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domingo, 27 de janeiro de 2008

ACONTECIMENTO DIVINO EM BAGHDAD




Aliii313
, postou um vídeo de 1′20" mostrando que estava nevando levemente. Na descrição de seu vídeo ele escreve:
this is 1st time in history a light snow fall in baghdad wow, in Jan,11 2008 at 7:00 am…this vedio recorded by mohamed tarik(my brother) in our house garden in ZAYONA-BAGHDAD..ah and the actror was yahia tarik(walk in Boulevard).




Essa é 1ª vez na história que queda de neve leve acontece em Bagdá, uau, 11 de jan 2008 às 7:00 am… esse vídeo gravado por mohamed tarik (meu irmão), em nossa casa no jardim ZAYONA-BAGDADE .. ah e o ator foi Yahia tarik (na caminhada no Boulevard).
Outro usuário do YouTube, hq9sctgd, tem 3 pequenos vídeos diferentes sobre a neve caindo. Veja um deles a seguir:


Iraque: Vídeos da neve em Bagdá
2008-01-15 @ 12:05 PST
Traduzido por Paula Góes· Veja o post original

Países:
Iraq
Tópicos:
Primeira Mão, Meio Ambiente
Línguas:
Arabic
Pela primeira vez na memória em vida, o povo de Bagdá, no Iraque, pôde experimentar algo que até então só tinham ouvido falar ou apenas visto em filmes: nevou durante várias horas sobre a cidade.
No dia 11 de janeiro, muitas pessoas aproveitaram a oportunidade para desenferrujar suas câmeras e registrar este acontecimento: alguns o consideraram um sinal místico dos tempos que estão por vir, vários culparam a mudança climática e outros só aproveitaram a experiência única na vida. Você pode ler o que os blogueiros disseram no artigo escrito por Salam Adil, Iraq: Snow in Baghdad [en].
O usuário SpliceandDice do site de vídeos YouTube foi um dos que acusaram a mudança climática, e em seu vídeo de 1′51", ele mostra algumas cenas de pessoas se movimentando e do trafégo sob uma neve rala.

Aliii313
, postou um vídeo de 1′20" mostrando que estava nevando levemente.
Na descrição de seu vídeo ele escreve:
this is 1st time in history a light snow fall in baghdad wow, in Jan,11 2008 at 7:00 am…this vedio recorded by mohamed tarik(my brother) in our house garden in ZAYONA-BAGHDAD..ah and the actror was yahia tarik(walk in Boulevard).
Essa é 1ª vez na história que queda de neve leve acontece em Bagdá, uau, 11 de jan 2008 às 7:00 am… esse vídeo gravado por mohamed tarik (meu irmão), em nossa casa no jardim ZAYONA-BAGDADE .. ah e o ator foi Yahia tarik (na caminhada no Boulevard).


Outro usuário do YouTube, hq9sctgd, tem 3 pequenos vídeos diferentes sobre a neve caindo. Veja um deles a seguir:
Para mim, é especialmente estranho ver flocos de neve na frente e palmeiras ao fundo, como pode ser visto no vídeo de 49 segundos do YSDallali.
No canal do usuário aowsalmsafir você verá vários outros curtas, um deles de flocos de neve caindo numa Bagdá enfeitada de Palmeiras.
Tigernip disponibilizou conteúdo da Fox News, onde o repórter noticia que a neve teve um efeito mais profundo: não houve relatos de violência durante a manhã e início da tarde, enquanto a cidade inteira admirou o espetáculo, todos juntos.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

OS TRAUMAS DAS CRIANÇAS IRAQUIANAS


Os traumas das crianças iraquianas


25 de Dezembro de 2006
adaptado de um artigo de Dahr Jamail / Inter Press Service
Fonte: IPS


Ahmed Ghazi, comerciante em Faluja, tem fracas razões para armazenar brinquedos inocentes na sua loja.


“É melhor importarmos brinquedos como armas e tanques porque no Iraque são mais vendidos aos rapazes, diz Ghazi à IPS.


“As crianças tentam imitar o que vêem das suas janelas”.


E acrescenta haver também importações especiais para as raparigas, “que preferem bonecas que choram do que outras que dançam, cantam canções ou tocam música.”


O investigador social Nuha Khalil, do Instituto Iraquiano para o desenvolvimento da Criança em Bagdad, disse à IPS que as meninas estão agora a expressar a sua tristeza reprimida, representando o papel de uma mãe preocupada que cuida da sua filhinha.


“Olhando em volta, elas vêem apenas mulheres de luto que perderam os seus entes queridos”, disse Khalil.


“A nossa tarefa de dar conforto a estas meninas e remediar os danos que elas carregam é praticamente impossível”.


Centenas de milhares de crianças enfrentaram qualquer espécie de trauma.

E, para outras, a falta de uma vida normal é, por si mesma, já um trauma enorme.

A falta de entretenimento está a desenvolver uma série de problemas.

Há apenas 10 cinemas em Bagdad e dois parques públicos – destruídos – não sendo minimamente seguros para as crianças.

As crianças não podem brincar na rua e, mesmo em casa, também já não estão seguras.

As Nações Unidas estimam que mais de 100.000 iraquianos fogem do país todos os meses.

O número de iraquianos a viver noutros países árabes é agora superior a 1 milhão e 800 mil.

De acrescentar que, dentro do Iraque, há mais de 1 milhão e 600 mil deslocados.

A Organização Internacional para os Refugiados afirma que o número crescente de pessoas a fugir do Iraque significa que esta crise de refugiados pode, em breve, ultrapassar a de Darfur.

E as crianças sofrem mais por partir e sofrem também ainda mais nos locais para onde forem.


“Crianças sem lar têm tendência a ser rudes e a isolarem-se no novo ambiente e dos novos colegas, diz Hayam al-Ukaili, directora de uma escola primária.


“Não se integram no novo ambiente como deveriam. É como se sentissem que isso lhes é imposto e portanto rejeitam-no simplesmente”.


Professores e assistentes sociais afirmam que as crianças começaram a alimentar um forte ódio aos Estados Unidos.


Já não vêem nos EUA a imagem de uma boa vida.


“As crianças perderam a esperança nos EUA e o governo do Iraque tem contribuído para piorar essa situação”, diz Abdul Wahid Nathum, em Bagdad, um investigador de uma ONG iraquiana que presta apoio a crianças.


“A sua compreensão dos acontecimentos em curso é incrível”, diz ele.


“Provavelmente acontece assim porque os membros mais velhos da família continuam a falar de política e a ver as notícias. Ao falar-se com uma criança de 12 anos, fica-se surpreendido pela quantidade enorme de notícias terríveis que ela tem na cabeça, o que não é correcto, nem saudável.”


“As crianças são as mais afectadas pelos acontecimentos trágicos”, diz, em Faluja, o psicoterapeuta Dr. Khali al-Kubaissi.


“As sua frágeis personalidades não conseguem enfrentar a perda de um pai, de uma mãe ou da casa de família, acontecimentos sempre acompanhados por grande horror. O resultado é catastrófico e as crianças do Iraque estão em perigo sério de cair na solidão ou na violência”.


As dificuldades das crianças são particularmente notórias este ano.


“As únicas coisas que têm nas mentes são armas, balas, morte e medo da ocupação norte-americana,” diz aos repórteres Maruan Abdullah, porta-voz da Associação de Psicólogos do Iraque, aquando da apresentação de um estudo, em Fevereiro deste ano.


O relatório adverte que “ as crianças no Iraque, sujeitas à insegurança extrema em que vivem, nomeadamente com medo de raptos e de explosões, estão a sofrer sérios danos do ponto de vista psicológico.”


A API inquiriu mais de 1.000 crianças por todo o Iraque, num período superior a quatro meses, e verificou que 92% das crianças examinadas tinham problemas de aprendizagem, largamente atribuídos ao clima de medo e insegurança em que vivem.


Com quase metade da população do Iraque abaixo dos 18 anos, o impacto da ocupação, violenta e caótica, é devastador.


Três guerras desde 1980, uma crise de refugiados de proporções impressionantes, a perda de familiares, ataques suicidas, carros bomba e a constante ameaça de invasão das casas pelos soldados ocupantes ou pelos pelotões da morte significam que os jovens iraquianos estão destroçados, tanto do ponto de vista físico como mental.


Nos princípios de Abril de 2003, o Fundo das Nações Unidas para as Crianças estimou que meio milhão de crianças iraquianas estão traumatizadas pela invasão levada a cabo pelos Estados Unidos.


A situação tem piorado terrivelmente desde então.


Num relatório publicado no início do ano pelo Ministro da Educação do Iraque, constata-se que foram mortas 64 crianças e 57 ficaram feridas em 417 ataques a escolas, num período de quatro meses.


Ao todo foram raptadas 47 crianças no seu caminho de ou para casa, durante este mesmo período


Tradução do inglês: TMI-AP (GM)



terça-feira, 3 de julho de 2007

UM PAÍS DESMANTELADO


GUATEMALA
A desilusão de um povo sem perspectiva


Os relatos dos Latinautas acerca de seu quarto destino na expedição que percorre a América Latina mostram uma Guatemala descaracterizada e sem identidade, extirpada de todas suas forças de resistência e incapacitada de se libertar do domínio norte-americano.
Latinautas*




No quarto destino de nossa expedição, chegamos à Guatemala e encontramos um país devastado por anos seguidos de sistemático desmantelamento das instâncias democráticas e de direitos humanos. Para entender um pouco deste cenário desolador, recorremos a uma sinopse da História guatemalteca, que publicamos em artigo à parte, para concluir que a atual situação do país é desesperadora. Conversamos longamente com Yolanda Colóm, guerrilheira sobrevivente que nos narrou passagens terríveis da luta que se estendeu desde a segunda metade da década de 60 até o início da de 80. Esposa do escritor Mario Payeras, Yolanda juntou-se à guerrilha motivada pelo pensamento da Teologia da Libertação, pelas obras sociais do arcebispo de Olinda Dom Hélder Câmara e por manuscritos de Paulo Freyre. O relato a seguir dá conta da atual situação da Guatemala, onde ainda impera a violência contra os índios e as mulheres, onde não há esperança nem trabalho e onde o embaixador dos EUA ainda exerce imensa influência sobre as decisões do governo.Guatemala hoje. Após o período de 1966 a 1982, no qual a Guatemala teve mais desaparecidos, assassinados e presos políticos do que todos os demais países da América Latina juntos, iniciou-se um longo período de tentativas de solucionar o conflito. Somente em 1996, entretanto, foram assinados os acordos de paz.Instalou-se, então, uma democracia aristocrática. O povo pode votar, mas não pode escolher. Os candidatos são brancos, com sobrenomes alemães, austríacos, ingleses, numa população composta de mais de 70% de índios e mestiços. A violência contra os índios e contra as mulheres ainda está legitimada. Os resquícios do genocídio são claros e evidentes. Por lei, aquele que estuprar uma mulher terá o perdão de sua pena se casar com a vítima. O país está esquecido, não possui mais identidade. A resistência cultural é apenas indígena, restringindo-se ao uso de roupas e idiomas próprios. Há um movimento feminista em ascenção. Há nove anos, foi criada a revista La Cuerda, Una Mirada Feminista da Realidad, que luta pelos direitos das mulheres. Há ainda uma resistência de movimentos ecológicos, que lutam contra a privatização de áreas de preservação ambiental e que são criticados pela imprensa que os consideram obstáculos para o desenvolvimento do país. O movimento campesino já não possui as mesmas forças, não há organização e ocorrem manifestações esporádicas. A desilusão encontra-se ligada à situação econômica e social do país. Indices de pobreza e miséria que se comparam aos do Haiti marcam este país que é sinônimo de desesperança e condições de desumanidade.A principal fonte de renda hoje na Guatemala não é mais a banana nem o café. São os imigrantes, ilegais, que trabalham nos EUA e que geram as riquezas desta Nação. Enquanto isso, o embaixador dos EUA na Guatemala está nas colunas sociais. Tem mais poder que o presidente da República em diversos temas do país. Aponta diretrizes econômicas, taxas de juros, políticas sociais. Apoia publicamente as repressões aos movimentos de resistência. E quem ousar derrubar, ou simplesmente ameaçar este sistema, será punido pela democracia ianque.


(*) Latinautas é o apelido dado pela Carta Maior à equipe da expedição "Da América para as Américas", formada por Milena Costa de Souza, Pedro José Sorroche Vieira, Thiago Costa de Souza e Ligia Cavagnari. Eles atravessam as américas, passando por 17 países, percorrendo mais de 25 mil km em busca de uma identidade de resistência à hegemonia política, econômica e cultural exercida pelos EUA.

Leia o especial LATINAUTAS, com a íntegra dos relatos e comentários sobre a expedição "Da América para as Américas". (Leia aqui)