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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A RESISTÊNCIA IRAQUIANA


Entrevista com um dirigente militar da Resistência Armada Iraquiana

6 de Maio de 2005


Numha altura em que a guerra de libertaçom nacional iraquiana incrementa a sua intensidade em forma de ataques de todo o tipo contra interesses imperialistas no país, a Campanha Estatal contra a Ocupaçom e pola Soberania do Iraque publicou umha esclarecedora entrevista com um dos dirigentes militares da resistência laica contra a ocupaçom anglo-norte-americana, realizada durante a visita de umha delgaçom dessa entidade ao Iraque.
A seguir, e polo seu interesse para percebermos a natureza dos factos que sacodem o país árabe, oferecemos a traduçom galega da entrevista, como mais um contributo de apoio incondicional do nosso partido à luita do povo iraquiano pola sua soberania nacional:

"Cumpre é manter a resistência armada afastada do fanatismo religioso ou de qualquer identificaçom étnica ou confissional"

Abu Yusef [1] identifica-se como representante da "[…] corrente patriótica das [dissolvidas] Forças Armadas iraquianas integradas na resistência".

Abu Yusef, de apousado falar e expressividade discreta, cabelo e bigode com algumhas brancas, cuja idade pode andar por volta dos 55 anos, é ex-general:

"Parte das acçons da resistência iraquiana contra os ocupantes está a ser dirigida por membros do antigo exército iraquiano", que tinha sido dissolvido, junto ao Partido Baaz, polo administrador da Autoridade Provisória da Coligaçom, Paul Bremer, no Verao de 2003.


A formaçom política correspondente, que integra membros nacionalistas do dissolvido exército iraquiano, denomina-se Movimento de Oficiais Livres (MOL), cujo nome recupera o de umha formaçom clandestina de comandos militares na etapa monárquica prévia à revoluçom republicana de 1958.

Além do Partido Baaz, a Aliança Patriótica Iraquiana e a Uniom do Povo (organizaçom formada por dirigentes e militantes comunistas dissidentes da linha colaboracionista do Partido Comunista Iraquiano), o MOL está a participar no debate para a formaçom de umha denominada Frente de Libertaçom Nacional [2], que deverá apresentar-se como o ramo político da resistência militar à ocupaçom.

Contra o hegemonismo e o sectarismo
O encontro com a delegaçom da CEOSI decorre numha casa de Bagdad sem particulares medidas de segurança.

Sem que seja preciso estabelecê-lo, renunciamos a gravar a conversa, tirar fotos ou filmar.

Abu Yusef adianta no início da sua intervençom umha clara definiçom da resistência iraquiana:
"A resistência iraquiana rejeita o terrorismo, o seqüestro, a extorsom, o assalto a moradias e os ataques contra templos; protege as instituiçons académicas e públicas, umha vez que som património colectivo do povo iraquiano. A resistência iraquiana tem como objectivo expulsar os ocupantes e preservar a unidade do território e do povo iraquianos".


Abu Yusef nom identifica a resistência com umha determinada corrente ideológica nacionalista ou islamista, nem exprime que umha ou outra sejam maioritárias entre os combatentes: "os distintos componentes da resistência partilham o objectivo comum de expulsar os ocupantes e rejeitam a hegemonia ideológica de umha corrente sobre as restantes".

Abu Yusef é categórico no que di respeito à natureza do movimento insurgente: "[…] defenderá o princípio de cidadania e respeitará a vontade popular" umha vez atingida a libertaçom do país dos ocupantes.

Acrescenta que "cumpre é manter a resistência armada afastada do fanatismo religioso ou de qualquer identificaçom étnica ou confissional".
Abu Yusef adere à reiterada consideraçom de todos os nossos interlocutores durante a nossa estada no Iraque quanto à tentativa estado-unidense e das forças colaboracionistas iraquianas de induzir artificialmente um conflito civil no Iraque. [3].

É nessa altura que na reuniom nos mostram umha listagem que inclui um milhar de nomes e dados de pessoas alegadamente contrárias à ocupaçom e que deverám ser assassinadas.

A lista -que foi filtrada por funcionários do ministério iraquiano do Interior à resistência- foi elaborada conjuntamente polas milícias do Congresso Supremo da Revoluçom Islámica no Iraque (CSRII), a organizaçom Badr e as milícias de Ahmad Chalabi, e confirmaria a posta em andamento de esquadrons da morte no Iraque.
Neste mesmo senso, Abu Yusef criticou a fetua (édito islámico) do aiatolá as-Sistani de 22 de Março, em que se sanciona a entrega de informaçom aos serviços secretos e de segurança iraquianos sobre a resistência e a oposiçom, um édito "que nom só nom condena a ocupaçom, como a apoia e beneficia aprofundando simultaneamente no projecto de confronto interno iraquiano", indica o nosso interlocutor.

Objectivos legítimos
Perguntado sobre o nível de unificaçom atingido entre os distintos grupos armados, Abu Yusef frisa que "a resistência está numha fase de melhoramento da sua coordenaçom, enquanto continua o processo de criaçom de comandos unificados territoriais".

Abu Yusef elude responder sobre o número de efectivos da resistência, assinalando que: "o importante nom é tanto o número de combatentes, como o número de civis que a apoiam".
A resistência iraquiana, acrescenta Abu Yusef, "está a desenvolver umha experiência distinta da dos movimentos guerrilheiros do período dentre a II Guerra Mundial e a década de 70", tendo em conta, aliás, que nom dispom de bases seguras como tinha sido o caso, por exemplo, do Vietcong.

Abu Yusef mostra-se nisto muito crítico ao vincar que nengum país árabe limítrofe do Iraque dá qualquer apoio à resistência e que, ao contrário, colaboram com os ocupantes.

A resistência iraquiana, continua Abu Yusef, financia-se exclusivamente com contributos internos iraquianos.
Abu Yusef diferencia entre o que ele denomina "objectivos legítimos" da actividade armada e aqueles que nom som tais:
"Os ocupantes, os traidores e colaboracionistas [som objectivos legítimos da actividade armada]. Som objectivos da resistência igualmente a Polícia iraquiana e a Guarda Nacional, milícias criadas polos ocupantes para se protegerem da resistência e que som utilizadas na actualiadade como vanguarda das forças de ocupaçom [nos operativos contrainsurgentes]".
No entanto, Abu Yusef é categórico ao sublinhar que a resistência nunca recorre a carros armadilhados nem realiza ataques indiscriminados que custarem a vida a civis iraquianos".

"A resistência -acrescenta- recorre a ataques com bomba nas bermas [contra colunas de viaturas das forças de ocupaçom", bombardeamento com mísseis e projécteis de morteiro, lança-granadas e armamento ligeiro".
Abu Yusef refere a expressom "cartas misturadas" para descrever a confusom e manipulaçom das reivindicaçons via Internet de acçons legítimas de resistência como atentados terroristas por parte de grupos associados à rede Al Qaeda ou a az-Zarqawi.

Por vezes, assinala Abu Yusef, algumhas das acçons indiscriminadas adjudicadas a estes ramos som obra de "correntes religiosas de jovens árabes estrangeiros nom associados a Al Qaeda", e desligados da resistência interior.
Som igualmente alvos legítimos a infraestrutura petrolífera, enquanto as empresas estatais iraquianas fornecerem petróleo às empresas estado-unidenses do consórcio Halliburton, bem como as colunas de camions-cisterna que nutrem de carburante as forças de ocupaçom, e que podem ser vistos habitualmente na rede de estradas da periferia da capital escoltados por veículos blindados estado-unidenses.
Todavia, Abu Yusef indica que nem todas as sabotagens contra oleodutos som obra da resistência, um dado que reiterarám outros interlocutores da delegaçom da CEOSI durante a nossa estada no Iraque: em ocasions, designadamente no Sul, mas também na rede Kirkuk-Ceyhan do Norte, funcionários iraquianos associados a mafias repressam clandestinamente o petróleo deitado ou incrementam a cifra da quantidade de crude queimada num ataque para a seguir o venderem de contrabando.


Retirar-se do Iraque
Temos certeza que os EUA vam sair do Iraque, que estám a tentar arranjar maneira de sair do Iraque.

Para tal, estám a estabelecer e proteger entidades e forças [de segurança] internas que som continuidade das milícias dos partidos vindos com os ocupantes: a sua lealdade é ao dinheiro, nom ao País", assinala Abu Yusef.

Após citar Winston Churchill ("os estado-unidenses enganam-se umha vez, voltam a enganar-se umha segundda vez, mas à terceira batem certo"), Abu Yusef afirma nom ter dúvida que mais cedo do que tarde os ocupantes irám abrir umha negociaçom directa com a resistência militar -tentativas de negociaçom que, como outros interlocutores da delegaçom indicarám, estariam já a produzir-se desde há nom menos de oito meses.

Notas:
1. Abu Yusef nom é necessariamente um pseudónimo. Popularmente, nos países árabes, os homens substituem o seu nome civil original polo do seu primeiro filho ou filha precedido por "pai de".
2. A delegaçom da CEOSI tivo acesso a dous rascunhos deste documento, elaborados por distintas organizaçons promotoras da Frante, que num deles acrescenta à denominaçom de Nacional também a de Islámico: Frente de Libertaçom Nacional e Islámica.
3. Abu Yusef enfatiza a toleráncia que tem caracterizado o Iraque tradicionalmente como um exemplo pessoal de curioso sincretismo religioso: a sua mae, mussulmana, ante a demora a engravidar, recorreu a umha imagem da Virgem dos cristaos iraquianos para o conseguir, pondo-lhe velas numha igreja.


http://www.primeiralinha.org/destaques6/entrevista-iraque.htm

domingo, 12 de agosto de 2007

BUSH QUER...?

Saddan desfila entre a população no dia 5 de abril após a invasão iniciada no dia 20 do mês anterior. O povo armado se dispõe a combater os invasores

Bush quer que Israel seja o maior Estado do Oriente Médio

O jornal egípcio Al-Osbou publicou no dia 4 de novembro de 2002 uma entrevista do Presidente Saddam Hussein a Sayyid Nassar, a primeira concedida em 12 anos. Nela Sadam prevê vários acontecimentos após a invasão dos USA.


Inicialmente gostaria de perguntar como o senhor explica a posição árabe a respeito do Iraque, as sanções e ameaça de guerra que pesam sobre o Iraque.

Nós não pedimos aos dirigentes árabes mais do que eles podem dar. Nós avaliamos a posição de cada país, sua posição sobre a carta política e sua atitude de sacrifício é relativo a história do país, às suas capacidades e às opiniões de seus dirigentes. Nós estamos a grosso modo satisfeitos. Os fatores positivos são cada vez mais numerosos enquanto o número de fatores negativos estão em baixa. A tendência geral é uma aproximação com o Iraque. Eu posso honestamente afirmar que os fatores positivos estão progredindo, assim os fatores negativos diminuíram, a medida que a justa escolha política se afirma e domina a cena política.

Senhor presidente,o senhor deve ter às vezes algumas reservas a certos países árabes a respeito do Iraque.

A mim interessa os fatores positivos. Como tenho dito, os fatores negativos desaparecerão por eles mesmos quando todo o mundo entender quais são as verdadeiras intenções, nossas circunstâncias atenuantes, e que este complô é contra nós e contra eles. O Iraque não é o único país ameaçado por complô. O USA quer impor sua hegemonia sobre a região, hostiliza todos os países árabes, sobretudo os que têm uma importância chave. Isto tudo serve a entidades do sionismo internacional.

Senhor presidente, o que o USA quer precisamente do Iraque?

O USA quer destruir o centro de poder no mundo árabe, e pouco lhe importa se este se encontra em Damas ou Bagdá! Observem em torno de vocês e vejam o jogo que eu faço na região. Vejam o que se passa no sul do Sudão, os esforços desenvolvidos para separar o Norte do Sul e para influenciar o nosso grande irmão Egito, (ameaçar) sua unidade nacional, assim como a segurança nacional de todas as nações árabes! Veja o que se passa na Argélia, o que aconteceu e continua acontecendo na Somália e todos os países do “Corne” da África. Veja o que se passa na Palestina, ao que Sharon submeteu os nossos irmãos palestinos. Tudo isto mostra a importância do complô que se arma contra nossas nações árabes.

Senhor presidente, passando do geral para o particular, o que quer o USA do Iraque?

O USA quer impor sua hegemonia no mundo; de início ele quer controlar o Iraque, depois tomar as capitais que resistirem, revoltando-se contra sua hegemonia. O controle militar será feito a partir de Bagdá, atacará Damas e Teerã. Dividirá e causará problemas maiores na Arábia Saudita. Tentará criar pequenas entidades controladas por pessoas encarregadas da segurança e trabalhando para eles, afim de que nenhum país seja maior que Israel, nem quantitativamente, nem qualitativamente. Assim, o petróleo árabe ficará sobre o controle ianque; em particular, as reservas petrolíferas estarão, depois da destruição do Afeganistão, totalmente sob o controle ianque. Toda esta estratégia é de interesse sionista, tendo como objetivo fazer de Israel um grande império na região. O problema do Iraque é que se opõe a todos estes complôs. Pois os outros (países árabes) não entendem que nós os defendemos. Todos deverão perceber que ninguém será remunerado pelo (complô) que se trama atualmente contra o Iraque. Do ponto de vista ianque e sionista, todos (os países árabes) estão no mesmo cerco e, mais tarde, todos terão o mesmo futuro.

Este complô do esfacelamento abrange igualmente a Arábia Saudita e os Estados do Golfo?

Eu não sou destes (sic) que pensam que a Arábia Saudita será dividida e que o Yemen e Oman se beneficiarão da situação, ou que os esforços serão desdobrados para derrubar os emirados do Golfo. Eu penso, ao contrário, que o modelo destes pequenos emirados vá se estender na região. E todos os países importantes como o Iraque, a Síria e a Arábia Saudita serão reduzidos a pequenos emirados logo que os recursos do petróleo se encontrarem nas mãos de minúsculos Estados, de maneira a servir os interesses do USA, e que obterão também o controle total dos poços de petróleo, da Argélia aos países do mar Cáspio. Depois de dominar o Afeganistão, o USA estará pronto para abater o Iraque, o Irã e a Síria.

Senhor presidente, há duas semanas, a Coréia do Norte admitiu, e mais precisamente, anunciou (sem qualquer pressão), que tinha um programa de arma nuclear. Ora, nós não assistimos qualquer reprovação do USA como no caso do Iraque, e além disto o Iraque declarou não ter arma de destruição em massa, como afirmaram os inspetores. O que significa isto no seu entender?

Em uma palavra, a Coréia do Norte não tem petróleo. É o principal ponto. O segundo ponto é que a Coréia do Norte não é inimiga de Israel, e não é também um de seus vizinhos.

Senhor presidente, quero lhe fazer uma pergunta cuja resposta já sei qual será; quero simplesmente sua confirmação. O senhor detém ainda prisioneiros kwaitianos, sabendo que o Kwait exige sua libertação como condições de reconciliação?

O senhor sabe, como todo mundo, que eu anunciei a libertação de todos os prisioneiros, quer fossem por motivos políticos ou outros, quer fossem árabes ou iraquianos. Todos, menos os espiões a serviço de Israel ou do USA. Nós soltamos mesmo os assassinos, com a condição de que seja feito um acordo entre as famílias dos assassinos com as família das vítimas, e que a anistia seja aceita por ambas as partes. As prisões iraquianas tornaram-se as únicas prisões do mundo a ficarem vazias... E os diretores das prisões estão num dilema, porque eles precisam encontrar um emprego já que as prisões estão vazias... Nós transformamos as prisões em orfanatos para atender as vítimas dos ataques cotidianos dos mísseis perpetrados pelo USA no sul e no norte do país, e na região de Bagdá, diante da indiferença do mundo.

Senhor presidente, o senhor pensa que o ataque é iminente?

Nós nos preparamos como se a guerra fosse declarada em uma hora. Nós estamos psicologicamente preparados. O USA, com seus ataques diários, a partir de países vizinhos, seus esforços para nos enfraquecer e matar civis quotidianamente, com seus mísseis aéreos e sua artilharia, nos dá um sentimento de estar em guerra desde janeiro de 1991. Nós estamos portanto preparados para uma guerra. Mas o Iraque não se tornará jamais um Afeganistão. Isto não significa que somos mais fortes que o USA, visto que ele tem mísseis de longo alcance e forças navais, mas que nós temos fé em Alá, em nossa pátria e no povo iraquiano. E, o que não podemos negligenciar, nós temos fé na nação árabe. Esta guerra não será um piquenique para os soldados ianques e britânicos. De modo algum! A terra está sempre do lado de seus proprietários.

Senhor presidente, voltemos ao nosso ponto de partida: o senhor está satisfeito com a posição de um certo número de países árabes a respeito do Iraque, de sua reação aos complôs hostis dos ianques e dos britânicos? O senhor não pensa que há um revés injusto?

Eu estou satisfeito com todos os esforços desenvolvidos para apoiar a sólida posição árabe favorável ao Iraque e à Palestina. O problema não se limita mais ao Iraque: tornou-se um problema de toda a nação árabe, de Tanger à Bagdá. Nosso destino é um, e ele está escrito no sangue dos mártires. Para os que crêem que o Iraque ainda está em disputa com o Kwait, (permita-me precisar que) todos os países árabes têm problemas com os Estados árabes vizinhos. Nós pensamos que todo sucesso obtido por um Estado árabe, qualquer que seja, incluindo o Kwait é (também) um sucesso para nós. O Kwait é uma nação árabe que crê no seu pan-arabismo. O recente ataque de uma base ianque (no Kwait) é a prova.
Nós depositamos uma grande parte de nossa confiança na Nação Árabe. Contrariamente ao que muitos pensam, a nação árabe não está completamente adormecida. As manifestações internacionalistas no mundo árabe e no Ocidente reúnem as forças de milhares de partidários da paz e de opositores à guerra e à agressão contra o Iraque. Estas manifestações representam um desafi
o à extrema direita sionista de Washington que se esforça para destruir o Iraque.

Senhor presidente, o senhor pensa que o tempo trabalha a favor ou contra o Senhor?

Não tenho qualquer dúvida que o tempo trabalha a nosso favor. Logo, a coligação ianque e britânica se desfaz por razões internas, por causa da pressão exercida pela opinião pública ianque e britânica. As nações sabem a verdade e compreendem (as verdadeiras jogadas) que os dirigentes ocupados nos centros sionistas da mídia realizam complôs que os cegam.

Senhor presidente, para voltarmos a questão inicial: o que realmente os ianques querem no Iraque?

Eles querem um Iraque que aceite a hegemonia ianque, tanto política quanto geográfica sobre os recursos árabes. Eles querem um Iraque que aceite igualmente a existência sionista e o seu controle da Palestina. Eles querem um Iraque destituído de toda ideologia pan-árabe, disposto a destruir a Liga Árabe e estabelecer uma organização meio-oriental. Eles querem um Iraque não-árabe dividido em várias nações.

A oposição iraquiana

Senhor presidente, a oposição iraquiana, cúmplice de Washington e de Londres é para o senhor causa de preocupação? Esta oposição poderá ocupar o regime de Bagdá?

Primeiramente, não existe uma verdadeira oposição que possa nos inquietar. Se existe uma (verdadeira) oposição, ela teria que começar a combater dentro das nossas fronteiras para tomar o poder, e não no exterior, a uma distância de dezenas de milhares de quilômetros. E mais, entre os membros da oposição que nós ouvimos falar sem (jamais) os ver, é que nosso povo não o reconhece, há pessoas condenadas por crimes econômicos e outros crimes morais. Estes membros da oposição, de que nos falam, não tem um objetivo comum: eles não procuram (mesmo) esconder que são agentes do serviço secreto ianque e britânico que são pagos por eles, que desviam e esbanjam os nossos recursos. Para concluir, todos eles não lotam nem mesmo um ônibus para Bagdá.
Senhor presidente, houve recentemente um referendum a respeito da renovação do mandato presidencial para sete anos. Alguns indagavam sobre o resultado de 100% a seu favor. De fato, a cultura ocidental é incapaz de compreender a possibilidade de tal percentagem.

Esta (percentagem) é muito reveladora: mostra que eu trato meu povo com justiça e verdade. Para os que pensam que eu não represento meu povo, vejam a prova do contrário. É o resultado de um referendum realizado em uma nação livre, que foi assistido por observadores e jornalistas árabes e estrangeiros, e que testemunharam a ausência de uma pretensa oposição ao regime iraquiano.

Senhor presidente, o senhor não reagiu da mesma maneira à crise atual como a de 1991. Foi o resultado de um estudo de conjuntura atual, ou passada, ou os dois? o que o senhor aprendeu (da experiência passada)?

A política é a ciência. Pois toda a ciência necessita de experiência. O político é um eterno estudante, que passa seu tempo a tirar lições de sua experiência e a dos outros. Nós damos uma grande importância a opinião pública e ao seu impacto e aprendemos com nossas experiências. É humano errar, corrigir e progredir também. Ninguém é infalível, só Alah é perfeito.

Senhor presidente, não é o tempo de nós nos conciliarmos com nossos irmãos curdos do Norte?

Você sabe muito bem que o Iraque lhes deu o que nenhum outro os deu. Você é o primeiro jornalista árabe que entrevistou Mulla Mustafa Al-Barazani, em 1966, e você entendeu o que ele declarou em sua última aspiração: um governo autônomo. O Iraque aplicou com este desejo. Ceder mais voltará favorecer a discórdia, a discórdia que nós recusamos e que foi recusada por todas as pessoas esclarecidas dentre nossos irmão curdos. Nós estamos convencidos que se o USA e a Grã-Bretanha retirarem sua ajuda do Iraque do Norte e cessarem a intervenção, nós poderemos definir nossa posição com toda liberdade e celebraremos a reconciliação da terra e do povo.