foi revisto em 2003 para implementar aquelas directivas, endossando a iniciativa do ataque ("first-use" strike) com armas químicas e biológicas (CBW, na sigla em inglês), afirma Boyle, que ensina na Universidade de Illinois, Champaign.
Designando a acção como "a proverbial cortina de fumo", Boyle afirma que a missão do controverso programa CBV "foi alterada a fim de permitir o desenvolvimento da capacidade ofensiva e armas químicas e biológicas!"
As mesmas directivas, acusa Boyle no seu livro Biowarfare and Terrorism (Clarity Press), "inconstitucionalmente usurpam e anulam o direito e o poder do Congresso dos Estados Unidos de declarar guerra numa grosseira e descarada violação do Artigo 1, Secção 8, Cláusula 11 da Constituição do Estados Unidos".
No ano fiscal 2001-04, o governo federal financiou US$ 14,5 mil milhões "ostensivamente só para o trabalho da guerra biológica 'civil' ", uma soma "verdadeiramente estarrecedora", escreveu Boyle.
Outros US$ 5,6 mil milhões foram votados para "o projecto enganosamente chamado 'Bio-protecção' ('BioShield'), sob o qual a Segurança Interna (Homeland Securtiy) está a acumular vacinas e drogas para combater o antráx, a varíola e outros agentes de bioterror, escreveu Boyle.
A protecção da população civil, disse ele, é "uma das exigências fundamentais para travar efectivamente a guerra biológica".
O Washignton Post relatou em 12 de Dezembro que ambas as casas do Congresso aprovaram este mês legislação "considerada por muitos como um esforço para salvar o projecto com dois de Bio-Protecção, o qual foi marcado por atrasos e problemas operacionais".
Quando o presidente Bush a assinar, concederá US$ 1 mil milhões mais ao longo de três anos para a investigação adicional "bombear mais dinheiro para o sector privado o mais cedo possível".
"A enorme quantia de dinheiro" aparentemente dedicada à "defesa civil" que está agora a ser gasta "dramaticamente e de forma cada vez maior", escreve Boyle, "trai o esforço desta administração de ser capaz de embarcar em campanhas ofensiva utilizando armas biológicas". Ao despejar somas enormes em laboratórios de universidades e do sector privado, acusou Boyle, o governo federal cooptou e divergiu a indústria americana da biotecnologia para a guerra biológica.
Segundo o biólogo molecular Richard Ebright, da Universidade Rutgers, mais de 300 instituições científicas e 12 mil indivíduos têm acesso a patógenos adequados à guerra biológica e ao terrorismo.
Ebright descobriu que o número de permissões do Instituto Nacional de Saúde para a investigação de doenças infecciosas com potencial para a bioguerra disparou de 33 em 1995 para 497 em 2000.
A participação académica na bioguerra, envolvendo o abuso da engenharia genética do DNA desde os fins da década de 1980, tornou-se "obviamente patente", afirmou Boyle.
"As universidades americanas têm uma longa história de permitirem de bom grado que as suas agendas de investigação, investigadores, institutos e laboratórios sejam cooptados, corrompidos e pervertidos pelo Pentágono e pela CIA".
"Estes desprezíveis cientistas da morte estavam a armar o Pentágono com os componentes necessários para produzir um maciço conjunto de armas biológicas com DNA geneticamente projectado", declarou Boyle.
Num prefácio ao livro de Boyle, Jonathan King, professor de biológica molecular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, escreveu: "os crescentes programas de bioterror representam um significativo perigo emergente para a nossa própria população" e "ameaça as relações internacionais entre os países".
Apesar de tais programas "serem sempre chamados defensives", disse King, "com as armas biológicas, os programas defensivo e ofensivo interpenetram-se quase completamente".
Boyle sustenta que os EUA estão "ruptura" tanto em relação às convenções de Armas Química e Biológicas (Biological Weapons and Chemical Weapons) como em relação à lei criminal interna. Em Fevereiro de 2003, por exemplo, os EUA permitiram-se uma patente de uma granada de longo alcance com armas biológicas.
Boyle considera que outros países perceberão as implicações militares das acções americanas com germens de guerra e responderão da mesma forma.
"O mundo será em breve testemunha de uma corrida às armas biológicas de facto entre os estados mais importantes em biotecnologia sob o disfarce de 'defesa' e apesar das exigências da Biological Warfare Convention(BWC)".
"A proliferação maciça da tecnologia da bioguerra, instalações, assim como cientistas e técnicos treinados por todo os Estados Unidos, cortesia da administração Neo-Com de Bush Jr., tornará uma guerra catastrófica, ou um incidente bioterrorista ou um acidente uma certeza estatística", advertiu Boyle.
Ainda em Setembro de 2001, segundo uma reportagem no New York Times intitulada "U.S. Pushes Germ Warfare Limits", os críticos estavam preocupados porque "a investigação estava perto de violar um tratado global de 1972 que bania tais armas".
Mas responsáveis americanos responderam naquele momento que estavam mais preocupados acerca do entendimento da ameaça da guerra com germens e em desenvolver possíveis defesas.
O tratado de 1972, que os EUA assinaram, proíbe o desenvolvimento de armas que espalhem doenças, tais como a antráx, considerado como o "ideal" para a guerra com germens.
Segundo um artigo no Baltimore Chronicle & Sentinel de 28 de Setembro último, Milton Leitenberg, um veterano advogado do controle de armas da Universidade de Maryland, afirmou que o governo estava a gastar milhares de milhões com a guerra com germens quase sem nenhuma análise da ameaça.
As afirmações de que terroristas utilizarão as armas foram "deliberadamente exageradas", afirmou ele.
Em Março de 2005, 750 biólogos americanos assinaram uma carta a protestar com o que consideram um estudo excessivo das ameaças bioterroristas.
O Pentágono não respondeu às acusações feitas por Boyle.
[*] Escritor free-lance sobre questões políticas e militares.
O original encontra-se em http://www.politicalaffairs.net/article/articleview/4582/1/228/ Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .