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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

CONTRA A EXECUÇÃO DAS TRÊS RESISTENTES IRAQUIANAS

Contra a execução de três resistentes iraquianas

"As execuções dos que eles chamam 'terroristas' e 'criminosos' têm ocorrido às dúzias desde há um ano para cá.
Uma execução pública teve lugar em Mossul, no norte do Iraque, há dois meses.
Todavia, é a primeira vez que se ouve falar da condenação de mulheres à morte".
Haifa Zangana, escritora e Resistente Iraquiana
Wassan Talib, de 31 anos, Zainab Fadhil, de 25 anos, e Liqa Omar Muhammad, de 26 anos, podem ser enforcadas a qualquer momento, todas condenadas por “atentado contra bens públicos” por um governo que nem sequer é capaz de fornecer energia eléctrica mas enche as ruas de cadáveres.
Estão em Bagdade, na prisão de Al-Kadhimiya.
Duas delas têm filhos pequenos consigo.
A filha de um ano de Liqa nasceu na prisão.
As três mulheres negam as acusações que lhes podem valer a forca.
O parágrafo 156 do Código Penal Iraquiano, nos termos do qual foram julgadas, diz: “A pessoa que voluntariamente cometer um acto com intenção de violar a independência do país ou a sua unidade ou a segurança do seu território e que, pela sua natureza, originar essa violação é punível com pena de morte”.
O governo “fantoche” acusa estas mulheres pelos crimes que ele próprio comete.
Nenhuma das três mulheres foi autorizada a comunicar com um advogado.
Os julgamentos a que foram sujeitas são ilegais à luz das leis internacionais.
As três mulheres são prisioneiras de guerra, cujos direitos são protegidos pela Terceira Convenção de Genebra.
Executá-las seria, não apenas ilegal e sumário, mas completamente imoral.
A civilização mundial reprova a pena de morte, mas os líderes feudais do Iraque fazem das suas execuções um espectáculo público.
Num país onde é evidente não existir um Estado nem um sistema judicial, a ocupação e o seu governo fantoche servem-se, como todos os regimes repressivos na história, de falsos tribunais para exterminar quem se lhes opuser.
Não pode haver um julgamento legal onde não existem as condições civilizacionais para um processo justo, no mínimo com a presença e a segurança de haver advogados.
As mulheres iraquianas são o legado da vida da nação iraquiana.
Ao contrário, o governo instalado pelos EUA, com o seu carácter retrógrado, apenas impõe uma cultura da morte.
No Iraque, que era o país mais progressista da região quanto aos direitos das mulheres, a invasão dos EUA fez eliminar todas as protecções legais.
Os EUA e os seus conspiradores locais, provocando a existência de centenas de milhares de viúvas e reduzindo a vida no Iraque a uma luta pela sobrevivência, colocaram as mulheres na sua mira e agora no cadafalso.
As mulheres são sempre as primeiras e as últimas vítimas da guerra.
Nós admiramos os inumeráveis actos de resistência das mulheres iraquianas, pela sua reacção à cultura de violações, torturas e assassinatos dos EUA e das tropas iraquianas, pela força moral com que continuam a gerar a vida no meio do genocídio promovido pelo Estado, pela dignidade com que tentam assegurar alguma normalidade aos seus filhos e famílias, pela coragem com que sepultam os maridos, os filhos, as filhas ou os irmãos, ou pela acção directa com que enfrentam uma ocupação militar ilegal e falhada.
Exigimos a libertação de Wassan, de Zainab e de Liqa, e de todos os presos políticos do Iraque.
Apelamos a todas as pessoas, organizações, parlamentos, trabalhadores, sindicatos e Estados para que deixem de reconhecer este governo iraquiano, sectário e favorável à ocupação.
Apelamos a que se promovam de imediato protestos em todas as embaixadas do Iraque no mundo.
Não há honra nenhuma no assassínio de mulheres.
A ocupação é a pior das formas de ditadura.
Não são estas três mulheres quem deveria ser acusado em tribunal; é, isso sim, este governo e o seu promotor estrangeiro.
Hana Albayaty
Ian Douglas
Abdul Ilah Albayaty
Iman Saadoon
Dirk Adriaensens
Ayse Berktay
É vital denunciar a condenação à morte das resistentes iraquianas.
Importa repudiar mais esta barbaridade, informar o maior número de pessoas de mais este horror e compelir as autoridades iraquianas a revogar a sentença.
Mais informações em Tribunal Iraque.
# Servido por Dolores Ibárruri pelas 17:20
Comments:
é cada vez mais óbvio que a ocupação americana do iraque não trouxe nada de bom para o povo iraquiano.uma mão cheia de privilegiados enchem os bolsos de dinheiro e as mãos de sangue.as mulheres são um grupo particularmente vulnerável (veja-se a notícia do DN de hoje (http://dn.sapo.pt/2007/02/24/internacional/cem_anos_prisao_para_militar_violou_.html).mas tão capazes de resistir e combater a opressão.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

CARTA DE SADDAM


Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

A carta que Saddam escreveu antes de ser fuzilado



O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, executado na forca,

neste sábado (30), disse em carta de despedida divulgada na quarta-feira (27) que sua execução seria um sacrifício para o país, e que os iraquianos devem se unir para combater as forças dos Estados Unidos.


"Ofereço aqui minha alma a Deus como sacrifício, e se quiser Ele a mandará para o céu com os mártires...", disse Saddam na carta manuscrita.



Os advogados disseram que o texto foi escrito logo depois de Saddam ser sentenciado à morte, em novembro, pela morte de 148 xiitas na aldeia de Dujail, onde o ex-ditador sofreu um atentado em 1982.



A rede britânica BBC publicou os principais

trechos da carta (em inglês). O original foi escrito em árabe.


Leia abaixo a carta de Saddam Hussein, traduzida pelo G1 a partir do material da BBC:



"No passado, como todos vocês sabem, tomei parte no campo de batalha da jihad.
Deus, louvado seja Ele, desejou que eu enfrentasse isso da mesma maneira e com o mesmo espírito no qual estávamos antes da revolução, mas com um problema que é maior e mais severo.
Oh, meus amados, essa situação dura que nós e nosso grande Iraque estamos enfrentando é uma nova lição e uma nova provação que julgará o povo, a cada um de acordo com suas intenções, de forma que ela se torne um sinal diante de Deus e do povo no presente e depois que nossa situação atual se transforme em história gloriosa.
É, acima de tudo, a fundação sob a qual o sucesso das fases futuras da história poderá ser construído.
Nesta situação, e em nenhuma outra, os verdadeiros são os honestos e fiéis, e os opostos a eles são os falsos.
Quando a gente insignificante usa o poder dado a ele pelos estrangeiros para oprimir seu próprio povo, ela só consegue ser sem valor e simplória. No nosso país, só o bem poderá resultar daquilo que estamos experimentando.
À grande nação, ao povo do nosso país, e à humanidade: muitos de vocês sabem que o autor desta carta é fiel, honesto, preocupado com os outros, sábio, de julgamento sólido, decidido, cuidadoso com a riqueza do povo e do estado... e que seu coração é grande o suficiente para abraçar a todos sem discriminação.
Seu coração sofre pelos pobres e ele não descansa enquanto não ajuda a melhorar a condição deles e cuida de suas necessidades.
Seu coração contém todo o seu povo e toda a sua nação, e ele anseia por ser honesto e fiel, sem fazer diferença entre seu povo, a não ser no que diz respeito a seus esforços, eficiência e patriotismo.
Fala hoje em nome de vocês e dos seus olhos, e dos olhos de nossa ação e os olhos dos justos, o povo da verdade, onde quer que a bandeira deles seja hasteada.
Vocês conhecem bem seu irmão e líder, e ele nunca se curvou aos déspotas e, de acordo com os desejos dos que o amaram, permaneceu uma espada e uma bandeira.
É assim que vocês querem que seu irmão, filho ou líder seja... e os que liderarem vocês no futuro deverão ter as mesmas qualidades.
Ofereço aqui minha alma a Deus como sacrifício, e se quiser Ele a mandará para o céu com os mártires, ou então adiará isso... então sejamos pacientes e confiemos nele contra as nações injustas.
Apesar de todas as dificuldades e tempestades que nós e o Iraque tivemos de enfrentar, antes e depois da revolução, Deus Todo-Poderoso não quis a morte para Saddam Hussein.
Mas, se Ele a quiser desta vez, a vida de Saddam é criação Dele. Ele a criou e protegeu até agora.
Assim, por esse martírio, Ele trará glória para uma alma fiel, pois almas mais jovens que Saddam Hussein partiram nesse caminho antes dele. Se Ele quer martirizá-la, nós agradecemos e damos graças a Ele, antes e depois.
Os inimigos de nosso país, os invasores e os persas, descobriram que nossa unidade é uma barreira entre eles e a nossa escravização.
Eles semearam sua discórdia antiga e nova entre nós.
Os estrangeiros que carregam a cidadania iraquiana, cujos corações estão vazios ou cheios do ódio plantado neles pelo Irã, corresponderam a isso, mas como estavam errados quando pensaram que conseguiriam dividir os nobres de nosso povo, enfraquecer sua determinação e encher os corações dos filhos da nação com ódio uns contra os outros, em lugar do ódio contra seus verdadeiros inimigos, que os levaria numa só direção, a lutar sob a bandeira de 'Deus é grande': a grande bandeira do povo e da nação.
Lembrem-se de que Deus permitiu que vocês se tornassem um exemplo de amor, perdão e coexistência fraterna...
Eu os conclamo a não odiar, porque o ódio não deixa espaço para a justiça e nos torna cegos, fecha todas as portas do entendimento e nos impede de pensar de forma equilibrada e fazer a escolha certa...
Também os conclamo a não odiar os povos dos outros países que nos atacaram, e a diferenciar entre os que tomam as decisões e esses povos...
Todos os que se arrependerem -seja no Iraque ou no exterior- devem ser perdoados...
Vocês devem saber que, entre os agressores, há pessoas que apóiam a luta de vocês contra os invasores, e alguns deles foram voluntários para a defesa legal dos prisioneiros, incluindo Saddam Hussein...
Algumas dessas pessoas choraram muito quando me disseram adeus...
Querido e fiel povo, digo adeus a vocês, mas estarei com o Deus misericordioso que ajuda os que se refugiam nele e que nunca desapontará nenhum crente fiel e honesto... Deus é grande... Deus é grande... Longa vida à nossa nação... Longa vida ao nosso povo grande e lutador...
Longa vida ao Iraque, longa vida ao Iraque... Longa vida à Palestina... Longa vida à jihad e aos mujahideen.
Saddam HusseinPresidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas Mujadi Iraquianas
Escrevi esta carta porque os advogados me disseram que a chamada corte criminal -estabelecida e batizada pelos invasores- permitirá que os chamados réus tenham a chance de uma última palavra.
Mas essa corte e seu juiz não nos deram a chance de dizer uma palavra, e deram seu veredicto sem explicação, e leram a sentença – ditada pelos invasores – sem apresentar provas.
Eu queria que o povo soubesse disso."



Publicada por Luiz Carvalho em

11:08 PM
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http://instantefatal.blogspot.com/2007/01/acrta-que-saddam-escreveu-antes-de-ser.html